Um Alan Parker e dois Woody Allen
Acalme: com “Um Assaltante Bem Trapalhão” e “Setembro” finalizo a minha participação na mostra “A Elegância de Woody Allen”, e dos 40 filmes do diretor só fica faltando “Maridos e Esposas” para eu riscar da listinha. Ele será exibido no próximo domingo exatamente no horário em que marquei um almoço especial com amigos em casa (conto mais detalhes depois, mas é um lance bem legal).
Consegui aproveitar 90% de “A Elegância de Woody Allen” focando nos filmes que eu nunca tinha visto. Queria por demais assistir novamente a “Tiros na Broadway”, “Memórias”, “Manhattan”, “Desconstruindo Harry” e “Annie Hall”, mas estou satisfeitíssimo com a chance de ter visto “Whatever Works”, “O Que Há, Tigresa?”, “Neblinas e Sombras”, “Um Misterioso Assassinato em Manhattan”. “Bananas” e “Simplesmente Alice”. Agora, “Um Assaltante Bem Trapalhão” e “Setembro”:

“Um Assaltante Bem Trapalhão” (”Take The Money And Run”), Woody Allen (1969)
Primeiro filme “filme mesmo” de Woody Allen, “Um Assaltante Bem Trapalhão” é um amontoado de piadas que procuram deixar o espectador respirar entre risadas. O formato que segue o padrão de um documentário seria usado por Woody – de maneiras mais completas – em filmes posteriores. Aqui temos “retratada” a vida criminal de Virgil Starkwell, um assaltante que nunca se deu bem, isso desde seus primeiros roubos na infância. Em um dos melhores momentos do filme, Virgil planeja assaltar uma garota. O resultado: “Fiquei apaixonado por ela. Sei lá, após 15 minutos já queria casar com ela e após meia hora abandonei a idéia de roubar-lhe a bolsa”.

“Setembro” (“September”), Woody Allen (1987)
Um dos filmes mais polêmicos do diretor, “Setembro” fracassou nos cinemas e não foi entendido em sua época, de forma até clara. Woody vinha de três comédias de muito sucesso (“A Rosa Púrpura do Cairo”, “Hannah” – indicado a sete Oscars, do qual levou três – e “A Era do Rádio”), e rompe o ciclo com um drama inspiradíssimo em Bergman. Quem foi ao cinema esperando piadas encontrou uma longa trama de desencontros dramáticos, e deve ter odiado. O que é uma pena. Carlo di Palma faz uma fotografia belíssima, Dianne Wiest merece dez suspiros e a história convence e não deixa vácuo como, por exemplo, em “Neblinas e Sombras”. Não é uma obra prima, mas está longe de ser um filme desprezível.

“The Commitments – Loucos Pela Fama”, Alan Parker (1991)
Um dos filmes obrigatórios – talvez o número 1 – para todo mundo que deseja ter uma banda, “The Commitments” é uma pequena aula sobre tudo o que acontece nos bastidores de um grupo musical. Vi no cinema, e não lembro quantas outras vezes assisti a esse filme (acho até que chegou a passar em Sessão da Tarde), mas fiquei com vontade de revê-lo e sai atrás de um torrent bacana. Valeu a pena. “The Commitments” continua enxutinho como da primeira vez que o vi. Estão ali o vocalista que se acha o cara mais fodão do mundo por estar à frente da banda, o músico problema que quer seguir seus instintos e não o da banda, as mulheres gostosas que sempre causam problemas e muito mais. Em se tratando de cultura pop, “The Commitments” é obrigatório.
Leia também:
- Um François Truffaut e três Woody Allen (aqui)
- Dois Woody Allen e três Jason Bourne (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, de Truffaut (aqui)
- François Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann (aqui)
- “O Último Metrô”, “Zelig” e “Descontruindo Harry” (aqui)






















8 comentários
[…] Dizem Eu Te Amo” (”Everyone Says I Love You”), 1996 “Setembro” (”September”), 1987 (comentário) “Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão” (”A Midsummer Night’s Sex Comedy”), 1982 […]
ae mac, o guitarrista do commitments é o glen hansard, que também fez o filme “Once”, da música “Falling Slowly”.
É verdade, Pedro!!! Não tinha sacado!
Manhattan passou quarta ou quinta no telecine cult. Vi só o final.
The Commitments – Há muito tempo vi esse filme.
Gosto dos filmes do Alan Parker… que pena que ele costuma desaparecer por anos…
The Commitments é muito, mas muito bom mesmo. A trilha sonora idem. Versões de “Mustang Sally”, “Destination Anywhere”, “Nowhere To Run” e por ai vai. Indispensavel. Abs.
“The Commitments – Loucos Pela Fama” nunca passou na sessão da tarde, talvez dia de sabado na sessão especial, mas com certeza passava na Bandeirantes no ínicio dos anos 90
por onde anda o Alan Parker ? tomou chá de sumiço.
[…] Antonioni, por Marcelo Costa (aqui) - Um Alan Parker e dois Woody Allen, por Marcelo Costa (aqui) - Uma análise de “A Noite”, por Nuno Manna […]
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