Avassaladoras
por Silvia C. Almeida

Comédias românticas são tipos de filme que não me agradam muito e, quando soube que "Avassaladoras" pertencia a esta categoria, logo imaginei que iria me decepcionar mais uma vez. E isso foi o que infelizmente acabou acontecendo.
Não sejamos tão radicais assim, vai! Nem todas as comédias românticas são ruins. Um exemplo? Eu adorei "O Diário de Bridget Jones" (de Sharon Maguire, 2001), cujo tema é muito parecido com o de "Avassaladoras". Mas, então, o que faz filmes com praticamente a mesma história terem um resultado final tão diferente?

"Avassaladoras" é o segundo longa da diretora Mara Mourão (a estréia foi com o mediano "Alô?", 1998), que conta com um elenco "de peso", incluindo nos papéis principais as presenças dos globais Giovanna Antonelli (sim, a Jade da novela "O Clone") e Reynaldo Gianecchinni (galã da fracassada novela das 7 que terminou recentemente, "As Filhas da Mãe").

A história é centrada em Laura (Giovanna Antonelli), uma mulher solteira, bonita, de 34 anos, designer gráfica bem-sucedida, mas insegura e carente. O motivo? Ela está sozinha há pelo menos um ano e, no desespero, procura pelos serviços de uma Agência de Matrimônios, a Honeymoon.

Laura tem mais três amigas com o mesmo "problema": Betty (Paula Cohen) agarra todos os homens que vê pela frente, mas não consegue nada sério com nenhum; Paula (Ingrid Guimarães) está grávida de um cara com quem fica só por carência; e Tereza (Chris Nicklas, ex-VJ da MTV que estréia como atriz), uma workaholic que não tem tempo para o amor.
Resumindo, são mulheres na faixa dos trinta à difícil procura por alguém, por uma cara metade.

Os homens acabam ficando para segundo plano na história, óbvio.

Embora nomeado como "papel principal" ao lado de Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini tem pouca participação no filme. O galã interpreta o arrogante Thiago, sócio do escritório onde Laura trabalha. O papel de Gianechinni lembra bem o cafajeste Daniel Cleaver, de "O Diário de Bridget Jones", interpretado brilhantemente por Hugh Grant, que também era chefe de Bridget (Renée Zellweger). Gianechinni, entretanto, não obteve o mesmo sucesso que Grant: o "don juan" Thiago não convence e soa artificial. Dá-se a impressão que Gianecchini só sabe interpretar ele mesmo, no papel do galã e bom moço, como o Edu de "Laços de Família".

Caco Ciocler se sai melhor que Gianecchini no papel de Miguel, um homem rústico e de origem árabe, que se envolve com Laura através de um encontro marcado pela Honeymoon. A situação encarada por seu personagem é que parece um pouco "forçada": Miguel é um sujeito simples, feio e estabanado, mas que mesmo assim consegue despertar a atenção de duas mulheres bonitas, ricas e independentes. Porém, as cenas mais hilárias do filme ficam por conta da interpretação de Ciocler, na companhia de Rosi Campos, que dá vida à engraçada e interesseira Lúcia, dona da Honeymoon.

Carregando uma temática parecida com "O Diário de Bridget Jones", "Avassaladoras" poderia ser mesmo um filme ‘avassalador’, mas o roteiro é fraco, não leva consigo o “espírito da coisa”, se você me entende.

Em "O Diário de Bridget Jones", há um retrato mais fiel às mulheres solteiras na faixa dos 30: Bridget está à procura do homem ideal sim, mas não está somente voltada a isso. Em "Avassaladoras", Laura só vai "desencanar" depois de muuuuito tempo. O filme acaba destacando um estereótipo de que a mulher solteira de trinta e poucos anos só pensa em casamento.

Outra cena um pouco "forçada", e até meio machista, é a que todas as mulheres do escritório de Laura começam a confessar uma para a outra que dormiram com o garanhão Thiago. Uma fofoca desse tipo só pode deixar um homem "galinha" ainda mais satisfeito com o seu "poder de sedução", não é mesmo?

Enfim, você pode até sair com um sorriso no rosto após assistir "Avassaladoras", mas ao chegar em casa, vai pensar que deve ser mesmo muito difícil fazer uma comédia romântica boa, ainda mais no Brasil, onde novelas da Rede Globo acabam sendo transportadas para o cinema, junto com suas "estrelas" e "astros". Depois disso, você vai correr para a locadora para pegar um filme de terror, ou aventura, ou quem sabe, "O Diário de Bridget Jones".


Veja como foi a coletiva de lançamento do filme, em São Paulo