{"id":14900,"date":"2009-02-19T12:44:24","date_gmt":"2009-02-19T15:44:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=14900"},"modified":"2018-02-07T16:28:30","modified_gmt":"2018-02-07T19:28:30","slug":"carnaval-carnaval-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/02\/19\/carnaval-carnaval-carnaval\/","title":{"rendered":"Dois textos definitivos sobre Carnaval"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/carnaval1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Introdu\u00e7\u00e3o atualizada em 2016 \/ Fotos: Liliane Callegari<\/em><\/p>\n<p>Como todo jovem metido a roqueiro (radical) de cidade de interior, eu demorei a entender o Carnaval. Utilizava o feriad\u00e3o pra ir com os amigos para Ubatuba, quatro ou cinco dias virando a madrugada de festa em festa, indo dormir as 8 da manh\u00e3 e acordando quando o sol j\u00e1 tinha ido embora. Praia? Que nada. Devo ter sa\u00eddo uma ou duas vezes (nos anos 80!) no Bloco Vai Quem Quer, famoso em Taubat\u00e9, o tradicional bloco caipira de homens vestidos com roupa de mulher, e s\u00f3 fui me conectar com o Carnaval quando os blocos come\u00e7aram a tomar as ruas de S\u00e3o Paulo, no come\u00e7o destes anos 10. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/02\/13\/atras-de-blocos-no-carnaval-de-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Virei f\u00e3<\/a> (a ponto de listas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2017\/02\/05\/cinco-blocos-de-carnaval-favoritos-de-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">blocos favoritos<\/a>!).<\/p>\n<p>Os textos abaixo s\u00e3o, para mim, definitivos. O primeiro, do Andr\u00e9 Forastieri, foi publicado no saudoso caderno Folhateen, da Folha, em 1995. O Forasta havia deixado a editoria da revista Bizz uns anos atr\u00e1s pra tentar emplacar sua pr\u00f3pria revista, a General (&#8220;prazos, fotolitos&#8221;), e escreveu esse texto inspirado, que eu tinha recortado do jornal numa pastinha de textos favoritos, e republiquei na sess\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/antologica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mat\u00e9rias Antol\u00f3gicas<\/a> da <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/menu.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">primeira vers\u00e3o<\/a> do Scream &amp; Yell, no come\u00e7o dos anos 00. J\u00e1 as aventuras do jornalista da BBC Matthew Exell eu conheci quando estava de subeditor de divers\u00e3o e cultura no Portal Terra, em 2004, e fiquei f\u00e3. Quer saber o que Carnaval? Estes textos explicam.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/carnaval2.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8211; \u201cCurta o Carnaval que esse pode ser o seu \u00faltimo ver\u00e3o\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>Andr\u00e9 Forastieri (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/forastieri\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@forastieri<\/a>)<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><em>Acredite se quiser: eu j\u00e1 adorei carnaval. Adorava mesmo. De detonar sexta \u00e0 noite, dormir duas horas, acordar, encher a cara de novo e sair vestido de mulher \u2013 coisa de caipira. Eu ia atr\u00e1s do trio el\u00e9trico mesmo. Claro que a primeira vez que vi um trio el\u00e9trico de verdade, no interior da Bahia, cai para tr\u00e1s. Perto do pique da mo\u00e7ada de l\u00e1, meu pique de festeiro era de um amadorismo acachapante. Os baianos pulavam a tarde inteira atr\u00e1s dos trios, jantavam um caldo de mocot\u00f3 e depois pulavam nos clubes at\u00e9 o sol nascer.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi um m\u00eas no sert\u00e3o da Bahia, levando vida de rei. De noite pulava Carnaval. Dia seguinte acordava, piscininha, cervejinha, videogame e tudo lindo. Descobri um monte de coisa naquele ver\u00e3o \u2013 inclusive a rela\u00e7\u00e3o entre Joy Division e frevo el\u00e9trico (foi quando eu fiz uma vers\u00e3o de Love Will Tear Us Apart que tinha um refr\u00e3o assim: &#8220;O amor, o amor \u00e9 para gente se amar, meu bem&#8221;) .<\/em><\/p>\n<p><em>Depois aconteceu o que costuma acontecer. A grana mixou, o amor chegou, comecei a trabalhar, uma coisa levou a outra e aqui estou \u2013 passando o Carnaval em\u00a0 S\u00e3o Paulo. Trabalhando para caramba. Preocupado com prazos de fechamentos e fotolitos. E no processo, meu esp\u00edrito carnavalesco foi sei l\u00e1 para onde. Para o mesmo lugar que foram o fricote, o Rock In Rio 1, o sexo pr\u00e9-Aids e meu cabelo comprido: para outra dimens\u00e3o. Para debaixo da cama.<\/em><\/p>\n<p><em>O que n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea deva fazer o que eu estou fazendo nessas noites de Carnaval: ficar atirado no sof\u00e1, vendo as celulites balan\u00e7arem e os entrevistadores babarem nos decotes das travecas. Quer dizer exatamente o contr\u00e1rio. Quer dizer que, se eu fosse voc\u00ea, estava me acabando.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o que a gente s\u00f3 deva se alucinar no Carnaval. \u00c9 que a gente mora em um dos raros lugares no planeta que admira tanto a avacalha\u00e7\u00e3o \u2013 que inventou um feriado para homenagear o esculacho. Detonar no Carnaval tem um sabor de brasilidade, de elogio ao Brasil, que \u00e9 bem simp\u00e1tico.<\/em><\/p>\n<p><em>Se voc\u00ea \u00e9 daqueles que costuma dizer &#8220;odeio Carnaval&#8221;, bom, pode continuar odiando. Decidir que definitivamente Carnaval\u00a0 \u00e9 uma coisa cretina e deprimente e que a \u00fanica medida sensata a se tomar nestes dias de fevereiro \u00e9 se esconder do mundo \u00e9 uma atitude perfeitamente defens\u00e1vel e elitismo \u00e9 bom e eu gosto. Mas se passou de leve pela sua cabe\u00e7a a possibilidade de sair de casa hoje \u00e0 noite, s\u00f3 tenho um conselho: vai firme.<\/em><\/p>\n<p><em>Escrevendo isso tudo, me ocorreu uma coisa engra\u00e7ada. Sabe, acho que aquele ver\u00e3o na Bahia foi o \u00faltimo ver\u00e3o da minha vida. O \u00faltimo ver\u00e3o propriamente dito, ver\u00e3o, ver\u00e3o mesmo. O \u00faltimo ver\u00e3o em que fui adolescente.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/carnaval4.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8211; Blog do Gringo no Samba<br \/>\npor Matthew Exell, da\u00a0BBC<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cMinha primeira experi\u00eancia em um bloco foi no Carmelitas, em Santa Teresa, na sexta-feira antes do carnaval. Eu me sentia como um virgem: animado, mas um pouco nervoso. \u201cE se eu me perder na multid\u00e3o?\u201d, pensava. Um gringo solteiro no Rio de Janeiro? Os perigos parecem \u00f3bvios. N\u00e3o que essa seja minha condi\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 melhor ficar previnido. Felizmente meus novos amigos brasileiros se ofereceram para prender uma etiqueta em meu pescoco \u2013 \u201cpor favor, devolvam este gringo idiota para\u2026\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Antes do bloco, no entanto, tem uma coisa que eles chamam \u201cconcentra\u00e7\u00e3o\u201d. Nao sei se tenho paci\u00eancia para isso. Eu sei que carnaval \u00e9 coisa s\u00e9ria para as pessoas daqui, mas de onde eu venho n\u00e3o \u00e9 preciso se concentrar muito para aproveitar uma festa! Talvez eu pule essa parte, d\u00ea uma deitada, tome um banho um pouco mais longo. Estou aqui para a festa, nao para alguma reuni\u00e3o chata antes de a festa come\u00e7ar\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Pouco sabia eu. Como poderia? Mas eu aprendo r\u00e1pido\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>A casa da concentra\u00e7\u00e3o fica no alto de uma ladeira. Para chegar \u00e9 f\u00e1cil e eu, desavisadamente, n\u00e3o prestei muita aten\u00e7\u00e3o nos trai\u00e7oeiros degraus. A vista \u00e9 da Ba\u00eda da Guanabara, d\u00e1 para ver os avi\u00f5es pousando no aeroporto Santos Dummont. E, segundo me disseram, para chegar ao bloco, basta descer a ladeira. \u00c9 f\u00e1cil.<\/em><\/p>\n<p><em>Depois da terceira caipirinha, come\u00e7o a rir sozinho. Afinal de contas, a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 divertida, penso eu. J\u00e1 na sexta caipirinha come\u00e7o a achar que a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor id\u00e9ia que j\u00e1 encontrei no Brasil. Todo mundo balan\u00e7a a cabe\u00e7a, aquiescendo. Eles j\u00e1 sabiam disso. Mas isso n\u00e3o impede que eu tente convenc\u00ea-los da minha mais nova conclus\u00e3o.\u201d &#8211; <\/em>Leia todas as colunas <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/cultura\/story\/2004\/02\/printable\/040223_blogcarnaval4.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/carnaval3.jpg\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o atualizada em 2016 \/ Fotos: Liliane Callegari Como todo jovem metido a roqueiro (radical) de cidade de interior, eu demorei a entender o Carnaval. 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