O assunto é… assessoria de imprensa

Respostas para Talita N. Rustichelli

Qual a dinâmica Scream & Yell? Há mais pessoas na equipe fazendo matérias? Se sim, quais os horários de reuniões de pauta, dead line etc?
O Scream & Yell é um site colaborativo gerenciado por mim e a dinâmica é simples: os colaboradores quando têm alguma pauta em mente, me escrevem e discutimos a viabilidade dela. Essa é a via 1: os colaboradores me procuram. A via 2 é o contrário: recebo centenas de releases diariamente, e quando vejo algo que interessa, e conhecendo o staff colaborativo do site, encaminho ao jornalista que aquela pauta melhor se encaixa. Não fazemos reunião de pauta (apenas essa discussões online diretas entre editor e colaborador) e os dead lines são acertados nessa conversa, ainda que o perfil de publicação do Scream & Yell exiga liberdade: cada um faz no tempo que tiver livre e sempre tentamos fugir das armadilhas do gancho jornalístico que, muitas vezes, data a pauta – vender o show, o single, essas coisas que morrem no dia seguinte e que muitas vezes são tempo desperdiçado. No Scream & Yell, até pela falta de tempo de todos nós, tentamos utilizar o tempo da melhor maneira e realizar pautas mais longevas, que possam ser lidas com contexto tempos depois, e não apenas no dia que é publicada.

Qual a média de volume de material de música que você recebe diariamente ou semanalmente?
Intensa. Diria que entre 400 e 500 e-mails diários de várias partes do mundo, Brasil em primeiro lugar, mas muita coisa do Canadá, Europa, Estados Unidos, México, Oriente Médio e Austrália. Estou usando parte desse material numa nova seção do site, as postagens de novidades, porque é muita coisa legal.

Que tipo de material te chama atenção? Qual critério usa para filtrar o que pode ou não render matéria pro site?
O que chama a atenção em primeiro lugar são os e-mails escritos especialmente para o site, ou seja, direcionados a alguma seção do site especifica, o que denota que o assessor ou o próprio artista conhecem o site, e isso já adianta o meu trabalho de edição. Por exemplo: é bastante comum eu receber e-mails com “será que rola uma notinha no site sobre isso?” e nós não fazemos notas curtas no Scream & Yell (focamos em entrevistas, reviews, seleção de clipes, entre outras coisas). Tenho absoluto pânico desses e-mails padrão, pois mostra que o assessor não conhece o site. Já há, porém, outros assessores que enviam release já pedindo: “Olha, um clipe para o post semanal que você faz no site”. Ou: “Que tal um ‘três perguntas’ com esse artista?”. É muito importante o assessor conhecer a mídia em que ele quer destacar o cliente dele. Isso acelera o trabalho dele, do artista e do editor do site. Pedir coisas que o site não faz é lixeira de e-mail na certa.

Dá pra dar atenção ao material de músicos do interior do Estado, que não aparecem na grande mídia? O site dá espaço para estes trabalhos? Por quê?
No Mapa de Jornalismo Independente escrito pela Agência Pública, eles definiram o Scream & Yell com perfeição:

“Um site jornalístico sobre cultura pop, com entrevistas, reviews e coberturas de festivais de música, cinema, cerveja. Também produzem e lançam álbuns, fazem podcast e mixtapes e jornalismo musical aprofundado independentemente do apelo do entrevistado: tratando Caetano Veloso, Romulo Fróes e Loomer como iguais, porque todos fazem boa música.”

Então o que nos interessa é… boa música. Lógico, isso é conceitual (boa música é algo para mim e pode ser outra coisa para você), mas partindo desse principio já conseguimos ampliar demasiadamente o leque de atuação. Desta forma, não importa muito de onde é o artista (se de Israel, de Quebec, de Oslo ou de Botucatu), mas sim se ele faz uma música que chama a atenção e se o material chega de uma determinada maneira que se encaixa no site. A gente nunca vai conseguir ouvir tudo, infelizmente, mas o que conseguirmos ouvir e bater a vibe, a gente dá um jeito de destacar.

Analisando a realidade da maioria dos músicos aqui da região Noroeste Paulista, é muito raro alguma banda que tenha um assessor de imprensa. Os próprios músicos ou produtores é que fazem esse trabalho. O que é legal e o que não é legal fazer na hora de fazer contato com um site especializado e enviar material? Por exemplo, mandar e-mails, fazer contato pelo inbox do Facebook… Pode dar alguns exemplos do que considera bom ou ruim neste sentido?
Assessor de imprensa é algo essencial, mas a realiade muitas vezes não permite a um artista ter um assessor. Não vejo nenhum problema no artista fazer esse trabalho, ainda que isso possa tira-lo do foco de fazer música tanto quanto lhe faltará know how pra função. Dentre as coisas ruins posso citar:

1) Fazer contato por Inbox pessoal do Facebook (evito ao máximo responder)
2) Enviar grandes arquivos para o email do site (MP3, fotos imensas e pesadas)
3) Cobrar excessivamente por uma resposta

Pessoalmente, entendo a importância do follow up, mas no Scream & Yell nós não respondemos os e-mails de pauta que recebemos pelo simples motivo de que responder 500 e-mails diários nos tiraria o tempo livre que temos para editar o site, ou seja, essa passaria o dia inteiro respondendo e-mails e não publicaria nada no Scream & Yell. Lemos todos os e-mails e respondemos aqueles que a gente vai tentar realizar algo no site. Enviar três, cinco, dez vezes o mesmo e-mails não vai aumentar a chance de fazer a sua banda aparecer (às vezes, pode funcionar ao contrário), mas sim causar mais lixo virtual na caixa do editor. É muito mais prático você estudar o veiculo para quem você quer mandar o material e ser direto. Dai vão algumas dicas pessoais:

A) E-mails curtos e sem muitas delongas e exageros de marketing (“A banda X lança um disco revolucionário” Zzzzzzz). Seja sucinto: jornalistas não tem tempo para ler grandes e-mails. Faça um texto rápido e, se achar necessário, anexe um release em word ou pdf com mais informações.
B) Faça uma caixa padrão no texto do e-mail com os principais links de redes sociais (e para ouvir o disco. Não envie MP3. Envie um link do Youtube, do Soundcloud, do Bandcamp ou do Spotify. “Ah, mas eu não lancei o disco ainda, quero mandar uma prévia?”. Suba esse arquivo não listado ou com senha no Youtube ou no Vimeo. Não estoure o limite do e-mail do cara, por favor (risos)
C) Selecione uma ou duas imagens de divulgação, com crédito do fotógrafo. Se você está enviando esse release para um site, a imagem não precisa estar em grande definição, ela pode ser tratada e salva especialmente para web. Se for para um veiculo impresso (jornal, revista), a qualidade precisa ser bem melhor, e é recomendável perguntar para o jornalista qual a melhor maneira de enviar essa foto (se anexa, se por webtranfer ou por dropbox, sendo essa última a melhor das alternativas).

Qual a melhor forma de envio de material sobre música? Links por e-mail? Ou CD físico?
Depende de cada veículo. Existem jornalistas que preferem links e existem aqueles que valorizam o material físico. De cara, mande o link. Se o assessor tem uma cota de CDs dedicada para a imprensa, é importante que o jornalista receba esse material, então é só buscar pelo endereço (que pode estar num cadastro tanto quanto ser pedido para o profissional) e enviar. Novamente: atente-se ao veiculo que você está tentando encaixar uma pauta. Isso já irá ajudar em 50% no sucesso da divulgação.

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