"25ª Mostra de Cinema de São Paulo" 
por Ana Cecília Del Mônaco
 
Entrevista (Interview, 2000, Korea)
Diretor: Daniel H. Byun
Jung-Jae Lee (Eun-seok) Eun-ha Shim (Yeong-heui), Jae-hyeon Jo,  Min-jung Kweon, Jeong-hyeon Kim, Eun-yong Yang, Deok-jin Lee, Ho-il Jang, Cahrlotte Becquin 
127 min.

Um grupo de jovens cineastas discute seu novo documentário, em uma sala de reunião. Cinema verdade. Citam os ídolos: Orson Welles, Tarantino, entre outros. Repetições das falas, intercaladas com o material que já foi coletado em campo. O filme que eles idealizaram é composto basicamente de entrevistas com pessoas escolhidas sem  ‘nenhum rótulo’ para que falem do amor, contem suas histórias, compartilhem experiências.

O diretor de Interview, Daniel H. Byun focaliza seu personagem principal depois de uns 20 minutos desses recortes, em que já nos sentimos perdidos sem saber a que o filme veio. Ruptura de linguagem? O personagem principal é o diretor do filme dentro do filme. A história dele é visitada em diversas épocas sem ordem cronológica. 

Eis que, durante uma das entrevistas, para o documentário, com uma assistente de cabeleireira, Eun-seok, o diretor dentro do filme, se apaixona pelo seu foco, e a única forma de comunicação entre os dois é através da câmera. Esta é a ironia do filme, apesar de todo o avanço da comunicação, somos enjaulados por esses  simulacros, novos canais, extensões eletrônicas do corpo.  Super pós-moderno. 

Filme segue nesse ritmo de colagens. Eun-Seok e sua paixão pela moça, e pelo filme, vouyerismo. As histórias dos participantes do documentário de Eun-Seok também tomam corpo coadjuvante na trama.  E o jovem diretor, que faz um filme tendo como tema o amor, está aflito por não conseguir expressar o seu próprio. Sua ‘aflição’ é expressada em muitas cenas ‘clichê’: Mãos pelo cabelo, banhos de olhos fechados, socos na parede.

Entrevista também se autodenomina como fazendo parte do movimento, manifesto Dogma, o primeiro da Coréia. Por favor, alguém tire a minha dúvida, não estou mais entendendo o que é Dogma. O filme parece um longo comercial de Carlton, com cores vivas, frutos de filtros e enquadramentos pra lá estudados, plásticos... O final, lembra uma novela, todos os personagens, equipe e elenco do documentário encontram-se... Não vou revelar em que situação.

Lembrete: O filme é longo...