{"id":13450,"date":"2014-03-17T09:44:32","date_gmt":"2014-03-17T12:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/03\/17\/alguns-segundos-que-se-estendem\/"},"modified":"2016-03-11T09:47:02","modified_gmt":"2016-03-11T12:47:02","slug":"alguns-segundos-que-se-estendem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2014\/03\/17\/alguns-segundos-que-se-estendem\/","title":{"rendered":"Alguns segundos que se estendem"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/mundo\/noticia\/a-escravidao-venceu-no-brasil-nunca-foi-abolida-1628151\" target=\"_blank\">Nesta entrevista imperd\u00edvel<\/a> ao jornal portugu\u00eas P\u00fablico, o antrop\u00f3logo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro cita a fil\u00f3sofa belga Isabelle Stengers: \u201cA palavra crise n\u00e3o \u00e9 adequada porque sup\u00f5e que voc\u00ea pode super\u00e1-la, quando o que estamos vivendo \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem um voltar atr\u00e1s\u201d. \u00c9 l\u00f3gico que Isabelle est\u00e1 falando sobre o contexto econ\u00f4mico e ambiental do planeta, mas num momento em que a melancolia se instala na casa, abre uma cerveja e assiste televis\u00e3o com os p\u00e9s no sof\u00e1, o temor por uma estada mais prolongada se instala. Tem que ter como voltar atr\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>Minhas crises s\u00e3o c\u00edclicas e absolutamente rotineiras. Elas vem e v\u00e3o. Alguns dias, acordo melanc\u00f3lico para no meio da rua rir da tolice de cantar sozinho uma can\u00e7\u00e3o &#8211; e algu\u00e9m perceber. O bom da felicidade &#8211; ou da suavidade da vida, para n\u00e3o sermos t\u00e3o otimistas &#8211; \u00e9 que ela muitas vezes vem de lugar nenhum, e nos salva naquele exato momento em que estamos prestes a cometer uma grande bobagem. Ok, n\u00e3o sou do tipo de grandes bobagens, mas daqueles que se enfiam debaixo do edredom a espera de uma luz &#8211; que nunca vem &#8211; at\u00e9 descobrir que o senhor m\u00e1ximo da minha estupidez sou eu mesmo.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>A entrevista do Eduardo Viveiros \u00e9 daquelas que fazem a alma respirar aliviada, mesmo com todo o peso nas costas que o corpo carrega. Ainda assim, prop\u00f5e escolhas n\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis para nossas d\u00favidas simples. No fundo, a escolha (muitas vezes induzida) por viver em um mundo severamente capitalista \u00e9 dolorida, e abdicar disso \u00e9 talvez ainda mais doloroso. Acreditar que abdicar do capitalismo tal como a sociedade o reinventou (com espa\u00e7o para gananciosos hip\u00f3critas) seja mais ou menos como nascer de novo &#8211; com a desvantagem de n\u00e3o termos uma borracha para apagar todos os v\u00edcios.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>Claro que existem coisas \u00fateis a serem feitas, existem maneiras de se viver dignamente e brechas para pagar as contas fazendo o que se ama. O mundo capitalista tamb\u00e9m permite certas liberdades, mas ando t\u00e3o cansado do alto dos meus 43 anos que a vontade de esvaziar a cabe\u00e7a e parar de esmurrar prego me conduz pelas m\u00e3os, joga um edredom sobre a alma, e pede para que eu fiquei quietinho observando o mundo. Eu, muito respeitoso, aceito o convite. Queria tanto fazer algo que vale a pena, mas esse conceito \u00e9 t\u00e3o complicado que desisto, por alguns segundos, de sonhar, viver e ser feliz.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>S\u00e3o alguns segundos que se estendem, mas logo passa.<br \/>\nEspero, Isabelle, espero.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista imperd\u00edvel ao jornal portugu\u00eas P\u00fablico, o antrop\u00f3logo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro cita a fil\u00f3sofa belga Isabelle Stengers: \u201cA palavra crise n\u00e3o \u00e9 adequada porque sup\u00f5e que voc\u00ea pode super\u00e1-la, quando o que estamos vivendo \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem um voltar atr\u00e1s\u201d. \u00c9 l\u00f3gico que Isabelle est\u00e1 falando sobre o contexto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13450"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13450\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}