{"id":13367,"date":"2015-07-14T08:43:51","date_gmt":"2015-07-14T11:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2015\/07\/14\/sobre-critica-musical-no-mundo-de-hoje\/"},"modified":"2016-03-03T08:47:58","modified_gmt":"2016-03-03T11:47:58","slug":"sobre-critica-musical-no-mundo-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2015\/07\/14\/sobre-critica-musical-no-mundo-de-hoje\/","title":{"rendered":"Sobre cr\u00edtica musical no mundo de hoje"},"content":{"rendered":"<p><em>Perguntas de Daniel Fardin entre janeiro e mar\u00e7o de 2013<\/em><\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea observa o cen\u00e1rio que a cr\u00edtica musical se insere hoje?<\/strong><br \/>\nAcredito que \u00e9 um cen\u00e1rio interessante. A internet, em um primeiro momento, possibilitou que todos tivessem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e muita gente acreditou que a cr\u00edtica perderia seu valor com isso. No entanto, como o tempo mostrou, o volume de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, que as pessoas come\u00e7aram a perceber que necessitavam de algu\u00e9m que lhes dissesse o que \u00e9 importante ou n\u00e3o ir atr\u00e1s. O cr\u00edtico ent\u00e3o volta a ter uma fun\u00e7\u00e3o. Ainda assim \u00e9 preciso lembrar sempre que a fun\u00e7\u00e3o do cr\u00edtico vai muito al\u00e9m de dizer sem um disco (filme ou livro) \u00e9 bom ou ruim. Isso qualquer um com um blog faz. \u00c9 preciso focar no espa\u00e7o \/ tempo e entender o que aquilo tem a dizer ao mundo moderno.<\/p>\n<p><strong>Com a internet, onde o leitor pode encontrar praticamente as m\u00fasicas que quiser e tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es sobre elas, qual \u00e9 a real fun\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia do cr\u00edtico atualmente?<\/strong><br \/>\nAprofundar a discuss\u00e3o. Olhar a m\u00fasica como um objeto de arte que existe h\u00e1 mais tempo que a internet, situar e perceber a sua fun\u00e7\u00e3o dentro da sociedade. A maioria do p\u00fablico para no \u201cgosto\u201d e \u201cn\u00e3o gosto\u201d. N\u00e3o \u00e9 por ai.<\/p>\n<p><strong>A internet est\u00e1 cheia de blogs e sites amadores que se prop\u00f5em a fazer cr\u00edtica musical das mais variadas formas. O que voc\u00ea pensa sobre o cr\u00edtico amador?<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel encontrar um grande texto em um blog da mesma forma que encontrar um p\u00e9ssimo texto em um jornal. N\u00e3o adianta ter carteirinha de cr\u00edtico e n\u00e3o saber explorar o mundo, e nesse ponto a internet \u00e9 de extremo valor, pois abre as portas para muita gente que sabe explorar o mundo sem ter \u201ccarteirinha\u201d. O que importa, no final, \u00e9 a reflex\u00e3o. As melhores surgem, normalmente, dos lugares mais improv\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Pra voc\u00ea a cr\u00edtica feita na internet e na m\u00eddia impressa trabalham de forma diferente, existindo tipos diferentes de cr\u00edtica para cada meio? O suporte pode interfere na cr\u00edtica musical?<\/strong><br \/>\nInterfere principalmente no espa\u00e7o que cada m\u00eddia concede a cada profissional. Fazer uma resenha de mil toques em um jornal limita ao mesmo tempo em que fazer uma de 10 mil em um blog pode ultrapassar o limite. Por\u00e9m \u00e9 mais f\u00e1cil ser conciso com 5 mil toques em um blog do que em uma revista e\/ou jornal.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea o que o modelo online de cobertura musical trouxe de novo para cr\u00edtica?<\/strong><br \/>\nO calor do momento. Uma coisa \u00e9 voc\u00ea ver um show, chegar ao jornal ou na revista, e preparar um texto que vai sair daqui dois dias ou, v\u00e1 l\u00e1, daqui 20 dias na edi\u00e7\u00e3o mensal da revista. Outra \u00e9 voc\u00ea ver o show e escrever. As ideias est\u00e3o mais frescas e voc\u00ea n\u00e3o tem como rearranjar depois. O que voc\u00ea tem \u00e9 o aqui e o agora. Ou seja, ou voc\u00ea tem conhecimento ou n\u00e3o tem. Antigamente voc\u00ea tinha mais tempo para pesquisar. Agora tem menos, mas ferramentas mais \u00e1geis (e traidoras \u2013 nunca confie cegamente na Wikipedia, regra n\u00famero 1 \u2013 risos)<\/p>\n<p><strong>Ferramentas de indica\u00e7\u00e3o musical online, como Last.fm por exemplo, de alguma forma podem substituir o cr\u00edtico? Como voc\u00ea v\u00ea o crescimento do uso desse tipo de ferramenta? Voc\u00ea usa alguma ferramenta do tipo?<\/strong><br \/>\nHumm, indica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta que existe desde o come\u00e7o dos tempos. Voc\u00ea ouve legal, comenta com seu amigo, ele ouve, curte e a vida segue. Isso n\u00e3o \u00e9 critica. Critica \u00e9 analisar um objeto de cultura e entender o mundo atrav\u00e9s dele. Uso Last.Fm como um arquivo de tudo que ouvi. Para pessoas met\u00f3dicas \u00e9 um algo excelente. Mas n\u00e3o fico olhando o que as pessoas est\u00e3o ouvindo. N\u00e3o tenho tempo nem de ouvir tudo que preciso ouvir\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio que o cr\u00edtico musical tenha uma viv\u00eancia na \u00e1rea em que se arrisca escrever?<\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio pensar. E argumentar bem. Um cara que n\u00e3o tenha viv\u00eancia e nunca ouviu coisas a fundo pode chegar e dizer que Beatles, por exemplo, \u00e9 uma porcaria. Um texto bem argumentado e fundamentado pode causar uma boa discuss\u00e3o acerca do tema, mas mesmo para isso \u00e9 preciso profundidade. Cr\u00edtica \u00e9 aprofundar uma vis\u00e3o sobre uma obra de arte que, muitas vezes, o artista talvez nem saiba por que fez. Se ele olhasse para o lado, ao seu redor, para a sociedade, talvez ele entendesse. Artistas, no entanto, s\u00e3o individualistas. Cabe ao cr\u00edtico tentar entender o que aquela manifesta\u00e7\u00e3o de arte quer realmente dizer. Arriscar escrever \u00e9 v\u00e1lido, afinal s\u00f3 se cresce criticamente escrevendo e argumentando. A viv\u00eancia, no entanto, vem de entender o mundo. Olhando com cuidado qualquer pessoa pode fazer isso. Mas a maioria \u00e9 descuidada. Por isso existem os cr\u00edticos (risos).<\/p>\n<p><strong>Uma quest\u00e3o que me surgiu h\u00e1 pouco, pra voc\u00ea, o que motiva o cr\u00edtico amador a escrever sobre m\u00fasica sem ganhar \u2013 a princ\u00edpio \u2013 nada em troca?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o lembro quem escreveu, mas um jornalista disse certa vez que \u201cparte do prazer da cultura pop \u00e9 falar sobre ela\u201d. Ainda assim, n\u00e3o posso falar sobre os outros, apenas sobre mim: e eu escrevo apenas por prazer de falar de um disco, de um filme, de um livro. Escrevendo e argumentando entendo melhor o meu sentimento em rela\u00e7\u00e3o ao objeto de estudo. E, numa outra escala, acabo provocando o leitor a se interessar por aquela obra de arte. Meu interesse n\u00famero 1, hoje em dia, em que o site \u00e9 respeitado, \u00e9 provocar o leitor, tira-lo da zona de conforto oferecendo-lhe vis\u00f5es interessantes, diferentes e mesmo muitas vezes discordantes sobre um objeto tal de arte. Acredito que pensando sobre cultura, uma pessoa pode pensar melhor sobre todo o resto. E o que precisamos \u00e9 exatamente isso: pessoas que pensem.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/entrevistas\/\"><em>Veja outras entrevistas aqui<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas de Daniel Fardin entre janeiro e mar\u00e7o de 2013 Como voc\u00ea observa o cen\u00e1rio que a cr\u00edtica musical se insere hoje? Acredito que \u00e9 um cen\u00e1rio interessante. 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