{"id":16207,"date":"2008-01-28T23:37:13","date_gmt":"2008-01-29T02:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16207"},"modified":"2018-01-20T23:39:25","modified_gmt":"2018-01-21T02:39:25","slug":"um-rastro-de-sambas-antigos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/01\/28\/um-rastro-de-sambas-antigos\/","title":{"rendered":"Um rastro de sambas antigos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16209 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"328\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia1.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia1-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>\u201cNa flauta, Maionese\u201d, aplausos ecoam no teatro. \u201cMaionese, me empresta aquela flauta, a menor. Ent\u00e3o, quando eu era menino, eu subia na laje e tocava uma flauta do tamanho dessa\u201d. O p\u00fablico gargalha com a met\u00e1fora il\u00edcita. \u201c\u00c9 s\u00e9rio. Eu ficava l\u00e1 horas tocando flauta e tal, n\u00e3o tinha tantas teclas como essa, mas era uma flautona. A m\u00e3e gritava, \u2018Luiz, desce da laje\u2019. Eu descia e j\u00e1 escrevia umas quatro m\u00fasicas. Hoje em dia eu n\u00e3o fa\u00e7o mais isso. No m\u00e1ximo, uma cervejinha. E olhe l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Nada mais perfeito para come\u00e7ar a verbalizar o show \u201cEsta\u00e7\u00e3o Melodia\u201d do que a hist\u00f3ria contada pelo pr\u00f3prio m\u00fasico durante o show que encerrou sua temporada no Sesc Pomp\u00e9ia. \u201cEsta\u00e7\u00e3o Melodia\u201d, o disco, quebra um hiato de dez anos de Luiz Melodia em est\u00fadio. Seu \u00e1lbum anterior, \u201c14 Quilates\u201d, data de 1997. De l\u00e1 pra c\u00e1, apenas um disco ac\u00fastico (1999) e um ao vivo com convidados (2003).<\/p>\n<p>Para esta volta ao est\u00fadio, Luiz Melodia (sem tocar flauta) deixou seu dom de bom compositor de lado e investiu em um repert\u00f3rio de sambas antigos (coisas dos anos 30, 40 e 50). \u201cEsta\u00e7\u00e3o Melodia\u201d, o show, como n\u00e3o poderia deixar de ser, \u00e9 uma verdadeira roda de samba: cercado por oito m\u00fasicos, Melodia interpreta can\u00e7\u00f5es de Noel Rosa, Jamel\u00e3o, Geraldo Pereira e Cartola, entre outros. E amplia o leque enxertando Chico Buarque, Vinicius, Z\u00e9 K\u00e9ti e, claro, Luiz Melodia.<\/p>\n<p>Assim, sambas empolgantes como \u201cEu Agora Sou Feliz\u201d, de Jamel\u00e3o e Mestre Gato, e \u201cO Neguinho e a Senhorita\u201d, de Noel Rosa e Abelardo da Silva, caem como uma luva na voz encharcada de malandragem de Melodia. Na segunda, inclusive, ele faz quest\u00e3o de abrir os bot\u00f5es da camisa e acariciar a pele enquanto canta: \u201cA Madame tem preconceito de cor \/ Mas n\u00e3o p\u00f4de evitar esse amor \/ Senhorita foi morar l\u00e1 na Colina \/ Com o Neguinho que \u00e9 comp\u00f3sito\u201d.<\/p>\n<p>\u201cGente Humilde\u201d, com o octeto reduzido a um trio com viol\u00e3o, viola e cavaquinho,\u00a0soa ainda mais\u00a0arrepiante do que j\u00e1 \u00e9. \u201cDiz Que Fui Por Ai\u201d (que ficou de fora de \u201cEsta\u00e7\u00e3o Melodia\u201d assim como a parceria de Vinicius, Chico e Garoto) e \u201cTive Sim\u201d (de Cartola) reluziam a ouro em vers\u00f5es impec\u00e1veis, e s\u00f3 ficaram atr\u00e1s da dobradinha \u201cEst\u00e1cio, Holly Est\u00e1cio\u201d e \u201cEst\u00e1cio, Eu e Voc\u00ea\u201d, que surgiram simplesmente acachapantes. O solo de cavaquinho na \u00faltima\u00a0teve o dom de\u00a0marejar os olhos.<\/p>\n<p>Para o final, Luiz Melodia reservou um samba de seu pai, Oswaldo Melodia. \u201cLinda Tereza\u201d transforma o show em um grande baile de samba. O trio de metais abandona os instrumentos e assume repique, reco e reco e pandeiro. Aos poucos, os viol\u00f5es s\u00e3o abandonados e tudo vira uma grande batucada com Luiz Melodia comandando a farra. Ele chama pessoas para o palco, que lota, e s\u00f3 para de cantar quando j\u00e1 est\u00e1 dentro do camarim, deixando para tr\u00e1s um rastro de sambas antigos e a felicidade estampada na face do p\u00fablico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-16208 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"281\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia2.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/melodia2-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNa flauta, Maionese\u201d, aplausos ecoam no teatro. \u201cMaionese, me empresta aquela flauta, a menor. Ent\u00e3o, quando eu era menino, eu subia na laje e tocava uma flauta do tamanho dessa\u201d. 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