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Posts from — fevereiro 2022

Mark Lanegan, 1964 / 2022

Um arrepio percorreu meu braço inteiro assim que li que Mark Lanegan morreu…

Chocado. Mark Lanegan era daqueles que a gente sabia que vivia com a saúde debilitada, mas que sempre dava um jeito de ir empurrando a vida pra frente e que a gente esperava ouvir cantando com aquele vozeirão aos 90 anos… Todas as vezes que o vi ao vivo foram especiais…

Meu show favorito do Lanegan foi um no Studio SP (imagina você ver um ídolo ali, coladinho no palco, na rua vizinha da sua casa) e outro em um festival em Bruges, na Bélgica, com (outro amado aqui em casa) Greg Dulli, em que ele cantou uma das minhas favoritas do Screaming Trees, “Sworn and Broken”.

Teve uma época, começo dos anos 90, morando em Taubaté (meio isolado do resto do mundo), que comecei a comprar CDs diretamente de selos indies americanos, escrevendo pros caras e mandando grana. As duas primeiras compras foram na SST (uma coleta e um EP dos Trees) e na Sub Pop (o primeiro solo do Lanegan e um EP)…

Eu tava tão viciado em Lanegan na época que ele foi o primeiro a me fazer entrar nessa de comprar direto do selo (pensando bem, até hoje só devo ter comprado nos sites do Wilco, Decemberists, Billy Bragg e essas compras na Sub Pop e na SST pra pegar esses discos da foto)…

Aliás, a estreia solo do Lanegan, “The Winding Sheet” (1990) traz a versão dele para “Where Did You Sleep Last Night”, do Leadbelly, com o Kurt na guitarra e o Novoselic no baixo… Kurt faz backing em outra nesse disco…

Lanegan lançou uma biografia pesadona (como não poderia deixar de ser) em 2020, “Sing Backwards and Weep”, que a essencial Editora Terreno Estranho lançou no Brasil em 2021, traduzida pelo amigo Carlos Messias, que escreveu para o Scream & Yell sobre os shows de Mark Lanegan em São Paulo em 2010 e 2012. A Janaina Azevedo escreveu sobre o livro e sobre o show do Lanegan em São Paulo em 2018eu escrevi sobre uns discos

Em 2021, ele lançou “Devil in a Coma”, em que ele relatava sua luta contra a Covid-19, que o deixou surdo em alguns momentos e o colocou em coma algumas vezes. O Leonardo Tissot leu, mas eu não sei se nesses dias pesados de pandemia eu teria força pra ler…

O Leonardo também entrevistou o Gary Lee Conner (Screaming Trees) em 2019: “Não tenho falado com Mark. É estranho. Teve uma época em que escrevíamos canções juntos, num ponto em que ele era a coisa principal da minha vida e agora é completamente… nada!”

Dizer pra você que eu esperei / desejei muito por uma turnê de reunião dos Screaming Trees (escrevi apaixonado sobre o “Dust” na primeira edição em papel do Scream & Yell, 1997), e essa entrevista com o Gary sepultou esse sonho, mas bateu um orgulhozinho do Lanegan não querer viver do passado.

Lanegan colaborava com amigos (Josh Homme, Greg Dulli), mas sempre se metia em projetos meio sem pé nem cabeça, como os discos lindos com a Isobel Campbell (Belle & Sebastian) ou a pequena pérola que é o segundo disco do Soulsavers. E vai fazer uma falta danada…

fevereiro 22, 2022   No Comments

A autobiografia de Dave Grohl

Pra mim, o Foo Fighters já deu o que tinha que dar faz tempo (ao vivo então eu fujo deles!). Eles nunca mais vão igualar “The Colour and The Shape” (1997) e “There Is Nothing Left To Lose” (1999) e foram os primeiros a saber disso.

Mas Dave Grohl anda fazendo bons filmes (“Sound City” e a série “Sonic Highways“, tirando as músicas, e amigos ainda recomendam “What Drives Us” e “From Cradle To Stage”) e, surpresa boa demais, livros. A autobiografia “O contador de histórias: Memórias de vida e música“, recem-lançada no Brasil pela Intrínseca, é coisa fina.

Nesse texto que escrevi a pedido da editora sobre o livro, falo um pouco sobre como Dave acompanhou as mudanças da música nas últimas décadas, da banda Scream aos seus projetos (como o Them Crooked Vultures, que ele montou com Josh Homme, do QOTSA, e o ex-Led Zeppelin John Paul Jones – disco do ano no Scream & Yell na época).

Mas o que realmente me emocionou no livro (sim, eu chorei e ri bastante, em doses quase iguais) foi sua relação dele com a mãe (como não amar uma professora que diz pro filho: “Nem todo mundo foi feito pra escola. Pode abandonar. Espero que você seja bom na bateria”) e as filhas (paternidade tá à flor da pele aqui).

O livro segue o formato de pequenos contos levemente amarrados, sem ordem obrigatória de acontecimentos, e Dave evitar se repetir, então histórias que ele já contou em outros lugares (como essa maravilhosa sobre Bob Dylan no Storytellers), ele não repete no livro – os contos seguem o tom do Storytellers!

Da mesma forma, tudo que vão conseguir arrancar dele sobre “In Utero” e Steve Albini está no episódio “Chicago”, do “Sonic Highways”. Sinceramente, eu achei que ele fosse falar menos de Nirvana no livro – é preciso lembrar que as filhas dele também vão ler o livro… logo. Talvez por isso ele tenha evitado alguns temas tensos.

Mas, sim, tem histórias do começo (o jeito que ele entra no assunto “bateria” é antológico), de sua fase no Scream, dos tempos do Nirvana (principalmente “Nevermid”), do começo do Foo Fighters além daquilo que se espera: exibicionismo de um moleque que amava Beatles e Motorhead, e ficou amigo dos caras. Foi uma leitura leve e bastante agradável. Recomendo. E leia o texto!

fevereiro 9, 2022   No Comments

Top 10 Janeiro de 2022 no Scream & Yell

TOP 10 TEXTOS MAIS LIDOS – JANEIRO DE 2022
01) Os 90 melhores álbuns de 2021 pela Aliança Faro (aqui)
02) Os 50 melhores álbuns de 2021 para a APCA (aqui)
03) “Home Video”, de Lucy Dacus, por Mac (aqui)
04) Entrevista: Guilherme Arantes, por João Paulo Barreto (aqui)
05) “Covers”, de Cat Power, por Gab Piumbato (aqui)
06) “Sour”, de Olivia Rodrigo, por Bruno Capelas (aqui)
07) “Matrix Resurrections”, por João Paulo Barreto (aqui)
08) “Benedetta”, de Paul Verhoeven, por Renan Guerra (aqui)
09) Entrevista: Badsista, por Victor de Almeida (aqui)
10) “Bad Love”, de Key, por Ana Clara Matta (aqui)

VIA GOOGLE
01) Discografia comentada: Gal Costa, por Renan Guerra (aqui)
02) Matérias Antológicas: The Clash por Lester Bangs (aqui)
03) 10 pérolas raras do rock nacional, por Mac (aqui)

O EDITOR RECOMENDA
01) Entrevista: Greg Anderson, por Luiz Mazetto (aqui)
02) Entrevista: Voivod, por Homero Pivotto Jr. (aqui)
03) Entrevista: Charme Chulo, por Bruno Capelas (aqui)

TOP 10 – Textos mais lidos publicados em 2022 – (1 mês)
01) Os 90 melhores álbuns de 2021 pela Aliança Faro (aqui)
02) “Home Video”, de Lucy Dacus, por Mac (aqui)
03) “Covers”, de Cat Power, por Gab Piumbato (aqui)
04) “Sour”, de Olivia Rodrigo, por Bruno Capelas (aqui)
05) “Matrix Resurrections”, por João Paulo Barreto (aqui)
06) “Benedetta”, de Paul Verhoeven, por Renan Guerra (aqui)
07) Entrevista: Badsista, por Victor de Almeida (aqui)
08) “Bad Love”, de Key, por Ana Clara Matta (aqui)
09) Entrevista: Charme Chulo, por Bruno Capelas (aqui)
10) “Pânico”, por João Paulo Barreto (aqui)

TOP 10 – Geral – (GERAL)
01) Os 90 melhores álbuns de 2021 pela Aliança Faro (aqui) 2022
02) Os 50 melhores álbuns de 2021 para a APCA (aqui) 2021
03) “Home Video”, de Lucy Dacus, por Mac (aqui) 2022
04) Entrevista: Guilherme Arantes, por João Paulo Barreto (aqui) 2021
05) “Covers”, de Cat Power, por Gab Piumbato (aqui) 2022
06) “Sour”, de Olivia Rodrigo, por Bruno Capelas (aqui) 2022
07) “Matrix Resurrections”, por João Paulo Barreto (aqui) 2022
08) “Benedetta”, de Paul Verhoeven, por Renan Guerra (aqui) 2022
09) Entrevista: Badsista, por Victor de Almeida (aqui) 2022
10) “Bad Love”, de Key, por Ana Clara Matta (aqui) 2022

TOP 10 – Sem 2022
01) Os 50 melhores álbuns de 2021 para a APCA (aqui) 2021
02) Entrevista: Guilherme Arantes, por João Paulo Barreto (aqui) 2021
03) Top 100 cenas de nudez no cinema (aqui) 2009
04) Discografia comentada: Gal Costa, por Renan Guerra (aqui) 2020
05) Top 10: livros publicados no século XIX, por M. R. Terci (aqui) 2019
06) Entrevista: Jello Biafra, por Homero Pivotto Jr. (aqui) 2021
07) Entrevista: Ale Sater, por Renan Guerra (aqui) 2021
08) Os Melhores de 2020 Scream & Yell (aqui) 2021
09) Matérias Antológicas: The Clash por Lester Bangs (aqui) 2019
10) “Trevas”, de Jards Macalé, o clipe, por Carime Elmor (aqui) 2019

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

fevereiro 4, 2022   No Comments

Qual o melhor álbum de Neil Young?

Não é uma pergunta fácil de responder, e a resposta muitas vezes vai dizer mais sobre quem responde do que, necessariamente, sobre o disco escolhido. Isso não só porque Neil Young tem uma discografia extensa (são mais de 40 álbuns de estúdio e incontáveis discos ao vivo), mas, principalmente, porque ele tem diversos melhores álbuns.

A Rolling Stone USA crava “Harvest” (1972) na 1ª posição, o disco que deu um single número 1 para o homem (“Heart of Gold”) e fez com que muitos fixassem na mente aquele visual violão e gaita, meio que aprisionando Neil no formato, o que fez com que ele passasse as décadas seguintes desesperadamente tentando destruir essa imagem. Clássico!

A Rate Your Music vai de “Everybody Knows This Is Nowhere” (1969), o segundo disco de Neil Young, que (como acontece com Lou Reed) soa com sua verdadeira estreia, não apenas pelo fato de Neil elevar sua banda de estúdio e shows, a Crazy Horse, a posição de destaque, mas por encapsular crueza, emoção e entrega.

Para a Ultimate Classic Rock (para mim e Thom Yorke), o número 1 é “After The Gold Rush” (1970), terceiro disco de Neil, em que ele tenta chocar a sonoridade que havia conseguido com a Crazy Horse com aquela que ele tinha com o supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young (ainda em atividade) – com a Crazy Horse recebendo o acréscimo de Nils Lofgren, Jack Nitzsche e Stephen Stills – enquanto tenta entender a década que passou e sonhar com que a que virá.

Para mim, tudo que Neil irá fazer de 1973 em diante tem um pouco desses três discos, e ainda que “On the Beach” (74), “Tonight’s the Night” (75), “Zuma” (75) e “American Stars ‘n Bars” (77), sejam obras primas incontestes, apenas desenvolvem ideias antecipadas naqueles três discos.

O Guardian (ahh, sempre os ingleses), por sua vez, coloca “Rust Never Sleeps” (1979) no topo, o disco que constrói (com influência do movimento punk – sempre ele) a persona Neil Young que conhecemos hoje. Decididamente um ponto marcante na carreira do homem.

Daí que se você quer saber qual é o melhor disco de Neil Young, qualquer um dos 8 citados aqui honram a posição com justiça. A dica: comece do início e vem descendo…

fevereiro 3, 2022   No Comments

Top 25 discos mais ouvidos Jan 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

TOP 25 de Janeiro de 2022

01) Feel Flows – The Sunflower & Surf’s Up Sessions 1969-1971, The Beach Boys (Super Deluxe)
02) The Beach Boys On Tour: 1968 (Live)
03) The Beach Boys 1967 – Live Sunshine
04) Plastic Ono Band: The Ultimate Mixes, John Lennon
05) Carnegie Hall 1970, Neil Young
06) Imagine: The Ultimate Collection, John Lennon
07) Directions, Miles Davis
08) Queen (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
09) A Paixão De V Segundo Ele Próprio, Vitor Ramil
10) Zuma, Neil Young
11) SOUR, Olivia Rodrigo
12) Parklife (Special Edition), Blur
13) Delta Estácio Blues, Juçara Marçal
14) Transformer, Lou Reed
15) Os Afro-Sambas, Baden Powell e Vinícius de Moraes
16) Vespertine (Live), Björk
17) The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. David Bowie
18) A Night At The Opera (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
19) Love Songs For Patriots, American Music Club
20) Mighty Joe Moon, Grant Lee Buffalo
21) João Gilberto (1973), João Gilberto
22) Tambong (em Espanhol), Vitor Ramil
23) Sheer Heart Attack (Deluxe Edition 2011 Remaster)
24) The Colour and the Shape (Deluxe Edition), Foo Fighters
25) Queen II (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen

fevereiro 1, 2022   No Comments