{"id":16661,"date":"2008-08-26T14:28:02","date_gmt":"2008-08-26T17:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16661"},"modified":"2018-01-31T14:30:38","modified_gmt":"2018-01-31T17:30:38","slug":"jukebox-cat-power","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/08\/26\/jukebox-cat-power\/","title":{"rendered":"\u201cJukebox\u201d, Cat Power"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16662 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/catpower.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"223\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/catpower.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/catpower-300x149.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>\u201cJukebox\u201d, oitavo \u00e1lbum da carreira de Chan Marshall, chegou \u00e0s lojas no final de janeiro deste ano, mas n\u00e3o chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. O segundo \u00e1lbum de covers da cantora \u2013 o primeiro, \u201cThe Covers Record\u201d, foi lan\u00e7ado em 2000 \u2013 veio na esteira da beleza de \u201cThe Greatest\u201d, de 2006, e por alguma conjun\u00e7\u00e3o c\u00f3smica passou pelo meu MP3 Player voando. Em Londres reencontrei o \u00e1lbum com capinha metalizada semelhante a dos vinis e um CD extra com cinco faixas b\u00f4nus. Foi ouvir novamente e\u2026 me apaixonei.<\/p>\n<p>Tento rememorar os sentimentos de janeiro, mas poucas coisas daquelas audi\u00e7\u00f5es retornam a minha mem\u00f3ria castigada por aventuras e desventuras. Lembro que o disco soava calmo e elegante no come\u00e7o, momento em que Cat Power usava para ninar seu ouvinte preparando-o para o final, mais denso. N\u00e3o sei o que foi que me afastou do \u00e1lbum naquele per\u00edodo, mas devemos sempre testar o limite de nossas primeiras impress\u00f5es, para o bem e para o mal.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de \u201cJukebox\u201d lembra muito o de \u201cThe Covers Record\u201d: nos dois discos temos can\u00e7\u00f5es de Bob Dylan (\u201dPaths of Victory\u201d em um, \u201cI Believe in You\u201d em outro), cl\u00e1ssicos incontestes em vers\u00f5es deliciosamente pessoais (\u201dI Can\u2019t Get No Satisfaction\u201d, dos Stones em um; \u201cNew York, New York\u201d, famosa com Frank Sinatra e Liza Minelli em outro) ou mesmo revis\u00f5es pr\u00f3prias (\u201dIn This Hole\u201d, do \u00e1lbum \u201cWhat Would the Community Think?\u201d em um; \u201cMetal Heart\u201d, do \u201cMoon Pix\u201d, em outro).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se o modo de escolher o repert\u00f3rio atrai semelhan\u00e7as, a forma com que Chan Marshall recria as can\u00e7\u00f5es \u00e9 totalmente diferente. Se \u201cThe Covers Record\u201d era um trabalho mais intimista, centrado no viol\u00e3o da cantora, \u201cJukebox\u201d \u00e9 um trabalho conjunto entre artista e banda, no caso a The Dirty Delta Blues Band (quarteto acrescido de mais cinco nomes em est\u00fadio), grupo que a acompanha desde as grava\u00e7\u00f5es de \u201cThe Greatest\u201d, em Memphis, em 2006.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a do modus operandi faz com que o apelo indie dos primeiros \u00e1lbuns desapare\u00e7a cedendo lugar a uma sonoridade classuda que transpira charme, eleg\u00e2ncia, suingue e romance. \u201cNew York, New York\u201d, \u201cLost Someome\u201d (James Brown), \u201cAretha, Sing One for Me\u201d (George Jackson), \u201cRamblin\u2019 (Wo)Man\u201d (Hank Williams) e mesmo o blues tradicional \u201cLord, Help The Poor and Needy\u201d s\u00e3o convites a dan\u00e7a (com uma pessoa qualquer, com o ar ou uma ta\u00e7a de seu alco\u00f3lico predileto).<\/p>\n<p>Interessante: Cat Power precisou parar de beber para fazer m\u00fasica para b\u00eabados (de amor, desamor ou \u00e1lcool, quando n\u00e3o os tr\u00eas ao mesmo tempo). A cantora abandonou os palcos em 2006 com depress\u00e3o profunda e tend\u00eancias suicidas devido ao uso excessivo de narc\u00f3ticos e alco\u00f3licos. Retornou \u201climpa\u201d e recuperada (ap\u00f3s rehab, psiquiatria e doses homeop\u00e1ticas de Billie Holiday e Joni Mitchell) com \u201cThe Greatest\u201d, de longe seu melhor \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Esse lado lamacento tamb\u00e9m marca presen\u00e7a em \u201cJukebox\u201d rendendo momentos memor\u00e1veis como a arrasadora \u201cMetal Heart\u201d, que faz a vers\u00e3o anterior soar como demotape; \u201cDon\u2019t Explain\u201d (Billie Holiday), com um piano que parece querer cutucar feridas; como o clima country de \u201cA Woman Left Lonely\u201d, de Spooner Oldham que, inclusive, toca piano e \u00f3rg\u00e3o na can\u00e7\u00e3o que ficou famosa na voz de Janis Joplin; como o blues\u201dSilver Stallion\u201d (Lee Clayton) ou a densa vers\u00e3o de \u201cBlue\u201d, de Joni Mitchell.<\/p>\n<p>Bob Dylan \u00e9 homenageado em dose dupla: com uma revis\u00e3o de \u201cI Believe In You\u201d, do \u00e1lbum \u201cSlow Train Coming\u201d, que surge amparada por uma guitarra limpa e marcante que contagia; e com \u201cSong To Bobby\u201d, \u00fanica faixa in\u00e9dita do disco, uma declara\u00e7\u00e3o de amor recheada de frases como \u201cEu tinha um passe para o camarim em minhas m\u00e3os \/ Te dar o meu cora\u00e7\u00e3o era o meu plano\u201d ou \u201cMinha chance \/ No meio do est\u00e1dio em Paris, Fran\u00e7a \/ Eu posso finalmente te pedir \/ Para voc\u00ea ser o meu homem \/ Abril em Paris, eu posso te ver? \/ Por favor, voc\u00ea pode ser meu homem?\u201d.<\/p>\n<p>No disco b\u00f4nus, mais cinco vers\u00f5es: \u201cI Feel\u201d, do grupo de hip hop Hot Boys, surge densa ao piano; \u201cNaked, If I Want To\u201d (Jerry Miller ), aparece numa roupagem muito mais roqueira que a presente no \u00e1lbum \u201cThe Covers Record\u201d; \u201cBreathless\u201d, de Nick Cave, ganha um caminhar blues com um guitarrinha apitando nos cinco belos minutos da can\u00e7\u00e3o; \u201cAngelitos Negros\u201d, famosa na voz de Roberta Flack, s\u00e3o sete minutos de dor de amor em castelhano; e \u201cShe\u2019s Got You\u201d, de Patsy Cline, encerra em clima de fim de noite.<\/p>\n<p>\u201cJukebox\u201d bateu na 12\u00aa posi\u00e7\u00e3o da Billboard com 29 mil c\u00f3pias vendidas na semana do lan\u00e7amento nos Estados Unidos, totalizando mais de 100 mil exemplares vendidos em todo o mundo em duas semanas nas lojas. Quando escrevo \u201ctodo o mundo\u201d, por favor, exclua o Brasil. \u201cJukebox\u201d \u2013 assim como \u201cThe Greatest\u201d \u2013 n\u00e3o ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional (e os dois discos foram lan\u00e7ados na vizinha Argentina pelo \u00f3timo selo independente Ultrapop), e nem dever\u00e1 ganhar (vide a compet\u00eancia de nossas gravadoras). Uma pena. Esse \u00e9 daqueles discos que vale realmente a pena ouvir mais de uma vez.<\/p>\n<p>\u201cJukebox\u201d, Cat Power (Matador)<br \/>\nPre\u00e7o em m\u00e9dia: R$ 50 (importado)<br \/>\nNota: 9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJukebox\u201d, oitavo \u00e1lbum da carreira de Chan Marshall, chegou \u00e0s lojas no final de janeiro deste ano, mas n\u00e3o chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. 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