7ª
Erotika Fair SP
por
Marcelo Toledo
Qual a expectativa de quem vai a um
evento como a Erotika Fair? A minha, pelo menos, era encontrar um
ambiente que estimulasse a libido, pois este me parece ser o gancho de
marketing da feira. Imaginei que veria belas mulheres vestidas com roupas
provocantes, distribuindo brindes, folhetos ou demonstrando produtos nos
stands, como se costuma ver nas outras feiras. Quem já foi ao Salão
do Automóvel, a qualquer feira de tecnologia ou até mesmo
à Bienal do Livro sabe do que estou falando.
Assim que cheguei ao estacionamento,
percebi que a minha expectativa não era muito diferente do senso
comum. A maioria das pessoas na fila eram homens, em bandos, e todos com
a ansiedade aparente e sorriso maroto, como era de se esperar. Como os
micos só acontecem com os outros, aviso o caro leitor de que eu
me mantive absolutamente tranqüilo na fila, com todo o ar blasé
que me é característico.
Logo após a bilheteria e a
indefectível revista, o profundo decote de uma bela morena entregava
a todos um sachê com gel íntimo na entrada da exposição,
e isso me fez crer que a minha expectativa se concretizaria. Infelizmente,
logo em seguida veio a decepção. A feira, que já está
em sua sétima edição, e passou por cidades como Florianópolis,
Curitiba e Salvador, além de São Paulo, deveria saber preparar
melhor o ambiente.
Instalada em um velho galpão,
não havia glamour ou cuidado na apresentação dos stands
desta feira. Vários deles estavam vazios, ou apenas com uns pobres
banners pendurados. Poucas mulheres, pois até os atendentes dos
stands de sex shop eram homens. E não acredito que isto poderia
excitar as visitantes, pois estes profissionais manejavam vibradores e
que tais como se fossem peças de máquina de lavar ou telefones
celulares.
E
quais os destaques da feira? Bem, tinha lá uma sósia da Tiazinha,
muito vulgar, que se apresentava cantando um cover da Suzana Alves de hora
em hora. No palco em frente à praça de alimentação,
revezando-se com a falsa Tiazinha, uma Feiticeira mais falsa ainda dançava
ao som do último sucesso da Shakira. Claro que estas atrações
eram apresentadas por uma drag-queen que se achava melhor do que Luciana
Gimenez ou Adriane Galisteu…
Outra curiosidade era a quadra em
que homens e mulheres disputavam futebol no gel. Claro que a empresa que
distribuía o gel íntimo na recepção era a mesma
que ajudava a galera a se lambuzar na tal quadra. Achei uma boa jogada
de marketing, uma das raras boas idéias de marketing que vi neste
evento. Mas sobre isto vou falar mais adiante. Voltemos às atrações.
A feira se dividia em 3 atividades
distintas. Além dos 20 e poucos stands da área de exposição,
havia um "Parque Erótico" e uma sala reservada para shows. No parque,
pagava-se 3 reais para entrar em stands fechados com atividades como massagem
erótica, dança com umas mulheres sadomasoquistas e “swing
games”, entre outras. Uma falha da organização foi não
deixar uma área envidraçada para que o público pudesse
espiar o que se passava no interior das salas. Isto com certeza esquentaria
mais os visitantes.
Também por 3 reais tinha-se
acesso ao palco reservado para os shows. Revezavam-se strippers que, vez
por outra, chamavam pessoas da platéia para interagir. Uma das melhores
bailarinas que vi foi uma tal Renata. Além de dançar bem,
tinha um corpo escultural. Mesmo sabendo que maquiagem e a luz certa fazem
milagres, poderia jurar que aquela garota não tinha vestígios
de celulite. Como já disse, mico só acontece com os outros,
e faço questão de afirmar ao caro leitor que não gritei,
não assoviei, não chamei a moçoila de gostooooosa,
nem ofereci casa, comida e roupa lavada, como certos indivíduos
presentes…
Mas vamos à parte séria.
A Erotika Fair proporcionou um retrato da realidade brasileira deste mercado
de produtos eróticos e de serviços ligados ao erotismo. Mesmo
com bom potencial de negócios e muito dinheiro envolvido, este mercado
ainda está mal organizado, apesar das boas idéias. Um release
divulgado pela organização aponta que as locadoras faturam
anualmente 6 milhões de reais com filmes eróticos. E não
havia nenhuma distribuidora de filmes lá, para promover lançamentos
e fazer noites de “autógrafos” com as atrizes e atores.
O mesmo documento informa que revistas
faturam 48 milhões ao ano, e sites faturam 12 milhões. Mesmo
assim estavam ausentes do evento, com exceção para a revista
Sexy, com os inconfundíveis vendedores de assinatura da Editora
Abril: "Já pegou seu brinde, amigo?". Quem marcou presença
foi a DKT – ONG responsável pela produção das camisinhas
Prudence. Com muito material informativo sobre AIDS e DSTs, eles tinham
um engraçado trailler para vender preservativos a preço de
custo, tanto masculino como feminino.
Em resumo, uma feira de negócios,
boa para empresários do setor, donos de motéis, sex shops,
etc. Para o público em geral, se a minha opinião realmente
bater com o senso comum, a expectativa não foi correspondida. Para
melhorar a imagem do evento junto ao grande público, acho que faltou
mais marketing: distribuição de brindes, contratação
de belas modelos, e mais atrações gratuitas. Quem sabe no
próximo ano, aquela stripper não me chama no palco para uma
massagem erótica? Claro que irei com meu ar blasé, caro leitor…
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