Category — Disco da Semana
Cabaret e convidados tocam Nick Cave

Na próxima sexta, 10 de setembro, no Rio (e dia 30 de outubro, na Livraria Cultura do Bourboun Shopping), o Cabaret, em parceria com a editora Record, reúne convidados para uma jornada musical e literária sobre a obra do cantor, compositor e escritor australiano Nick Cave. O grupo estreou o repertório especial no dia 26 de agosto Espaço Cultural Sérgio Porto (veja os registros em vídeo das canções “Henry Lee“, “Straight To You” e “The Ship Song“).
O show marca o lançamento brasileiro do livro “A Morte de Bunny Munro”, segundo romance de um dos artistas mais instigantes do rock, atualmente vocalista das bandas Nick Cave & the Bad Seeds e Grinderman. A obra conta a história de um vendedor de cosméticos viciado em sexo numa jornada sem rumo após a morte de sua mulher, acompanhado apenas de seu filho pequeno, Bunny Junior.
Além disso, são comemorados os 20 anos de “The Good Son”, disco dos Bad Seeds gravado no Brasil, à época em que o cantor morou em São Paulo. Por isso, o Cabaret se debruça sobre o repertório da banda Nick Cave & the Bad Seeds, ativa há 26 anos, selecionando 15 canções sobre amor, desespero e transcendência, na melhor tradição de um herdeiro de Bob Dylan, Johnny Cash e Leonard Cohen.
De clássicos como “Deanna”, “The Ship Song” e “Red Right Hand” a produções recentes como “Get Ready for Love” e “Today’s Lesson”, a mais dramática banda do rock nacional reúne convidados do quilate de Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), Toni Platão, Amora Pêra (Chicas), Leticia Novaes (Letuce) e o escritor João Paulo Cuenca (em participação nas guitarras) no Espaço Sergio Porto para uma noite inesquecível.
Aproveitamos para enviar cinco perguntas para o queridíssimo Márvio, vocalista do Cabaret, que além de preparar esse show especial com canções de Nick Cave (que, esperamos, também passe por São Paulo e outras capitais) está dando os retoques finais em “A Paixão segundo Cabaret”, segundo álbum do grupo que tem produção de Iuri Freiberger (que contou várias coisas sobre o disco aqui) e participação de Ney Matogrosso em uma das canções. Fala Márvio!
Como surgiu a idéia de um show com canções de Nick Cave?
Desde 1998, posso dizer que Nick Cave é o artista que mais me impressiona, com quem eu mais me identifico e, por isso, sigo os passos dele fielmente. Você já foi lá em casa e viu minha caixa de B-Sides e DVDs, então já sabe. (risos) Quando eu soube que a editora Record havia comprado os direitos de tradução do livro, tentei de todas as formas me envolver no processo. Até que pensei que talvez fosse uma grande oportunidade de fazer um show de covers sem ares de banda cover. Combinei com o restante do Cabaret, que também tem fãs de Cave, que poderíamos selecionar canções, ensaiar um show e depois apresentar à editora, como um happening para marcar o lançamento do romance no Brasil. Quando os ensaios já estavam bem adiantados, apresentei a ideia aos diretores da Record, que se empolgaram conosco e viabilizaram um show na escala merecida, num bom espaço para banda e público, como o Sergio Porto aqui do Rio.
O show terá várias participações especiais. Como vocês escolheram os convidados?
Por afinidade com a carreira do cara, como Toni Platão e Dado Villa-Lobos, que são admiradores dele, e pela força expressiva para determinadas canções. Quando você tem uma canção dramáticas como “Henry Lee” (que Nick Cave canta com a PJ Harvey) ou “Where the Wild Roses Grow” (com Kylie Minogue), você precisa dividir isso com cantoras que tenham um certo senso de teatralidade, além de vozes espetaculares. Tudo isso a gente tinha aqui do lado, com a Amora Pêra, que é uma artista completa: tanto na música brasileira que faz com as Chicas quanto nas versões do pop dos anos 60 e 70 com a Cia Velha, e com a Leticia Novaes, que é uma figura de uma banda novíssima chamada Letuce. E como o evento é musical e literário, nada melhor que contar com um amigo como o escritor consagrado João Paulo Cuenca, que hoje tira onda de guitarrista bissexto, mas já foi de finadas bandas como Glamourama e Netunos.
A noite marca o lançamento do segundo romance do Cave, “A Morte do Bunny Munro”. Você já teve oportunidade de ler?
Estou lendo, até o show terei terminado. Sabe como é, tive que decorar letras enormes (risos). O que é fantástico no romance do escritor Nick Cave é que ele traduz um momento muito atual na carreira do compositor Nick Cave. Tanto no “Dig Lazarus Dig”, que ele lançou em 2009 com os Bad Seeds quanto no projeto paralelo Grinderman, de 2008, as letras giram em torno de uma feroz pulsão sexual masculina, muito diferente das baladas melancólicas que o marcaram os anos 90 e o início dos 00. Como o personagem Bunny Munro é um homem que só pensa em sexo e o consegue com certa facilidade, passa a impressão que você está lendo um roteiro de um filme cuja trilha sonora já foi composta. Para honrar o livro, tínhamos que dar à plateia feminina um clima de iminente assédio sexual.
A apresentação é única ou outras cidades vão ter a oportunidade de receber essa apresentação?
Estaremos em São Paulo em breve, ainda não sabemos onde, exatamente. Mas é parada obrigatória, uma vez que ele morou aí e existe um grande interesse sobre ele, até mais do que no Rio. Como o Cabaret se apresenta reforçado uma banda grande, são nove pessoas no palco (duas guitarras, baixo, bateria, teclado e três backing vocals femininas além de mim), não é um show fácil de se levar para lá e para cá. Mas estamos dispostos a aceitar convites para sair e testes do sofá.
De Nick Cave para Cabaret: como está o planejamento do disco novo? Ouvi algumas canções e fiquei com a impressão que vem um discaço….
Pois é. O capricho levou a alguns atrasos, e dois dos nossos integrantes (o guitarrista Felipe Aranha e o baterista Marcos Hermes) vão se tornar papais por estes meses. Por isso, preferimos dar tempo para que eles aprendam a trocar as fraldas e vamos deixar o lançamento de “A Paixão segundo Cabaret” para 2011. O álbum conta em 13 canções a história de um homem que sempre tentou fugir do amor, mas que de repente se vê diante de uma mulher da qual ele não poderá escapar. Estamos orgulhosos dele: tem a já lendária participação de Ney Matogrosso em uma canção, a produção do Iuri Freiberger, que entendeu nosso som com carinho, e já masterizamos em Abbey Road com Alex Wharton, que trabalho em discos de Björk, Chemical Brothers e Babyshambles.
SERVIÇO
Cabaret e convidados tocam Nick Cave - Pocket Show Gratuito
Sexta, 10 de setembro, 19h30
Fnac da Barra, no Rio de Janeiro
Nesta noite, o Cabaret será:
Márvio dos Anjos, voz
Felipe Aranha, guitarra
Marcelo Caldas, baixo
Gustavo Matos, bateria (substituindo Marcos Hermes em licença-paternidade)
Geovanni Andrade, piano
E as backing vocals convidadas:
Cris Fernandes
Tatiana Fake (Private Dancers)
Natasha Nunes
Leia também:
- Marco Antônio Bart preparou um mixtape Nick Cave. Baixe aqui.
Agosto 24, 2010 1 Comment
Os três primeiros do U2 em versão deluxe

É difícil ver Bono hoje em dia e não pensar nos álbuns recentes, medianos, nas mega-turnês zilionárias, no “cargo” de porta-voz da dívida do Terceiro Mundo e, por que não, nas fotos recentes ao lado de lolitas que caíram na web. Tudo tão anti-musical que às vezes esquecemos o quanto o U2 é foda (e “Acthung Baby” e “Zooropa” são sensacionais). Aqui, no entanto, o buraco é mais embaixo: “Boy”, “October” e “War” formam a trilogia inicial da carreira da banda e retornam ao mercado em caprichadas versões de luxo com várias faixas bônus e remasterização de The Edge.
A crueza de “Boy” (1980), o primeiro e empolgante disco do quarteto, destaca faixas brilhantes como “I Will Follow” e “The Electric Co.” do disco original e pepitas de ouro para o CD bônus como a dobradinha “11 O’ Clock Tick Tock”/”Touch”, produzidas pelo lendário Martin Hannet, os registros ao vivo de shows em fevereiro (a inédita “Cartoon World”) e setembro (”11 O’ Clock Tick Tock” e “Boy-Girl”) de 80. O CD ainda traz as três faixas do lendário single “U2 3″ e duas faixas inéditas das sessões de gravação do álbum: a instrumental “Speed of Life” e a ótima “Saturday Night”.
“October” (1981) foi lançado na esteira da badalação do álbum de estréia e mostra o avanço do grupo com Steve Lillywhite, o produtor, valorizando cada vez mais os harmônicos curtos encharcados de delay da guitarra de The Edge. Brilham o hit “Gloria”, a cadenciada “Scarlet” (com uma sonoridade e arranjo que eles repetiriam em discos posteriores) além da forte faixa título. O CD bônus desta edição especial é imperdível com cinco canções ao vivo no Hammersmith Palais, em Londres, três na BBC e quatro no Paradise Theatre (todos de 1982), em Boston, que mostram a força do grupo no palco, além de três b-sides.
“War” (1983) é o álbum que apresentou o grupo para os ouvintes de rock (enquanto Live Aid, a novata MTV e “The Joshua Tree” apresentaram a banda para as massas nos anos seguintes) embalado por hits politizados como “New Year’s Day” e “Sunday Bloody Sunday”. Álbum mais badalado do pacote, “War” é responsável pelas faixas bônus mais dispensáveis. São quatro versões diferentes de “New Year’s Day”, três de “Two Hearts Beat as One”, uma canção inédita (”Angels Too Tied to the Ground”), três registros ao vivo flagrados no festival de Werchter, na Bélgica, em 1982, e dois b-sides. Agora é esperar essa onda de reedição de Bono e Cia chegar nos fundamentais “Acthung Baby” e “Zooropa”. Amém.
“Boy”, “October” e “War”, U2 (Universal)
Preço em media: R$ 60 (lançamento nacional)
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BOY SPECIAL EDITION
01) I Will Follow
02) Twilight
03) An Cat Dubh
04) Into the Heart
05) Out of Control
06) Stories for Boys
07) The Ocean
08) A Day Without Me
09) Another Time, Another Place
10) The Electric Co.
11) Shadows and Tall Trees
Additional Tracks on 2008 Release
01) I Will Follow (Previously Unreleased Mix)
02)11 O’Clock Tick Tock
03) Touch
04) Speed Of Life (Previously Unreleased Track)
05) Saturday Night (Previously Unreleased Track)
06) Things To Make And Do
07) Out Of Control
08) Boy-Girl
09) Stories For Boys
10) Another Day
11) Twilight
12) Boy-Girl (Live at The Marquee, London)
13) 11 O’Clock Tick Tock (Live at The Marquee, London - Previously Unreleased Version)
14) Cartoon World (Live at The National Stadium, Dublin - Previously Unreleased Track)
OCOTOBR SPECIAL EDITION
01) Gloria
02) I Fall Down
03) I Threw a Brick Through a Window
04) Rejoice
05) Fire
06) Tomorrow
07) October
08) With a Shout
09) Stranger in a Strange Land
10) Scarlet
11) Is That All?
Additional Tracks on 2008 Release
01) Gloria (Live at Hammersmith Palais, London)
02) I Fall Down (Live at Hammersmith Palais, London)
03) I Threw A Brick Through A Window (Live at Hammersmith Palais, London)
04) Fire (Live at Hammersmith Palais, London)
05) October (Live at Hammersmith Palais, London)
06) With A Shout (Richard Skinner BBC Session)
07) Scarlet (Richard Skinner BBC Session)
08) I Threw A Brick Through A Window (Richard Skinner BBC Session)
09) A Celebration
10) J. Swallo
11) Trash, Trampoline And The Party Girl
12) I Will Follow (Live at Paradise Theatre, Boston)
13) The Ocean (Live at Paradise Theatre, Boston)
14) The Cry/Electric Co. (Live at Paradise Theatre, Boston)
15) 11 O’Clock Tick Tock (Live at Paradise Theatre, Boston)
16) I Will Follow (Live From Hattem, Netherlands)
17) Tomorrow (Bono & Adam Clayton, Common Ground Remix)
WAR SPECIAL EDITION
01) Sunday Bloody Sunday
02) Seconds
03) New Year’s Day
04) Like a Song…
05) Drowning Man
06) The Refugee
07) Two Hearts Beat as One
08) Red Light
09) Surrender
10) 40
Additional Tracks on 2008 Release
01) Endless Deep
02) Angels Too Tied To The Ground (Previously Unreleased)
03) New Year’s Day (7″ single edit)
04) New Year’s Day (USA Remix)
05) New Year’s Day (Ferry Corsten Extended Vocal Mix)
06) New Year’s Day (Ferry Corsten Vocal Radio Mix)
07) Two Hearts Beat As One (Long Mix)
08) Two Hearts Beat As One (USA Remix)
09) Two Hearts Beat As One (Club Version)
10) Treasure (Whatever Happened to Pete The Chop)
11) I Threw A Brick Through A Window / Day Without Me (Live Rock Werchter 1982)
12) Fire (Live Rock Werchter 1982)
Dezembro 9, 2008 12 Comments
Always The Bridesmaid, The Decemberists

Colin Meloy está prestes a transformar sua banda, os sensacionais Decemberists, em sensação pop. Como se fosse um R.E.M. do novo milênio, o grupo estuda o próximo passo com cautela enquanto diverte-se em projetos paralelos. Após grandes elogios a “The Crane Wife” (2006), último álbum do grupo, Colin Meloy e banda sumiram e reapareceram apenas agora para apoiar a candidatura de Obama, anunciar um novo disco para 2009 e entregar três compactos duplos 12’ em vinil 180 gramas com material inédito.
“Always The Bridesmaid: A Singles Series” é composto por seis músicas, e faz um tempo que o mercado não recebe um grupo de canções tão arrebatador. “Valerie Plame”, a faixa que abre o primeiro single, é uma das mais belas canções pop feitas nessa década. São cinco minutos delirantes em que viola, acordeom, órgão, baixo, bateria e vocais levam o ouvinte aos céus. A letra conta a história da ex-espiã da CIA – que dá nome à música – cuja identidade secreta foi vazada à imprensa depois que seu marido, um ex-embaixador crítico ao governo Bush, escreveu um artigo no New York Times questionando as razões do presidente para invadir o Iraque.
No lado b, “O New England”, uma falsa balada emocional de batida limpa de violão que conta uma triste história de amor. Ele tenta conseguir um sorriso dela, e a leva para onde o amor dos dois começou, mas “esta aqui é a fábula de uma tentativa fracassada”. Para o segundo single foi escolhida “Days Of Elaine”. De batida acelerada e refrão forte que lembram Wilco, Belle and Sebastian e Smiths, “Days Of Elaine” é mais uma das histórias fantasiosas de Colin Meloy, e narra uma mãe (a tal Elaine) contando coisas para o filho. No lado B uma cover fidelíssima de “I’m Sticking With You”, do Velvet Underground, com Jenny Conlee bancando Maureen Tucker e Meloy, Lou Reed.
O volume 3 de “Always The Bridesmaid: A Singles Series” chama-se “Record Year”, que abre de forma dilacerante com violão, viola e violino: “Eu li no jornal de hoje: Tem sido um ano recorde de chuva / E você estava encostada contra a parede do banheiro / Em seu vestido solitário / Foi só o seu vestido”. A canção segue épica entre dias cinzentos. “Raincoat Song” surge no lado b, quase country, e conta a história de Caroline, uma garota de 28 anos que está com raiva porque está dormindo sozinha e tem medo de ficar solteirona. Diz o refrão: “Você usava capa de chuva quando choveu hoje, e acho que isso só fez chover mais”.
Logo após o lançamento de “The Crane Wife”, Colin Meloy, que já havia gravado EPs com canções de Morrissey e da cantora folk irlandesa Shirley Collins (”Colin Meloy Sings Morrissey”, de 2005, e “Colin Meloy Sings Shirley Collins”, de 2006), voltou com uma homenagem a Sam Cooke e também um álbum ao vivo (”Colin Meloy Sings Live CD”) que traz canções da primeira banda do compositor, Tarkio, duas faixas inéditas e citações de Smiths, Pink Floyd, e Fleetwood Mac. O baixista Chris Funk montou o projeto Flash Hawk Parlor Ensemble e o baterista John largou as baquetas e foi tocar guitarras no Perhapst. Agora todos voltam ao Decemberists.
O volume 1, “Valerie Plame / O New England”, foi lançado em 14 de outubro; O volume 2, “Days of Elaine / Sticking With You”, em 04 de novembro; e o volume 3, “Record Year / Raincoat Song”, começa a ser vendido no dia 02 de dezembro. Cada um dos três volumes está sendo lançado em edições limitadas de vinil (500 cópias) e podem ser comprados no site oficial da banda. São seis canções brilhantes, pequenas epopéias de um compositor que continua escrevendo músicas como se estivesse esculpindo diamantes. Fique atento(a): o Decemberists tem tudo para ser a maior banda do mundo nos próximos dois anos. Senão for não tem problema. Será uma de suas bandas mais queridas. Acredite.
“Always The Bridesmaid: A Singles Series”, The Decemberists (Capitol)
Preço em media: R$ 30 por single (importado)
Nota: 10
Site: http://www.decemberistsshop.com/zencart/
Leia também:
- “The Crane Wife”, The Decemberistis, por Marcelo Costa (aqui)
- Decemberists ao vivo em Columbus, Ohio, por Marcelo Costa (aqui)

Foto: Divulgação
Novembro 25, 2008 4 Comments





















