{"id":2151,"date":"2009-10-04T23:51:13","date_gmt":"2009-10-05T02:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/10\/04\/um-fim-de-semana-em-taubate\/"},"modified":"2009-10-04T23:51:13","modified_gmt":"2009-10-05T02:51:13","slug":"um-fim-de-semana-em-taubate","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/10\/04\/um-fim-de-semana-em-taubate\/","title":{"rendered":"Um fim de semana em Taubat\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/taubate.jpg\" alt=\"Pra\u00e7a Dom Epaminondas, Taubat\u00e9\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o lembro a \u00faltima vez que eu tinha ido pra Taubat\u00e9, mas fazia um bom tempo. Uns cinco anos. Por ai. Desde que minha m\u00e3e passou a vir me ver em S\u00e3o Paulo, perdi o la\u00e7o que tinha com Taubat\u00e9. Ok, tenho grandes amigos l\u00e1, pessoas de que sinto uma saudade imensa v\u00e1rias vezes, mas n\u00e3o consigo me organizar a ponto de reservar um fim de semana completo e correr atr\u00e1s de todos. Estou ficando cada vez mais caseiro, e minha casa \u00e9 o meu reino, o lugar em que mais me sinto bem em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a viagem deste fim de semana teve um q de nostalgia imenso. Talvez por Lili ter ido comigo, e eu ter sentido a minha personalidade despida, afinal, apesar de ter nascido em S\u00e3o Paulo e ido para Taubat\u00e9 com cinco anos, foi l\u00e1 que aprendi a ser quem eu sou. Eu cresci e me transformei nessa confus\u00e3o de id\u00e9ias sem sentido passando mais de vinte anos de minha vida em Taubat\u00e9. N\u00e3o tem como n\u00e3o ter sido influenciado. Felizmente, a influ\u00eancia foi boa. Acho.<\/p>\n<p>Aqui cabe um trecho de &#8220;Primeiro o Amor, Depois o Desencanto&#8221;, de Douglas Coupland: &#8220;Eu sempre me orgulhei de n\u00e3o ter sotaque algum, mas ent\u00e3o percebi que o meu sotaque era o sotaque de lugar nenhum. \u00c9 por isso que eu nunca senti realmente que eu era de algum lugar&#8221;. Mais ou menos isso. S\u00e3o Paulo sempre correu nas minhas veias, e eu sempre soube que voltaria para c\u00e1, mas mesmo hoje em dia, vivendo aqui faz 10 anos, n\u00e3o me sinto nascido aqui. E j\u00e1 come\u00e7o fazer planos sonhadores de ir embora.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o caminho longamente por algumas ruas de Taubat\u00e9. Passo por lugares que presenciaram primeiros beijos e come\u00e7os de namoro. O passado esbarra em mim, e mancha de saudade a minha alma. Eu vivi tudo isso. Eu vivi essa cidade. Observo lugares em que trabalhei, outros em que estudei, e ainda outros em que bebi e comi. Encontro amigos. N\u00e3o resisto e fujo \u00e0 noite procurando o gosto de um sandu\u00edche familiar. E fico feliz de descobrir que o gosto permanece o mesmo.<\/p>\n<p>A cidade n\u00e3o para. N\u00e3o me lembro quem me deu essa foto acima. Nem a data dela. Deve ser anos 40. Ou 50. Quando mudamos para Taubat\u00e9, nos anos 70, a pra\u00e7a Dom Epaminondas j\u00e1 era bem diferente, mas ainda n\u00e3o tinha o cal\u00e7ad\u00e3o, que surgiu no final dos anos 80, se n\u00e3o me engano. \u00c9 uma imagem po\u00e9tica, ao menos para mim. Agora tudo soou mais triste. As lojas em que comprei tantos vinis se fecharam. A pra\u00e7a est\u00e1 diferente. Me lembro punk, de cal\u00e7as detonadas, vivendo hist\u00f3rias engra\u00e7adas ali. Foi.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o nostalgia terminou num fim de tarde no S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo. Morei alguns anos na Rua Pedrinho, que termina na Rua Pica-Pau Amarelo, que cruza a Rua Em\u00edlia e se transforma em Rua Visconde de Sabugosa, que segue at\u00e9 o s\u00edtio. Adorava ir ao local jogar futebol. Hoje fiquei olhando minha sobrinha brincar com personagens de Monteiro Lobato enquanto uma menininha de uns dois anos tentava pular corda \u2013fof\u00edssima sem tirar os p\u00e9s de ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Na casa antiga, de tinta descascando e falta de reboco em alguns ambientes, em que se transformou meu cora\u00e7\u00e3o, Taubat\u00e9 tem um canto especial no quarto das minhas mem\u00f3rias mais queridas. Eu abro uma gaveta e dezenas de hist\u00f3rias se jogam em meu colo, tentando se ajeitar diante da fragilidade da organiza\u00e7\u00e3o das minhas lembran\u00e7as. N\u00e3o posso fazer muito por elas, al\u00e9m de carreg\u00e1-las comigo pelo resto de meus dias. Acho que ambos ficamos felizes por isso. E a vida continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o lembro a \u00faltima vez que eu tinha ido pra Taubat\u00e9, mas fazia um bom tempo. Uns cinco anos. Por ai. 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