{"id":17309,"date":"2018-04-08T11:19:45","date_gmt":"2018-04-08T14:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17309"},"modified":"2018-04-08T15:46:55","modified_gmt":"2018-04-08T18:46:55","slug":"dylan-com-cafe-dia-40-royal-albert-hall","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/08\/dylan-com-cafe-dia-40-royal-albert-hall\/","title":{"rendered":"Dylan com caf\u00e9, dia 40: Royal Albert Hall"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17311 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/bob.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"444\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/bob.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/bob-300x296.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 40: A boa recep\u00e7\u00e3o e o sucesso do lan\u00e7amento das \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/30\/dylan-com-cafe-dia-33-bootleg-series-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Bootleg Series \u2013 Volumes 1\/3<\/a>\u201d em 1991 abriu os olhos da Columbia Records para algo que pirateiros sabiam desde os anos 60: al\u00e9m de artisticamente revolucion\u00e1rio, o extenso material raro de Dylan era altamente vend\u00e1vel. Criou-se ent\u00e3o uma divis\u00e3o na gravadora para, arqueologicamente, pesquisar o acervo, e o primeiro lan\u00e7amento que viria a tona seria a oficializa\u00e7\u00e3o de um dos \u00e1lbuns piratas mais famosos de todos os tempos, que come\u00e7ou a circular em vinil j\u00e1 no come\u00e7o dos anos 70 com os nomes mais variados: &#8220;<a href=\"http:\/\/www.bobsboots.com\/boots\/bt-i014.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">In 1966 There Was<\/a>&#8221; (1970), &#8220;<a href=\"http:\/\/www.bobsboots.com\/boots\/bt-r012.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Royal Albert Hall\u00a0Concert 1966<\/a>&#8221; (1970), &#8220;<a href=\"http:\/\/www.bobsboots.com\/boots\/bt-r014.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Royal Albert Hall<\/a>&#8221; (1971), entre dezenas de outros. A Columbia iria lan\u00e7a-lo pela primeira vez completo, e chegou a remasteriza-lo e a anunciar o projeto em 1995, mas decidiu engaveta-lo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17313 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/therewas.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"410\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/therewas.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/therewas-300x273.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Como tudo que cerca a m\u00fasica de Dylan, a remasteriza\u00e7\u00e3o caiu nas m\u00e3os dos pirateiros, e novamente a festa se fez. A Columbia ent\u00e3o retomou o projeto e, finalmente, em outubro de 1998 chegava \u00e0s lojas num inv\u00f3lucro de luxo \u201cThe Bootleg Series \u2013 Volume 4: Live 1966 The Royal Albert Hall Concert\u201d. Com um som muito melhorado e um livreto com fotos incr\u00edveis de \u00e9poca, um dos \u00e1lbuns piratas mais desejados por f\u00e3s de Dylan em todo o mundo (Jimmy Page incluso) enfim via a luz do laser e a agulha do vinil de maneira oficial al\u00e9m de corrigir um equivoco: durante muito tempo pensou-se que o \u00e1udio desse show fosse o da apresenta\u00e7\u00e3o no Royal Albert Hall em Londres, diante de toda realeza brit\u00e2nica, dos Beatles e dos Rolling Stones, mas, na verdade, era o \u00e1udio do show que ocorreu em Manchester, no Free Trade Hall, vulgo Royal Albert Hall, 10 dias antes. Vivendo no limite, constantemente chapado e parindo obras primas a cada minuto, Dylan passava por uma rotina traum\u00e1tica em seus shows da turn\u00ea de 1966.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/adCrkOY5vDQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A primeira parte da apresenta\u00e7\u00e3o o trazia num set ac\u00fastico, folk, solo. J\u00e1 na segunda, Dylan subia ao palco eletrificado acompanhado pelos barulhentos Hawks, e era constantemente vaiado. O clima era t\u00e3o tenso que havia boatos de gente armada no p\u00fablico pronta para alveja-lo durante o set el\u00e9trico. Extremamente simb\u00f3lico, \u201cThe Bootleg Series \u2013 Volume 4: Live 1966 The Royal Albert Hall Concert\u201d capta tudo isso em detalhes. Do sil\u00eancio respeitoso com que o p\u00fablico ouve na primeira parte vers\u00f5es absolutamente sublimes de \u201cVisions of Johanna\u201d, \u201cDesolation Row\u201d, \u201cIt\u2019s All Over Now, Baby Blue\u201d e \u201cJust Like a Woman\u201d ao in\u00edcio de caos assim que os Hawks disparam uma can\u00e7\u00e3o nunca gravada em est\u00fadio por Dylan, \u201cTell Me, Momma\u201d, que, segundo Jon Spencer, \u201cisso \u00e9 punk rock, cara\u201d. Em \u201cI Don\u2019t Believe You\u201d, Bob Dylan provoca: \u201cA coisa costumava ser daquele jeito, mas agora \u00e9 assim\u201d. O p\u00fablico ri, nervosamente. A tens\u00e3o s\u00f3 aumenta. Seguem-se, entre gritos da plateia, \u201cJust Like Tom Thumb\u2019s Blues\u201d (\u201c\u00c9 poss\u00edvel sentir o gosto do suor e o cheiro do medo\u201d, observa o bi\u00f3grafo Brian Hinton), \u201cLeopard-Skin Pill-Box Hat\u201d, \u201cOne Too Many Mornings\u201d (\u201cQue soa como o mais violento cl\u00e1ssico local entre United e City\u201d, compara Hinton) e uma raivosa \u201cBallad of a Thin Man\u201d (\u201cH\u00e1 um monte de Mr. Jones na plateia, um deles provavelmente com uma faca. Ou com algo ainda mais perigoso\u201d, suspeita o bi\u00f3grafo).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/znrlLDG0ynU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O gesto final desta apresenta\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica e hist\u00f3rica n\u00e3o poderia ter sido mais simb\u00f3lico: a banda est\u00e1 afinando os instrumentos, preparando-se para al\u00e7ar voo no \u00faltimo n\u00famero da noite sob o barulho de uma plateia inquieta, que berra coisas desconexas at\u00e9 que, enfim, uma voz se sobressai na multid\u00e3o: \u201cJudas!\u201d, algu\u00e9m claramente grita. Aplausos efusivos irrompem no teatro. \u201cN\u00e3o acredito em voc\u00ea\u201d, diz Dylan ao microfone. \u201cVoc\u00ea \u00e9 um mentiroso\u201d, completa. Ele ent\u00e3o se vira para a banda e ordena: \u201cPlay fucking loud!!!\u201d. E \u201cLike a Rolling Stone\u201d surge como o Apocalipse em oito minutos vorazes. O show termina entre vaias e aplausos. N\u00e3o h\u00e1 pedidos de bis. N\u00e3o haver\u00e1 bis. De maneira surrealista, \u201cDeus Salve a Rainha\u201d ecoa no ambiente. Este show termina e, ap\u00f3s ele, Dylan faria apenas mais cinco apresenta\u00e7\u00f5es (as duas \u00faltimas no Royal Albert Hall londrino) e interromperia a turn\u00ea de maneira abrupta, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/01\/13\/bob-dylan-world-tours-1966-1974-dvd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">devido a um acidente de moto<\/a>. Traumatizado, ele s\u00f3 voltaria a fazer uma turn\u00ea 8 anos depois, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/06\/dylan-com-cafe-dia-15-before\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em 1974<\/a>. Primeiro registro oficial em \u00e1udio desse ano doido (o hist\u00f3rico registro em v\u00eddeo &#8211; acima &#8211; foi feito por\u00a0 D.A Pennebaker, que havia filmado a turn\u00ea europeia de Dylan em 65 para o document\u00e1rio &#8220;Don&#8217;t Look Back&#8221;, lan\u00e7ado em 1967, e acompanhado Dylan na turn\u00ea de 66 com as filmagens permanecendo in\u00e9ditas\u00a0at\u00e9 2004, quando foram encontradas numa pilha de filmes danificados pela \u00e1gua recuperados do cofre de Dylan e inclusas no document\u00e1rio &#8220;No Direction Home&#8221;, de Martin Scorsese), este show, posteriormente, ganhou relan\u00e7amento no box completista \u201cThe 1966 Live Recordings\u201d, lan\u00e7ado em 2016, com 36 CDs compilando 23 shows desta turn\u00ea que sacudiu a m\u00fasica moderna. Um cl\u00e1ssico. V\u00e1 atr\u00e1s!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0IOGdmYimIk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\">Especial Bob Dylan com Caf\u00e9<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 40: A boa recep\u00e7\u00e3o e o sucesso do lan\u00e7amento das \u201cThe Bootleg Series \u2013 Volumes 1\/3\u201d em 1991 abriu os olhos da Columbia Records para algo que pirateiros sabiam desde os anos 60: al\u00e9m de artisticamente revolucion\u00e1rio, o extenso material raro de Dylan era altamente vend\u00e1vel. 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