Caia de Cabeça Nesse Tarantino de Terceira, e Divirta-se.
por hugo

O segredo para se ter alguns momentos de prazer com este filme: não espere muita coisa, nem o encare como um grande policial ou um excelente suspense. Há ingredientes de ambos, e em razoável qualidade, mas tenha paciência e espere pela ação, pois aí a diversão vai correr solta. 

Não que alguém precise de mais do que isso nessa vida, é claro (ou é o seu caso?).

Mas a verdade é que, infelizmente, não avisaram isso ao diretor (John Frankenheimer) e ao roteirista (Ehren Kruger), que tiveram a pretensão de fazer algo mais complexo. O problema, é que confuso não é sinônimo de inteligente e nem sempre, "reviravoltas no roteiro" soam criativas ou convincentes. Não que alguém criado à base de uma (sub?) literatura do quilate de Frederick Forsyth e gibis, ache isso estranho ... porém, na maioria das vezes soa mesmo forçado.

O ponto inicial é interessante, mas vai ser virado do avesso logo-logo: Nick (James Frain), é um prisioneiro prestes a ser libertado, e cujo maior sonho é conhecer Ashley (Charlize Theron, bem gata!) garota com quem ele se corresponde, mas a quem nunca viu pessoalmente (se tudo isso lhe pareceu vagamente familiar, é por que você tem passado muito tempo na Internet). E dividindo esse sonho com ele, está o seu colega de cela, Rudy (Ben Affleck). Nick, entretanto, não sobrevive para aproveitar essa boa vida que se anuncia, mas Rudy está preparado e se aproveita do fato da garota não conhecer Nick. Assim, ele se apresenta à ela como Nick, e todo os seus problemas começam.

Para começar, o irmão dela, Gabriel (Gary Sinise), acompanhou a troca de correpondência entre os dois e descobriu que Nick trabalhou como segurança em um cassino, e claro, conhece toda a segurança do lugar. Agora ele e seus companheiros querem forçar Rudy (que pensam ser Nick) a ajudá-los. 

Achou meio confuso? Pois isso é só o começo. O duro vai ser acompanhar todos os preparativos para o assalto, enquanto todas as (falsas) aparências são viradas do avesso; os personagens tentam explicar uns aos outros (e ao público) o que está acontecendo e o nosso herói, Ben Affleck, tenta se manter vivo.

Mas não se preocupe, pois ele consegue, claro; e se não é só mérito dele fazer o mesmo com a história (todo o elenco tem boa atuação, e os ... "atributos artísticos" de Charlize são bem interessantes), também não faz feio. No mais, é isso: faça um balde de pipocas e preste atenção em todas as seqüências que se passam no cassino (antes e durante o assalto); pois, se o seu desespero for grande, elas servirão para matar um pouco da saudade que a ausência de Tarantino deixou em nossos corações.

E no final (ah, esqueci de avisar: como tudo o mais, ele também é meio difícil de se engolir) você verá que taí um filminho (no sentido carinhoso do termo) bem razoável. Na verdade, isso resume bem e expressa o que você pode sentir ao vê-lo. Quer dizer, a não ser que você seja um chato e considere o cinema uma forma de arte (não que não seja para mim; mas o é de outra forma).

hugo ( hugolt@hotmail.com ) colabora com este zine e ficou meio encabulado de dizer; mas gosta do Ben Affleck, o considera um sucessor em potencial do Bruce Willis (e isso é um elogio!) e não sabe se torce por ele (que tem a voz e a pose), ou pelo Jonnhy Deep (que tem o físico e todo o resto), para o papel principal na adaptação de Preacher.