{"id":2934,"date":"2010-05-31T20:04:14","date_gmt":"2010-05-31T23:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/31\/wilco-ao-vivo-em-roma\/"},"modified":"2010-06-24T21:09:58","modified_gmt":"2010-06-25T00:09:58","slug":"wilco-ao-vivo-em-roma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/31\/wilco-ao-vivo-em-roma\/","title":{"rendered":"Wilco ao vivo em Roma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4653912309\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/wilco_roma.jpg\" alt=\"wilco_roma.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um dos poucos monumentos tur\u00edsticos de Roma que n\u00e3o tem mais de 2 mil anos, o Parco Della Musica (inaugurado em 2002 e j\u00e1 incluso no roteiro de visitas \u00e0 cidade) n\u00e3o \u00e9 apenas uma obra de arte visual, mas tamb\u00e9m uma catedral sonora. Grandes gomos de madeira no teto permitem que os sons flutuem no ambiente, valorizando quem faz m\u00fasica repleta de detalhes, como o Wilco, promovendo um encontro raro de uma banda perfeita sonoramente com um local de ac\u00fastica impec\u00e1vel.<\/p>\n<p>Jeff Tweedy trouxe a banda para o palco pouco antes das 21h, e assim que suas m\u00e3os tocaram o viol\u00e3o, o som de \u201cAshes Of American Flags\u201d preencheu o teatro desenhado por Renzo Piano dando in\u00edcio a um daqueles momentos especiais que os apaixonados por m\u00fasica sonham a todo momento. Um dos cavalos de batalha do \u00e1lbum que fez o Wilco renascer na hist\u00f3ria da m\u00fasica, \u201cAshes\u201d soou delicada e perfeita abrindo caminho para outra can\u00e7\u00e3o do disco \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d (2002), a usina de desconstru\u00e7\u00e3o desapaixonada \u201cI Am Trying To Break Your Heart\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4654524716\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/wilco2.jpg\" alt=\"wilco2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Logo na segunda can\u00e7\u00e3o do show j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber com clareza a din\u00e2mica que fez a fama do Wilco (e que anda faltando nos \u00faltimos discos de est\u00fadio do sexteto): Tweedy carrega tudo no viol\u00e3o e na voz triste, mas a banda insiste em envenenar a melodia com um arranjo suntuoso abarrotado de trovoadas sonoras. Se fosse s\u00f3 Tweedy solo, o Wilco seria um punhado de can\u00e7\u00f5es bonitas ao viol\u00e3o, mas a tempestade do arranjo transforma uma simples can\u00e7\u00e3o em um momento sublime de arte.<\/p>\n<p>\u201cBull Black Nova\u201d \u00e9 a primeira do disco mais recente do grupo a marcar presen\u00e7a no show, e Nels Cline, o mais brilhante escudeiro de Tweedy na atualidade, pontua a vers\u00e3o (conduzida ao piano) com aspereza. \u201cWilco (The Album)\u201d (2009) foi recebido com frieza pela cr\u00edtica, mas a banda investe tocando seis can\u00e7\u00f5es dele no show (s\u00f3 \u201cYankee\u201d empata em execu\u00e7\u00f5es), e as m\u00fasicas crescem um absurdo ao vivo como se o Wilco tivesse nascido para ser uma banda de palco, e n\u00e3o de est\u00fadio. \u201cOne Wing\u201d, um dos n\u00fameros brilhantes de \u201cThe Album\u201d, surge encorpada e simplesmente arrepia, com Nels Cline arrasando na guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4654524390\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/nels.jpg\" alt=\"nels.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, por cerca de cinco minutos, o mundo p\u00e1ra. Um barulho de microfonia surge em meio ao sil\u00eancio, e o tecladista Mikael Jorgenses dispara no teclado as notas inconfund\u00edveis de \u201cA Shot In The Arm\u201d. A banda vem junto e entrega para os 2800 espectadores uma vers\u00e3o ensurdecedora e arrasadora de um dos cl\u00e1ssicos da primeira fase do Wilco. \u00c9 a sexta m\u00fasica da noite, e o show j\u00e1 poderia ter acabado. Da\u00ed em diante, a banda arranca num crescendo mort\u00edfero no show, mas tudo soa estranhamente menor, imperfeito perto da grandiosidade de \u201cA Shot In The Arm\u201d.<\/p>\n<p>Tweedy s\u00f3 se dirige ao p\u00fablico pela primeira vez quando o rel\u00f3gio anota pouco mais de uma hora de m\u00fasica. \u201cRoma, \u00e9 bom estar aqui\u201d. E conta uma hist\u00f3ria. \u201cEst\u00e1vamos ontem, embasbacados, no Coliseu. E uma americana atr\u00e1s de mim solta a p\u00e9rola: &#8216;N\u00f3s viemos at\u00e9 aqui para ver isso??&#8217;. Definitivamente, eu n\u00e3o sei o que acontece com as pessoas\u201d. Depois, elogia o som da casa e se rende \u00e0 obra do arquiteto Renzo Piano. \u201cEsse lugar \u00e9 muito legal. Obrigado por nos deixarem tocar aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4653908183\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/wilco3.jpg\" alt=\"wilco3.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cOne By One\u201d, lan\u00e7ada em um disco com Billy Bragg, traz Nels Cline na guitarra steel, e ele novamente faz seu show particular, e estica o momento com o instrumento no colo, e uma pequena guitarra nos bra\u00e7os, numa vers\u00e3o pungente de \u201cDeeper Down\u201d. Mas \u00e9 na dobradinha \u201cHandshake Drugs\u201d e (principalmente) \u201cImpossible Germany\u201d que a plateia louva o guitarrista, que sola seu instrumento como se o mundo fosse acabar nos pr\u00f3ximos dois minutos, e a \u00faltima coisa que ele tem a fazer na vida \u00e9 esse solo de guitarra (no Primavera Sound, o p\u00fablico \u201ccantou\u201d o solo).<\/p>\n<p>\u201cVia Chicago\u201d, inebriante, surge em um arranjo que lembra \u201cA Shot In The Arm\u201d (sua c\u00f3-irm\u00e3 do \u00e1lbum &#8220;Summerteeth&#8221;) e \u201cBreak Your Heart\u201d, e conquista a plateia (mas perde para as outras duas em empolga\u00e7\u00e3o). Um mini bloco &#8220;Yankee&#8221; d\u00e1 \u00e0s caras: \u201cWar on War\u201d aparece mais acelerada do que no disco. Ao final, Tweedy confessa: \u201cEssa m\u00fasica soou muito bem aqui\u201d. E provoca: \u201cO \u00fanico problema de tocar num lugar bacana como esse \u00e9 que voc\u00eas ficam estirados como se estivessem dormindo\u201d. O p\u00fablico ri, e aos primeiros acordes de \u201cJesus etc&#8230;\u201d n\u00e3o se cont\u00e9m e se levanta para cantar a can\u00e7\u00e3o, como se fosse um hino.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4654532706\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/neils4.jpg\" alt=\"neils4.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O trecho final da apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 delirante com \u201cHeavy Metal Drummer\u201d abrindo o bloco, que segue com uma vers\u00e3o grandiosa de \u201cHate It Here\u201d, namora os Beatles (e Paul) em \u201cWalken\u201d e d\u00e1 um longo e forte abra\u00e7o em Neil Young com uma vers\u00e3o guitarreira de \u201cI&#8217;m The Man Who Loves You\u201d. O show acaba, e o p\u00fablico, que j\u00e1 tinha tomado as laterais do teatro nos n\u00fameros finais, vai para a frente do palco aguardar a banda, que volta com a boa \u201cThe Late Greats\u201d, emenda com \u201cCalifornia Stars\u201d (assista <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/maccosta\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e termina country rock (com direito a duelo de guitarras entre Nels e Pat Sansone, o guitarrista cover de Tom Petty) com \u201cRed Eye and Blue \/ I Got You (At the End of the Century)\u201d, \u201cHoodoo Voodoo\u201d e \u201cI&#8217;m a Wheel\u201d.<\/p>\n<p>No total, 27 can\u00e7\u00f5es em mais de 2h30 de m\u00fasica confirmam que o Wilco segue imbat\u00edvel no quesito performance ao vivo. Aconte\u00e7a o que acontecer, voc\u00ea precisa colocar como meta em seu futuro ver Nels Cline e Jeff Tweedy ao menos uma vez na vida, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, ao vivo. O que esses dois caras fazem no palco (escorados com excel\u00eancia pela banda) \u00e9 de lavar a alma dez vezes na mesma noite. Embora a banda tenha se acochambrado no classic rock em est\u00fadio (e a imensa presen\u00e7a de cabelos brancos na plateia s\u00f3 pode referendar isso), ao vivo o Wilco \u00e9 uma das raras experi\u00eancias imperd\u00edveis que o rock and roll pode proporcionar no novo s\u00e9culo, um show para se ver e guardar na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/4654525374\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/wilco4.jpg\" alt=\"wilco4.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\nEuropa 2009: Bruce Springsteen ao vivo em Roma (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/20\/tres-horas-de-bruce-springsteen-em-roma-2\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\nEuropa 2010: Complexo Parco Della M\u00fasica, de Renzo Piano (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/30\/parco-della-musica-de-renzo-piano\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Todas as fotos por Marcelo Costa<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/<\/a><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos poucos monumentos tur\u00edsticos de Roma que n\u00e3o tem mais de 2 mil anos, o Parco Della Musica (inaugurado em 2002 e j\u00e1 incluso no roteiro de visitas \u00e0 cidade) n\u00e3o \u00e9 apenas uma obra de arte visual, mas tamb\u00e9m uma catedral sonora. 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