Magnólia

por hugo
1999

Magnólia é um filme confuso, que não diz muito bem a que veio e nem se preocupa com isso. Como a vida. E não é preciso ter vergonha em se admitir isso, pois é a verdade. Qualquer tentativa de interpretação, aliás, dirá mais sobre quem analisa do que sobre o filme propriamente dito. Dramas vêm e vão e só são importantes enquanto são observados. Só têm importância para quem os vive. Como na vida (você pode achar que os seus dramas particulares são fundamentais; mas, na verdade, ninguém se importa, essa é que é a verdade).

No filme são mostradas algumas histórias envolvendo alguns personagens, que em alguns casos se encontram, e em outros não. Ou seja: a vida, pois isso é a vida.

Você pode descobrir pontos em comuns e relacionar as histórias, mas como saber o que é a verdade? Seriam essas as intenções do autor (ou de Deus?)? Essa pode ser uma das mensagens: já que não existe uma seção que mostra os problemas resolvidos (como nas revistas de palavras-cruzada), então todas as respostas estão certas. Quem prova o contrário? E mais: se todas as respostas estão certas, todas as maneiras de resolver o problema também estão. Ou seja: Viva a vida como achar melhor. Quem pode dizer que você está errado?

Curiosamente só é chamada a atenção para uma coisa: as "coincidências" da vida. Coisas extraordinárias que acontecem e não nos damos conta. Parece ser essa a função da chuva de sapos. Algo fantástico e inexplicável acontece e ninguém se preocupa com isso. Os personagens só reagem a ela enquanto os sapos vivos caem em suas cabeças. Depois disso, ninguém se preocupa mais com ela e vão todos cuidar de suas vidas, como se nada tivesse acontecido (e o mais "chocante" é que a única conseqüência mais imediata da chuva, foi ter salvo uma vida que talvez não merecesse ser salva).

Mas eu disse que ninguém se importa? Então me corrigo: quase ninguém. O menino campeão do Quiz Show parece ter percebido. E pensado que se uma chuva de sapos é possível, talvez ele pudesse pedir mais respeito ao seu pai, talvez a sua vida pudesse ser melhor, talvez não fosse preciso sofrer tanto ...

Mas nada é tão simples. Como não é a vida, também. Bom, o resultado final é que todos perdem (cineasta e público), pois isso não deveria ser cinema. Se fosse literatura, seria melhor.

hugo ( hugolt@hotmail.com ) colabora com este zine e sabe que, estatisticamente, uma chuva de sapos é tão possível quanto sermos felizes.