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Eu queria falar sobre dez discos…

Você ouve a música que você quer ouvir, certo? Espero que sim. Já eu, nem sempre. Uma das coisas fodas de escrever de música é que quanto mais tempo você passa ouvindo um disco, mais os demais se acumulam. Tenho por regra pessoal escrever sobre um disco que eu esteja viciado exatamente para esgotá-lo na resenha. E só então partir para o próximo. Ou os próximos. Sempre são muitos.

As coisas aqui em casa funcionam mais ou menos assim: eu tenho uns 7 mil CDs em estantes (faz muito tempo que parei de contar, e esse número é um chute). Todo dia escolho uns dois ou três para me acompanhar no trabalho, algo que vá ser a minha trilha sonora naquele dia. Completam o pacote alguns CDs que comprei recentemente ou então recebi (da gravadora ou do próprio artista) e os MP3 do momento.

Os CDs que ganho ou compro vão diretamente para uma pilha a esquerda do meu computador. Eles só vão para a estante assim que eu ouvi-los, senão se perderiam no limbo do esquecimento. Alguns eu ouço duas, três vezes, e já tenho idéia de que eles podem voltar a me acompanhar em determinados dias. O problema (e não deveria ser um problema, mas é) são aqueles que tenho vontade de escrever sobre.

Esses se amontoam na prateleira e ficam aguardando um gancho, uma pauta, um espaço na correria do dia a dia para que eu consiga traduzir em palavras aquilo que me conquistou a audição. Eles vão ficando, ficando, ficando, e quando vejo o tempo passou, e não consegui escrever. Continuo ouvindo, mas me recuso a colocar na estante pois… eu queria escrever sobre eles. O dia, porém, é curto demais.

Como as três torres de CDs para “ouvir” estão enormes, lotadas de coisas de 2008 e 2009, decidi usar o blog para esgotá-los em frases curtas. Assim, volto a tentar me dedicar à safra 2010. O que passou, passou. A vida continua. Dessa forma, seguem abaixo dez de CDs que eu gostaria de ter escrito de 500 toques a 5 mil, mas que devido a velocidade do tempo, ficaram esperando por um momento livre… que não veio.

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“Iê Iê Iê”, Arnaldo Antunes (Rosa Celeste)
Falei que não gostei do show aqui, mas o disco foi chegando devagarinho e me pegou de jeito. Arnaldo é, de longe, o ex-titã com melhor carreira solo. A produção de Fernando Catatau e a estética do álbum fizeram o resultado soar particular. E tem uma penca de músicas boas: “A Casa é Sua”, “Aonde Você For”, “Vem Cá“, a baladaça “Longe” e o grande hit “Invejoso”. Os titãs remanescentes deveriam ter vergonha de lançar “Sacos Plásticos” (falei mal dele aqui) no mesmo ano. Discaço.

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“Rock’n’Roll”, Erasmo Carlos (Coqueiro Verde)
Aos 68 anos, o Tremendão mostra força em um álbum cheio de superlativos que nem Liminha conseguiu atrapalhar. A tiração de sarro de “Cover” conquistou um bocado de gente, mas, para mim, a provocação da balada de guitarras sujas (que, aliás, soam bem em quase todas as faixas) “Olhos de Mangá” surpreendeu mais (e me embalou por semanas). Vale citar as parcerias de Erasmo com Chico Amaral (letrista do Skank) em “A Guitarra é Uma Mulher” e com Nando Reis em “Um Beijo é um Tiro”.

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“Banda Gentileza”, Banda Gentileza (Independente)
Melhor álbum de estréia do 2009 pela enquete de melhores do ano do Scream & Yell, o disco dos curitibanos tocou muito aqui em casa nos últimos meses. Os caras vieram aqui beber uma cerveja (entrevistão aqui), e não consegui me concentrar para falar do disco. Sinceramente, não tem muito que falar. Basta baixar o álbum gratuitamente aqui e ouvir, ouvir e ouvir coisas como a empolgante “Coracion”, a baladinha caipira “Teu Capricho, Meu Despacho”, o sambinha “Preguiça” e a nonsense “Sempre Quase”.

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“All Right Penoso!!!”, La Pupuña (Ná Music)
O disco é de 2008, mas só apareceu aqui em casa no ano passado, e desde a primeira vez que o ouvi fiquei com vontade de traçar grandes teorizações sobre esse redescobrimento da música brasileira que aconteceu na segunda metade dos anos 00. Não consegui escrever, mas toda vez que coloquei “All Right Penoso!!!” para receber a luz do laser, o clima da casa pareceu ser de festa. Tem guitarrada, surf music e melodias caribenhas que aproximam o mar da gente num disco alto astral.

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“Graveola e o Lixo Polifônico”, Graveola e o Lixo Polifônico (Independente)
Eles até já lançaram um novo EP para download gratuito (baixe aqui), mas eu namorei esse disco alguns dias do ano passado, e pensei que valeria muito falar mais. Não consegui, mas aproveito agora para dizer que Minas tem surpreendido com bandas que fogem do arquétipo do pop radiofônico (Jota Quest, Skank) abraçando o samba, o jazz e o rock. É o caso dos Gardenais (falei deles aqui) e deste excelente álbum da Graveola e o Lixo Polifônico. Baixe aqui e corra o risco de ficar cantando as canções por meses.

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“Vou com Gás”, Falcatrua (Independente)
Na primeira vez que ouvi este álbum (já tinha falado do disco anterior deles aqui), não teve como não pensar: se as rádios descobrirem isso, vai tocar até dizer chega. Os mineiros pegaram o repertório de Tim Maia, turbinaram as guitarras e fizeram um puta álbum dançante (com produção de John, do Pato Fu, e direção de Nelson Motta). Difícil resistir ao apelo de “Festa do Santo Reis”, “Não Vou Ficar”, “Réu Confesso” e “Azul da Cor do Mar” e até “Vale Tudo”.

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“Something Stupid”, Trash Pour 4 (MCD)
Terceiro disco do Trash Pour 4 (os outros dois passaram desapercebidos por mim), “Something Stupid” soa como um fantasma do lado maluco e divertido do Pato Fu, o que é uma grande referência. “Babalu” (do repertório de Bola de Nieve, Ângela Maria e outros) tem um sotaque latino. “Ci Riprova la Bossa Nova” é bossa noise em italiano. “Manhã Seguinte” vai direto a fonte: Os Mutantes. Uma banda (e um disco) a se descobrir.

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“Simplesmente”. Os The Darma Lovers (Dubas)
Algum amigo definiu este disco numa mesa de bar como “o álbum de maconheiro de 2009”. Pode ser, embora o clima bucólico do álbum convide mais a contemplação do que a viagem. A primeira coisa que me lembrou na primeira audição foi o rock rural de Zé Rodrix, Sá e Guarabira. Um disco calmo, suave, que ousa enfrentar a correria do dia a dia estirado numa rede e ganha belos contornos com o cello de Moreno Veloso em “Canção Para Minha Morte”, “Srta Saudade da Silva”, entre outras.

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“Orquestra Contemporânea de Olinda”, Orquestra Contemporânea de Olinda (Som Livre)
Esse álbum me namorou umas quatro semanas em 2009, e lamento muito não ter visto a banda ao vivo em alguns dos shows deles em São Paulo . Fiquei assoviando a metaleira de “Canto da Sereia” dias a fio assim que ouvi o disco pela primeira vez. Há um bom gosto na sonoridade do comboio pernambucano que bate direito no peito, e leva o cidadão a bailar. Talvez sejam os metais, talvez seja a percussão, talvez seja a rabeca de Maciel Salú, não dá para precisar, mas mexe muito com o lado latino da gente.

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“Deus e os Loucos”, Anacrônica (Independente)
Um dos destaques da atual cena curitibana (agora residindo em São Paulo e cumprindo bem a responsa de abrir o show de bandas gringas, no caso o Franz Ferdinand), o Anacrônica colocou nas lojas em 2009 um álbum de sonoridade forte (cortesia da boa produção de Tomaz Magno) e dançante. O bom vocal de Sandra valoriza canções como “Eles Me Querem Assim” enquanto a banda se mostra afiada e credencia a batida pop de “O Que Será?”, a porrada “Delorean” e a ótima faixa título.

março 29, 2010   No Comments