{"id":3165,"date":"2010-07-07T01:15:27","date_gmt":"2010-07-07T04:15:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/07\/07\/voce-conhece-roma-e-a-roma-de-fellini\/"},"modified":"2010-07-20T08:28:38","modified_gmt":"2010-07-20T11:28:38","slug":"voce-conhece-roma-e-a-roma-de-fellini","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/07\/07\/voce-conhece-roma-e-a-roma-de-fellini\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea conhece Roma? E a Roma de Fellini?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_fellini.jpg\" alt=\"roma_fellini.jpg\" \/><\/p>\n<p>Na primeira cena, a morte (uma garota segurando uma foice) caminha em uma estrada devastada. Close na placa: Roma, 340 quil\u00f4metros. A declara\u00e7\u00e3o de amor do cineasta Federico Fellini \u00e0 cidade eterna \u00e9 simplesmente devastadora e emocionante. O cineasta ca\u00e7oa da cidade que o abrigou ao mesmo tempo em que faz bel\u00edssimas declara\u00e7\u00f5es de amor. \u201cDevemos ser leais a nossa natureza\u201d. A frase justificativa \u00e9 do pr\u00f3prio Fellini no meio do filme, ap\u00f3s ser pressionado por alguns estudantes que n\u00e3o querem a Roma de todos os filmes: \u201csimp\u00e1tica, confusa e maternal\u201d. Eles querem ver nas telas os problemas dos trabalhadores, da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_2.jpg\" alt=\"roma_2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Um produtor, no entanto, se preocupa: \u201cEste filme ser\u00e1 exibido no estrangeiro. O que v\u00e3o pensar da nossa querida Roma? Que Roma \u00e9 essa cheia de vadios, drogados, hippies nojentos, travestis e estudantes que n\u00e3o querem estudar? As pessoas s\u00e3o m\u00e1s\u201d, diz o senhor grisalho com olhos de quem j\u00e1 viu dias melhores na cidade eterna. A sa\u00edda de Fellini \u00e9 voltar ao passado, direto para um velho teatro pr\u00e9-guerra, em que artistas desafiam o p\u00fablico em n\u00fameros de com\u00e9dia, m\u00fasica e dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_3.jpg\" alt=\"roma_3.jpg\" \/><\/p>\n<p>No entanto, o alarme soa e todos s\u00e3o levados para um abrigo antia\u00e9reo. Bombas caem sobra cidade do Papa enquanto geringon\u00e7as perfuram o subterr\u00e2neo tentando expandir as linhas de metr\u00f4 da cidade. \u201cA cada 100 metros encontramos uma obra hist\u00f3rica\u201d, diz em tom de pesar o dono da companhia. \u201cChamamos os arque\u00f3logos e as obras param por quase um ano. Sabe desde quando existem planos de metr\u00f4 em Roma? 1880. Sempre paramos na burocracia e nas obras hist\u00f3ricas\u201d, diz o senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_1.jpg\" alt=\"roma_1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Fellini, no entanto, n\u00e3o desiste de ser leal a Roma que ele v\u00ea. Ele destr\u00f3i a cidade, e a acaricia. Dezenas de pessoas almo\u00e7am no meio da rua, ao lado dos trilhos dos bondes. Uma crian\u00e7a grita palavr\u00f5es. O pai ri. A c\u00e2mera ent\u00e3o leva o espectador para um ped\u00e1gio de carros, e uma voz em off diz: \u201cQue impress\u00e3o a Roma dos dias de hoje pode dar aos turistas? Vamos entrar pela cidade de carro pela auto-estrada\u201d. O cen\u00e1rio que se v\u00ea \u00e9 de caos completo. Prostitutas e travestis acenam dos acostamentos, animais invadem a estrada, acidentes param o tr\u00e2nsito, buracos aparecem por todos os lados, a chuva alaga as ruas e o congestionamento \u00e9 assustador parando no&#8230;\u00a0 Coliseu. Isso \u00e9 Roma. Ao menos \u00e9 a Roma de Fellini. Quer mais lealdade do que expor a cidade que voc\u00ea ama com todos os defeitos e qualidades de forma t\u00e3o&#8230; visceral?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_4.jpg\" alt=\"roma_4.jpg\" \/><\/p>\n<p>Por\u00e9m, o diretor n\u00e3o para por ai. Ele desanca o papado em um sensacional e corrosivo desfile de moda eclesi\u00e1stica. H\u00e1 muito mais. A c\u00e2mera passeia pelo bairro do Trastevere e flagra um escritor norte-americano que vive em Roma. Assim que v\u00ea a c\u00e2mera, ele come\u00e7a o mon\u00f3logo arrasador: \u201cVoc\u00ea quer saber por que vivo em Roma? Eu poderia dizer que vivo em Roma porque \u00e9 uma cidade central, mas na verdade Roma \u00e9 a cidade das ilus\u00f5es. \u00c9 uma cidade, antes de tudo, da Igreja, do governo e do cinema. Todos fabricantes de ilus\u00f5es. Eu tamb\u00e9m fabrico ilus\u00f5es, assim como voc\u00ea. E quer lugar melhor do que esta cidade, que j\u00e1 morreu tantas vezes, e ressuscitou outras tantas, para ver o verdadeiro final da humanidade atrav\u00e9s da superpopula\u00e7\u00e3o e da polui\u00e7\u00e3o? Me parece o local perfeito para ver se acabamos de vez ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/roma_5.jpg\" alt=\"roma_5.jpg\" \/><\/p>\n<p>A cena termina com um brinde ao final da humanidade. E de Roma. Os restos da cidade, que tamb\u00e9m podem ser chamados de fontes, s\u00e3o iluminados em um passeio de moto na madrugada que \u00e9 pura poesia cinematogr\u00e1fica. Simplesmente sensacional. Sensacional. Sensacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira cena, a morte (uma garota segurando uma foice) caminha em uma estrada devastada. Close na placa: Roma, 340 quil\u00f4metros. A declara\u00e7\u00e3o de amor do cineasta Federico Fellini \u00e0 cidade eterna \u00e9 simplesmente devastadora e emocionante. O cineasta ca\u00e7oa da cidade que o abrigou ao mesmo tempo em que faz bel\u00edssimas declara\u00e7\u00f5es de amor. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3165"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}