Dylan com Café, dia 19: Hard Rain

Bob Dylan com café, dia 19 – recapitulando o café de ontem: em julho de 1975, Dylan entrou em estúdio e gravou o álbum “Desire”. Em outubro saiu em turnê (a Rolling Thunder Revue) com sua trupe cigana rock n’ roll para divulgar o álbum, que só seria lançado em janeiro de 1976 (isso mesmo, ele saiu em turnê sem um disco para divulgar). Os shows duravam de 3 a 4 horas por noite seguindo a rotina: Bob Neuwirth fazia seu set, T-Bone Burnett dava um pitaco, Dennis Hopper declamava um poema, Mick Ronson (que havia deixado a banda de David Bowie para acompanhar Dylan) tocava “Life On Mars” e Bob Dylan então surgia para um set acústico. Meia hora depois, Roger McGuinn assumia o lugar de Dylan, tocava algumas coisas do Byrds e passava a função para Joan Baez, que tocava durante cerca de 40 minutos. Dylan então voltava para encerrar a noite em formato banda com mais uma hora de show! Deu tudo certo na primeira perna da turnê (de outubro a dezembro), e o registro animado pode ser conferido no volume 5 das Bootlegs Series. Porém, “Desire” saiu em janeiro e em abril começou a segunda perna da The Rolling Thunder Revue com um Bob Dylan endiabrado e de péssimo humor em shows mais tensos. O registro dessa segunda parte da turnê é este “Hard Rain”, CD lançado em setembro de 76 (e que também é um especial para TV que você assiste abaixo).

Tudo que era delicadeza cigana em 1975 virou punk em 1976. Mick Ronson foi colocado para escanteio, e só aparecia para solar loucamente em “Maggie’s Farm”. Já “Memphis Blues Again” ganhou a seguinte descrição no livro da foto: “A banda arrebenta a versão de ‘Blonde on Blonde’ como punks no museu. Assistir bandas no CBGB naquele ano seguramente energizou Dylan”. Já sobre a versão de “Shelter From The Storm” se destaca uma “releitura à The Clash”! E o álbum se fecha com três facadas no coração: “You’re a Big Girl Now”, “I Threw It All Away” e uma versão violenta de “Idiot Wind”. A versão em CD limou os duetos com Joan Baez que estão no vídeo (e que poderiam amaciar o resultado final). A sensação é de que em “Before The Flood”, o ao vivo de 1974, Bob Dylan tinha mostrado apenas a ponta do iceberg de sua raiva, que surge amplificada aqui, num dos seus melhores discos ao vivo oficiais (que, pecado, só traz 9 faixas quando deveria ser duplo). O biógrafo Michael Gray vê esse show “tudo ou nada” como a coroação do “Bob Dylan pós moderno, a começar pelo instrumental grunge que abre caminho a patadas desde a primeira música”. No Youtube há vários shows na integra – quatro horas! – deste período (busque “Bob Dylan 1976”). Para download, esse é espetacular. Vale a pena escava-los.

Especial Bob Dylan com Café

 

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