Três cervejas: Espanha, Brasil, Argentina

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A companhia de Cervezas Alhambra foi fundada em 1925 na província de Granada, na Andaluzia, Espanha, e logo se tornou uma das cervejarias mais conhecidas de toda a região, com o carro chefe sendo desde o começo a Reserva 1925, mas que durante os anos viu o cardápio se estender para mais outros sete rótulos, incluindo uma de abadia chamada Mezquita, e uma Shandy, cerveja sabor limão. Em 2006, o grupo Mahou-San Miguel comprou a cervejaria, mas continua seguindo a receita original do mestre D. Miguel Hernainz.

Rótulo mais famoso da Andaluzia, a Alhambra Reserva 1925 merece a fama. Eleve as cervejas de balcão brasileiras uns sete degraus de qualidade, e talvez cheguemos perto da Reserva 1925. O aroma é maltado e remete de cara às tradicionais pilsens tchecas. No paladar, o lúpulo herbal surge de forma intensa encobrindo o malte e os 6,4% de álcool num belo conjunto. Quem curte cerveja “tradicional” pode se apaixonar perdidamente por esta excelente Premium American Lager.

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A paranaense Way vem se firmando como uma das cervejarias mais interessantes do Brasil – junto com a mineira Wäls. Existem muitas outras ótimas cervejarias (algumas, como Coruja e a Colorado, ainda nem comentei neste espaço), mas, para mim, as Way e Wäls começaram a trilhar o caminho das fórmulas mágicas de cerveja. No caso da curitibana, a premiada Pale Ale da casa abriu a porta, e essa Eight Secrets foi o segundo passo, que no final resultou na sensacional Way Double American Pale Ale, uma das melhores cervejas do país na atualidade.

A Way 8S (como é conhecida a Eight Secrets) foi uma experiência de cerveja colaborativa. Os mestres cervejeiros da Wäls, Bodebrown, Coruja e BrewDog se juntaram em Curitiba a Joseph Tucker, do RateBeer, e o cervejeiro caseiro belga Jacques Bourdouxhe para criar uma versão turbinada da Way American Pale Ale, eleita pelo júri do 1º Prêmio Maxim de Cervejas como a melhor Pale Ale brasileira. O resultado foi a Way 8S, uma Double APA que usa uma variedade de lúpulos bastante nova, chamados de Falconer’s Flight.

O aroma toma conta do ambiente assim que a tampa da 8S é retirada. Inicialmente, notas de cítrico (lima e maracujá) pulam para fora da garrafa, e depois o floral começa a surgir. Como era de se esperar, a Way 8S é uma cacetada de lúpulo, mas há no paladar notas de melaço que equilibram perfeitamente com o amargor, resultando em uma cerveja absolutamente particular e excelente – mas que só foi feita uma vez. Se você cruzar com ela, compre. É uma experiência (de certa forma, melhorada com a Double APA) que vale a pena ser provada.

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Fundada pelo imigrante alemão Otto Bemberg em 1888 em Quilmes, uma cidade próxima a Buenos Aires com quase 600 mil habitantes, a Cervecería Quilmes (hoje, QUINZA: Quilmes Industrial S.A, empresa que pertence ao grupo belga brasileiro Anheuser-Busch InBev) transformou-se na principal cervejaria do país, detendo hoje 75% do mercado argentino de cerveja, boa parte com a famosa Quilmes Cristal (e suas variações). Com mais personalidade que a linha tradicional da Quilmes, a QUINZA lançou a Patagonia, uma linha com maltes especiais e lúpulo patagônico em três rótulos: Amber Lager, Bohemina Pilsener e Weisse.

A morena Amber Lager usa três tipos de malte (Melanoidina, Carared e Carapils) e aposta no lúpulo regional Pellet (que segue a linha Cascade). No aroma, a junção dos três maltes levemente tostados pede passagem, mas não espere

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