{"id":16004,"date":"2007-11-03T16:40:13","date_gmt":"2007-11-03T19:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16004"},"modified":"2018-01-20T16:44:17","modified_gmt":"2018-01-20T19:44:17","slug":"mostra-de-sp-grindhouse-e-paranoid-park","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2007\/11\/03\/mostra-de-sp-grindhouse-e-paranoid-park\/","title":{"rendered":"Mostra de SP: \u201cGrindhouse\u201d e \u201cParanoid Park\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"post\">\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-16005 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/grindhouse.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"322\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/grindhouse.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/grindhouse-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d<\/strong>, Quentin Tarantino &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4,5\/5<br \/>\n<strong>\u201cPlaneta Terror\u201d<\/strong>, Robert Rodriguez &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5<br \/>\nApresentar a dobradinha \u201cGrindhouse\u201d em seq\u00fc\u00eancia foi uma das melhores coisas que a Mostra de S\u00e3o Paulo apresentou neste ano. Tarantino e Rodriguez sujam as m\u00e3os com ketchup enquanto divertem o espectador com dois filmes b de alt\u00edssima qualidade num exerc\u00edcio de estilo que faz rir enquanto assusta. \u201cPlaneta Terror\u201d \u00e9 trash elevado \u00e0 d\u00e9cima pot\u00eancia. J\u00e1 \u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d \u00e9 Quentin Tarantino dos bons, com di\u00e1logos longos e certeiros sobre um roteiro pregui\u00e7oso que brinca de enganar o espectador enquanto faz dezenas de cita\u00e7\u00f5es de cultura pop.<\/p>\n<p>\u201cPlaneta Terror\u201d \u00e9 divertid\u00edssimo. Robert Rodriguez faz uma par\u00f3dia de filmes de terror contando a hist\u00f3ria de uma cidade que \u00e9 tomada por zumbis canibais que foram infectados por um g\u00e1s t\u00f3xico que o ex\u00e9rcito dos Estados Unidos utilizou indiscriminadamente em sua invas\u00e3o no Oriente M\u00e9dio. Nada pode ser levado a s\u00e9rio aqui, e a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mesmo essa. O intuito de Rodriguez \u00e9 fazer cinema pipoca e reviver uma \u00e9poca de sua inf\u00e2ncia perdida na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Temos uma dan\u00e7arina go-go que perde a perna (devorada por um zumbi), e no meio da onda de terror precisa correr, mas como? Simples: com uma perna de cadeira no lugar em que deveria estar uma perna mec\u00e2nica (a cena de sexo entre ela \u2013 com a perna de pau \u2013 e o \u201cnamorado\u201d \u00e9 impag\u00e1vel). Mais pra frente teremos, no lugar da perna de pau, uma metralhadora. Na melhor tirada do filme, um dos personagens descobre que o ingrediente que deu o toque final m\u00e1gico ao seu molho barbecue foi\u2026 seu pr\u00f3prio sangue: \u201cSangue \u00e9 salgado\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d n\u00e3o carrega na caricatura como \u201cPlaneta Terror\u201d, mas \u00e9 t\u00e3o divertido quanto, embora demore um pouco a engatar. S\u00e3o duas hist\u00f3rias distintas que se cruzam (se voc\u00ea ainda n\u00e3o viu o trailer, n\u00e3o veja: ele estraga metade da surpresa ao relatar o final da hist\u00f3ria final) no volante de Stuntman Mike (Kurt Russel, excelente), um dubl\u00ea que pilota um carro \u00e0 prova de morte. Stuntman Mike participa ativamente das duas hist\u00f3rias, mas n\u00e3o espere o \u00f3bvio. Tarantino prega uma pequena pe\u00e7a no espectador ao som de sua pr\u00f3pria Jukebox.<\/p>\n<p>Na primeira hist\u00f3ria, tr\u00eas garotas partem para um bar onde enchem a cara enquanto falam mil e uma bobagens (que trazem centenas de refer\u00eancias). Na hora de ir embora, as tr\u00eas acabam cruzando Stuntman Mike em uma estrada escura e\u2026 bummmm. Corte. Quatro garotas s\u00e3o vistas em um posto de gasolina. Uma delas est\u00e1 aficionada por um Dodge Challenge 1970 que viu numa propaganda de um jornal, e que \u00e9 igual ao carro de Kowalski, o personagem do cult \u201cVanishing Point\u201d. \u201cQue filme \u00e9 esse?\u201d, pergunta uma das meninas. \u201cVoc\u00ea era muito nova para ter visto\u201d, comenta uma enquanto outra emenda: \u201cVoc\u00ea s\u00f3 conhece John Hughes e \u201cPretty in Pink\u201d&#8221;. Como qualquer bom Tarantino, \u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d \u00e9 recheado de cita\u00e7\u00f5es assim, e muito de seu desfrute vai de se entender as piadas internas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio de estilo que funciona para o bem e cujo \u00fanico intuito \u00e9 divertir o espectador sentado na sala de cinema, sem cabecismos ou segundas inten\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas. \u00c9 quase um filme sobre nada, muito embora as duas hist\u00f3rias possam render an\u00e1lises pseudo-filos\u00f3ficas. Ali pelo meio, depois de vinte minutos de di\u00e1logos que v\u00e3o de lugar nenhum para nenhum lugar, o filme d\u00e1 uma bela ca\u00edda, e quando voc\u00ea pensa que Tarantino perdeu a m\u00e3o para o neg\u00f3cio todo, ele leva voc\u00ea para um racha emocionante que terminar\u00e1 de uma maneira improv\u00e1vel. A trilha foi escolhida a dedo pelo cineasta, que assume a posi\u00e7\u00e3o de barman dono do boteco fim de mundo em que as meninas da primeira hist\u00f3ria enchem a cara enquanto gastam fichas e fichas na jukebox. Ali\u00e1s, ele tamb\u00e9m est\u00e1 em \u201cPlaneta Terror\u201d, em uma cena divertid\u00edssima que junta sua sede de sexo, seus olhos famintos e a perna de madeira da senhorita l\u00e1 do primeiro par\u00e1grafo. Impag\u00e1vel. Cinema tamb\u00e9m \u00e9 divers\u00e3o, entende.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16006 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paranoid_park.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"188\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paranoid_park.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paranoid_park-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cParanoid Park\u201d<\/strong>, Gus Van Sant &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 1\/5<br \/>\nExerc\u00edcio de estilo pode ser algo muito interessante. Quando voc\u00ea muito a mesma coisa \u00e9 inevit\u00e1vel que tra\u00e7os iguais apare\u00e7am em todas elas. \u00c9 meio estranho quando reclamam que Woody Allen est\u00e1 se repetindo quando, na verdade, ele est\u00e1 filmando a Woddy Allen, exercitando seu pr\u00f3prio estilo. Por\u00e9m, exerc\u00edcio comumente \u00e9 usado para mascarar uma id\u00e9ia que era para ser algo grandioso, mas que acabou n\u00e3o funcionando. O certo seria parar tudo, reescrever, mexer em detalhes e se isso n\u00e3o adiantasse desistir do projeto. Mas h\u00e1 muita grana em jogo quando se est\u00e1 fazendo um filme. Ent\u00e3o entra o exerc\u00edcio de estilo para \u201cencher ling\u00fci\u00e7a\u201d. \u201cParanoid Park\u201d, de Gus Van Sant, \u00e9 mais ou menos isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria, interessante at\u00e9, em \u201cParanoid Park\u201d. Um vigia de uma linha de trens aparece morto e os freq\u00fcentadores de um parque de skatistas s\u00e3o convocados para averigua\u00e7\u00f5es. A chance da pol\u00edcia chegar no culpado \u00e9 praticamente inexistente, ent\u00e3o o caso policial \u00e9 deixado de lado para entrarmos no drama pessoal do jovem Alex, filho de pais rec\u00e9m-separados e j\u00e1 marcado por esse fato: n\u00e3o quer transar com a namorada, de quem n\u00e3o gosta tanto assim, porque n\u00e3o quer se envolver e acabar como seus pais. \u201cParanoid Park\u201d aprofunda a an\u00e1lise psicol\u00f3gica como se fosse um \u201cCrime e Castigo\u201d moderno, mas perde for\u00e7a pelas longas tomadas em 8mm de skatistas e pelo exagero na sustenta\u00e7\u00e3o de algumas cenas de mensagem \u00f3bvia.<\/p>\n<p>Krystof Kieslowiski, nos extras de seu filme \u201cA Liberdade \u00e9 Azul\u201d, explica uma cena em que um cubo de a\u00e7\u00facar \u00e9 molhado no caf\u00e9, e tomado pelo l\u00edquido. A id\u00e9ia da cena era demonstrar para o espectador o quanto \u00e0 personagem (Juliette Binoche) estava mais interessada no cubo de a\u00e7\u00facar tomado pelo caf\u00e9 do que na declara\u00e7\u00e3o de amor do homem a sua frente. E o diretor conta que sustenta o foco no cubo de a\u00e7\u00facar por cinco segundos, e que a equipe precisou encontrar um cubo de a\u00e7\u00facar que demorasse cinco segundos para ser tomado pelo caf\u00e9, pois o espectador n\u00e3o precisava mais do que isso para entender a cena, e mais tempo seria uma agress\u00e3o. Em v\u00e1rios momentos de \u201cParanoid Park\u201d Gus Van Sant agride o espectador.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o sustenta a cena em excesso, Gus Van Sant usa a trilha sonora para dar ao espectador a resposta que ele precisa para n\u00e3o se perder na trama \u00f3bvia de \u201cParanoid Park\u201d. Exemplo desse expediente \u00e9 o trecho que marca o rompimento de Alex com a namorada. Sai o \u00e1udio dos atores, entra uma can\u00e7\u00e3o de amor, e pelo semblante da namorada percebemos que o inevit\u00e1vel aconteceu. H\u00e1 certa beleza na cena, que se n\u00e3o se passasse em c\u00e2mera lenta talvez tivesse um resultado melhor, mas bastaria para tirar o filme do buraco de t\u00e9dio em que ele se encontra desde seus primeiros segundos at\u00e9 o seu final arrastado. Na falta de um bom filme, Gus Van Sant exercita seu estilo com \u201cParanoid Park\u201d. Por\u00e9m, poucos diretores no mundo fazem o filme do nada, apenas com seu estilo, e conseguem um resultado arrebatador. Van Sant n\u00e3o \u00e9 um deles.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c0 Prova de Morte\u201d, Quentin Tarantino &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4,5\/5 \u201cPlaneta Terror\u201d, Robert Rodriguez &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5 Apresentar a dobradinha \u201cGrindhouse\u201d em seq\u00fc\u00eancia foi uma das melhores coisas que a Mostra de S\u00e3o Paulo apresentou neste ano. 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