{"id":16012,"date":"2007-11-04T16:45:10","date_gmt":"2007-11-04T19:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16012"},"modified":"2018-01-20T16:47:05","modified_gmt":"2018-01-20T19:47:05","slug":"mostra-de-sp-into-the-wild","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2007\/11\/04\/mostra-de-sp-into-the-wild\/","title":{"rendered":"Mostra de SP: \u201cInto The Wild\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-16013 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nanaturezaselvagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"403\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nanaturezaselvagem1.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nanaturezaselvagem1-300x269.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cInto The Wild\u201d<\/strong>, Sean Penn &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5<br \/>\nAp\u00f3s anos de gradua\u00e7\u00e3o em col\u00e9gio e faculdade, o jovem Christopher Johnson McCandless, de 22 anos, est\u00e1 se formando, mas o gesto de arremessar o barrete (aquele bon\u00e9 preto sem pala que os formandos usam) significa muito mais para o rapaz: Chris est\u00e1 livre das obriga\u00e7\u00f5es de uma fam\u00edlia infeliz e de uma sociedade capitalista cuja necessidade de consumir afasta o ser-humano de si mesmo, das outras pessoas e da natureza (selvagem). Seu plano \u00e9 simples: ele \u201cpagou\u201d o pre\u00e7o para a fam\u00edlia se dedicado aos estudos, e agora quer desaparecer no mund\u00e3o de Deus sem len\u00e7o, dinheiro e documento.<\/p>\n<p>Chris coloca seu plano em a\u00e7\u00e3o doando os 24 mil d\u00f3lares que guardou na poupan\u00e7a durante a faculdade para uma institui\u00e7\u00e3o de caridade. Em seguida, junta algumas pe\u00e7as de roupas, pega seu velho carro e sai sem destino pelas estradas dos Estados Unidos movido a leituras ininterruptas de Tolstoi e Jack London, e pelo desejo de viver em meio \u00e0 natureza selvagem do Alasca. Sozinho. Em uma desventura perde o carro, e nem se importa. Sai caminhando deixando para tr\u00e1s o ve\u00edculo e uma fogueira com notas de d\u00f3lar. Chris exercita o desapego e abandona o pr\u00f3prio nome: agora se chama Alexander Supertramp. O filme \u00e9 dividido em cap\u00edtulos que mostram o amadurecimento do personagem.<\/p>\n<p>\u201cInto The Wild\u201d,\u00a0quarto filme do ator e diretor Sean Penn, toma por base o livro do jornalista Jon Krakauer, que ap\u00f3s fazer uma reportagem sobre a hist\u00f3ria de Chris para a Outside Magazine, decidiu aprofundar sua pesquisa e o resultado se tornou um best-seller nos Estados Unidos. A busca pela felicidade de Chris ganha contornos po\u00e9ticos e sonhadores nas m\u00e3os de Sean Penn, que escorrega para o piegas em uma ou outra passagem, mas que se sai muito bem como obra fechada, comovendo o espectador com uma hist\u00f3ria ver\u00eddica que bate forte no lado esquerdo de peito \u2013 auxiliada pelas boas can\u00e7\u00f5es de Eddie Vedder e por um excelente elenco cujo destaque \u00e9 grande atua\u00e7\u00e3o de Emile Hirsh no papel principal.<\/p>\n<p>A rigor temos aqui mais um caso de fam\u00edlia desestruturada. A m\u00e3e de Chris se envolveu com seu pai ainda quando ele era casado com outra. Os filhos nasceram sobre a escurid\u00e3o dessa mentira, e as brigas constantes do casal fizeram \u00e0 vida de seus dois filhos (Chris tem uma irm\u00e3) um pequeno inferno familiar. No primeiro momento em que v\u00ea livre dos pais, Chris parte sem deixar rastro nem dar not\u00edcias. Sua companheira nesta aventura ser\u00e1 uma mochila azul e sua vida agora se passar\u00e1 na estrada com os diversos \u2013 e interessantes \u2013 personagens que ir\u00e3o cruzar o seu caminho.<\/p>\n<p>Chris n\u00e3o consegue se apegar as pessoas. Seu maior sonho \u2013 viver na natureza selvagem do Alasca \u2013 \u00e9 muito mais importante que as rela\u00e7\u00f5es humanas ao ponto de Chris escrever em seu di\u00e1rio que a felicidade pode ser encontrada no mundo ao nosso redor, na natureza, e n\u00e3o depende das rela\u00e7\u00f5es entre pessoas. Completamente absorto em seu ideal, Chris parte para realizar seu sonho, vivendo em um \u00f4nibus abandonado no meio de uma floresta no Alasca. Como um eremita, ele vive do que a natureza lhe proporciona enquanto o estoque de arroz n\u00e3o termina.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil falar de \u201cInto The Wild\u201d sem citar seu final tr\u00e1gico (n\u00e3o vou falar, n\u00e3o vou falar). \u00c9 muito dif\u00edcil n\u00e3o pensar em Chris como um rapaz de fam\u00edlia abastada que opta por abandonar tudo para viver em um (sub)mundo povoado por pessoas que nunca tiveram nada. Por\u00e9m, sua trajet\u00f3ria quase hippie \u00e9 uma bel\u00edssima oportunidade de rever mensagens emocionantes que foram deixadas de lado por uma sociedade capitalista cujo \u201ceu\u201d ocupou o lugar do \u201cn\u00f3s\u201d. Mais do que um \u201croad movie\u201d em busca da felicidade, \u201cInto The Wild\u201d \u00e9 um filme que valoriza as rela\u00e7\u00f5es humanas enquanto incentiva o autoconhecimento. E comove. N\u00e3o ser\u00e1 surpresa se encontramos Sean Penn no Oscar. E ser\u00e1 merecido\u2026<\/p>\n<p>********************<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/09\/eddie.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cInto The Wild\u201d,<\/strong>\u00a0trilha sonora de Eddie Vedder &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5<br \/>\nTocar por 17 anos com a mesma banda \u00e9 algo que faz sua vida particular (e sua pr\u00f3pria personalidade) ficar em segundo plano. Por mais que voc\u00ea consiga se expressar bem, principalmente se estiver \u00e0 frente do grupo, suas id\u00e9ias s\u00e3o a id\u00e9ia da banda, e teoricamente tudo reflete o pensamento e a sonoridade da banda. Isso em uma banda comum. Agora imagine toda essa hist\u00f3ria no dia-a-dia de um m\u00fasico de um grupo de mega-sucesso, \u00edcone de toda uma gera\u00e7\u00e3o, como o Pearl Jam. Por mais que Eddie Vedder se sinta bem representado, aquilo \u00e9 o Pearl Jam, n\u00e3o Eddie Vedder.<\/p>\n<p>O \u201cverdadeiro\u201d Eddie Vedder pode ser confrontado agora com o lan\u00e7amento de seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cInto The Wild\u201d, trilha sonora do filme hom\u00f4nimo dirigido pelo ator e cineasta Sean Penn. Uma lida no resumo do filme j\u00e1 diz muita coisa. \u201cInto The Wild\u201d conta a hist\u00f3ria real de Christopher McCandless, um jovem que largou tudo (carreira, fam\u00edlia, dinheiro) depois de conseguir seu diploma colegial e partiu rumo ao Alasca para viver em meio \u00e0 natureza. Se as letras de Vedder carregavam um hippiesmo politicamente correto desde a estr\u00e9ia do Pearl Jam, \u201cInto The Wild\u201d amplia o foco e d\u00e1 mais liberdade para o cantor e compositor soltar as asas e voar.<\/p>\n<p>Em entrevista a Entertainment Weekly, Vedder conta que teve toda liberdade poss\u00edvel para compor a trilha. \u201cFa\u00e7a o que voc\u00ea achar que deve fazer\u201d, disse Sean Penn. E o que Vedder queria fazer era um \u00e1lbum essencialmente ac\u00fastico, nos moldes de \u201cNebraska\u201d, cl\u00e1ssico de Bruce Springsteen, e Neil Young (influ\u00eancia confessa). S\u00e3o onze m\u00fasicas em pouco mais de 30 minutos de puro Eddie Vedder. F\u00e3s j\u00e1 v\u00e3o gostar do disco antes mesmo de ouvi-lo. Uma boa parcela do p\u00fablico, no entanto, j\u00e1 se encheu da voz de Vedder. O Pearl Jam tocou (e ainda toca) muito, e a exposi\u00e7\u00e3o sempre trabalha contra a banda. Por\u00e9m, conceda o beneficio da d\u00favida para este \u00e1lbum antes de torcer o nariz, e a chance de ser surpreendido \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>As cinco primeiras faixas de \u201cInto The Wild\u201d juntas quase n\u00e3o ultrapassam os dez minutos. Eddie Vedder toca tudo no \u00e1lbum (com exce\u00e7\u00e3o de um viol\u00e3o ac\u00fastico extra em \u201cSociety\u201d tocado pelo autor da m\u00fasica, Jerry Hannan, e o backing vocal da Sleater-Kinney Corin Tucker em \u201cHard Sun\u201d, as duas \u00fanicas m\u00fasicas n\u00e3o compostas por Vedder no disco), de bateria a viol\u00e3o passando por banjo at\u00e9 um ukalele. O som \u00e9 essencialmente folk, mas a levada pop de \u201cSelling Forth\u201d poderia facilmente galgar a parada de sucessos. \u201cNo Celling\u201d traz um interessante trabalho musical, com uma guitarra duelando com o viol\u00e3o nas pontua\u00e7\u00f5es do bom arranjo. \u201cFar Behind\u201d segue a linha da anterior, mas \u00e9 mais roqueira. \u201cRise\u201d destaca o banjo enquanto \u201cLong Nights\u201d surge dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cTuolumne\u201d e \u201cThe Wolf\u201d s\u00e3o as duas \u00fanicas faixas essencialmente instrumentais do \u00e1lbum, descontando \u201cEnd Of the Road\u201d, em que o vocalista canta apenas no primeiro trecho, e a vers\u00e3o \u201cHumming Version\u201d da \u00faltima faixa, \u201cGuaranteed\u201d, que surge como coda ap\u00f3s alguns minutos de sil\u00eancio. \u201cHard Sun\u201d \u00e9 o primeiro single, e \u00e9 um cover do artista canadense \u00cdndio, codinome do compositor Gord Peterson. \u00c9 tamb\u00e9m a can\u00e7\u00e3o mais longa do disco, ultrapassando os cinco minutos (a vers\u00e3o single \u00e9 mais curta), mas \u00e9 grandiosa. Eddie Vedder canta magnificamente bem, e o apoio de Corin Tucker no refr\u00e3o \u00e9 plenamente justific\u00e1vel. \u201cInto The Wild\u201d \u00e9 um bel\u00edssimo trabalho solo, um grande disco que serve para lan\u00e7ar um novo olhar sobre um dos grandes vocalistas e songwriters dos anos 90. Eddie Vedder merece a sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cInto The Wild\u201d, Sean Penn &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5 Ap\u00f3s anos de gradua\u00e7\u00e3o em col\u00e9gio e faculdade, o jovem Christopher Johnson McCandless, de 22 anos, est\u00e1 se formando, mas o gesto de arremessar o barrete (aquele bon\u00e9 preto sem pala que os formandos usam) significa muito mais para o rapaz: Chris est\u00e1 livre das obriga\u00e7\u00f5es de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16012"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16012"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16012\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16014,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16012\/revisions\/16014"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}