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Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic

Andei, andei, andei. E andei. Andei pra cacete ontem. Assim que cheguei em Barcelona, na segunda, comprei um passe de metro/tram para tres dias (algo que compensa muito em qualquer grande cidade europeia). Acordei ontem, e fui pra estacao Diagonal pegar o metro pra estacao Sagrada Familia. Pro meu “azar”, a estacao Diagonal esta em obras, e algumas conexoes estao fora de servico temporariamente. Olhei no mapa, achei perto, e fui caminhando. Meus joelhos estao um caco, mas valeu a pena.

Valeu a pena pois a Sagrada Familia eh… deslumbrante. Na verdade, eh muito dificil achar um adjetivo para descreve-la. Mesmo deslumbrante eh pouco. Seria como a coisa mais foda que eu ja vi na minha vida, ou algo assim. Imagina: a igreja ainda nem esta terminada e ainda assim atrai 1 milhao de visitantes por ano! O arquiteto Antoni Gaudi assumiu o projeto em 1883 e dedicou-se a ele nos 40 anos seguintes (chegando ate a morar dentro do canteiro de obras). Ele morreu em 1926, tres dias apos ser atropelado perto da igreja, 43 anos apos ter assumido o projeto. E la se vao 125 anos.

Otimistas acreditam que a igreja estara terminada em 2030. Outros apontam para 2080. Eh fascinante demais imaginar quantas pessoas se dedicaram a obra e nao vao ve-la finalizada. Mesmo em construcao, no entanto, a igreja pode ser visitada. Ha um museu no subsolo que conta a historia de Gaudi (cujo corpo esta em uma cripta, ali mesmo), o visitante pode admirar a obra em construcao e, ainda, subir aos campanarios ja prontos. A escadinha eh sinistra, mas a visao dos detalhes da igreja e de Barcelona valem o susto. A Sagrada Familia eh para a arquitetura o que o “Smile”, dos Beach Boys, eh pra musica pop. Coisas de genios.

Dali fui para a Vila Olimpica (namorar uma arquiteta rende passeios assim) e, em seguida, para o Barri Gotic, um bairro que um dia foi um vilarejo romano, e cujas ruas estreitas sao completamente apaixonantes. O guia sobre a cidade que estou acompanhando apontava varios lugares bacanas no bairro, mas pedia para andar a esmo, deixando-se levar pelas ruas estreitas e por sua beleza. Nao pensei duas vezes: comprei uma San Miguel (cerveja espanhola, de Alicante) e segui caminho. Cinco cervejas depois eu ja estava amando o lugar.  (risos)

Decidi comer por ali, e gastar um pouco mais (ja fazia mais de tres dias desde o bom almoco em Glasgow) e escolhi a Plaza Real para desfrutar um filet iberic amb salsa de pebre verd acompanhado de arroz, salada e um copo de vinho. No fim das contas, nem saiu tao caro. O menu do dia estava por 8,75 euros. A conta ficou em 16 euros (aproximadamente R$ 42).  Voltei a caminhar feliz pelo lugar e, quando ja estava anoitecendo, passei no hostel, tomei um banho rapido (fez 35 graus o dia todo em Barcelona – o sol se foi as 21h) e fui tentar encontrar com Tom Waits. Mas…

Bem, Tom Waits iria fazer dois shows em Barcelona, no enorme Forum, capacidade para 2200 pessoas. Os ingressos estavam entre R$ 290 (o mais barato) e R$ 350 (o mais caro). Pra mim, nunca iria esgotar. Cheguei a tentar, ao menos tres vezes, comprar os ingressos ainda no Brasil, mas nao rolou. Ontem, apos ter saido da Sagrada Familia, foi ao Forum, mas a bilheteria soh iria abrir as 17h. Quando cheguei, as 21h, ja estava sold out. Sabe que deu um alivio? Pagar R$ 300 em um show eh muuuuuito dinheiro, e em economia de viagem, seria uma extravagancia e tanto.

Na parte da tarde, no Barri Gotic, passei em umas lojinhas bacanas de CDs da Calle Tallers. Namorei uma caixa das Supremes com quatro CDs que estava com 20% de desconto sobre os 34 euros da capa (e vamos combinar, R$ 18 eh um grande desconto), mas acabei levando pelo mesmo preco um box com seis CDs que flagram as BBC Sessions completas do Wedding Present, mais um Cinerama (“BBC Sessions”), um Black Box Recorder (“The Facts of Life”), uma coletanea dupla de raridades do Superchunk e um EP de covers do Los Lobos, e tudo isso saiu por 4o euros (pouco mais de R$ 100), e eu iria pagar 125 euros no show… foda.

Lembro que paguei R$ 250 para ver o Dylan, e olha que eu e Lili precisamos debater muito se valeria a pena. Sei que teria valido a pena ter visto o Tom Waits, e ainda vou tentar ve-lo em Dublin, dia 31 de julho, quando terei uma ideia da situacao catastrofica da minha conta bancaria, mas ontem soh me restou pegar uma Estrella (cerveja de Barcelona, bem boa) na porta do show (em que nao haviam cambistas, ja que a Teleentrada vendeu os ingressos por telefone e os mesmos eram nominais) e partir, novamente, para a Sagrada Familia, e jantar um sanduiche baratinho de bacon com queijo admirando a obra de Gaudi.

Hoje o roteiro eh totalmente Gaudi: vou a Pedrera e ao Parc Guell. Acordei cedo e fui para a Barcelona Sans, estacao central de trens, para tentar simular a confusao que sera a volta de Benicassim na segunda. Meu trem esta marcado para chegar em Barcelona as 11h49. Tenho que sair do vagao correndo, comprar a passagem para o trem para o aeroporto, e voltar correndo para pega-lo as 11h55. Se perde-lo, vou morrer com uns 30 euros de taxi, pois meu horario limite para embarcar para Malaga eh 12h45, no aeroporto. Dedos cruzados ae.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

julho 16, 2008   No Comments

Dez links

– Entrevista: o professor e filósofo Peter Pál Pelbart (aqui)
– Monja Coen conversa com Criolo (aqui)
– Iñárritu fala sobre Keaton, Tim Burton e “Birdman” (aqui)
– Despedida: Buena Vista Social Club em maio no Brasil (aqui)
– Entrevista: o jornalista musical Dean Goodman (aqui)
– Riqueza de 80 pessoas soma a de 3.600 bilhões de pessoas (aqui)
– RIP F.C. (aqui)
– Arthur Dapieve: um pub de blues e jazz em Estocolmo (aqui)
– O sonho andino de Gaudí (aqui)
– Diário Ilustrado da Paternidade (aqui)

fevereiro 2, 2015   No Comments

Algumas dicas rápidas de Barcelona

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Enviada por e-mail para alguns amigos…

Tenta visitar uma das casas malucas do Gaudi (de preferencia La Pedrera, que tem doc e outras coisas situando a obra do cara), o Parc Guell, caminhar no Barri Gotic (tem uma lojinha de sementes de maconha excelente – na Espanha é permitido ter um pé em casa), bater ponto na FNAC da Praça Catalunya e nas duas lojinhas de CDs/vinis fodas da Calle Tallers (Casteló e Revolver).

O Museu da Catalunha tem uma visão bacana da cidade. Tem também o teleférico de Montjuic. Sagrada Familia só vale entrar se você for encarar os trocentos degraus das torres (senão é coisa de arquiteto, pois é um canteiro de obras).

Comer: não deixe de provar o melhor hamburguer da cidade: Kiosko (www.kioskoburger.com -> metrô Barceloneta, sentido contrário da praia). Paella e carne boa e barata é no La Fonda, na Calle Escudellers, travessa das Ramblas, lá no final. Nessa mesma rua tem o La Pasta, sensacional (é barato). E tenta comer algo ou mesmo só andar no mercado La Boqueria (tb nas Ramblas).

Pra comprar trapistas a preço de Brahma: Carrefour das Ramblas tem Chimay e Judas. Tem um shopping chamado Diagonal Mar, no final da avenida Diagonal (metro Maresme – Forum), repleto de outras cervejas boas. E se quiser ver topless ou andar pelado, é só ir pra Barceloneta (hehe).

Eu sempre optei por comprar o bilhete diário de metrô, que permite você andar à vontade, mas o de 10 viagens também é jogo. Deixa eu pensar mais…

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Leia também:
– Sete lojas de CDs e vinis na Europa (aqui)
– Cinco fotos: Barcelona (aqui)
– Uma tarde caminhando no El Raval (aqui)
– Barcelona, a cidade dos arquitetos (aqui)
– “Te quiero, Barcelona” (aqui)
– Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell (aqui)

julho 9, 2012   No Comments

Barcelona: Torta de Uísque e Rock and Roll

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Texto e fotos: Marcelo Costa

O meu amor por Barcelona se renova a cada ano. É simples assim. Existem várias outras cidades mais encantadoras e mágicas (Praga, Veneza, Santorini, Paris, Amsterdã), mas em nenhuma delas me sinto tão bem quanto em Barcelona. É a cidade que eu gostaria de morar (quem sabe um dia). Um pouco pela arquitetura (e Gaudi é responsável direto), mas hoje em dia ainda mais pelo desenho urbanístico do Ildefons Cerdà, que consegue unir beleza com praticidade. Barcelona respira, e muito.

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Batemos cartão na Revolver Records, uma das lojas mais sensacionais do planeta, com um vasto catálogo de raridades (comprei pictures discs do Joy Division e das Ronnetes), bootlegs (a parte de Beatles, Stones, Neil Young e Bruce Springsteen na estante é de fazer fã chorar) e lançamentos fresquinhos tanto em vinil quanto em CD. Tentei me controlar e consegui comprar apenas o “1965” do Afghan Whigs em vinil (relançamento duplo com um segundo vinil de bônus tracks), o CD do 13Th Floor Elevators e o DVD “1991: The Year Punk Broke”.

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Porém, ao lado da Revolver (na Calle Tallers, primeira rua a direita de quem desce as Ramblas saindo da Praça Catalunha) agora há uma outra loja muito bacana, a Castelló, que também recheou seu acervo de bootlegs e lançamentos raros. Coisas como uma caixa com seis vinis e três CDs das sessões do “Exile on Main Street”, dos Stones, dois volumes com 15 CDs e quatro DVDs com tudo de raridade que o U2 gravou, um vasto catálogo de Beatles e muito, mas muito mais. Quando passar por Barcelona na próxima semana (para ver Stone Roses), quero voltar lá.

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A primavera chegou quente por estes lados. Na quarta-feira, final de tarde, os termômetros marcavam 30 graus, mas a sangria e o vento do Mediterrâneo refrescam a cidade. Desta vez estou no Eixample, um bairro que começou a tomar forma em 1860, quando a cidade foi autorizada a crescer além das muralhas medievais. Nunca tinha ficado nem andado aqui, e estou adorando. Parece que entramos dentro da rotina catalã com nossos vizinhos indo ao supermercado e comendo e bebendo nas dezenas de restaurantes e casas de tapas da região. Até os preços são mais baratos que os das áreas turísticas, por exemplo.

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Também já batemos cartão no Kiosko, um dos melhores hambúrgueres de Barcelona, e descobrimos uma ótima casa de tapas da bacia do Rio Prata, o Criollo, que tem ótimos preços, comida honesta e uma torta de uísque viciante. Caminhamos pelo Barrio Gótico, tomamos suco na Boqueria, e conferimos a abertura oficial do Primavera Sound 2012, com alguns shows gratuitos na praça do Arco do Triunfo – sem spray de pimenta. The Wedding Present e The Walkmen abriram a festa com shows excelentes para uma plateia numerosa.

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David Gedge subiu ao palco às 19h55 (cinco minutos antes do previsto) com uma versão encorpada de “My Favourite Dress” (single presente no álbum “George Best”, de 1987) e “Back A Bit… Stop” (de “Valentina”, recém-lançado). De 1987 para 2012. Logo depois, anunciou: “Agora, ‘Seamonsters’ na integra”. O álbum produzido por Steve Albini em 1991 é um dos pontos altos da carreira da banda (mas os discos mais recentes merecem sua atenção) e versões poderosas de “Suck”, “Lovenest” e “Corduroy” mostraram que a nova formação do grupo está bastante entrosada. Nos bis, “Drive” e “Kennedy”. Poesias com riffs no talo.

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Intervalo de 20 minutos para ir atrás de cervejas espanholas, e Walkmen no palco. Em discos, o grupo novaiorquino caminhou de um posto sub-Strokes (nos dois primeiros e bons “Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone”, de 2002, e “Bows + Arrows”, de 2004) para um de sub-Wilco, com o altcountry correndo forte nas veias do vocalista e guitarrista Hamilton Leithauser. O show mistura essas duas fases de forma bastante distinguível, e diverte (com direito a single novo, “Heaven”, e hits antigos como “The Rat”). Ainda tinha Black Lips na sequencia, mas optamos por descansar.

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A maratona do festival começa hoje no Parc de Forum e, na minha programação do dia, quero tentar ver Linda Martini , Archers Of Loaf, Lee Ranaldo, Death Cab For Cutie, Wilco, The XX, Franz Ferdinand e Spiritualized. Ontem, a produção do evento anunciou que irá transmitir 20 shows do festival pelo Youtube, entre eles os três principais desta noite (The Afghan Whigs, Wilco e Spiritualized) mais The Cure, Mazzy Star, Rufus Wainwright, The Drums, The Rapture e outros. Confira a lista toda aqui lembrando que o Brasil está cinco horas a menos que Barcelona (Wilco, por exemplo, toca às 18h no horário de Brasilia).

Maio 31, 2012   No Comments

Um porre de Voll-Damm

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Hora de organizar o caos: Barcelona ferve. Os relógios marcam 30 e tantos graus, mas o vento do Mediterrâneo é uma benção. Chegamos com mala, cuia e cervejas no apartamento na quarta à noite. A janela do quarto tem vista para o Mercado de La Boqueria, mas nem quisemos aproveitar a vista e o local: saímos em disparada para o Poble Espanyol, local que receberia na mesma quarta o Echo and The Bunnymen (tocando os dois primeiros discos) e o Caribou, mas quem diz que conseguimos entrar.

A fila para retirada de pulseiras era imensa e uma hora antes do show do Echo o Poble já estava completamente tomado. Para não perder viagem, ficamos na fila admirando o Pavilion Mies de Van de Rohe e, depois, com pulseiras em punho, subimos até o Museu Nacional de Arte da Catalunha para observar Barcelona do alto. Já que não tinha show, decidimos por cerveja, e o porre de Voll Damn, melhor cerveza strong lager do mundo em 2007 pelo World Beer Awards , bateu forte. Não se brinca com 7,2% de graduação alcoólica…

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O porre na quina-feira foi inevitável. Até o corpo e restabelecer foi quase toda manhã, mas consegui não perder o bonde para que passou pela minha loja predileta de CDs de Barcelona (a Revolver Records, na Carrer dels Tallers, 11, travessa das Ramblas, um paraíso de bootlegs sensacionais) e depois seguiu Passeio da Grácia acima em direção ao Quarteto da Discórdia (com três prédios sensacionais um ao lado do outro – incluindo a Casa Batlô, de Gaudi) e, mais acima, na Casa Mila, a La Pedrera, outro Gaudi de tirar o folego. Almoçamos (bem) aos pés da Sagrada Família.

Neste primeiro dia de cidade não deu para perceber o caos das manifestações na cidade. Muita gente permanece acampada na Praça da Catalunha, e o grande burburinho na cidade tem relação com um possível título do Barcelona na Champions, sábado. Historicamente, a torcida comemora os títulos do clube na Praça da Catalunha, mas a polícia decidiu montar o telão no Arco do Triunfo tentando evitar um confronto entre torcedores e manifestantes. O clima promete esquentar se o Barcelona ganhar…

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Ps. Você já deve ter lido isso várias vezes aqui, mas preciso repitir: eu amo Barcelona

Maio 27, 2011   No Comments

Cinco fotos: Madri

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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Janela

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Quadro

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Os Irmãos

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Luzes para Gaudi

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A Menina

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

março 4, 2011   No Comments

Uma tarde caminhando no El Raval

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Dois anos atrás escrevi que uma das coisas legais do Festival de Benicassim é que quando o festival não tá rolando (tipo manhã e começo da tarde), a galera vai toda pra praia e bodeia. O mesmo não pode ser dito do Primavera Sound, por exemplo. As pernas estão arrebentadas de dois dias insanos de festival (e ainda falta um), mas você está num dia de sol em Barcelona, uma das cidades mais lindas do mundo, e não tem como ficar no hotel de perna para o alto, né. Então, bora camelar.

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O passeio arquitetônico de Lili desta vez nos levou ao bairro El Raval, que antigamente abrigava os bordéis mais devassos da Europa, mas que – de 20 anos para cá – vem passando por uma revitalização, que começou com a inauguração, em 1995, do Macba, o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, obra do arquiteto norte-americano Richard Meier, que criou um belo prédio branco no meio da paisagem colorida de cortiços de um dos bairros populares da cidade.

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A primeira lembrança que tive foi do Centro Pompidou, em Paris, mas nada a ver com arquitetura, e sim com a ocupação do lugar pelas pessoas. De que adianta fazer um museu ou uma praça que ninguém usa – ainda mais em um bairro degradado. Assim como o museu francês, o Macba virou ponto de encontro de estudantes, skatistas e trabalhadores da região, que encontram-se frente a fachada para fazerem lanches, andar de skate, botecar e paquerar. E beber… orxata.

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O refresco de amêndoas, gergelim e cevada que dá nome à canção que abre o segundo disco do Vampire Weekend pode ser encontrado em uma sorveteria ao lado da Macba, e tem um gosto que lembra alguma coisa que eu e Lili não conseguimos decifrar (risos). É um suco meio pastoso originário de Valência, e os espanhois levam à sério sua fabricação: há até um conselho regulador para garantir a qualidade do produto. Vale experimentar, mas a música é bem melhor.

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Saindo do museu decidimos dar um passeio pelo El Raval começando pelo meio macabro, pero colorido Mercado da Boqueria, uma mistura de cores e culturas bastante interessante. Bobeamos pois fizemos um lanche antes, mas devíamos ter almoçado em alguma casa de tapas por ali, pois os pratos de frutos do mar provocavam (e eu nem gosto de frutos de mar). Descemos até o Palau Guell, de Gaudi, que foi reaberto (só o piso terreo e o subsolo), mas o horário de visita já tinha ido.

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A revitalização que começou 20 anos atrás pelo jeito melhorou muito o El Raval, mas é impossível caminhar pelo bairro sem prestar atenção às faixas que dizem, em catalão, “Volem un barri digne” (“Nós queremos um bairro digno”), uma campanha de moradores e comerciantes visando diminuir o crime e a presença de drogados na região (pelo que entendi, o El Raval tem uma área mais ou menos parecida com a Cracolância, em SP).

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O El Raval apresenta uma Barcelona bastante diferente do Eixample (região desenhada pelo urbanista Ildefons Cerdá, que abriga as maiores obras de Gaudi) e muito próxima ao Barri Gotic. Ficamos caminhando por ali, passamos em frente ao London Bar, na antigamente mal-afamada Carrer Nou de La Rambla (pela sucessão de bordéis e espeluncas), um pub que já foi freqüentado por Picasso, Miró e Hemingway, e ainda hoje promove noites de jazz com música ao vivo. Tomara que a ação dos moradores surta efeitos. O El Raval merece.

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Ou seja, dever (turístico) cumprido. Mais um pedaço de Barcelona para se guardar na memória. Hoje é a última noite do Primavera Sound, e amanhã Wilco em Roma. Aguenta, coração, aguenta.

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 29, 2010   No Comments

Barcelona, a cidade dos arquitetos

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O grifo do título é da Lili, mas assino embaixo. O fato de ser casado com uma arquiteta me fez aprender um pouco sobre cidades. E no quesito cidade, indiscutivelmente, Barcelona é a minha preferida entre todas que conheci. Se eu tivesse que copiar uma cidade seria essa. Tudo aqui respira. O transporte público funciona, os grandes passeios convidam, o vento traz o ar do Mediterrâneo pras ruas e as casas de tapas são uma delicia. Barcelona, para mim, é igual qualidade de vida.

Não oficialmente, Antoni Gaudi é o santo padroeiro dos arquitetos. E Barcelona é Gaudi – assim como é Miró e também Cerdá (leia sobre este último aqui), mas a cidade anda se expandindo e ficando high-tech. O que me surpreende é como eles têm conseguido lidar com o desenvolvimento sem negar o passado. Novos arranha-céus espetaculosos surgem a toda hora no fim da Avenida Diagonal enquanto, por outro lado, andaimes continuam reinando sobre a Sagrada Família.

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O jogo de xadrez desenhado por Cerdá continua sendo respeitado assim como o bairro gótico nos faz parecer entrar em outra cidade, mas essa nova área de Barcelona ao fim da Avenida Diagonal (que aproveitou-se do boom das Olimpíadas de 1992), que alguns chamam de bairro americano, tem destaques que impressionam os olhos e parecem funcionar muito bem. O trecho começa na polêmica Torre Agbar (falei dela aqui) e vai até o Parque do Fórum.

É um trecho de três quilômetros onde há espaço para carros, trams, bicicletas e pessoas caminharem ao mesmo tempo sem se misturarem (como no plano central de Cerdá). A coisa toda fluí e a cidade parece caminhar. No meio há o Parque Central de Poblenou, um jardim intergaláctico, obra do arquiteto francês Jean Nouvel (o mesmo do pinto, ops, a Torre Agbar), que pensou nos mínimos detalhes da obra (de cadeira à luminárias até ao piso da área infantil). Simplesmente um deleite.

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Mais à frente temos outro grande parque, o Diagonal Mar, obra dos arquitetos catalães Enric Miralles e Benedetta Tagliabue. Lili já tinha assistido a uma palestra da Benedetta em uma das bienais de arquitetura (segundo ela, na última bienal que valeu a pena), e reconheceu o parque assim que colocou os olhos nele. Há vasos enormes vasos gaudilescos (alguns suspensos no ar), um lago enorme é uma bela área de lazer e descanso.

No final da avenida, quando o azul do Mediterrâneo começa a conquistar os olhos, temos o Parq del Forum, cujo edifício foi construído pelos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Já conhecia o prédio, pois Tom Waits tocou aqui em 2008 (vim até a porta tentar a sorte de um cambista, mas não rolou), e não gosto dele (um prédio azul marinho com detalhes prateados? Por favor, né), mas gosto de outro do escritório suíço, o Caixa Fórum de Madri (falei dele aqui).

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Ou seja, uma manhã de passeio arquitetônico nos proporcionou várias novidades. Na volta, almoçamos numa casa de tapas na área externa de um shopping, e Lili (finalmente) acertou no pedido (depois de vários tiros n’agua até agora) com os maiores camarões que já vi num prato (aqui). Fui do básico bife argentino, bem bom, acompanhado da refrescante cerveja francesa Kronenbourg 1664 (essa). Ainda passamos no supermercado e fiz um estoque de cervejas belgas de Abadia (nem eu acredito… mas olhe).O Primavera Sound começa hoje. Haja coração.

Leia também
– Barcelona 2009: Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell (aqui)
– Barcelona 2009: La Pedrera, de Antoni Gaudi (aqui e aqui)
– Barcelona 2008: Uma foto do Barrio Gotic (aqui)
– Barcelona 2008: Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic (aqui)

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 27, 2010   No Comments

Perambulando nas ruazinhas de Praga

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O mundo tem centenas de milhares de cidades, mas poucas devem merecer o adjetivo de encantadoras com todas – mas muito poucas mesmo – as doze letras que compõe a palavra. Chuto umas dez cidades, mas só consigo pensar em duas ou três neste momento: Paris, Veneza e… Praga. Amo Barcelona, mas a cidade espanhola é uma conjunção de diversos fatores que me atraem (Gaudi, o projeto urbanístico do Cerdá, o Mediterrâneo) e que me fazem ter vontade de morar nela, mas essa paixão é algo mais racional que passional.

Já Paris, Veneza e Praga são passionais. Assim que você atravessa os limites da cidade, já sabe se a amou ou se a odiou. Me apaixonei por Veneza desde a janela do avião, observando aquele monte de casinhas entre a água. Por Paris foi diferente. Odiei o hostel que tinha reservado, estava num dia péssimo, e um norte-americano de New Jersey, observando minha ira, aconselhou: “Você tem um mapa? Faz o seguinte: nós estamos aqui. Pega a Rua do Commercio que você vai sair na Torre Eiffel. Depois atravessa, vai no Arco do Triunfo e desce a Champs Elysees”. Precisa dizer mais?

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Já Praga… Acordamos às 4h20 em Budapeste para pegarmos o trem naquela estação macabra às 5h28 com previsão de seis horas de viagem. A viagem foi monótona, com exceção de um grupo de alunos (média 16 anos) que entrou no nosso vagão já na República Tcheca (o trem que sai da Hungria ainda passa pela Eslováquia) e causou (um deles arremessou a mochila no bagageiro. Segundos depois um líquido vermelho começou a escorrer. Era uma vez uma garrafa de vinho escondida). Engraçado eram os amigos tentando esconder os vestígios da professora.

Chegamos ao hotel após uma boa pernada (erramos o lado de saída do metrô), desfizemos as malas e fomos para a rua. A Charles Bridge estava completamente abarrotada de turistas (enfim, eles chegaram. E nós também). Almoçamos no centro da cidade (Lili arriscou no coelho, e aprovou. Fui do meu steak básico, que perde para o de Budapeste), e saímos a caminhar pelas ruazinhas de Praga sem destino certo (algo delicioso de se fazer numa cidade antiga).

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Chegamos na praça principal, dividida entre turistas e torcedores que iriam acompanhar a final do campeonato mundial de hóquei no gelo (os tchecos enfrentavam os russos – contei aqui). Subimos na torre da antiga prefeitura (construída em 1338), observamos a visão esplendorosa da cidade e depois partimos caminhando por ruazinhas sem destino, um deleite para a alma. São tantas coisas pra se ver na cidade que o mais correto é relaxar e deixar-se levar pelo vento, pelas ruas que pedem seus pés, sem pirar em obrigações. Isso se chama férias.

Praga é uma cidade especial porque parece ter preservado com naturalidade sua personalidade sem se render a brutalidade e impessoalidade do mundo moderno. Os bondinhos passeiam pelas ruas e dão um charme especial ao conjunto. Os prédios antigos estão em ótimo estado, e convidam a contemplação. Há prédios novos (como o lirico “Dancing House”, de Frank Gehry e Vlado Milunic) e centenas de cafés convidativos. E há a Charles Bridge, o conjunto do castelo, o bairro judeu, as cervejas, as comidas, as mulheres mais lindas do mundo (grifo do amigo Carlos)…

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Choveu (e ventou) muito na segunda. Nosso guarda-chuva morreu (assim como todos aqueles de Budapeste) e chegamos completamente ensopados no hotel, mas o dia todo valeu muito a pena. Entramos na St. Vitus Catedral, a impressionante (mais por fora do que por dentro) catedral gótica que começou a ser construída em 1344 (para ser finalizada quase 600 anos depois, em 1929) e que reina no alto do morro do castelo. Um misto de contemplação e receio toma a alma do espectador, e nos leva para uma época em que a religião doutrinava através da beleza, mas também do medo.

Pertinho da igreja está a Golden Lane, uma ruazinha estreita com casinhas de trabalhadores que prestavam serviços no palácio real. Queríamos ver a casa em que viveu Franz Kafka entre 1916 e 1917, mas a vilinha está fechada para reformas. Uma pena. Deixamos a região do castelo medieval debaixo de chuva. Esta terça é nosso último dia na cidade, mas ficamos felizes porque queremos voltar. Praga (assim como Paris e Veneza) não é uma cidade em que você passa apenas uma vez na vida. É daquelas raras paixões que vão e voltam. E esperamos muito que ela volte para nós.

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 25, 2010   No Comments

A polêmica Torre Agbar, de Jean Nouvel

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Foto: Wikipedia

Faltando menos de um mês para nossa viagem para a Europa (a minha terceira e a segunda de Lili), já compramos todos os vôos internos (vamos voar de Easyjet, Vueling e Aegean) e reservamos praticamente todos os hotéis da viagem, só faltando agora a noite que vamos passar em Roma (para ver o Wilco) e as três noites que vamos dormir na Ilha de Wight.

Ao contrário dos dois anos anteriores, em que ficamos em vários hostels, dessa vez optamos por hotéis da rede Íbis/Novotel. Como vou levar uma netbook dessa vez, o lance do wi-fi gratuito me soou bastante oportuno. Assim, acho que vou acabar aproveitando mais as cidades, e escrever quando estiver no hotel, descansando. Mas também alugamos hostels (via Hostelworld), na Grécia e em Istambul.

Fiquei feliz por ter rolado de ficar no Novotel, em Barcelona, por vários motivos. O primeiro, óbvio, é porque ele fica muito perto de onde vai acontecer o Primavera Sound (e chegar “em casa” rápido após um dia de festival não tem preço). Segundo porque o preço foi bem próximo ao que pagamos ano passado, cerca de 35 euros por pessoa. E terceiro porque vamos ficar exatamente ao lado da Torre Agbar, de Jean Nouvel.

Jean Nouvel, 66 anos, é um dos grandes arquitetos vivos da França (e do mundo), tendo sido formado pela Ecole des Beaux-Arts em Paris e membro fundador da Mars 1976 e do Syndicat de l’Architecture. Ganhou o Prémio Pritzker, chamado de o Nobel da Arquitetura, em 2008 (os brasileiros Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha foram agraciados em 1988 e 2006, respectivamente).

Entre suas grande obras está a Fundação Cartier, o Museu do Quai Branly e o Instituto do Mundo Árabe, os três em Paris (visitamos o último no ano passado. Veja aqui, aqui e aqui), o belíssimo Gasometer, em Viena, o estranho hotel Zlatý Andel, em Praga, e a polêmica Torre Agbar, em Barcelona. Polêmica por seu um membro fálico rasgando os céus da cidade catalã.

Em uma cidade de construções baixas como Barcelona, principalmente no centro antigo, a Torre Agbar pode ser vista de vários lugares, o que incomodou muitos barceloneses. Eleva-se a cerca de 142 metros de altura e pode ser vista de dentro das torres do Templo Expiatório da Sagrada Família, de Gaudi. Fotografei aqui e aqui. E no plano geral da cidade, que fiz do Parq Guel, não é tão difícil encontrá-la. Procure aqui.

Passei pela Torre Agbar em 2008 (fiz esse clique que não ficou bom), quando fui tentar ver Tom Waits, no Parq Del Fórum. Desci de ônibus em frente a ela, olhei, e não entendi muito bem porque um francês foi plantar um enorme membro ereto na cidade de Gaudi. Não é a toa que a Torre Agbar é quase uma personagem do filme “Confissões de uma Ninfomaníaca”. O prédio é visto da janela do quarto da moça pelo menos dez vezes durante a película. Curioso e polêmico.

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Dentro da Sagrada Familia, de Gaudi. Foto: Mac

Leia também:
– A programação por dia do Primavera Sound 2010 (aqui)
– Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell (aqui)
– “Sou completamente apaixonado por Barcelona” (aqui)
– Uma foto minha de Barcelona no Guia Schmap (aqui)
– Casa Milà, Parque Güell e adeus Barcelona (aqui)
– Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic (aqui)

abril 17, 2010   No Comments