{"id":1311,"date":"2009-01-26T23:34:41","date_gmt":"2009-01-27T02:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/26\/ocean-rain-um-dos-melhores-albuns-ja-feitos\/"},"modified":"2012-05-02T02:19:15","modified_gmt":"2012-05-02T05:19:15","slug":"ocean-rain-um-dos-melhores-albuns-ja-feitos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/26\/ocean-rain-um-dos-melhores-albuns-ja-feitos\/","title":{"rendered":"&#8220;Ocean Rain&#8221;, um dos melhores \u00e1lbuns j\u00e1 feitos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/echo_ocean_rain.jpg\" style=\"width: 400px; height: 356px\" height=\"356\" width=\"400\" \/><\/p>\n<p>Ian McCulloch nunca foi modesto ao falar do \u00e1lbum &#8220;Ocean Rain&#8221;. Para justificar o pedido \u00e0 gravadora para que ela bancasse um est\u00fadio em Paris para o grupo gravar seu quarto \u00e1lbum, McCulloch foi enf\u00e1tico: &#8220;Nos os advertimos que este seria o maior \u00e1lbum j\u00e1 feito, porque nos acredit\u00e1vamos nisso. E The Killing Moon \u00e9 a melhor m\u00fasica j\u00e1 escrita. Eu acredito nisso. Ela \u00e9 simples e bela e soa como nenhuma grava\u00e7\u00e3o que eu j\u00e1 tenha escutado&#8221;. Quem l\u00ea isso imagina que parir &#8220;Ocean Rain&#8221; foi um mar de rosas, mas n\u00e3o foi bem assim.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s passar um perrengue danado com seus dois primeiros \u00e1lbuns (&#8220;Crocodiles&#8221; e &#8220;Heaven Up Here&#8221;), cultuados no circuito independente, mas solenemente ignorados pelos charts, o grupo alcan\u00e7ou o sucesso com o terceiro disco, &#8220;Porcupine&#8221;, e hits do quilate de &#8220;The Cutter&#8221; e &#8220;The Back of Love&#8221;, mas o clima interno j\u00e1 n\u00e3o era dos melhores. Quando em est\u00fadio para gravar as pr\u00e9-bases do vindouro quarto disco, Ian ficou t\u00e3o desanimado que quase abandonou o barco. &#8220;As grava\u00e7\u00f5es em Bath foram horr\u00edveis. Ficamos cinco dias l\u00e1 e nada funcionou. Para piorar, peguei uma gripe&#8221;, conta o vocalista, que pensou em sair da banda.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o baterista Pete de Freitas o convenceu-o a entrar em est\u00fadio para regravar algumas partes. &#8220;Fomos os dois para os est\u00fadios Amazon e Pete sugeriu usar escovinhas, algo que nunca hav\u00edamos tentado. Eu ainda estava gripado, mas tudo soou brilhante. A melhor coisa que j\u00e1 t\u00ednhamos feito. Cheguei em casa tarde da noite e minha esposa me esperava. Toquei para ela uma parte de Killing Moon e ela chorou. Pensei que ela tivesse odiado, mas ela disse que era a can\u00e7\u00e3o mais linda que eu havia escrito. O disco foi feito nesse clima&#8221;, resume o vocalista.<\/p>\n<p>Em Paris, o Echo and The Bunnymen encontrou tudo aquilo que esperava: uma cidade apaixonante movida a passeios de bicicleta por Montmatre, visitas ao cemit\u00e9rio Pere-Lachaise (&#8220;para dar um al\u00f4 para Jim Morrison e Oscar Wilde&#8221;, conta Will Sargeant) e sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o no Studio D\u00eas Dames, que tinha uma atmosfera aconchegante. Segundo o guitarrista, &#8220;Paris tinha se transformado na nossa cidade, a segunda casa dos Bunnymen\u2019s&#8221;. O vocalista completa: &#8220;Eu cai de amores por Paris. \u2018Ocean Rain\u2019 est\u00e1 completamente ligado \u00e0 cidade&#8221;.<\/p>\n<p>Acompanhados por uma orquestra de 35 instrumentos, os Bunnymens deixaram a crise de lado e se concentraram nas grava\u00e7\u00f5es. As rachaduras estavam vis\u00edveis (Pete de Fretitas deixou a banda no ano seguinte), mas no est\u00fadio tudo funcionava. Eram apenas nove can\u00e7\u00f5es assistidas por Gil Norton (que quatro anos depois gravaria &#8220;Doolittle&#8221;, do Pixies) que afastavam o grupo da crueza de seus primeiros \u00e1lbuns. No clima de &#8220;The Killing Moon&#8221;, o Echo constru\u00eda um disco de rock cl\u00e1ssico inspirado nas chansons de Jacques Brel, Scott Walker e na orquestra\u00e7\u00e3o de &#8220;Forever Changes&#8221;, cl\u00e1ssico do Love.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em maio de 1984, &#8220;Ocean Rain&#8221; bateu na segunda posi\u00e7\u00e3o do chart brit\u00e2nico, e &#8220;The Killing Moon&#8221; entrou no Top Ten. A beleza de can\u00e7\u00f5es como &#8220;Silver&#8221;, &#8220;Seven Seas&#8221;, &#8220;My Kingdom&#8221; e &#8220;Ocean Rain&#8221; permanece 25 anos depois, no momento em que o \u00e1lbum ganha uma luxuosa reedi\u00e7\u00e3o que inclui tr\u00eas b-sdies \u2013 &#8220;Angels and Devils&#8221;, &#8220;Silver (Tidal Wave)&#8221; e &#8220;The Killing Moon (All Night Version)&#8221; \u2013 e a integra de uma apresenta\u00e7\u00e3o arrasadora no Royal Albert Hall em julho de 1983 al\u00e9m de coment\u00e1rios de Will Sargeant e Ian McCulloch sobre as grava\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum.<\/p>\n<p>O show abre com tr\u00eas cacetadas de &#8220;Crocodiles&#8221;: a psicod\u00e9lica &#8220;Going Up&#8221; e as cl\u00e1ssicas &#8220;Villers Terrace&#8221; e &#8220;All That Jazz&#8221;. O clima segue acelerado com &#8220;Heads Will Roll&#8221;, mas &#8220;Porcupine&#8221; preenche o ambiente. &#8220;All My Colours (Zimbo)&#8221; abre caminho para a primeira das duas can\u00e7\u00f5es de &#8220;Ocean Rain&#8221; apresentadas na noite: &#8220;Silver&#8221;. &#8220;Simple Stuff&#8221; volta a acelerar o clima, mas o p\u00fablico aplaude mesmo o single &#8220;The Cutter&#8221;. &#8220;The Killing Moon&#8221; surge acelerada, r\u00e1pida e bela. Seguem-se &#8220;Rescue&#8221;, &#8220;Never Stop&#8221;, &#8220;The Back of Love&#8221; (tamb\u00e9m muito aplaudida, o que faz Ian agradecer ao p\u00fablico dizendo que Londres \u00e9 o melhor lugar para tocar \u2013 e viver).<\/p>\n<p>O trecho final \u00e9 todo &#8220;Heaven Up Here&#8221;. Abre com a poderosa &#8220;No Dark Things&#8221;, segue-se com a faixa t\u00edtulo (em vers\u00e3o de corar o rosto) e finaliza com &#8220;Over The Wall&#8221;. Para o bis, &#8220;Crocodiles&#8221; em vers\u00e3o estendida que bate os sete minutos e quase triplica seu tempo em \u00e1lbum. Ian grita &#8220;come on, baby&#8221; de forma alucinada e cai sobre &#8220;Light My Fire&#8221;, do Doors. Pete de Freitas massacra na bateria enquanto Will Sargeant pontua o arranjo, Les carrega tudo no baixo e Ian n\u00e3o p\u00e1ra de improvisar (veja um v\u00eddeo desta apresenta\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.nme.com\/video\/id\/KWtzHkwX-cI\/search\/bunnymen\">aqui<\/a>). Um bis arrasador que no show original ainda contava com uma vers\u00e3o de &#8220;Do It Clean&#8221;, n\u00e3o inclusa nesta edi\u00e7\u00e3o, mas presente no box &#8220;Crystal Days&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ocean Rain&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum magn\u00edfico. &#8220;Uma obra-prima&#8221;, define Ian McCulloch sem nenhuma mod\u00e9stia no encarte. Ele vai al\u00e9m: &#8220;\u00c9 o nosso Davi de Michelangelo. \u00c9 o \u00e1lbum que me fez perceber que havia muito mais mulheres em nossos shows. N\u00e3o est\u00e1vamos mais tocando para a turma do futebol&#8221;, resume. Da mesma forma, &#8220;Ocean Rain&#8221; marca o \u00e1pice da carreira do grupo de Liverpool, que nunca mais conseguiu atingir o mesmo momento de genialidade completa (apesar de bons momentos de discos como &#8220;The Game&#8221;, &#8220;Evergreen&#8221; e &#8220;What Are You Going To Do With Your Life?&#8221;). &#8220;Ocean Rain&#8221;, n\u00e3o o melhor \u00e1lbum j\u00e1 feito, mas com certeza um dos melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/echo_ocean_rain1.jpg\" style=\"width: 450px; height: 260px\" height=\"260\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/ianinterviewmac.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Siberia&#8221;, do Echo and The Bunnymen por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/echo_siberia.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ian McCulloch nunca foi modesto ao falar do \u00e1lbum &#8220;Ocean Rain&#8221;. 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