"Perseguição"
por Marcelo Silva Costa
 
O argumento básico de "Perseguição" (Joy Ride) é um dos maiores senões em tempos de internet: será que a pessoa com quem você troca e-mails ou conversa em um chat é extremamente confiável? 

Paul Walker é Lewis, um estudante universitário que se apaixonou por uma garota que conheceu na infância e, agora, conversa apenas por telefone. Ele não a vê há muito tempo, mas ela acabou um relacionamento e os dois acabam se aproximando, na medida de aproximação que internet e telefones permitem. Mas são férias de verão e Lewis decide ir atrás de seu amor cheio de planos românticos. 

Venna (Leelee Sobieski, que participou de "Nunca Fui Beijada" e "De Olhos Bem Fechados") também está "apaixonada" e topa uma viagem de carro pelos Estados Unidos com seu novo príncipe encantado. Tudo certo até aqui? Quase. 

Lewis segue para buscar Venna, mas, no meio do caminho, descobre que seu irmão mais velho está preso em uma cidade não tão perto, mas não tão longe.  

Fuller (Steve Zahn, de "The Wonders" e "Suburbia") fica contente em ver o irmão, mas seu dom em causar problemas acaba colocando os dois em uma confusão. Um trote via rádio-amador. Um encontro marcado. Um caminhoneiro enganado. Uma morte. Perseguição. Qual o limite de uma brincadeira?

Resumindo assim, "Perseguição" pode parecer chato. Não é. Claro, esbarra o banal e o óbvio aqui e ali, mas é excelente.  Os três atores se saem muito bem e o roteiro funciona a perfeição preenchendo o ambiente com tensão e expectativa.

Percebe-se a mão do diretor John Dahl que já havia feito outros ótimos filmes B, como "Morte por Encomenda" e "O Poder da Sedução". Aqui o suspense aproxima-se, e muito, da série "Pânico", não com os mesmos ingredientes "ilusionistas", porque há muito de real no filme, mas com o mesmo impacto em suspense. 

Terror e humor (e muito merchandising) se encontram na mesma estrada. Diverte e incomoda, afinal, quem nunca deu um trote inocente...