{"id":6629,"date":"2012-07-17T23:05:07","date_gmt":"2012-07-18T02:05:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/17\/opiniao-do-consumidor-westmalle\/"},"modified":"2017-04-17T15:08:48","modified_gmt":"2017-04-17T18:08:48","slug":"opiniao-do-consumidor-westmalle","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/17\/opiniao-do-consumidor-westmalle\/","title":{"rendered":"Duas cervejas trapistas da Westmalle"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/westmalle.jpg\" alt=\"westmalle.jpg\" \/><\/p>\n<p>Por duas vezes, nos s\u00e9culos 18 e 19, os Monges Cistercienses da Estrita Observ\u00e2ncia foram proibidos e perseguidos (assim como as demais ordens mon\u00e1sticas). Em 1791, o mestre da Abadia de La Trappe, Augustinus de Lestrange Dubosc, temendo a persegui\u00e7\u00e3o causada pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, deixou o pa\u00eds e decidiu enviar monges para lugares distantes (como It\u00e1lia e Espanha), pensando em novos assentamentos. Um terceiro grupo deveria ser enviado para o Canad\u00e1, mas parou na Antu\u00e9rpia, onde o bispo local fez um convite: \u201cFiquem aqui\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 um convite. O bispo arranjou uma fazenda para o grupo nos Flanders, e nascia assim, em 1974, a Abadia Trapista de Westmalle (cujo nome original \u00e9 Abdij Onze-Lieve-Vrouw van het Heilig Hart van Jezus), que s\u00f3 foi elevada ao posto de abadia em 1836, mesmo ano em que o abade Dom Martinus come\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o de uma pequena cervejaria, com a primeira produ\u00e7\u00e3o abastecendo o almo\u00e7o dos monges em 10 dezembro de 1836. Nascia uma das mais famosas cervejas trapistas.<\/p>\n<p>A cervejaria foi ampliada e reconstru\u00edda em 1865, com base em uma planta usada pelos monges trapistas de Forges (perto de Chimay). As vendas no local j\u00e1 haviam sido iniciadas em 1856 (al\u00e9m de cerveja, os monges faziam \u2013 e fazem at\u00e9 hoje \u2013 p\u00e3o e queijo), mas a Westmalle s\u00f3 passou a ser vendida comercialmente em 1921. Hoje em dia, a Abadia Trapista de Westmalle, com cerca de 20 monges e 40 funcion\u00e1rios, produz 45 mil garrafas por hora de tr\u00eas tipos de cerveja: Dubbel, Trippel e a sazonal Westmalle Exttra.<\/p>\n<p>A Westmalle Dubbel j\u00e1 mostra sua pot\u00eancia no aroma, extremamente alco\u00f3lico, parecendo inclusive mais do que os 7% que o r\u00f3tulo antecipa. Assim que o nariz se acostuma com o \u00e1lcool, notas adocicadas de frutas vermelhas (morango, cerveja) se misturam com mela\u00e7o e caramelo num conjunto sedutor. Na l\u00edngua, o conjunto \u00e9 adocicado e cativante, remetendo primeiramente a cereja, depois a caramelo e licor. O finalmente e extremamente seco, mas deixa um rastro de frutado pelo caminho. Uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Apelidada de \u201cm\u00e3e de todas as Tripel\u201d, a Westmalle Tripel, por sua vez, \u00e9 uma porrada. O \u00e1lcool \u00e9 bem percept\u00edvel desde o primeiro momento, mas o aroma \u00e9 muito mais que isso: \u00e9 uma festa com notas de laranja, mel, floral, canela, l\u00fapulo, malte e o que a sua imagina\u00e7\u00e3o sugerir. Na boca, h\u00e1 um rastro de amargor com toques de c\u00edtrico (principalmente laranja e um pouco de abacaxi) banhados levemente em \u00e1lcool, que v\u00e3o se aclimatando de forma majestosa. Ainda a acho intensa demais, mas, sem d\u00favida, \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p>Hoje em dia \u00e9 facilmente encontrar as duas Westmalle em bons emp\u00f3rios no Brasil, e embora os pre\u00e7os praticados aqui ainda sejam excessivos (entre R$ 15 e R$ 21 a garrafa de 330ml), o retorno do investimento \u00e9 plenamente satisfat\u00f3rio. Vale, ainda, pensar em uma visita ao mosteiro. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.trappistwestmalle.be\/\" target=\"_blank\">site oficial<\/a>\u00a0d\u00e1 todas as informa\u00e7\u00f5es sobre visitas e at\u00e9 estadias mais longas, em que o visitante adentra a trilogia que comanda a abadia (da qual a cerveja \u00e9 apenas para manter a congrega\u00e7\u00e3o): viver para rezar, viver para a comunidade, viver para o trabalho. Quem sabe&#8230;<\/p>\n<p>Westmalle Dubbel<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Dubbel<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 7%<br \/>\n&#8211; Nota: 4,58\/5<\/p>\n<p>Westmalle Tripel<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Tripel<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 9,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 4,75\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/dubbel.jpg\" alt=\"dubbel.jpg\" \/><br \/>\n<em>Bebendo Westmalle no Belgo, peda\u00e7inho da B\u00e9lgica em Londres <\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/top-100-cervejas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por duas vezes, nos s\u00e9culos 18 e 19, os Monges Cistercienses da Estrita Observ\u00e2ncia foram proibidos e perseguidos (assim como as demais ordens mon\u00e1sticas). 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