Ninguém
Precisava Entrar Nessa Fria.
por
hugo
Você
ouve falar que Robert de Niro fará um filme com Ben Stiller, aquele
de Quem Vai Ficar Com Mary?, e começa a suar frio. Mas aí
se lembra de que esse mesmo de Niro já se arriscou em projetos mais
duvidosos, como quando fez O Rei da Comédia com ninguém menos
que Jerry Lewis e isso lhe deixa mais aliviado, por quê, afinal de
contas, daquela vez deu tudo certo, não foi?
Bem, tenho más
notícias: pois dessa vez deu tudo errado.
Não exatamente
por culpa direta dos envolvidos, afinal, ambos já provaram ser competentes
nos seus respectivos gêneros (o diretor Jay Roach não conta,
pois ele mesmo declarou que quem mandava de verdade era Robert de Niro).
Mas, ao contrário de tudo que pode parecer, é justamente
por isso que as coisas dão erradas: é tentada a mistura de
dois tipos de humor que nunca deveriam chegar perto um do outro.
Apesar de não
ser um humorista, de Niro já demonstrou em filmes anteriores (como
no muito bom Máfia no Divã) que pode fazer comédia,
desde que seja um tipo de humor especial no qual ele se encaixa, e bem.
E esse tipo de humor é bastante diferente do experimentado por Ben
Stiller, por ser sutil e não escrachado e irônico ao invés
de debochado.
A situação
de que parte o filme é simples e nada original: rapaz (Ben Stiller)
está noivo, e vai conhecer os seus futuros sogros (Robert de Niro
e Blythe Danner), que claro, têm estilo de vida totalmente diferente
do seu, com outras referências e expectativas. Pior do que isso e
variando a fórmula: o pai da sua noiva (Teri Polo) é um ex-espião
autoritariamente paranóico e toda a família (inclusive a
sua noiva), obedece a essas regras e se porta de maneira totalmente diferente
da que ele está costumado. E é desse contraste e do constrangimento
causado por ele, que deveria sair o humor.
E é o
que acontece (mas, geralmente, em forma de piadas fracas). Porém,
de forma repetitiva ao infinito. Todas as situações e piadas
partem de situações constrangedoras para o personagem de
Ben Stiller, a começar do seu nome (Greg Focker, traduzido como
"Fornika"), passando por sua religião, profissão e gostos
pessoais. E, claro, na sua ânsia em agradar ao futuro sogro, Greg
faz de tudo, e tudo errado, saindo daí as gags físicas, mais
no gênero de Stiller.
Acontece que
tanto constrangimento nas telas chega à platéia e em algumas
piadas dá vontade de rir só de dó. E, inacreditavelmente,
no final ainda é dada a deixa para uma continuação
que é totalmente dispensável. Mas isso não é
nada, pois muito antes, lá pelo meio do filme, quando o final parece
não chegar mais, você percebe que o título nacional
é bastante apropriado ... para você!
hugo
( hugolt@hotmail.com ) colabora
com este zine e sabe que Mr. Robert de Niro é maior do que essas
coisas, mas também acha que ele deveria tomar mais cuidado. |