{"id":17351,"date":"2018-04-11T08:39:36","date_gmt":"2018-04-11T11:39:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17351"},"modified":"2018-04-11T08:47:52","modified_gmt":"2018-04-11T11:47:52","slug":"dylan-com-cafe-dia-42-the-rolling-thunder-revue","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/11\/dylan-com-cafe-dia-42-the-rolling-thunder-revue\/","title":{"rendered":"Dylan com caf\u00e9, dia 42: Rolling Thunder Revue"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17352 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"485\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder-278x300.jpg 278w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 42: em 1969, o jornalista Greil Marcus escreveu um longo texto na Rolling Stone lamentando que Bob Dylan, nos anos 60, tenha lan\u00e7ado \u201capenas\u201d 9 discos em 8 anos. Corte para os anos 2000, que v\u00e3o ver apenas tr\u00eas discos in\u00e9ditos de Dylan na primeira d\u00e9cada. Por\u00e9m, se o material novo n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o farto (ou melhor, estar\u00e1 adaptado \u00e0s necessidades do mundo moderno), o ba\u00fa de raridades trar\u00e1 surpresas maravilhosas aos f\u00e3s do homem. Ap\u00f3s encantar o p\u00fablico com a reedi\u00e7\u00e3o imperd\u00edvel do show no Royal Albert Hall, em Manchester, 1966 (o show do \u201cJudas!\u201d), no volume 4 das Bootleg Series em 1998, a Columbia voltou a produzir ouro no formato de compact disc a laser em 2002 quando compilou em dois CDs (e um DVD extra b\u00f4nus) alguns dos momentos mais brilhantes da mais brilhante turn\u00ea de Bob Dylan, a The Rolling Thunder Revue 1975 \u2013 ou como compara o bi\u00f3grafo Brian Hilton, uma turn\u00ea que se equivale a m\u00edtica turn\u00ea de 1966, mas se l\u00e1 havia uma batalha entre banda e p\u00fablico toda noite, aqui os shows s\u00e3o pura celebra\u00e7\u00e3o de amor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17353 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/revue.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"335\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/revue.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/revue-300x223.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em novembro de 2002, \u201cThe Bootleg Series Vol. 5: Bob Dylan Live 1975, The Rolling Thunder Revue\u201d \u00e9 uma volta a um tempo que n\u00e3o existe mais. Bob vislumbrou a ideia da turn\u00ea quando estava em f\u00e9rias na C\u00f3rsega e a inspira\u00e7\u00e3o surgiu das trupes italianas de \u201ccommedia dell-arte\u201d, uma forma de teatro popular que aparece no s\u00e9culo XV, na It\u00e1lia, e se desenvolveu posteriormente na Fran\u00e7a, e cujo intuito era opor-se (muitas vezes por necessidade) a com\u00e9dia erudita com apresenta\u00e7\u00f5es realizadas em ruas e pra\u00e7as, companhias itinerantes de estrutura e esquema familiar e atores que seguiam apenas um roteiro simplificado e tinham total liberdade para improvisar e interagir com o p\u00fablico. Ao chegarem a cada cidade, pediam permiss\u00e3o para se apresentar nas suas carro\u00e7as ou em pequenos palcos improvisados. Com exatamente esse mesmo mote, quando voltou \u00e0 Nova York, Bob Dylan juntou um grupo de m\u00fasicos do Greenwich Village, convidou alguns amigos e caiu na estrada (com dois \u00e1lbuns matadores fresquinhos de base de repert\u00f3rio: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/07\/dylan-com-cafe-dia-16-blood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blood on The Tracks<\/a>\u201d e o ainda n\u00e3o lan\u00e7ado \u2013 mas j\u00e1 gravado e tocado na tour \u2013 \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/09\/dylan-com-cafe-dia-18-desire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desire<\/a>\u201d) no mesmo modelo italiano: as casas de shows, pequenas e intimas, eram reservadas sob pseud\u00f4nimo, e a banda aparecia disfar\u00e7adamente e come\u00e7ava seu \u201cteatro\u201d: Bob Neuwirth fazia seu set, T-Bone Burnett dava um pitaco, Dennis Hopper declamava um poema, Mick Ronson (que havia deixado a banda de David Bowie para acompanhar Dylan) tocava \u201cLife On Mars\u201d e Bob Dylan ent\u00e3o surgia para um set ac\u00fastico. Meia hora depois, Roger McGuinn assumia o lugar de Dylan, tocava algumas coisas do Byrds e passava a fun\u00e7\u00e3o para Joan Baez, que tocava durante cerca de 40 minutos. Dylan ent\u00e3o voltava para encerrar a noite em formato banda com mais uma hora de show! No total, mais de 3 horas de espet\u00e1culo noite ap\u00f3s noite.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17354 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"390\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder1.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dylan_thunder1-300x260.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Na teoria apaixonada dos hippies, lindo. No papel, por\u00e9m, as contas n\u00e3o estavam fechando, o que tornou esses primeiros 30 shows (de outubro a dezembro de 1975) \u00fanicos. Bob queria que essa turn\u00ea durasse para sempre, mas ela n\u00e3o resistiu nem at\u00e9 o natal de 1975, e quando a trupe retornou a estrada em 1976, num modelo de shows em est\u00e1dios e grandes gin\u00e1sios, a magia j\u00e1 tinha se perdido (e sido registrada no canto de cisne da turn\u00ea, o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/11\/dylan-com-cafe-dia-19-hard-rain\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hard Rain<\/a>\u201d). A inoc\u00eancia, as m\u00e1scaras pintadas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fellinianas<\/a>, os duetos imperd\u00edveis, a voz de Dylan em seu auge (\u201cEle nunca cantou dessa forma, nem antes, nem depois\u201d, escreveu o jornalista Peter Doggett), a emo\u00e7\u00e3o genu\u00edna da The Rolling Thunder Revue 1975 surge compilada nas 22 can\u00e7\u00f5es (retiradas de quatros shows) destes dois CDs (uma pena n\u00e3o ser um lan\u00e7amento qu\u00e1druplo ou qu\u00edntuplo, afinal o CD duplo n\u00e3o faz justi\u00e7a ao espet\u00e1culo de tr\u00eas horas), todas da primeira perna da tour, quando sonhar ainda era poss\u00edvel. Assim como o show de 66 em Manchester, esse \u00e9 outro momento m\u00e1gico da m\u00fasica moderna digitalizado para a posteridade. Deleite-se.<\/p>\n<p>Ps. Muitas imagens dessa turn\u00ea aparecem no filme &#8220;Renaldo &amp; Clara&#8221; (1978), escrito por Dylan e Sam Shepard, e dirigido por Bob. S\u00e3o quase quatro horas de proje\u00e7\u00e3o com cenas de shows, entrevistas\u00a0 documentais e vinhetas dram\u00e1ticas de fic\u00e7\u00e3o que refletem as letras e a vida de Dylan \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YwSZvHqf9qM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DEG01shJaEE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sR0WiQCUzNc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\"><em>Especial Bob Dylan com Caf\u00e9<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 42: em 1969, o jornalista Greil Marcus escreveu um longo texto na Rolling Stone lamentando que Bob Dylan, nos anos 60, tenha lan\u00e7ado \u201capenas\u201d 9 discos em 8 anos. 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