"25ª
Mostra de Cinema de São Paulo"
por
Angélica Bito
As paredes do Chelsea Hotel
(Chelsea Walls, 2001)
Diretor: Ethan Hawke
Elenco: Kevin Corrigan, Rosario
Dawson, Vincent D'Onofrio, Kris Kristofferson,
Robert Sean Leonard, Natasha
Richardson
Ethan Hawke deve ser um dos muitos
jovens encantados com a aura que envolve o Chelsea Hotel, em Nova York.
Foi lá que Sid Vicious teria matado a namorada Nancy Spungen em
78. Jim Carroll, Patti Smith, Andy Wahrol, Mark Twain e Thomas Wolfe também
passaram por aqueles quartos. O Chelsea Hotel era o reduto dos artistas,
principalmente nas décadas de 70 e 80. Portanto, este culto em volta
do nome e do significado do hotel é justo.
Em busca de um pouco de inspiração
- talvez a mesma obtida por todos os significativos artistas que já
passaram pelo lugar -, estão os personagens de As Paredes do
Chelsea Hotel. O filme é de Ethan Hawke, estreante na direção
de um filme, porém quase veterano como ator. Digamos que ele não
se sai mal, talvez inspirado pelas paredes do hotel Chelsea. A fotografia
é boa, a trilha sonora também; o roteiro é cheio de
poesias, o que torna um filme mais poético e reflexivo do que narrativo.
Em As Paredes do Chelsea Hotel,
temos um desfile de personagens com um objetivo em comum: inspiração.
Há um escritor beberrão em busca de inspiração
para seu romance; uma poetisa que escreve (lindos) poemas sobre sua paixão
pelo namorado ausente; um pintor; uma garçonete (Uma Thurman, mulher
de Hawke) um dupla de jovens aspirantes a músicos; um velho cantor
de blues; o próprio diretor que, mesmo não aparecendo nas
telas, acaba mostrando que sua inspiração para fazer o filme
também veio das paredes do hotel. Todos se cruzam nos corredores
do Chelsea, que deixa de ser mera locação e passa a ter status
de personagem.
E eles sofrem: pelo amor que não
chega, pela inspiração que teima a não vir. O desfecho
é o que menos parece importar, mas faz falta. Não só
o desfecho, mas todo o desenvolvimento de uma história. E imaginamos
que o argumento do filme é o que menos importa. Afinal, estamos
no Chelsea Hotel, lugar infestado por ilustres fantasmas do passado que
teimam em não serem deixados para trás.
|