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Category — EUA 2013

Dia 1: na capital da música country

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“Parece uma cidade cenográfica”, diz Lili assim que descemos a Second Avenue em direção a Broadway. São pouco mais de 10h de sexta-feira, acabamos de chegar de viagem e nosso check-in só será liberado às 13h. A arquitetura com resquícios de Velho Oeste, mas muito bem cuidada, e a praticamente não existência de pessoas na rua faz com Nashville pareça uma cidade fantasma, mas ali pelas 11 e pouco da manhã já começam a soar, em alguns dos diversos pubs do centro, a batida country que é marca registrada  da cidade (e movimenta seu turismo), deixando a certeza: Nashville é uma cidade noturna, e acorda tarde.

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Fundada em 1779, Nashville mudou seu rumo na história quando, em 1927, uma emissora de rádio tirou o programa diário que tinha sobre ópera colocando no lugar algo mais popular, uma música então chamada de Barn Dance, que nada mais é do que a música country, estilo facilmente identificável na cidade, seja na voz das garotas que lotam as calçadas sonhando em ser a próxima Taylor Swift, seja nas dezenas de lojas de botas de couro ou nas imagens de velhos ícones como Elvis Presley e Johnny Cash.

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Impressionantemente bem cuidado, o centro da cidade reflete a renovação urbana e econômica proposta nos anos 90 pelo então prefeito (e depois governador) Phil Bredesen. É ele o responsável pela construção do Country Music Hall of Fame and Museum (de desenho piegas em forma de piano, cujo “anexo”, em forma de violão, é quase três vezes maior que ele e deve ser inaugurado em 2014), da Nashville Public Library e da enorme Bridgestone Arena (que no próximo dia 03 de maio receberá Black Keys e Flaming Lips em show conjunto).

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Após nos entregarmos aos prazeres das sodas (há uma loja sensacional de refrigerantes na esquina do hostel), decidimos enrolar no Hard Rock Café (“Eu devo isso para aquela Lili de 13 anos”, justifica ela). Logo em frente há um Rock Bottom, uns dos pubs mais bacanas que conheci na viagem anterior (e que irei bater ponto novamente logo logo), e a movimentada Broadway Avenue ainda traz, em suas esquinas, um Johnny Cash Museum (esqueceram do museu e só trouxeram o gift shop) e uma sensacional loja de doces especializada em… maçã caramelada.

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Após fazer o check in e tentar colocar o sono levemente em dia por cerca de duas horas, partimos para o primeiro destino turistico da cidade: a Third Man Records, a loja que Jack White abriu em Nashville em 2009, e vende compactos e vinis de sua gravadora além de farto material de badulaques. Menos de 20 minutos caminhando e cá estamos em frente a um prédio nas cores preta, vermelha e amarela. É preciso tocar a campainha para que Jenna, uma ruiva de meias arrastão e muita simpatia, abra a porta. A loja é pequena, mas seus dois ambientes são impecavelmente decorados, e é possível deixar uma boa grana aqui!

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Consigo resistir a comprar a vitrolinha portátil do selo (US$ 160 dólares – acho que encontro uma melhor e mais em conta em Nova York), e fico frustrado ao saber que a cabine individual para gravar compactos não está disponível, mas enquanto rola o vinil branco de “Elephant”, do White Stripes, no som, separo camisetas, um vinil de uma session do Cold War Kids nos estúdios da Third Man (US$ 15), um single do Raconteurs e namoro o exemplar em vinil azul transparente do disco ao vivo recente que Jack White prensou para os sócios do fã clube da loja, que não está à venda.

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Num corredor todo vermelho há discos de ouro do White Stripes na parede (namoro também o box “Under Great White Northern Lights”, que está US$ 175 enquanto tento entender um “revolucionário” novo toca discos da casa – veja aqui). O registro de um show de Jerry Lee Lewis na frente da loja custa US$ 16 em CD e US$ 15 em vinil, e uma estampa de camiseta à venda no mostruário avisa: “Vinyl Is Killing the MP3 Industry”. Cerca de seis pessoas superlotam a lojinha, e duas mulheres conversam com Jenna: “Como é o Jack White?”, elas querem saber. “Amazing”, responde a vendedora.

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É fim de tarde e começa a garoar insistentemente. Decidimos nos recolher para aguardar o horário do show que Cory Chisel and the Wandering Sons. O local é o Mercy Lounge, um prédio com dois palcos e vários bares temáticos. Quem toca hoje no palco maior, The Cannery Ballroom, com ingressos sold out é o The Weeks, banda de southern rock de Jackson, Mississipi. Cory Chisel irá se apresentar no palco menor, The High Watt, e pouco mais de 100 pessoas (com média de idade de 30 anos) estão no local bebendo Brooklyn Lager e Fatwire Amber Ale (US$ 4,50 a lata, preço de balada). O local lembra o Studio SP, apesar do palco estar (corretamente) no fundo da casa, e não no meio, e da infra e som serem muito melhores.

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Um trio comandado por Derek Hoke abre a noite repetindo de forma competente algo que Elvis fez em 1957 (ainda assim, a boa cover de “Houses of The Holy”, do Led, merece registro). Cory Chisel é figurinha fácil por ali. Conversa com todo mundo, fica na lojinha (que, na verdade, é uma mala com vinis, CDs e camisetas – US$ 15 os vinis, US$ 10 os CDs) e bebe as três primeiras doses de uísque Jameson da noite. De repente, Brendan Benson aparece e se porta como “gente como a gente”. Conversa a animadamente com amigos, abraça Cory Chisel e assiste ao show sossegadamente do nosso lado.

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No palco, as canções de “Old Believers” causam alvoroço (antes deste há outros cinco álbuns – desde 2004), e o suporte da loirinha Adriel Harris (a Laura Lavieri dele) se destaca. No momento mais inusitado da noite, Cory diz que irá tocar uma canção em homenagem ao cara que estampa a porta do banheiro masculino da casa (no feminino está Debbie Harry), o que parece deixar uma interrogação na testa de alguns, que por fim pedem um cover de Bruce Springsteen. Cory bate o pé e manda uma boa versão de “Guns of Brixton”, do Clash. “I’ve Been Accused”, “Born Again” e um reggae safado (“Brendan me disse que eu nunca mais voltaria o mesmo de lá: não sei se ele estava dizendo da Jamaica ou de Nashville”, brincou) renderam alguns dos grandes momentos da noite.

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Na saída, a chuva aperta, mas o Mercy Lounge fica numa bocadinha e de difícil aceso. Decidimos arriscar até a avenida, e conseguimos arranjar um taxi. O motorista nos pergunta de onde somos e assim que digo que somos do Brasil, ele emenda: “Nas últimas três horas peguei um cara de Israel e depois um da Finlândia. E agora vocês do Brasil. Neste taxi!”, se surpreende. Não há melhor maneira de dizer que Nashville é uma cidade turística, não é mesmo.

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Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

abril 27, 2013   1 Comment

EUA 2013: Em Nashville…

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Cá estamos na capital do country. Viagem muito boa de São Paulo para Atlanta, e serviço de imigração super rápido (Castillo, o policial tatuado e com cara de poucos amigos, só perguntou destino, quanto dinheiro tínhamos em cash e quando voltaríamos, e bye bye). O voo de Atlanta para Nashville também foi numa paz e a vida segue. Já demos uma boa volta no centro da cidade (a Broadway Street é muito legal), e era quase 11 da manhã quando os violões começaram a ecoar nos pubs. O fim de semana promete…

abril 26, 2013   No Comments

EUA 2013: Peter Murphy no Webster Hall

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Quase véspera de viagem e mais um show entra na agenda: por 35 doletas, bora ver Peter Murphy relembrar 35 anos de Bauhaus no Webster Hall, em Nova York. Esse é outro caso de show que vale pela música e pelo local: o Webster Hall data de 1886, e é um complexo em Manhatan com uma discoteca, boate, sala de concertos, centro de eventos corporativos, bar e estúdio de gravação. Sua capacidade, incluindo o clube (famoso por suas festas – olha as fotos), é de 2500 pessoas (1400 no palco principal, onde os góticos e eu irão ver Peter Murphy).

Antes ainda de ter um disco seu, Bob Dylan gravou gaita num disco de Harry Belafonte em 1962 nos estúdios da casa, que viu, no começo dos anos 80, o surgimento de um novo espaço de shows no prédio: o salão passou a atender pelo nome de The Ritz, recebendo Eric Clapton, Prince, Metallica, U2, KISS e Guns N’ Roses, entre outros. Quando o Ritz mudou de endereço no final dos anos 90,a casa sofreu uma reforma e voltou a atender pelo nome de Webster Hal em 1992. Hoje o prédio é protegido pela prefeitura, e reconhecido como um marco cultural de Nova York.

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville (Cory Chisel And The Wandering Sons)
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys e…) + Frank Black
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York (Peter Murphy)
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (Palma Violets)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York
13/05 – São Paulo

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Foto do Facebook do Webster Hall. Por favor, olhe!

abril 23, 2013   No Comments

EUA 2013: Frank Black em New Orleans

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Mais um show acrescido ao roteiro de viagem: Frank Black acústico no Music At The Mint, essa salinha na foto acima. Neste show, Black Francis dividirá o palco com Reid Paley, com quem gravou um bom álbum em 2010. O show será no último dia do New Orleans Jazz Festival, que acontece das 11h até às 19h, exatamente para não prejudicar a rotina das casas de shows da cidade. Ou seja: após um dia inteiro de shows, bora ver Frank Black.

Em Nova York, o show do Breeders tocando o “Last Splash” no Webster Hall já está sold out.  Fora isso, estou tentado a ver Ronnie Spector ou James Blake no dia 07, e Mudhoney no dia 11. Há mais coisas, mas a ideia é não superlotar a agenda de shows. Os detalhes técnicos da viagem já estão todos resolvidos: hotéis reservados e passagens internas compradas. Agora é torcer para que tudo se ajeite por lá. Força, Obama! Estamos chegando.

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville (Cory Chisel And The Wandering Sons)
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys e…) + Frank Black
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (Palma Violets)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York
13/05 – São Paulo

abril 18, 2013   No Comments

EUA 2013: Ryman Auditory

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O três primeiros ingressos de shows da viagem foram comprados: verei Cory Chisel & the Wandering Sons (melhor show do #SXSW 2013 para o Tiago Agostini) no The High Watt, Band of Horses (cujo show no Lollapalooza 2012 foi muito bom) no mítico Ryman Auditory, em Nashville, e Palma Violets, no Music Hall of Williamsburg, no Brooklyn, em Nova York.

Eu iria de qualquer jeito visitar o Ryman Auditory. Existem dois tipos de tours, e um deles permite conhecer os camarins que abrigaram algumas das maiores lendas do country e do rock mundial. Foi no Ryman que Johnny Cash e June Carter se aproximaram, e que Neil Young gravou o belíssimo DVD “Heart of Gold”. E eu queria conhecer o Music Hall of Williamsburg também.

Ainda estou definindo hotéis em Memphis, New Orleans e Nova York, mas pretendo fechar tudo isso nos próximos dias, e há alguns shows pelo meio do caminho a serem pensados. No dia 06, em Nova York, terá The Breeders no Webster Hall e Ronnie Spector no City Winery. No dia 07 haverá James Blake no Terminal 5,  Ronnie Spector no City Winery e The Veils no Bowery Ballroom (e Spin Doctors em algum lugar que não importa).

Há ainda nos dias seguintes shows de Four Tet, Dragonette, Steve Earle, Huey Lewis And The News, Shout Out Louds e Mudhoney, mas a ideia é não superlotar a viagem de shows, então preciso pensar com calma (e rápido, porque a viagem está chegando). A titulo de curiosidade: com taxas inclusas, esses ingressos custaram 15,55 dólares (Cory Chisel & the Wandering Sons), 20 dólares (Palma Violets) e 42 dólares (Band of Horses). Se fosse aqui…

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville (Cory Chisel And The Wandering Sons)
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys, Daryl Hall and John Oates e…)
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (Palma Violets)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York
13/05 – São Paulo

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Leia também:
– Diário de Viagem: Estados Unidos 2011, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço: 20 dias de Estados Unidos, por Marcelo Costa (aqui)
– 5 fotos: Nova York (aqui), São Francisco (aqui) LA (aqui) e Chicago (aqui)

março 27, 2013   No Comments

EUA 2013: segundo rascunho

Martelo batido. Passagens compradas com a chegada por Nashville e a saída por Nova York, então pouquissima coisa deve mudar desse itinerário abaixo.  Agora é procurar aps e hotéis…

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville
27/04 – Nashville (Band of Horses)
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys, Daryl Hall and John Oates e…)
06/05 – Nova York (The Breeders)
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (James Blake)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York (Shout Out Louds)
13/05 – São Paulo

Leia também:
– Diário de Viagem: Estados Unidos 2011, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço: 20 dias de Estados Unidos, por Marcelo Costa (aqui)
– 5 fotos: Nova York (aqui), São Francisco (aqui) LA (aqui) e Chicago (aqui)

março 5, 2013   No Comments

EUA 2013: primeiro rascunho

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Fotos: Marcelo Costa

Na verdade é um rascunho de quase martelo batido pois pouca coisa deve mudar: no final de abril parto com Lili para visitar a terra de Lincoln pela segunda vez (minha – a primeira dela). A ideia básica é começar pelo Sul para aproveitar o New Orleans Jazz Festival e pagar tributo para alguns ícones da música (Johnny Cash, Elvis Presley, Jack White… a lista segue imensa) e depois tirar uma semaninha em Nova York.

Além do festival, vi pouca coisa de shows rolando nas cidades pelas quais vou passar. E muito desencontro. BRMC toca dia 01/05 em Nashville e a cidade ainda recebe, no dia 03/05, Black Keys e Flaming Lips. Por outro lado, dia 27/04 tem B.B. King num cassino em Memphis. Talvez role inverter as cidades. Até em Nova York é um periodo fraquinho: Breeders (06/05), James Blake (09/05) mais Laurie Anderson,  Todd Rundgren, Shout Out Louds…

Mas ainda há tempo. Acho. As passagens nem foram compradas e os hotéis não foram reservados. Estou colhendo com amigos dicas de hospedagem nas quatro cidades. Adorei o hotel que fiquei em Nova York a primeira vez, The Jane, mas estou pensando em ficar em outro, mais em conta, pois ainda tenho planos de passar uns 15 dias na Europa no final de maio e começo de junho… Tudo na ponta do lápis. O roteiro por enquanto é esse:

27/04 – Nashville
28/04 – Nashville
29/04 – Nashville
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys, Daryl Hall and John Oates e…)
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York

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Leia também:
– Diário de Viagem: Estados Unidos 2011, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço: 20 dias de Estados Unidos, por Marcelo Costa (aqui)
– 5 fotos: Nova York (aqui), São Francisco (aqui) LA (aqui) e Chicago (aqui)

fevereiro 17, 2013   No Comments