{"id":15998,"date":"2007-11-03T16:36:49","date_gmt":"2007-11-03T19:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=15998"},"modified":"2018-01-20T16:44:55","modified_gmt":"2018-01-20T19:44:55","slug":"mostra-de-sp-godard-ang-lee-ian-curtis-e-kurt-cobain","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2007\/11\/03\/mostra-de-sp-godard-ang-lee-ian-curtis-e-kurt-cobain\/","title":{"rendered":"Mostra de SP: Godard, Ang Lee, Ian Curtis e Kurt Cobain"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-16002 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oneplusone.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"403\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oneplusone.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/oneplusone-300x269.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cOne + One\u201d<\/strong>, Jean-Luc Godard \u2013 Cota\u00e7\u00e3o 4\/5<br \/>\n<strong>\u201cSympathy for the Devil\u201d,<\/strong>\u00a0Jean-Luc Godard &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 3\/5<br \/>\n\u201cOne + One\u201d \u00e9 cria de Godard; \u201cSympathy for the Devil\u201d \u00e9 a montagem que os produtores fizeram insatisfeitos com o material original do cineasta, \u00e0 sua revelia. A rigor, \u00e9 o mesm\u00edssimo filme com a diferen\u00e7a que o primeiro traz a vis\u00e3o de Godard sobre a obra fechada e o segundo \u00e9 a vis\u00e3o dos produtores que, claramente, n\u00e3o entendiam muito tudo o que o cineasta estava filmando e dizendo. Desta forma, alteraram a seq\u00fc\u00eancia de esquetes (e anularam o crescendo que o roteiro de \u201cOne + One\u201d explora de forma convincente), alongaram uma ou outra cena (o que n\u00e3o acrescenta nada) e colocaram mais Rolling Stones (o que acaba enchendo mais o saco, afinal at\u00e9 um mesmo um cl\u00e1ssico como \u201cSympathy for the Devil\u201d enche a paci\u00eancia sendo ouvido a exaust\u00e3o). Dentre as duas vers\u00f5es, a de Godard \u00e9 claramente melhor, o que n\u00e3o quer dizer muita coisa: ambos os filmes trazem o mesmo conte\u00fado panflet\u00e1rio que faz muita falta nos dias de hoje, mas s\u00e3o para pouqu\u00edssimos ouvidos, olhos e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Godard faz um elogio ao comunismo enquanto dispara frases certeiras contra os Estados Unidos, d\u00e1 espa\u00e7o para que os Panteras Negras dissertem seus ideais em passagens antol\u00f3gicas, l\u00ea e rel\u00ea os conceitos de Mao e, na melhor passagem do filme, entrevista uma dama chamada Eve Democracy que defende a desculturaliza\u00e7\u00e3o. Para ela, \u201cpara se ser um intelectual revolucion\u00e1rio, \u00e9 preciso deixar de ser intelectual\u201d. A participa\u00e7\u00e3o dos Stones \u00e9 apenas para aficionados. Godard filma a banda gravando \u201cSympathy for the Devil\u201d, mostra que Bill Wyman era um enfeite (a melhor linha de baixo do filme \u00e9 feita por Keith Richards), que Brian Jones j\u00e1 estava em outra dimens\u00e3o e que Mick Jagger centraliza as aten\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 s\u00f3 a banda gravando. Em \u201cOne + One\u201d as cenas s\u00e3o vistas em uma ordem coerente, que exibe o crescimento do arranjo, mas mesmo assim s\u00e3o dispens\u00e1veis. Os Stones, em 1968, eram um gancho para Godard discursar para a juventude. Visto hoje em dia, tanto \u201cOne + One\u201d quanto \u201cSympathy for the Devil\u201d s\u00e3o obras de museu, retratos de um tempo que se foi. Melhor do que chorar sobre as cinzas do baseado fumado \u00e9 acordar e entender o mundo como \u00e9 hoje. H\u00e1 muito que fazer. Godard fez a parte dele\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16001 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/lust_caution.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"188\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/lust_caution.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/lust_caution-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cLust, Caution\u201d<\/strong>, Ang Lee &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 4\/5<br \/>\nO primeiro filme de Ang Lee p\u00f3s-sucesso de \u201cBrokeback Mountain\u201d se passa na Xangai dos anos 40, \u00e9 falado em chin\u00eas, mas trata do mesmo tema: o amor proibido. Se em \u201cBrokeback Mountain\u201d o diretor chocava ao retratar de forma tocante uma hist\u00f3ria sobre \u201co amor que n\u00e3o ousa dizer o nome\u201d, em \u201cLust, Caution\u201d o romance choca por carregar nas tintas do sexo expl\u00edcito, mas tamb\u00e9m conta uma bel\u00edssima hist\u00f3ria de um amor imposs\u00edvel. As cenas de sexo s\u00e3o fortes, mas o melhor \u00e9 se concentrar no drama da jovem revolucion\u00e1ria Wang Chiah-Chih que se apaixona pelo homem que devia matar. Em um pa\u00eds t\u00e3o apol\u00edtico \u2013 e carnal \u2013 quanto o Brasil talvez este novo drama de Ang Lee n\u00e3o bata tanto quanto \u201cBrokeback Mountain\u201d, mas n\u00e3o se engane: \u00e9 arte da mesma estirpe.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16000 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/control.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"188\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/control.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/control-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cControl\u201d<\/strong>, Anton Corbijn &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 3,5\/5<br \/>\nEm sua estr\u00e9ia em longas, o badalado fot\u00f3grafo fez um belo filme sobre a hist\u00f3ria de Ian Curtis, vocalista e letrista do Joy Division, que se suicidou em 1980. O ator Sam Riley convence no papel principal, as partes em que a banda est\u00e1 em cena (que s\u00e3o poucas) s\u00e3o excelentes e as imagens de Manchester s\u00e3o bel\u00edssimas. Baseado no livro escrito pela mulher de Ian, Deborah, o filme s\u00f3 peca em valorizar as d\u00favidas amorosas do vocalista enquanto n\u00e3o aprofunda seus dramas e fantasmas pessoais. Como uma fotografia, \u201cControl\u201d exibe uma bel\u00edssima imagem, mas carece de alma. Isso n\u00e3o desmerece de forma alguma o filme, mas \u00e9 uma maneira copo meio vazio entender que Ian se matou por n\u00e3o conseguir lidar com suas mulheres (e ai se inclui a filha Natalie). Ou queremos esperar de nosso her\u00f3i algo mais do que ele talvez tenha sido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-15999 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/about_son.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"188\" srcset=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/about_son.jpg 450w, http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/about_son-300x125.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cAbout a Son\u201d<\/strong>, AJ Schnack &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 1\/5<br \/>\nKurt Cobain merecia muito mais do que este falso document\u00e1rio travestido de imagens de luxo de um karaok\u00ea sobre Seattle e Aberdeen. \u201cAbout a Son\u201d apresenta cerca de uma hora e meia de \u00e1udio de entrevistas feitas pelo jornalista Michael Azerrad que n\u00e3o trazem nada de novo nem explicam ou conseguem aprofundar a dimens\u00e3o do mito. Ao contr\u00e1rio, \u201cAbout a Son\u201d \u00e9 constrangedor. Algo est\u00e1 errado quando a melhor parte de um filme sobre um g\u00eanio do rock surge quando ele explica sua paix\u00e3o por tartarugas. Kurt est\u00e1 certo: jornalistas s\u00e3o uns bastardos filhos da puta. S\u00f3 isso explica como um cara usa um material t\u00e3o bacana de \u00e1udio de uma forma t\u00e3o tosca e canhestra. De p\u00e9ssimo gosto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOne + One\u201d, Jean-Luc Godard \u2013 Cota\u00e7\u00e3o 4\/5 \u201cSympathy for the Devil\u201d,\u00a0Jean-Luc Godard &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 3\/5 \u201cOne + One\u201d \u00e9 cria de Godard; \u201cSympathy for the Devil\u201d \u00e9 a montagem que os produtores fizeram insatisfeitos com o material original do cineasta, \u00e0 sua revelia. 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