{"id":16599,"date":"2008-06-03T12:27:09","date_gmt":"2008-06-03T15:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16599"},"modified":"2018-01-31T12:35:24","modified_gmt":"2018-01-31T15:35:24","slug":"musica-weezer-red-album-weezer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/06\/03\/musica-weezer-red-album-weezer\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cWeezer (Red Album)\u201d, Weezer"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16600 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/weezer.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/weezer.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/weezer-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/weezer-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso. Se existissem, calhordas (esses existem aos montes no showbusiness) ficariam recriando a mesma m\u00fasica por anos e anos consagrando a f\u00f3rmula que os colocou, em seus 15 minutos de fama, no topo em algum momento de suas vidas. Felizmente, n\u00e3o \u00e9 assim. Recriar e\/ou reinventar-se \u00e9 para poucos, mais precisamente para aqueles que realmente tem alguma coisa a dizer. \u00c9 isso que coloca bandas que sempre fazem\/fizeram \u201co mesmo tipo de som\u201d \u2013 como Ramones e Motorhead \u2013 de um lado e os meros recicladores de outro.<\/p>\n<p>Assim que entra o riff de \u201cTroublemaker\u201d, faixa que abre o sexto \u00e1lbum do Weezer, a lembran\u00e7a de outros riffs \u2013 alguns cl\u00e1ssicos \u2013 do pr\u00f3prio grupo entorpece a mem\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A pr\u00f3pria capa sugere um d\u00e9j\u00e0 vu: o nome da banda sobre a cabe\u00e7a dos quatro m\u00fasicos que posam a frente de um fundo em cor lisa, sem contraste. Eles j\u00e1 tinham feito a mesma\u00a0<em>brincadeira<\/em>\u00a0via \u201cBlue Album\u201d em 2001, quando lan\u00e7aram o \u201c\u00c1lbum Verde\u201d, e agora, novamente sete anos depois, reprisam o expediente usando o vermelho. Mais um cap\u00edtulo da novela \u201cn\u00f3s vamos fazer a mesma coisa o resto de nossas vidas\u201d?\u00a0Eles querem que\u00a0voc\u00ea pense\u00a0isso.<\/p>\n<p>Com dezesseis anos nas costas, o Weezer poderia muito bem ter se transformado em um dinossauro do rock (tal qual o Oasis), mas Rivers Cuomo parece se divertir quando se veste de roqueiro, o que parece ser para ele um passatempo antropol\u00f3gico. N\u00e3o \u00e0 toa, um dos motivos do sil\u00eancio de tr\u00eas anos entre \u201cMake Believe\u201d (2005) e \u201cRed Album\u201d foi o retorno de Rivers Cuomo \u00e0 Universidade de Harvard para completar seus estudos, algo t\u00e3o antirockandroll que poderia funcionar contra a reputa\u00e7\u00e3o da banda, mas \u00e9 bom lembrar que Cuomo n\u00e3o \u00e9 um rock star comum (um rock star comum nunca escreveria \u201cTired of Sex\u201d no auge do sucesso de sua banda).<\/p>\n<p>N\u00e3o ser um rock star comum concede a Rivers Cuomo a liberdade criativa que atesta aquilo que muitos chamam de insanidade (outros, eu incluso, preferem um termo mais ousado: maturidade): lan\u00e7ar um disco que \u00e9 Weezer sem ser Weezer. Na pr\u00e1tica \u00e9 isso. Na teoria \u00e9 o seguinte: \u201cRed Album\u201d \u00e9 sobre envelhecer em uma banda de rock e continuar fazendo o que der na telha. Id\u00e9ia grandiosa que a pluralidade do repert\u00f3rio sugere, mas que esbarra na execu\u00e7\u00e3o\/produ\u00e7\u00e3o. O tal riff de \u201cTroublemaker\u201d que abre o disquinho assim como seu primeiro single, a power pop chiclete \u201cPork and Beans\u201d, tem uma fun\u00e7\u00e3o enorme no lan\u00e7amento: dizer aos f\u00e3s que apesar das outras oito can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e o lan\u00e7amento, este \u00e9 um disco do Weezer sim (a capa ajuda a refor\u00e7ar isso).<\/p>\n<p>As duas can\u00e7\u00f5es conseguem seu intento com louvor. Apesar do clima power pop, \u201cTroublemaker\u201d soa rancorosa e ir\u00f4nica. Fala de moleques que odeiam livros, abandonam a escola, montam bandas de heavy metal, levam as meninas pra cama, e posam de agitadores. \u201cPork and Beans\u201d \u00e9 um dos hits do ano. Nela, o personagem desiste de fazer parte do clube dos politicamente corretos, de seguir aqueles que ditam o que est\u00e1 na moda. Na melhor parte da letra, Rivers sacaneia: \u201cTodo mundo gosta de dan\u00e7ar uma m\u00fasica feliz \/ Com um refr\u00e3o e uma batida pegajosa \/ Timbaland conhece o jeitinho \/ para chegar ao topo das paradas \/ Talvez se eu trabalhar com ele \/ Possa aperfei\u00e7oar a arte\u201d.<\/p>\n<p>Das outras oito can\u00e7\u00f5es, tr\u00eas s\u00e3o escritas e cantadas pelos outros membros da banda. O guitarrista Brian Bell comparece com \u201cThought I Knew\u201d, um power pop menor, de produ\u00e7\u00e3o descuidada e pouca empolga\u00e7\u00e3o. Estranha, \u201cCold Dark World\u201d \u00e9 cantada\/rapeada pelo baixista Scott Shriner. J\u00e1 \u201cAutomatic\u201d traz o baterista Patrick Wilson para o microfone, e faz lembrar a aproxima\u00e7\u00e3o do grupo com o rock farofa em \u201cMaladroit\u201d. Nenhuma das tr\u00eas can\u00e7\u00f5es tem brilho pr\u00f3prio, e est\u00e3o ali muito mais para preencher espa\u00e7o do que para dar unidade ao disco, que por elas e, principalmente pelos quatro b-sides da edi\u00e7\u00e3o de luxo, sugere um relaxamento na produ\u00e7\u00e3o, transformando em lan\u00e7amento oficial um punhado de can\u00e7\u00f5es inacabadas.<\/p>\n<p>Apesar do descuido com boa parte do repert\u00f3rio, salvam-se algumas outras can\u00e7\u00f5es da safra de Rivers Cuomo, faixas malucas que ouvidas isoladamente podem confundir a cabe\u00e7a da audi\u00eancia. \u00c9 o caso da \u00e9pica \u201cThe Greatest Man That Ever Lived (Variations On A Shaker Hymn)\u201d, seus quase seis minutos de dura\u00e7\u00e3o e suas dez varia\u00e7\u00f5es de ritmo (isso mesmo).\u00a0 \u201cThe Greatest\u201d come\u00e7a suave com piano, tem bateria de fanfarra no meio, vira rap, hardcore, progressiva e o escambau. Rivers at\u00e9 \u201ccanta\u201d em falsete, e quer saber: o resultado \u00e9 divertido. \u201cDreamin\u2019\u201d come\u00e7a Weezer puro e segue assim at\u00e9 seu break, no meio, onde recebe passarinhos e a visita espiritual de Brian Wilson. Bacana.<\/p>\n<p>\u201cHeart Songs\u201d surge como uma (deliciosa) baladinha ac\u00fastica que vai num crescendo contagiante enquanto Rivers vai listando os artistas que o influenciaram, de Cat Stevens, Joan Baez e Bruce Springsteen, passando por Slayer, Quiet Riot, Iron Maiden e Debbie Gibson at\u00e9 chegar em \u201cNevermind\u201d, o disco que fez com que ele e seus amigos fossem para a garagem compor suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, que tempos depois iriam tocar nas r\u00e1dios. Completam o \u00e1lbum \u201cEverybody Get Dangerous\u201d (outra com vocal de rap) e a rock ballad \u201cThe Angel And The One\u201d. Os quatro lados b da edi\u00e7\u00e3o especial (\u201dMiss Sweeney\u201d, \u201cPig\u201d, \u201cThe Spider\u201d e \u201cKing\u201d) ou mesmo a cover do The Band (\u201dThe Weight\u201d) funcionam mais como curiosidade e\/ou completismo do que por qualidade.<\/p>\n<p>Ok, numa conta tola daria para dizer que metade do disco \u00e9 boa e a outra metade nem tanto (esque\u00e7a os b-sides). Na verdade, e em apenas um adjetivo, \u201cRed Album\u201d soa pregui\u00e7oso (n\u00e3o confunda com simplicidade). Mesmo assim \u00e9 superior tanto a \u201cMaladroit\u201d quanto a \u201cMake Believe\u201d, e s\u00f3 fica devendo ao disco verde (os dois primeiros est\u00e3o em outra escala, a dos cl\u00e1ssicos). Se pensarmos que o \u201cGreen Album\u201d j\u00e1 era inferior ao \u201cBlue Album\u201d (apesar das quatro can\u00e7\u00f5es matadoras que abrem o disco), a expectativa para o \u201cOrange\u201d (escolha a cor que voc\u00ea quiser, caro leitor) n\u00e3o \u00e9 das melhores, mas se a cada tr\u00eas anos eles aparecerem com uma \u201cPork and Beans\u201d j\u00e1 est\u00e1 valendo. N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso, mas o Weezer \u2013 e Rivers Cuomo \u2013 est\u00e1 do nosso lado da for\u00e7a. Ainda bem.<\/p>\n<p><strong>\u201cWeezer (Red Album)\u201d, Weezer<\/strong>\u00a0(Geffen)<br \/>\nPre\u00e7o em media (importado): R$ 40 (edi\u00e7\u00e3o simples) R$ 60 (edi\u00e7\u00e3o deluxe)<br \/>\nNota: 7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso. 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