{"id":2789,"date":"2010-05-09T12:31:43","date_gmt":"2010-05-09T15:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/09\/sobre-o-amor-a-musica-e-outras-bobagens\/"},"modified":"2010-05-09T13:57:31","modified_gmt":"2010-05-09T16:57:31","slug":"sobre-o-amor-a-musica-e-outras-bobagens","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/09\/sobre-o-amor-a-musica-e-outras-bobagens\/","title":{"rendered":"Sobre o amor, a m\u00fasica e outras bobagens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/4592291536\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/romulo0.jpg\" alt=\"romulo0.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s o cansa\u00e7o bateu t\u00e3o forte que a inevit\u00e1vel vontade de jogar tudo para o alto fez aquela visita corriqueira. Os amigos apareceram, deixaram coment\u00e1rios especiais, t\u00e3o especiais que me sinto at\u00e9 envergonhado de agradecer. Estamos todos no mesmo barco, afundando, e por mais que essa vontade feladaputa de mandar tudo a merda seja tentadora, ainda n\u00e3o \u00e9 hora.<\/p>\n<p>Mesmo assim, devo e preciso agradecer ao Murilo, ao Carlos, ao M\u00e1rcio, ao J\u00fanior, \u00e0 Cris, ao Andr\u00e9, \u00e0 Erika, ao Daniel, ao Giancarlo, ao Ivan e ao Samuel por dividirem impress\u00f5es com seus coment\u00e1rios e fazer este espa\u00e7o t\u00e3o impessoal parecer uma mesa de bar, e voc\u00eas todos grandes amigos. Coisas do s\u00e9culo 21. E tem gente que ainda tem medo da internet. Eu s\u00f3 posso agradecer pelos amigos que tenho.<\/p>\n<p>Na sexta realizamos a terceira edi\u00e7\u00e3o da Festa Scream &amp; Yell, na Casa Dissenso, e em algum momento ali pelo meio do show, enquanto eu filmava a apresenta\u00e7\u00e3o de Romulo Fr\u00f3es que estava sendo transmitida via web, alguma ficha caiu. O cansa\u00e7o dos dias anteriores foi deixado de lado por uma alegria imensa, que tem uma explica\u00e7\u00e3o muito simples, mas que se perde na correria do mundo moderno: o amor por algo.<\/p>\n<p>No meu caso, eu amo a m\u00fasica de uma maneira t\u00e3o intensa que seria tolo tentar traduzir em palavras. Eu n\u00e3o toco nenhum instrumento, mas a m\u00fasica exerce um poder sobre mim que influenciou alguns dos principais passos da minha vida. Eu n\u00e3o estaria aqui se n\u00e3o fosse a m\u00fasica. E n\u00e3o estaria s\u00f3 n\u00e3o conversando com voc\u00ea agora, mas o Scream &amp; Yell n\u00e3o existiria, e eu n\u00e3o conheceria todos os meus amigos. Minha vida seria outra.<\/p>\n<p>Se essa outra vida seria melhor ou pior, quem vai saber. N\u00e3o tenho base nenhuma para falar dela, apenas algumas suposi\u00e7\u00f5es que indicam que escolhi o caminho certo. No fim das contas, amo a pessoa que sou hoje, e a m\u00fasica tem boa parte na constru\u00e7\u00e3o da personalidade desse cara que conversa com voc\u00ea agora. J\u00e1 escrevi dezenas de vezes: minha alma est\u00e1 realizada faz tempo, o que n\u00e3o quer dizer que vou desistir do mundo.<\/p>\n<p>E foi ali, sei l\u00e1, entre \u201cDo Ponto do C\u00e3o\u201d, \u201cQualquer Coisa em Voc\u00ea Mulher\u201d, \u201cEla Me Quer Bem\u201d e \u201cPara Fazer Sucesso\u201d (entre tantas outras can\u00e7\u00f5es brilhantes) que percebi que fa\u00e7o tudo que fa\u00e7o porque amo a m\u00fasica. Porque ali, com uma c\u00e2mera na m\u00e3o aos p\u00e9s de uma grande banda, me emociono. O som que sai dos altos falantes invade o meu cora\u00e7\u00e3o e me faz ser uma pessoa melhor. Em \u201cO Ch\u00e3o Que Ela Pisa\u201d, Salman Rushdie descreveu com soberba isso que estou sentindo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um mist\u00e9rio t\u00e3o alqu\u00edmico quanto a matem\u00e1tica, ou o vinho, ou o amor. Talvez os p\u00e1ssaros tenham nos ensinado. Talvez n\u00e3o. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exalta\u00e7\u00e3o. Coisa que n\u00e3o temos muito. Nossas vidas n\u00e3o s\u00e3o o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas s\u00e3o, temos de admitir, deficientes. A m\u00fasica as transforma em outra coisa. A m\u00fasica nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se f\u00f4ssemos dignos do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, o momento de sublima\u00e7\u00e3o acontece quando um mero espectador do mundo como eu consegue dividir esse amor pela m\u00fasica com outras pessoas. Ent\u00e3o l\u00e1 estou, sentado com uma c\u00e2mera na m\u00e3o quando percebo que no mesmo lugar existem dezenas de outros amigos aproveitando esse momento m\u00e1gico de felicidade sonora. E tenho participa\u00e7\u00e3o nisso. \u00c9 um sentimento que poderia ser descrito como o nirvana para os budistas, um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, eleva\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>E tudo isso por causa da m\u00fasica, por causa de um show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/4591672933\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/romulo9.jpg\" alt=\"romulo9.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>No palco, o trio afiado que acompanha Romulo Fr\u00f3es soube usar com excel\u00eancia a qualidade de som magn\u00edfica da Casa Dissenso. Era poss\u00edvel ouvir os m\u00ednimos detalhes do som do grupo. Do baixo afiado de Marcelo Cabral \u00e0 levada de bateria singular de Pedro Ito at\u00e9 os devaneios enlouquecedores da guitarra de Guilherme Held, tudo flutuava no ar com uma qualidade raramente vista na noite paulistana, em que os detalhes das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o sufocados pelo tilintar de garrafas vazias de cerveja arremessadas ao lixo.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do grupo, Romulo Fr\u00f3es dedicou-se a embaralhar as m\u00fasicas de seu \u00e1lbum duplo, \u201cNo Ch\u00e3o Sem o Ch\u00e3o\u201d, e entreg\u00e1-las ao p\u00fablico alguns quil\u00f4metros \u00e0 frente das vers\u00f5es registradas em disco. O som amadureceu no palco, e a banda soa \u00e0 vontade, brindando os presentes com \u201cNada Disso \u00c9 Pra Voc\u00ea\u201d (can\u00e7\u00e3o de Romulo e Clima gravada no segundo disco de Mariana Aydar) e dois belos n\u00fameros in\u00e9ditos, que contam com a participa\u00e7\u00e3o de Rodrigo Campos: \u201cOnde Foi Que Nunca Vem\u201d e \u201cO Filho de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Lili, que estava fazendo as fotos que ilustram esse post, em certo momento me disse ao p\u00e9 do ouvido. \u201cEsse \u00e9 o melhor show que eu vi do Romulo\u201d, corroborando minha pr\u00f3pria opini\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o termina com \u201cA Anti-Musa\u201d, um fragmento de espa\u00e7o\/tempo que marca o encontro improv\u00e1vel de Nelson Cavaquinho com Sonic Youth. O noise tomou conta do ambiente, em quase dez minutos de del\u00edrios musicais.<\/p>\n<p>Grandes shows podem ocorrer em qualquer cantinho do planeta, por\u00e9m, muitas vezes, n\u00e3o estamos na vibe para assisti-los. Sabe aquele ditado que diz que o apaixonado percebe com mais facilidade as belezas do mundo? Isso. Um show n\u00e3o depende s\u00f3 de quem est\u00e1 no palco, mas sim de toda uma constela\u00e7\u00e3o de acontecimentos que leva cada pessoa a estar naquele lugar no mesmo momento. E o sentimento que nasce desse encontro pode gerar mil e uma interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A minha sobre a noite de sexta-feira \u00e9 a seguinte: o melhor lugar do mundo para se estar entre 22h de sexta e 3h do s\u00e1bado era a Casa Dissenso, na Rua dos Pinheiros, 747. Eu n\u00e3o queria estar \u00e0 beira da Torre Eiffel, em Paris, na Piazza San Marco, em Veneza, no melhor restaurante do mundo, em qualquer outro show que fosse. Se eu tivesse que voltar no tempo, agora, quereria estar ali, no mesmo lugar, sentindo aquilo novamente.<\/p>\n<p>E isso tem muito a ver com a presen\u00e7a de dezenas de amigos (e o Eric, a Muriel, a Lita, o Jo\u00e3o e o Elson, da Casa Dissenso, j\u00e1 se incluem nessa categoria), que n\u00e3o s\u00f3 foram para ver o show, como tamb\u00e9m para apoiar o trabalho que eu e o Tiago Agostini estamos fazendo. A vibe do lugar era t\u00e3o boa, mas t\u00e3o boa, que at\u00e9 deu vontade de fazer como Marcel Duchamp, e condensar \u201c50 Miligramas do Ar da Casa Dissenso\u201d num vidrinho, para guardar.<\/p>\n<p>Uma das coisas que tiro dessa noite especial\u00edssima \u00e9 que nesse processo todo que estamos vivendo no cen\u00e1rio brasileiro, amar a m\u00fasica \u00e9 essencial. Ultimamente a m\u00fasica tem sido deixada em segundo, terceiro plano enquanto a pol\u00edtica e os desejos pessoais tomam a frente. N\u00e3o tem como dar certo, pois \u00e9 um sentimento oco, falso, sem alma. Pensa-se o formato, organiza-se o movimento, mas o mais importante \u00e9 deixado de lado, como se a m\u00fasica fosse um mero adere\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cGosto de n\u00e3o ter de ouvir m\u00fasica porque tenho que ouvir m\u00fasica, mas ouvir m\u00fasica porque sem ela n\u00e3o consigo conceber a pr\u00f3pria vida\u201d, escreveu certa vez Ana Maria Bahiana, uma apaixonada. O show foda do Romulo Fr\u00f3es na Casa Dissenso me trouxe de volta essa sensa\u00e7\u00e3o que a Ana descreve, e encerrou de maneira brilhante o primeiro semestre de atividades do Scream &amp; Yell. Agora \u00e9 se concentrar na viagem e\u00a0 ir matutando um monte de novidades legais que v\u00e3o pintar em junho.<\/p>\n<p>O site n\u00e3o para nesse per\u00edodo de viagem. Al\u00e9m do di\u00e1rio de f\u00e9rias (que voc\u00ea poder\u00e1 acompanhar aqui pelo blog) teremos as entrevistas, os textos de cinema, m\u00fasica, cobertura de shows e tudo aquilo que movimento o site normalmente. Scream &amp; Yell 10 anos amando a m\u00fasica. E viagem na bota. Obrigado de cora\u00e7\u00e3o pela paci\u00eancia, pela leitura e pelos pensamentos positivos. \u00c9 hora de seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/4592295058\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/romulo11.jpg\" alt=\"romulo11.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias atr\u00e1s o cansa\u00e7o bateu t\u00e3o forte que a inevit\u00e1vel vontade de jogar tudo para o alto fez aquela visita corriqueira. Os amigos apareceram, deixaram coment\u00e1rios especiais, t\u00e3o especiais que me sinto at\u00e9 envergonhado de agradecer. Estamos todos no mesmo barco, afundando, e por mais que essa vontade feladaputa de mandar tudo a merda seja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2789"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}