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Três roteiros de Woody Allen

Revi na volta da viagem o Woody Allen filmado em Veneza, e não lembrava quão bom e leve ele é. O “Sonhos de um Sedutor” foi visto no voo de volta de Madri para São Paulo. E “O Que Que Há Gatinha?” foi pré-viagem.

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“Todos Dizem Eu Te Amo”, Woody Allen (1996)

Assisti no cinema, na época, e fazia muito tempo que não revia essa homenagem de Woody Allen não só aos musicais, mas também para Nova York (nas quatro estações do ano), Paris (na belíssima cena final) e Veneza. E para o amor, claro. E para os Irmãos Marx. O elenco estelar (Drew Barrymore, Edward Norton, Alan Alda, Goldie Hawn, Julia Roberts, Tim Roth, Natalie Portman) flui que é uma beleza em um filme que é leve como a respiração. As piadas são secundárias, mas funcionam perfeitamente quando aparecem. Woody contou a todos os atores só depois de assinado o contrato de que se tratava de um musical, e que eles cantariam no filme. O resultado deu certo em um filme que encanta e faz a alma dançar.

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“Sonhos de Um Sedutor”, Herbert Ross (1972)

Woody Allen escreveu o roteiro e atuou neste que é seu oitavo filme como ator. Ele já tinha dirigido “Bananas” (1971) e “Um Assaltante Bem Trapalhão” (1969), além da picaretagem de “O Que Há, Tigreza?” (1966), mas aqui a direção ficou para Herbert Ross, o que muda pouca coisa, já que o filme é basicamente um roteiro repleto de piadas (que na maioria do tempo funcionam, mas tem suas escorregadas). Várias das manias que Allen iria perseguir nos anos posteriores estão aqui (o final infeliz, o personagem neurótico, o vício por analistas e pela mulher do amigo) além de Diane Keaton novinha (e linda) se encaixando perfeitamente no papel (que também iria se desenvolver até chegar a “Annie Hall”). E tem “Casablanca”, o que já vale uma olhadela com carinho…

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“O Que Que Há Gatinha?”, Clive Donner (1965)

Era para ser o primeiro filme de Woody Allen, mas o produtor Charles Feldman pegou o roteiro, picotou e transformou “O Que Que Há Gatinha?” em uma bobagem divertida sem muito foco. Alguns dos melhores momentos do filme são de Woody, mas sua participação foi reduzida e muito de suas piadas foram para o charmoso Peter O’Toole, que manda bem na compania de Romy Schneider. A história é puro Woody Allen: uma garota quer casar, mas seu namorado tem o péssimo vício de chamar a atenção da mulherada, que não o deixa em paz. Woody, claro, é apaixonado pela garota, mas ela só o quer como amigo, e há ainda o psicanalista tarado (Peter Sellers) e a loura de parar o trânsito (Úrsula Andrews). Bobinho, mas com divertidas passagens.

Leia também:
- Um François Truffaut e três Woody Allen (aqui)
- Dois Woody Allen e três Jason Bourne (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, de Truffaut (aqui)
- François Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann (aqui)
- Hitchcock, Antonioni, Allen e Almodóvar (aqui)
- Um Alan Parker e dois Woody Allen (aqui)

1 comentário

1 Jonas { 06.22.10 at 3:16 pm }

Tem uma piada genial no “Todos Dizem…”, a do adolescente nazi-fascistas que virou republicano depois de levar uma pancada na cabeça, se não me engano. Ao mesmo o tempo o Allen alfineta o lado democrata, com a madame metida a altruísta e bondosa, que quer ajudar o presidiário, mas enlouquece quando o cara começa a namorar a filha dela.

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