{"id":1316,"date":"2009-01-29T11:11:31","date_gmt":"2009-01-29T14:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/29\/attitude-is-everything\/"},"modified":"2009-05-21T12:41:11","modified_gmt":"2009-05-21T15:41:11","slug":"attitude-is-everything","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/29\/attitude-is-everything\/","title":{"rendered":"Attitude is Everything"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/attitude.jpg\" style=\"width: 450px; height: 252px\" width=\"450\" height=\"252\" \/><\/p>\n<p>Essas duas hist\u00f3rias que seguem abaixo est\u00e3o flutuando na atmosfera da minha mente desde o fim do ano. Mais precisamente no dia 31 de dezembro quando assisti ao especial do programa Alto Falante sobre os festivais europeus. Uma das reportagens chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. Alguns dias depois, j\u00e1 em Ouro Preto, Lili leu no Estado de Minas uma reportagem interessante que praticamente tinha o mesmo tema. As duas reportagens tratavam sobre&#8230; atitude.<\/p>\n<p>Atitude vem do\u00a0latim aptitudinem e do italiano attitudine, e significa uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em rela\u00e7\u00e3o a grupos, quest\u00f5es, outros seres humanos, ou, mais especificamente, a acontecimentos ocorridos em nosso meio circundante. \u00c9 um dos conceitos fundamentais da psicologia social. Faz jun\u00e7\u00e3o entre a opini\u00e3o (comportamento mental e verbal) e a conduta (comportamento ativo) e indica o que interiormente estamos dispostos a fazer. Entrando no coloquial: \u00e9 quando deixamos de ser im\u00f3veis e come\u00e7amos a nos movimentar.<\/p>\n<p>A reportagem em quest\u00e3o do Alto Falante \u00e9 a primeira do primeiro bloco em Londres (assista <a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=9FeUjeGv9GQ\">aqui<\/a>). O chapa Terence Machado entrevista Suzanne Bull, produtora do festival Attitude is Everything, que explica: &#8220;\u00c9 um evento para melhorar o acesso de pessoas deficientes em shows. (&#8230;) O projeto come\u00e7ou faz oito anos, quando escrevi para uma revista de m\u00fasica falando como era ruim o acesso para deficientes em shows. Algu\u00e9m da prefeitura de Londres leu e me ligou perguntando se eu gostaria de receber algum dinheiro para come\u00e7ar o projeto&#8221;, conta Bull.<\/p>\n<p>A entrevista segue e Suzanne fala mais sobre o projeto (<a href=\"http:\/\/www.attitudeiseverything.org.uk\">site oficial<\/a>), que \u00e9 bastante interessante, principalmente quando um deficiente comenta que j\u00e1 esteve no Brasil, foi a shows, mas n\u00e3o viu outros deficientes na plat\u00e9ia. &#8220;Eu sempre fui a shows durante toda a minha vida, sozinho, e eu queria que todo mundo fosse. O Attitude is Everything \u00e9 uma boa maneira de fazer as pessoas acordarem. \u00c9 s\u00f3 tornar mais f\u00e1cil o acesso a deficientes. Temos dinheiro como todos e queremos gasta-lo em eventos&#8221;, diz um entrevistado. O lance todo que quero grifar, por\u00e9m, \u00e9 que tudo isso come\u00e7ou com uma carta escrita para uma revista.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s assistirmos \u00e0 reportagem, ca\u00e7oamos pensando como isso nunca poderia acontecer no Brasil. Imagina: voc\u00ea vai, reclama sobre algo que est\u00e1 errado em nossa sociedade (e s\u00e3o tantos erros) e a prefeitura ou o governo, quem quer que seja, liga para voc\u00ea oferecendo um dinheiro para que voc\u00ea monte um projeto para resolver este problema. Lindo, n\u00e9. E completamente ut\u00f3pico, certo? Bem, mais ou menos. No dia 03 de janeiro, uma manchete de um caderno qualquer do Estado de Minas contava: &#8220;Moradora consegue criar Defesa Civil em Brumadinho em uma semana&#8221;.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Ilma C\u00e2ndida Sobrinho \u00e9 o melhor exemplo de que atitude \u00e9 tudo. Em 24 e 25 de novembro de 2008, Ilma, 53 anos, participou de um semin\u00e1rio em que o meteorologista Ruibrant dos Reis alertava para um volume alto de chuvas na cidade de Brumadinho, que poderia causar enchentes e muita trag\u00e9dia. Preocupada com a previs\u00e3o, Ilma procurou a Defesa Civil da cidade e descobriu que ela s\u00f3 existia no papel. &#8220;Isso acontece muito. Decretam o \u00f3rg\u00e3o apenas para captar recursos&#8221;, conta a moradora para a reportagem.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o desistiu, foi atr\u00e1s do procurador-geral de Brumadinho, que autorizou a reativa\u00e7\u00e3o do conselho. &#8220;Fizemos, em uma semana, o estudo que era para ser feito durante todo o ano&#8221;, conta. Segue a reportagem: Na segunda 15 de dezembro, ela, temendo a forte chuva prevista, e j\u00e1 com o mapeamento das \u00e1reas de riscos em m\u00e3os, retirou tr\u00eas fam\u00edlias de im\u00f3veis que poderiam desabar.\u00a0 Na quarta, 17, a previs\u00e3o se confirmou: Brumadinho foi alagada pelas \u00e1guas do Rio Paraopeba, que chegou a subir 10 metros. A fam\u00edlia de Alessandra Silva dos Santos foi uma das que foram retiradas antecipadamente. &#8220;Se estivesse l\u00e1 quando a tempestade chegou, eu e os meus cinco filhos n\u00e3o sobreviver\u00edamos.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse dia, centenas de casas ficaram submersas. Cerca de 2.000 pessoas ficaram desalojadas, 200 fam\u00edlias desabrigadas, 25 casas totalmente danificadas e quatro pontes atingidas, sendo que duas delas foram levadas pelas correntezas. Ilma acionou centenas de volunt\u00e1rios, Corpo de Bombeiros, Pol\u00edcia Militar e a Defesa Civil do estado. &#8220;J\u00e1 t\u00ednhamos avisado todos os habitantes, por isso, eles estavam preparados. Mesmo assim, foi uma loucura, porque a nossa preocupa\u00e7\u00e3o de salvar todos era imensa, tanto \u00e9 que fui \u00e0 r\u00e1dio da cidade pedir ajuda da comunidade&#8221;, conta. Brumadinho teve uma v\u00edtima: um senhor de 64 anos foi levado pelas correntezas do Rio Paraopeba.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2007 escrevi um longo texto chamado &#8220;Sonhar \u00e9 permitido, viver \u00e9 permitido&#8221;, em que entre outras coisas dizia: &#8220;se j\u00e1 sabemos que n\u00e3o podemos confiar em ningu\u00e9m, que n\u00e3o existem sonhos quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica, dinheiro e poder, ent\u00e3o est\u00e1 na hora de fazermos as coisas n\u00f3s mesmos. E, mais do que nunca, deixarmos o social de lado e agirmos no pessoal. Sim, mudarmos as coisas ao nosso redor primeiro. Sempre fomos acomodados demais, mas precisamos mostrar que se as coisas podem dar certo, elas tem que come\u00e7ar a dar certo dentro da nossa pr\u00f3pria casa, do nosso pr\u00f3prio ambiente de trabalho, da nossa fam\u00edlia, do nosso bairro. Sempre acreditei que fazer o bem \u00e9 a melhor coisa que uma pessoa pode fazer para mudar o mundo, e apesar de parecer a coisa mais piegas, \u00e9 no que eu acredito realmente.&#8221;<\/p>\n<p>Quando esses tr\u00eas epis\u00f3dios (as duas reportagens e a lembran\u00e7a do post antigo) se juntaram na minha cabe\u00e7a, algo meio que pedia um texto como esse. Reclamamos demais. Da fam\u00edlia, do emprego, do governo. E o problema n\u00e3o \u00e9 reclamar. Reclamar \u00e9 essencial. Acomodados n\u00e3o reclamam e acabam se aconchegando na monotonia de uma vida errada.\u00a0 Evite isso a todo custo. A partir do momento que temos no\u00e7\u00e3o de que algo est\u00e1 errado, de que as coisas poderiam ser diferentes e bem melhores, precisamos nos mexer. Com intelig\u00eancia, cautela, malandragem e boa vontade. Precisamos criar atalhos para que as sa\u00eddas se tornem mais claras. N\u00e3o d\u00e1 para ficar parado olhando o mundo girar. N\u00e3o d\u00e1 para chorar sobre a cerveja derramada. A vida passa r\u00e1pido demais. \u00c9 bom se mexer.<\/p>\n<p><strong>Links:<br \/>\n<\/strong>&#8211; Assista ao programa Alto Falante no Youtube (<a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=9FeUjeGv9GQ\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia a reportagem do Estado de Minas sobre Ilma (<a href=\"http:\/\/www.uai.com.br\/UAI\/html\/sessao_2\/2009\/01\/03\/em_noticia_interna,id_sessao=2&amp;id_noticia=94104\/em_noticia_interna.shtml\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essas duas hist\u00f3rias que seguem abaixo est\u00e3o flutuando na atmosfera da minha mente desde o fim do ano. Mais precisamente no dia 31 de dezembro quando assisti ao especial do programa Alto Falante sobre os festivais europeus. Uma das reportagens chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. 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