{"id":16558,"date":"2008-05-19T19:56:21","date_gmt":"2008-05-19T22:56:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16558"},"modified":"2018-01-30T19:58:53","modified_gmt":"2018-01-30T22:58:53","slug":"musicas-as-falsas-baladas-do-oaeoz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/05\/19\/musicas-as-falsas-baladas-do-oaeoz\/","title":{"rendered":"M\u00fasicas: as falsas baladas do OAEOZ"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16559 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oaeoz_falsas.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oaeoz_falsas.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oaeoz_falsas-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oaeoz_falsas-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>\u201cA carne \u00e9 triste, e eu li todos os livros\u201d, escreveu certa vez um poeta simbolista. \u00c9 uma imagem forte, um s\u00edmbolo forte. Ele leu todos os livros e descobriu que a carne, infelizmente, \u00e9 triste. N\u00e3o lhe resta muita coisa. \u00c9 hora de fugir. Ou de crescer, mas a sociedade teme tanto a maturidade que os adolescentes se transformaram em adultescentes. Crescer, mais do que qualquer coisa, \u00e9 acumular tristezas enquanto esperamos a morte por bala, v\u00edcio ou susto.<\/p>\n<p>\u201cA vida \u00e9 cruel\u201d \u00e9 uma frase em n\u00e9on despencando da fachada de um hotel de quinta categoria em lugar nenhum. Copo meio vazio. Copo meio cheio, ent\u00e3o: \u201cA vida \u00e9 uma porcaria, e passa r\u00e1pido demais\u201d, lembra aquele diretor esquisito. \u201cFalsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada\u201d, segundo \u00e1lbum do OAEOZ (descontando dois CDs independentes), amplifica essa quest\u00e3o ao polarizar os sentimentos que tantas pessoas amontoam em si mesmas jogando nas costas dias e noites de fuga.<\/p>\n<p>Mais do que falar da vida na estrada, \u201cFalsas Baladas\u201d fala da dificuldade da vida em sociedade. \u201cImpossibilidades\u201d, o rock majestoso que abre o \u00e1lbum de forma acelerada, ambienta o ouvinte: \u201cPode ser s\u00f3 teimosia \/ Pode ser at\u00e9 capricho \/ Eu n\u00e3o quero sua imagem \/ Nem a tua alegoria\u201d. A letra ainda distribui muitos s\u00edmbolos (destino, rumo, fantasia, inferno, frio) para fechar de forma sublime: \u201cMe alimento da falta e me cerco do excesso \/ Pra me esconder na aus\u00eancia da vontade e na impossibilidade dos sentidos\u201d.<\/p>\n<p>Em \u201cDist\u00e2ncia\u201d, uma falsa balada com guitarras espaciais que remetem \u00e0s grandes influ\u00eancias dos curitibanos (Mercury Rev, Tindersticks, Pink Floyd fase 69), uma frase flutua pelo ar at\u00e9 cair solit\u00e1ria no colo: \u201cA verdade se despede como farsa\u201d. A beleza que se transforma em ru\u00edna. Viol\u00e3o e efeitos introduzem \u201cNegativa\u201d, a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o, um duelo frente ao espelho cujo cl\u00edmax \u00e9 o solo de trumpete de Igor Ribeiro. Um viol\u00e3o lento, pregui\u00e7oso, apresenta a sonhadora \u201cMariane\u201d enquanto guitarras barulhentas e rancorosas fazem a cama para seu interlocutor: \u201cA humanidade \u00e9 uma piada sem gra\u00e7a\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>\u201cEu Penso Nisso Todo Dia\u201d \u00e9 a tentativa da fuga da pris\u00e3o, a narrativa da quebra do encanto, a f\u00e9 e o amor em algo que nem se sabe ao certo o que \u00e9, com baixo a frente e vocais clim\u00e1ticos. \u201cUma Can\u00e7\u00e3o Para OAEOZ\u201d, liberada para download pelo Scream &amp; Yell em outubro passado, \u00e9 uma empolgante declara\u00e7\u00e3o de amor a Curitiba e aos bons momentos da vida (seja passado, presente ou futuro). O barulho volta a dar as caras em \u201cNingu\u00e9m Vai Dormir\u201d, rock que tenta tirar os pesos das costas atrav\u00e9s de toneladas de distor\u00e7\u00e3o. \u201cPra Longe\u201d, balada\u00e7a com violino de Desir\u00e9 Marantes, versa sobre abandono e desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcan\u00e7a a maturidade musical em um \u00e1lbum que impressiona pela entrega, pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos sem soar piegas, emo(cionalmente infantil) ou apelativo. \u201cFalsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada\u201d re\u00fane um apanhado de vis\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es acerca da \u201ccitt\u00e0 pi\u00fa bela\u201d (n\u00e3o \u00e0 toa, a banda colocou uma vers\u00e3o da can\u00e7\u00e3o do Fellini como lado b do single \u201cImpossibilidades\u201d), uma paisagem envolta entre anseios intensos cujas nuvens cinzas impedem a vis\u00e3o de estrelas. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 preciso v\u00ea-las para saber que elas est\u00e3o l\u00e1. Melhor pegar outro copo (cheio de vinho).<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 leu todos os livros, caro leitor?<\/p>\n<p><strong>\u201cFalsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada\u201d, OAEOZ<\/strong>\u00a0(Senhor F)<br \/>\nDownload Gratuito: Baixe\u00a0<a href=\"http:\/\/senhorf.com.br\/agencia\/main-senhorf-virtual.jsp?codSessao=38\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA carne \u00e9 triste, e eu li todos os livros\u201d, escreveu certa vez um poeta simbolista. \u00c9 uma imagem forte, um s\u00edmbolo forte. Ele leu todos os livros e descobriu que a carne, infelizmente, \u00e9 triste. N\u00e3o lhe resta muita coisa. \u00c9 hora de fugir. 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