Paixão
Proibida
A falta
de sincronismo do amor
por
Marcelo Silva Costa
Certas coisas ainda me impressionam
no cinema. Uma delas é como um filme tão banal quanto Onegin
(Paixão Proibida) receba elogios entusiasmados da crítica
internacional e consiga um belo desempenho nas bilheterias. É de
se impressionar e agora é a vez do público brasileiro encontrar
Ralph
Fiennes e Liv Tyler nesse dispensável drama do século
19.
Paixão Proibida é
inspirado em um poema de 1833 de Alexander Pushkin, um marco da literatura
russa. A história é a mais clichê possível,
mas sempre esperamos alguma surpresa, ou, no mínimo, um belo desenrolar
da história. Não acontece.
Ralph é Evgeny Onegin, um tipo
à lá Oscar Wilde que recebe uma grande herança de
um tio. Liv Tyler é Tatyana Larina, filha de um vizinho das novas
terras herdadas por Evgeny.
Tatyana apaixona-se. Escreve uma carta,
declara-se, entrega-se. Evgeny recusa o amor de Tatyana. Eu não
nasci para o amor e o casamento, é a sua frase. Seis anos depois,
Tatyana está casada e Evgeny agora a quer. É um dos males
principais do amor: a falta de sincronismo. Tatyana deve abandonar o marido
e se entregar à paixão por Evgeny? Ela conseguirá
enfrentar a sociedade aristocrata da época e, no fundo, a si mesma?
O tema batido poderia ser muito melhor
desenvolvido. A direção de Martha Fiennes, irmã de
Ralph, é frouxa. O filme arrasta-se como um poema chato que nunca
termina. Ralph salva-se, embora seu cabelo esteja terrível e o uso
de espartilho poderia ser deixado de lado. Ralph salva-se, mas seu personagem
não. O inferno o espera. E Liv Tyler é Liv Tyler. Ela é
tão linda, mas tão linda, mas tão linda que deve se
sentir na desobrigação de uma grande atuação.
Seu personagem é gélido, como, aliás, toda paisagem
do filme.
Por ser recorrente, a comparação
é inevitável. Após assistir Paixão proibida,
passe numa locadora e pegue A época da inocência, de
Martin Scorcese, esse sim, dolorido como a rima mais cortante.
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