{"id":3496,"date":"2010-10-18T18:11:37","date_gmt":"2010-10-18T21:11:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/10\/18\/a-menina-o-mamute-e-o-liquidificador\/"},"modified":"2010-10-18T18:12:22","modified_gmt":"2010-10-18T21:12:22","slug":"a-menina-o-mamute-e-o-liquidificador","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/10\/18\/a-menina-o-mamute-e-o-liquidificador\/","title":{"rendered":"A menina, o mamute e o liquidificador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/nina_santa.jpg\" width=\"450\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cA Menina Santa\u201d, Lucrecia Martel<\/strong> (2004)<\/p>\n<p>Considerada por muitos o grande nome do cinema argentino nos \u00faltimos dez anos, Lucrecia Martel mostra (por a + c) com \u201cA Menina Santa\u201d o motivo de tanta admira\u00e7\u00e3o. Todos os elementos de um filme s\u00e3o tratados com extremo cuidado e personalidade. O roteiro, por exemplo, conduz o espectador na trama delicada sem o tornar c\u00famplice (o p\u00fablico idealiza mais do que o filme realmente entrega). A fotografia, por sua vez, procura os \u00e2ngulos pouco comuns, o que passa certo aspecto de voyeurismo e tamb\u00e9m de intimidade sem, no entanto, desvendar a hist\u00f3ria atrav\u00e9s das imagens. Na verdade, nada \u00e9 desvendado. E este \u00e9 o grande m\u00e9rito de \u201cA Menina Santa\u201d (e do cinema de Martel): deixar a id\u00e9ia flutuando na mente do espectador. O que n\u00e3o se mostra \u00e9 o que interessa. Uma pequena aula de cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/mamute.jpg\" width=\"450\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cSoy Cuba, O Mamute Siberiano\u201d, Vicente Ferraz<\/strong> (2004)<\/p>\n<p>Vicente Ferraz estudou cinema na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Ba\u00f1os, em Cuba, e foi l\u00e1 que conheceu a obra que o cineasta russo Mikhail Kalatozov filmou no in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o cubana, em 1960 (logo ap\u00f3s ter conquistado uma Palma de Ouro em Cannes, em 1958). \u201cSoy Cuba\u201d necessitou de quase tr\u00eas anos para ficar pronto, e n\u00e3o agradou ao povo cubano (que n\u00e3o aprovou o olhar dos russos sobre o pa\u00eds) nem tampouco teve sobrevida no Velho Mundo. Foi engavetado logo ap\u00f3s a estr\u00e9ia e redescoberto 30 anos depois por Martin Scorsese e Francis Coppola, que o relan\u00e7aram nos EUA. Ferraz conta a hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o de \u201cSoy Cuba\u201d e conversa com atores e pessoas que trabalharam na realiza\u00e7\u00e3o do filme \u2013 algumas passagens s\u00e3o comoventes. Nos extras ele explica o mais belo plano seq\u00fc\u00eancia do filme (qui\u00e7a da hist\u00f3ria do cinema), obra do fot\u00f3grafo Serguey Urusevsky.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/liquidificador.jpg\" width=\"450\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cReflex\u00f5es de um Liquidificador\u201d, Andr\u00e9 Klotzel <\/strong>(2010)<\/p>\n<p>Eis um dos filmes nacionais mais bacanas deste ano. N\u00e3o que seja perfeito, mas a originalidade do tema e a esperteza do roteiro transformam o drama de um velho liquidificador em uma hist\u00f3ria interessante. E Selton Mello agora pode dizer que \u00e9 um ator pau (ops) pra toda obra. \u00c9 ele quem d\u00e1 voz e alma para o liquidificador que, de uma hora para outra, come\u00e7a a ter sentimentos e conversar com Dona Elvira, uma dona de casa que passa apuros com o sumi\u00e7o repentino do marido. Klotzel brinca muito bem com os clich\u00eas (o policial, a gostosona, o thriller), mas apesar de sua curta dura\u00e7\u00e3o (80 minutos), \u201cReflex\u00f5es\u201d cansa um bocadinho no meio, quando o eletrodom\u00e9stico come\u00e7a a pensar em sua pr\u00f3pria vida. Faltou uma hist\u00f3ria secund\u00e1ria forte para tirar o liquidificador da tomada. Mesmo assim, um filme a ser visto e admirado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Menina Santa\u201d, Lucrecia Martel (2004) Considerada por muitos o grande nome do cinema argentino nos \u00faltimos dez anos, Lucrecia Martel mostra (por a + c) com \u201cA Menina Santa\u201d o motivo de tanta admira\u00e7\u00e3o. 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