Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Agosto 2009

Projeto de Conclusão: Fanzine Fun

Fanzine Fun, de Leandro Mello

“Após um bom período de correrias e hibernação intelectual, somente agora que estou desempregado é que estou enviando os links do meu trabalho de graduação do final do ano passado que foi o Fanzine Fun. Agradeço mais uma vez a você e a todos que contribuíram de alguma forma nesse projeto. Fiquei muito feliz com os elogios de quem recebeu o trabalho final, levando ânimo para quem gosta e quer continuar esse tipo de publicação. Eis então os links (aqui e aqui). Um é do projeto final de graduação e o outro é a da apresentação”.

O Leandro Mello me procurou em setembro do ano passado com algumas perguntas sobre fanzines em papel, e como já fazia um bom tempo que o Scream & Yell tinha se transformado em uma versão online, passei contatos de alguns amigos que ainda faziam fanzine no formato tradicional. O resultado está nos dois links acima em forma de Projeto de Conclusão de Curso no Mackensie, São Paulo. E vale muito o seu download. Divirta-se.

Agosto 17, 2009   No Comments

Algumas palavras sobre alguns filmes

“Clube da Luta”, David Fincher

Dia desses eu estava lendo a versão 1.0 deste blog (não vou negar o narcisismo, embora tenha dias que tenho vergonha de algumas coisas que escrevi) e revi algo que eu fiz algumas vezes lá, e que me deu saudade: textos curtos a lá 500 Toques sobre os filmes que eu estava assistindo naquele momento. Não sei quantas vezes fiz, mas gostei do expediente.

Nesta versão mais nova do blog venho empilhando os últimos filmes vistos na lateral da capa, e sempre tento achar algum texto que o explore mais, afinal o empilhamento existe não só para mostrar o que tenho visto (bobagem), mas sim para criar curiosidade sobre o cinema fazendo com que você que está lendo (e olhando) sinta vontade de ver alguns destes filmes.

O problema é que, invariavelmente, muitos textos que leio para linkar sobre determinados filmes não são exatamente a minha opinião sobre os mesmos (“Sombras de Goya” é um caso assim). E como não vou ter tempo para escrever um texto longo sobre o que acabei de ver, decidi retornar com aqueles comentários leves e descompromissados. Vamos ver se vai funcionar…

Para começar, vou relembrar os cinco últimos da lista, ok.

“Desconstruindo Harry”, Woody Allen (1997)
Como estou lendo o “Conversas com Woody Allen” (presente do Jonas e do Trigo), naturalmente estou ficando com vontade de rever diversos filmes discutidos no livro. Lili leu um trecho e ficou querendo ver “aquele filme em que o ator fica fora de foco”. Como “Desconstruindo Harry”, o tal filme, está fora de catálogo no Brasil tive que baixar, e foi delicioso revê-lo. Vi no cinema, em 1999, e depois aluguei um ou dois anos depois, e fiz aquilo que todo mundo já fez uma vez na vida: não assisti, e para não devolver a locadora sem assistir, passei a última noite tentando ver, pescando no sofá enquanto a morte visitava um personagem e outro devorava a esposa, a amante e dois filhos. Um filme repleto de ótimas passagens e de alto teor sexual, talvez comparado somente a “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo”. É o 11º filme do cineasta na minha pessoal (o restante aqui).

“Clube da Luta”, David Fincher (1999)
Vi no cinema e mais umas duas vezes em DVD, mas já fazia uns cinco ou seis anos que não revia. E é um filme absurdo de tão sensacional. Roteiro inteligente e instigante, trilha esperta, atuações brilhantes de Edward Norton (com um q de “Duas Faces de Um Crime”), Brad Pitt e Helena Borham Carter e a música do Pixies certa no momento certo. Um dos filmes mais fodas que eu vi em toda a minha vida. O mais próximo que consigo de imaginar o que foi para o público ver “Laranja Mecânica” em 1971, no cinema, é ter visto “Clube da Luta”.

“Zelig”, de Woody Allen

“Zelig”, Woody Allen (1983)
Não sei quantas vezes revi, ma foram muitas. E nem faz tanto tempo que o descobri. Um belo dia, já apaixonado pelo cinema de Woody Allen, comprei os três boxes que reúnem 12 filmes do diretor (vários clássicos) e lá estava eu frente a frente com este documentário sobre um personagem surreal que ficava igual às pessoas ao seu redor para ser aceito – como um camaleão. Não dá para falar muito do filme sem estragar detalhes que vão realçar sua beleza, mas basta dizer que “Zelig” está entre os meus dez filmes preferidos do diretor. São tantas sacadas geniais…

“Sombras de Goya”, Milos Forman (2007)
Parte da frustração do filme é culpa da expectativa que tínhamos com ele. Como vimos dezenas de obras de Goya na Espanha (inclusive as míticas Pinturas Negras), e Lili já havia assistindo a uma cinebiografia do pintor (provavelmente “Goya”, de Carlos Saura), acabamos esbarrando neste que eu não sei definir muito bem o que é. Milos Forman inspira-se em várias pinturas de Goya para contar uma passagem crítica do povo espanhol, mas o roteiro se perde, e nem mesmo Javier Bardem e Natalie Portman consegue salvar a falta de foco do filme.

“O Último Metrô”, François Truffaut (1980)
Esse é um dos filmes do Box de 12 longas que comprei em Madri, e vou ter que assistir com legendas em espanhol. Sem problema. O começo é de um lirismo único e Truffaut mostra sua mão na direção e no roteiro revelando cuidadosamente o conteúdo do filme aos poucos. Assim como “Noite Americana” é uma ode ao cinema, “O Último Metrô” é uma declaração de amor ao teatro que impressiona nos mínimos detalhes. A história se passa em 1942, e Paris está ocupada pelos alemães, que instauram em metade da cidade o toque de recolher, o que faz com que os parisienses valorizem o último metrô. Marion Steiner (Catherine Deneuve) é a esposa de um diretor/dono de teatro, que mantém um espaço em Montmartre e que precisou fugir por ser judeu. Seu auxiliar dirige a peça que ele deixou enquanto a revolução ecoa em cada esquina da cidade. Gérard Depardieu está perfeito no papel e o roteiro, com destaque para o lindo fechamento, é brilhante.

“O Último Metrô”, de François Truffaut

Agosto 16, 2009   15 Comments

Promoção para novas bandas na Oi FM

 Está no ar, até o dia 1º de setembro, a promoção “Versões Oi FM – Novos Baianos”, que irá selecionar uma banda independente para entrar na programação da Oi FM. Para participar, basta ser cadastrado no Portal Oi Novo Som e criar uma versão autoral de alguma música dos Novos Baianos.

Após essa data, as melhores versões vão para o site do Oi Novo Som e quem vai decidir é o público. A música mais votada pelos ouvintes, no portal ou via SMS, entra na programação da Oi FM e a banda ainda ganha destaque no Portal e participa do Estúdio Oi Novo Som.

A promoção presta homenagem a uma das bandas mais criativas e anárquicas da música brasileira. Os Novos Baianos fizeram história, tanto pela qualidade musical quanto pelo apreço à contracultura. Durante os anos 70, os integrantes saíram da Bahia e foram morar em um sítio, no Rio de Janeiro, onde tudo era coletivo. Exemplo perfeito para quem pretende seguir a carreira musical.

Fruto de uma parceria entre o portal Oi Novo Som e a Oi FM, o “Versões” está em sua segunda edição. Na primeira, a escolhida foi a banda Trilogia, com as músicas “A Beleza é você / Essa Menina”, do mestre do Samba Rock, Bebeto.

O Oi Novo Som é o maior projeto de música independente do Brasil. Além de espaço para as bandas criarem perfis, ele inclui: transmissão de shows ao vivo pela Web, um festival exclusivo, apresentações semanais nas principais capitais, espaço na Oi FM e uma radio só para os artistas cadastrados. Para fazer parte do Oi Novo Som, basta entrar no portal (www.oinovosom.oi.com.br) e se cadastrar.

Ps. Tô aqui pensando qual música do Novos Baianos eu gravaria…

Agosto 15, 2009   No Comments

Qual você vai: Planeta Terra ou Maquinaria?

A organização do Planeta Terra confirmou a data da terceira edição do festival: 07 de novembro no Playcenter. Nenhuma atração ainda foi confirmada, mas nomes como Green Day e Ting Tings estão sendo bastante comentados.

O grande problema é que o Planeta Terra 2009 acontece no mesmo sábado do Maquinaria Rock Fest, que terá Faith No More e Jane’s Addiction (confirmado). Ou seja: nunca tem show, e quando tem dois marcam no mesmo dia. Em qual deles você vai?

Ps. Os ingressos para o Planeta Terra saem custando R$ 140 (R$ 70 a meia) e quem estiver no festival poderá, ainda, aproveitar os brinquedos do Playcenter. O Maquinaria está saindo por R$ 200 a pista (R$ 100 a meia) e R$ 450 a pista vip (R$ 225 a meia).

Ps2: Enquanto isso no Reino Unido…

Cartaz do Reading 2009

Clique na imagem para ver em melhor definição

Agosto 14, 2009   8 Comments

The Stone Roses: The Collectors Edition

O clássico primeiro disco do Stone Roses

Não é de ficar sem ar?

O box especial (há uma edição mais simples com 2 CDs e 1 DVD) tem 3 CDs, 3 vinis, 2 USB como todo material em MP3 mais vídeos e galerias de imagens, um livreto e cards. Preço: 100 libras.

Tracklisting

Disc One - The Stone Roses

1. I Wanna Be Adored
2. She Bangs The Drums
3. Waterfall
4. Don’t Stop
5. Bye Bye Bad Man
6. Elizabeth My Dear
7. (Song For My) Sugar Spun Sister
8. Made Of Stone
9. Shoot You Down
10. This Is The One
11. I Am The Resurrection

Disc Two - Extras

1. Elephant Stone
2. Full Fathom Five
3. The Hardest Thing
4. Going Down
5. Guernica
6. Mersey Paradise
7. Standing Here
8. Simone
9. Fools Gold (9.53)
10. What The World Is Waiting For
11. One Love (Full Length)
12. Something’s Burning (Full Length)

Disc Three - The Lost Demos

1. I Wanna Be Adored
2. She Bangs The Drums
3. Waterfall
4. Bye Bye Badman
5. Sugar Spun Sister
6. Shoot You Down
7. This Is The One
8. I Am Resurrection
9. Elephant Stone
10. Going Down
11. Mersey Paradise
12. Where Angels Play
13. Something’s Burning
14. One Love
15. Pearl Bastard (Previously Unreleased)

Vinyl One - The Stone Roses

Side A

1. I Wanna Be Adored
2. She Bangs The Drums
3. Waterfall
4. Don’t Stop
5. Bye Bye Bad Man

Side B

1. Elizabeth My Dear
2. (Song For My) Sugar Spun Sister
3. Made Of Stone
4. Shoot You Down
5. This Is The One
6. I Am The Resurrection

Vinyl Two - The Extras Part One

Side A

9. Fool’s Gold 9.53
10. What The World Is Waiting For

Side B

11. One Love (Full Length)
12. Something’s Burning (Full Length)
13. Where Angels Play

Vinyl Three - The Extras Part Two

Side A

1. Elephant Stone
2. Full Fathom Five
3. The Hardest Thing
4. Going Down

Side B

5. Guernica
6. Mersey Paradise
7. Standing Here
8. Simone

USB

1. The Stone Roses: The Stone Roses - 20th Anniversary Re-Master
2. The Stone Roses: The B-Sides & Non Album Singles
3. The Stone Roses: The Lost Demos
4. 5 Previously Unheard Backwards tracks:
Untitled 1
Untitled 2
Untitled 3
Untitled 4
Untitled 5
5. Videos: The Making Of Fools Gold + 5 x Promotional Single Videos
6. Ringtones
7. Wallpapers
8. 48 Page Digital Booklet

Agosto 13, 2009   7 Comments

De vez em quando é tão bom…

ficar bêbado.

Mas só de vez em quando… risos

Agosto 12, 2009   3 Comments

Little Joy, Killers, FNM e Beirut no Brasil

O Little Joy começa nesta quinta sua segunda (ou terceira?) turnê brasileira com shows em Porto Alegre (13/08, no Opinião), Rio de Janeiro (14/08 na Fundição Progresso) e São Paulo (15/08, Via Funchal). Já vi uma vez alguns meses atrás, na Clash (leia aqui) e não tenho a mínima vontade de ver de novo. Nem por gosto nem por jornalismo. Me cansei dessa postura Los Hermanos. Passo.

Já o Killers… fiquei tentado a fazer uma campanha de boicote ao show. O último disco é ruim (falei aqui) e o preço dos ingressos é abusivo. Nine Inch Nails, Animal Collective e Tv on The Radio no Rock in Roma estava custando 40 euros (R$ 120) e os italianos estavam achando caro. O que eles diriam de ver o Killers com preços de R$ 200 até R$ 350? Ainda mais o Killers… se fosse o U2 por esse preço, quem sabe. (hehe)

O grande problema é que pensamos que essa é a única oportunidade que vamos ter de ver “a banda que amamos” (entre aspas) e pagamos muitas vezes aquilo que equivaleria ao ingresso de dois, três, quatro shows na gringa. E pagamos isso para sermos, na maioria das vezes, maltratados em relação a alimentação no local do show, respeito aos horários (lembra do Killers no Tim? Aqui), segurança e muito mais. Cansei. Passo.

O Faith No More confirmou ontem um show em São Paulo, no Maquinaria Festival. Vi Mike Patton e cia em um Monsters of Rock nos anos 90, e ele terminou a apresentação se masturbando no palco. Gosto demais do “The Real Thing” e do “Angel Dust”, mas acho que envelheci para o som deles, muito embora tenha visto Slayer no ano passado, e ficado chapado. Vou querer ver de novo, mas ainda não sei. (risos)

O Beirut lançou dois discos maravilhosos (escrevi sobre o “Flying Club Cup” aqui) e em 2009 dois EPs (”March Of The Zapotec/Holland”) bem decepcionantes. Não acho que vá influir no show que a banda de Zach Condon vá fazer aqui, que tem tudo para ser um daqueles momentos líricos para se lembrar, lembrar e lembrar. Vou tentar ir, embora fosse legal mesmo ver em Salvador, local cujo ingresso custa R$ 30, mas ok.

Eu queria muito ver a Aimee Mann… e vou tentar ver o Rei Roberto.

Agosto 12, 2009   16 Comments

Mais três discos do Radiohead em edição deluxe

Inicialmente foram lançados os três primeiros álbuns do Radiohead (”Pablo Honey”, “The Bends” e “Ok Computer”) em edições de luxo com um CD bônus de raridades e mais um DVD com quitutes ao vivo. Agora é a vez dos três álbuns seguintes retornarem remasterizados ao mercado no dia 31 de agosto.

A edição especial de “Kid A” trará um CD extra com 13 faixas extras (a maioria registro ao vivo) e o DVD magrinho terá apenas três registros no Later With Jools Holland. Já “Amnesiac” terá um novo CD com 15 faixas bônus incluindo sete b-sides de estúdio e o DVD reúne dez vídeos entre o  Later With Jools Holland e o Top of The Pops.

Fechando o pacote, “Hail to the Thief” terá um CD bônus com 13 faixas entre registros ao vivo e b-sides de estúdio mais um DVD com nove registros ao vivo. Com isso, a Parlaphone raspa o tacho do acervo do Radiohead dentro da gravadora. Recentemente, o selo relançou todos os singles da turma de Thom Yorke em vinil especial acrescentando os b-sides.

Leia mais:
- Três primeiros álbuns do Radiohead ressurgem remasterizados (aqui)
- “Rocks - Live in Germany 2001″, Radiohead, por Marcelo Costa (aqui)

Agosto 11, 2009   2 Comments

Vamos brincar de Jogo dos Sete Erros…

Cartaz francês de “Coco Avant Chanel”

Cartaz nacional de “Coco antes de Chanel”

Falo faz tempo: o politicamente correto vai fuder o mundo…

Agosto 10, 2009   8 Comments

Raul Seixas e Woody Allen na Rolling Stone

Raul Seixas na capa da Rolling Stone

Curti a entrevista do Woody Allen, da época em que ele estava lançando o excelente “A Era do Rádio”. E em shows tem o meu textinho sobre o primeiro dos dois shows do Blur no Hyde Park, de julho passado.  Aliás, trouxe na mala a edição italiana da Rolling Stone com Bruce Springsteen na capa e uma entrevista divertida com Morrissey, que termina com o cantor cravando: “Estou gordo, e isso não é bonito”.

Agosto 10, 2009   1 Comment

Que tal um vinil do Kissing Kalina?

Beth, Danny e Vivi, o Kissing Kalina

“Então, com relação à banda, novidades. As duas músicas novas não estão pra download. Recebemos uma proposta da Filthy Little Angels para lançar um EP pra free download em outubro, com as músicas fazendo parte do EP. Só vamos remasterizar e colocar de graça na net com mais duas (talvez três) novas (uma dessas já esta pronta, uma porrada a la XTRMNTR com a Beth no vocal)”.

As tais duas músicas novas a que o Danny Sanchez fala são “Ellie” e “Long Lost”, canções que levam o Kissing Kalina para uma nova sonoridade, que o Danny diz ser mais experimental, e que eu achei mais dark – com destaque para o vocal de Beth, que abre um leque de opções musicais para o trio. As duas novas canções podem ser ouvidas no My Space do KK (http://www.myspace.com/kissingkalina).

No endereço você também pode ouvir “Juggernaut” e “Here She Comes”, canções que fazem parte do primeiro compacto em vinil do trio que pode ser comprado no site da badalada loja Rough Trade (aqui) e que já foi tocado no programa do DJ Tom Robinson na BBC. Ou então vale escrever para maccosta@hotmail.com e concorrer ao sorteio de uma cópia do vinilzinho dizendo o que você achou do som do Kissing Kalina. Na outra segunda, 24/08, divulgo o sorteado, ok.

Vale (re)ler o especial o “Renovando Passaportes”, em que a jornalista e amiga Luciana Lazarini disseca a vida de algumas bandas brasileiras na Inglaterra. Aqui.

Agosto 9, 2009   No Comments

A Queda: As Últimas Horas de Sarney

Agosto 8, 2009   No Comments

Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho

Desde antes de entrar no avião de volta ao Brasil que eu já sabia que a readaptação neste ano seria um tanto mais difícil do que no ano passado. Você vai uma vez, vê que tudo é diferente (muita coisa pra melhor), volta, readapta e continua tocando o barco. Repetir isso tudo não é tão fácil. Passei pelas mesmas coisas nesta viagem, visitei muitos lugares que já conhecia, mas reafirmar as idéias do outro ano bateu mais forte desta vez.

Passei a semana toda vagando a esmo até assistir na manhã de sexta à cabine de “Se Nada Mais Der Certo”, ótimo filme de José Eduardo Belmonte que abre com uma citação de Rousseau que eu tinha na minha mesa quando trabalhava na biblioteca de Direito em Taubaté: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”.

O filme é uma bela porrada, que eu vou tentar dissecar melhor quando fizer uma resenha dele mais perto da estréia, mas toca em coisas que me assustam bastante, a principal versando sobre a derrota do homem para o sistema simbolizada no ato de perder tudo, mas aos poucos: o cara perde o emprego, fica sem dinheiro para pagar a conta de luz, e então cortam, e ele tenta uma maneira de se reerguer, e não consegue.

Acredito imensamente no poder da manhã seguinte. Nas minhas épocas áureas de crises violentas eu sempre me agarrava na idéia de que precisava sobreviver à madrugada, pois uma mágica da vida é que o dia morre toda noite para renascer toda manhã. Os problemas permanecem, mas quanto mais cedo você enfrentá-los, mais cedo surgirá uma maneira de resolvê-los. É uma rotina constante, a gente perde, mas também vence.

Lógico que esse é um pensamento voltado para o plano particular. O problema do Brasil é maior, e mais intenso. Como sorrir com tanta gente sofrendo jogada nas ruas, nos sinais, dormindo ao relento, sem o mínimo necessário para viver uma vida digna. Difícil. Como consertar? Sinceramente, não sei. As estatísticas dizem que o país está crescendo, e só o que vejo é mais miséria, mais pobreza e mais falta de oportunidades.

Quando falo em morar fora do país não estou de maneira alguma negando que estes outros países sejam também imperfeitos. Todo país tem problemas assim como todas as famílias. Alguns mais, outros menos, mas todos têm problemas. Os “pobremas” daqui, no entanto, me tomam cada vez mais e doem. Talvez eu vá, quem sabe, mas acredito que volto naquele velho navio e morra aqui na “favela onde eu nasci”.

Como escreveu Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”. Porém, inevitável, não podemos nos esquecer de nossas qualidades. É fácil reclamar, dizer que os outros são melhores nisso e naquilo sem levantar a nossa bola nas coisas que merecemos. Copo meio vazio, sabe. E foi isso que pensei ao assistir a mais um show do compositor Wado em São Paulo.

Não sei quantas vezes vi Wado ao vivo, e essa foi uma das apresentações que eu menos esperava algo. Ouvi o disco novo essa semana, aquela coisa meio “Ivete Sangalo” (hehe), como o próprio brincou comigo após o fim do show, e gostei, mas fui sem expectativas para vê-lo ao vivo. E o show, caro amigo, foi um dos melhores que assisti dele nos últimos anos. O tipo de coisa que me fez ter alegria de estar aqui, agora.

Wado fez um resumão da carreira tocando três canções de cada disco em ótimas versões roqueiras: “Uma Raiz, Uma Flor”, “Beijou Você” e “Ontem Eu Sambei” da estréia (2001); “A Gaiola do Som”, “Poço Sem Fundo” e “Tarja Preta” do “Cinema Auditivo” (2002), “Tormenta”, “Vai Querer?” e “Alguma Coisa Mais Pra Frente” do clássico “A Farsa do Samba Nublado” (2004); “Pendurado”, “Teta” e “Reforma Agrária do Ar” do “Terceiro Mundo Festivo” (2008) além de uma inédita, “Não Pára”, que Maria Alcina gravou no excelente “Confete e Serpentina” (leia aqui).

Do disco novo, “Atlântico Negro” (2009), Wado só tocou a bonita “Pavão Macaco”, do verso instigante e emblemático: “Vem morar comigo neste apartamento, estamos um sobre os outros, temos satisfação”. Os cinco discos de Wado estão todos para download no site oficial do artista (http://www2.uol.com.br/wado/index2.html), música boa dada de graça, tão fácil, a um toque do mouse. Alimento para a alma.

Talvez não seja à toa, mas no momento em que estamos fazendo a melhor música do mundo passamos por uma dura crise de falta de espaços em veículos de massa que dêem ao público o melhor de nossas artes. Não sei se a qualidade dos discos está atrelada à dificuldade de mostrar a música para a grande massa, mas vivemos um momento especial em nossa música, e algo inverso acontece nos EUA e na Inglaterra, locais em que nada novo e instigante acontece já há alguns bons três anos.

U2, Morrissey, Bruce, Bob Dylan, Wilco e outras lendas lançaram discos no último ano pelo simples vício de lançar um disco. Não me entenda errado e deixe o fanatismo de lado: há coisas boas nesses cinco discos, mas todos estes nomes já fizeram coisas muito melhores em suas carreiras e estão apenas rolando a engrenagem. Bandas novas? Nada comove. Por outro lado, o sangue ferve com facilidade neste país verde e amarelo.

Alguém pode dizer que é pouco, mas para mim não. Eu respiro música. Ela é a minha ligação com o mundo. Ela me faz vivo. Eu quero mais, claro. Quero um país melhor. Quero que as diferenças entre ricos e pobres diminuam drasticamente. Quero que a pessoa jogada na rua levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. E sei que o mínimo que eu quero já é quase impossível, o que não quer dizer que vou deixar de querer, mas que aperta o peito, ah, aperta.

Quando eu tinha 14, 15 anos, um dos meus sonhos (além de ser piloto de Fórmula 1 e ou jornalista) era escrever uma série de livros nos moldes da coleção pocket da Brasiliense com pequenos tratados com dicas para consertar o país. O primeiro volume seria o “Como reestruturar o setor educacional”, que consistia basicamente em dar cultura ao povo, e não passá-lo de ano como pessoas sem dinheiro passam por debaixo da catraca. Não lembro os outros livros da série, mas isso permaneceu na minha memória.

É duro demais ser brasileiro, mas eu nunca saberia ser outra coisa, e nem quero. Lembro da raiva de Arnaldo Antunes cantando o trecho de letra que dá titulo a este post na versão ao vivo de “Lugar Nenhum” (do álbum “Go Back”) e entendo sua revolta, mas ela nunca me desceu bem. Nunca. Tenho vontade de encher um barco com uns 500, 900 brasileiros que fazem o país andar para trás, e mandar para o inferno gritando para eles: “Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho”. A chance de outros 900 fdp surgirem, no entanto, é imensa. O problema é a máquina, alguém grita. E está certo.

Volto a repetir a citação de Rousseau: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”. E só tenho uma certeza: estamos longe demais da democracia. Penso com dor na frase de Oswald de Andrade e no choque da lembrança da tecla que sempre bato: somos exemplos. As coisas começam a mudar dentro de casa, na nossa roda de amigos, no nosso trabalho. Porém, tento fazer o melhor, mas já não sei se adianta. Cansaço.

Ps. Perdoe a falta de foco e clareza. Eu também estou tentando me entender.

Agosto 8, 2009   15 Comments

Quanto custa uma viagem para a Europa?

O Parlamento de Londres visto da London Eye

Essa é a pergunta que não quer se calar (risos). O Edu já tinha pergutando isso em um post pré-viagem, e eu tinha detalhado os nossos gastos “por cima” nos comments (leia aqui), mas é uma avaliação totalmente particular baseada em um mochilão maluco de 37 dias. Uma viagem de 20 dias sai muito mais em conta. Aproveitando que o Luiz perguntou se “uns dez mil reais segura a onda legal”, vai a minha experiência abaixo, e a certeza de que se você conseguir economizar, dá sim para ir.

01) A Passagem

É o mais caro da viagem. Custa entre 650 dólares e pode chegar até 1000 dólares em alta temporada. Ou seja: viajar fora de temporada (que vai de 15 de junho até o fim de agosto) já garante uma grande economia. E pode acreditar: tem festival, shows e coisas legais para se fazer na Europa em maio e setembro, meses que não são tão frios e nebulosos como os invernais, e são mais baratos que julho e agosto, os temíveis e careiros meses de férias (e muito sol).

Uma vantagem das passagens: você pode pagar ela antes em até cinco vezes no cartão sem juros (se for uma companhia internacional tipo Iberia, Air France e outras) ou mais vezes se for uma nacional (TAM), com juros. O importante é que planejando bem, você já pisa na Europa com a passagem paga sem mexer no dinheiro das férias do trabalho, o que é uma grande economia para os dias de aventura pela frente.

Fiz uma pesquisa rápida em um site de viagens com as datas de partida para 30/04/2010 e volta 30/05/2010 e Air France e KLM oferecem passagens por cerca de R$ 2100. Esse preço pode abaixar se você conhecer uma agente de viagens bacana, que encontre uma promoção legal em um vôo menos concorrido, mas em média é isso: R$ 2100 que podem ser divididos em cinco vezes no cartão de crédito (com a taxa de embarque vindo na primeira parcela).

02) Hospedagem

Aqui você adapta a viagem ao seu bolso. Em sites como o Homelidays (www.homelidays.com) e Hostel World (www.homelidays.com) você consegue pesquisar habitações em hotéis, apartamentos, albergues, casas de família e campings. Os preços variam de acordo com o luxo e com o país. Um quarto dividido com 10 pessoas é mais barato que um quarto para casal, porém facilidades aparecem. O ap que ficamos em Paris foi o mais barato de toda nossa viagem, e o melhor. E Paris é uma cidade cara e de difícil hospedagem. A dica é: procure.

Para um cálculo no chutometro, só pata você ter idéia, você pode gastar entre 20 e 30 euros por dia em hospedagem (às vezes mais, outras menos, repito: dependendo das facilidades que você queira ter). Vamos pegar a média (25 euros) e multiplicar primeiramente pela cotação do Euro em relação ao Real (é menos, mas vamos arredondar para R$ 3) o que nos vai dar R$ 75 por dia. E multiplicamos de novo esse valor por 20 dias (R$ 1500) e 30 dias (R$ 2250). É algo entre isso que, em muitos lugares, pode ser pago no cartão de crédito, mas é bom confirmar antes.

Como o Acauã já comentou aqui no blog, tem o Couch Surfing, que é uma comunidade (tipo o Orkut) em que os associados abrem suas casas para outros associados. Na brodagem, sem nenhum custo. Como ele descreveu: “Quando vai viajar, você procura por boas almas dispostas a hospedar nas cidades para as quais vai e manda mensagem tentando combinar algo”. Vale muito ler o blog do Claudiomar. Ele viajou por 32 países – como Nepal e Hong Kong - hospedando-se somente em casas de pessoas do CouchSurfing. (http://claudiomar.blogspot.com/).

Vale lembrar que aquele amigo querido ou aquela prima com quem você não fala faz anos podem render uma boa economia se tiverem um cantinho para te abrigar. :) Outra coisa: muitos países, na entrevista de entrada, perguntam o lugar em que você vai ficar. Por isso tenha sempre a mão o endereço do amigo ou da tia, ou mesmo o nome do hotel, pois pode dar um dorzinha de cabeça não ter.

03) Viajando internamente pela Europa

Sou uma completa negação para explicar os passes de trem (alguém ajude nos commentes, please) tipo o Europass, mas os trens são uma grande economia (falo sobre alguns aqui) e companhias barateiras como a Easyjet e a Ryanair podem lhe dar muitas alegrias. Prefira sempre a Easyjet, que não causa tantas dores de cabeça quanto a Ryanair, mas se precisa, não pense duas vezes: mesmo com a multa que pagamos em Veneza o vôo saiu 1/4 mais barato do que seria por outra companhia. A dica é sempre tentar comprar com antecedência os trechos, pois quanto antes você comprar mais barato vai estar.

Aqui entra então um item importante em uma viagem econômica: planejamento antecipado. Tendo a viagem toda traçada você perde um pouco da aventura de acordar em Roma numa terça-feira e pensar: “Acho que vou para Viena hoje”. Mas terá uma grande economia (passagens compradas no dia ou na véspera são caras mesmo nas companhias barateiras). Nos fizemos uns cinco trechos entre países de avião, e tudo saiu por aproximadamente R$ 600. O trecho por trem saiu por R$ 75.

04) Visto e Seguro Viagem

Os países da União Européia não pedem visto de entrada, mas sempre há uma entrevistinha em que geralmente o policial pergunta o que você está indo fazer na Europa (ou no país que você está entrando), onde você vai ficar, quando você vai voltar e por ai. Se você tem todos os documentos certinhos (reserva de hostels, endereço da casa do amigo ou do CouchSurfing, trechos internos de viagem) que comprovem que você está passando férias, ótimo, mas é bom sempre estar garantido.

A vantagem é que,  devido ao Acordo de Schengen (valeu pela dica, Felipe), entrando no primeiro país você não passa por entrevistas nos 24 países da União Européia e nos 4 da EFTA que assinaram a política de livre circulação de pessoas no espaço geográfico da Europa (com exceção do Reino Unido, que você sempre que entrar precisará passar pela imigração). Então, se você entrar na Europa com um vôo em escala pela Espanha, França ou Holanda, a entrevista será feita nestes países, e os demais são porta aberta.

Já o Seguro Viagem é necessário e cobrado em alguns países (como a França). Você pode fazer com o seu agente de viagens, mas compensa muito cotar no World Nomads (outra dica da Ligilena), que foi o que eu e Lili fizemos para esta última viagem (e ninguém pediu, mas vai que não tivéssemos feito - iriam pedir). É só colocar o periodo de viagem e verificar o preço. Três semanas sai 75 dólares.

05) Comendo e passeando na Europa

Prepare-se para o choque, pois pisar na Europa é caro, principalmente na Inglaterra. Você vai se assustar quando perceber que uma Coca-Cola lata custa R$ 10, e vale muito fuçar o cardápio para perceber que o vinho (na França, Itália e Espanha, principalmente) e a cerveja (na Bélgica e na Alemanha) são muitas vezes mais baratos que os refrigerantes. E aqui também cabe a sua vontade pessoal, pois dá para viver de batatas fritas e fast food, mas é sério que você vai pra França e não vai almoçar ou jantar em bistrô? E nem vai comer massa na Itália?

Vou chutar, mas 50 euros (R$ 150) é uma quantia razoável para você comer, passear e ir a museus. Ou seja, em 20 dias, R$ 3000 e em 30 dias R$ 4500. Isso atentando para o fato de você usar e abusar dos passes especiais como o Roma Pass, que te dá condução de graça nos ônibus e metros da cidade além de descontos em muitas atrações, o Paris Museum, que eu comentei aqui e que a Lina, do Conexão Paris, discute aqui. Quase todas as cidades tem um desse tipo, e ajuda muito.

Vale também lembrar que carteirinhas de estudante são benvindas, e não precisa ser a oficial. Mas muitos museus e passeis limitam o desconto para menores de 26 anos mesmo com a carteirinha. Vale levar, e tentar. Bem, dá para dizer canhestramente que R$ 10 mil dá e sobra para viajar, mas eu, você e a Lili (risos) sabemos que nunca sobra e sempre falta, mas isso tudo é apenas para dar uma idéia que eu mesmo não tinha quando fui viajar nas primeiras vezes. Ou seja, estou tentando mostrar que é preciso planejamento, economias, mas rola fazer sim.

O que é preciso, mais do que tudo, é focar nas coisas que você quer ver, fazer e sentir em uma viagem dessas. Fazer o orçamento, deixar de beber uma cerveja nos dias em que você bebe cinco (risos) para economizar e voar. Uma viagem começa no seu planejamento, nas pesquisas que a antecedem. Existem muitas facilidades e também muita dificuldade, e tudo faz parte. Isso tudo é só um esboço de 15 minutos em uma sexta-feira corrida. Com calma, a coisa toda pode ficar mais interessante ainda. Mesmo.

Por baixo de uma ponte em Veneza

Leia também:
- A querida Luana Bandeira, a pedido de amigos, fez um textão bacana com algumas dicas de como montar um mochilão, escolher hospedagem, transportes e enxugar os custos em uma viagem para a Europa. Vale ler. Baixe o arquivo em world aqui.

Agosto 7, 2009   33 Comments

Popload Gig 2 e No Ar Coquetel Molotov 2009

Popload Gig 

A segunda edição do festival independente Popload Gig, capitaneado pelo chapa Lúcio Ribeiro, trará ao país a banda inglesa Friendly Fires. Os ingleses vão dividir o palco com  o emergente e colorido Copacabana Club e a surpresa electro-sexy-grunge Brollies & Apples. Além de São Paulo o evento estende os braços ao Rio de Janeiro. Seguem as datas:

Circo Voador - RJ
15 de agosto a partir das 23h
Friendly Fires
Copacabana Club
Brollies & Apples

Ingressos
R$ 50,00 até o dia 14 de Agosto de 2009, estudante ou promocional  (com a doação de um quilo de alimento ou um livro)
R$ 60,00 no dia, estudante ou promocional  (com a doação de um quilo de alimento ou um livro)

Studio SP - SP
17 de agosto a partir das 21h
Friendly Fires
Copacabana Club
Brollies & Apples

Ingressos
R$ 70,00– ingressos super promocionais (não cumulativo), somente os 150 primeiros
R$ 90,00  ingressos promocionais (não cumulativo) antecipados até o dia 16/08/2009

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No Ar Coquetel Molotov

Chegando à sua sexta edição, o Festival No Ar Coquetel Molotov vem trazendo em sua grade de shows internacionais atrações da França e da Suécia para shows no Recife e em outras cidades do país. O No Ar 2009 recebeu a chancela do Consulado Geral da França e do Ministério da Cultura e integra a programação de eventos do Ano da França no Brasil convidando Sebastien Tellier, Zombie Zombie e François Virot como representantes da França para o evento.

O festival, que acontece no Recife neste ano entre os dias 18 e 19 de setembro, apresenta mais uma vez shows que fazem parte do projeto Invasão Sueca. Nesta edição, os suecos que viajam até o Brasil para turnês no Recife e em mais quatro cidades são Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear. Com shows que ocorrerão entre o Teatro Guararapes e o Auditório Tabocas, o festival No Ar Coquetel Molotov terá ainda exibições de filmes, debates, workshops e feira cultural nos dias que antecedem os principais momentos no Centro de Convenções de Pernambuco.

No Ar Coquetel Molotov
Shows com Sebastien Tellier, Zombie Zombie, François Virot, Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear
Recife - Centro de Convenções de Pernambuco (Teatro Guararapes e Auditório Tabocas)
Dias 18 e 19 de setembro de 2009
Mais informações: www.coquetelmolotov.com.br

Agosto 6, 2009   No Comments

Quatro vídeos de shows da viagem

Bruce Springsteen em Roma

Seria legal ter filmado mais, mas cada vídeo ocupa um espaço danado nos cartões de memória. Não a toa, tive que comprar um em Roma, afinal já tinha usado 3 gigas dos outros dois lotadaços. Pedi um de 4 gigas para a japonesinha da lojinha perto do Coliseu, abri ali mesmo e fui testar. Deu pau. Ainda bem que testei na hora, senão seriam 25 euros indo embora. Ela só tinha aquela marca de 4 gigas então peguei um de 2 gigas, de outra marca. Funcionou. E eu gravei essas quatro coisas:

- “Zero”, Yeah Yeah Yeahs no Rock Werchter (assista aqui)
Chegamos em cima da hora, e acabamos ficando fora da tenda. Mas dá para ter idéia de como estão os novaiorquinos no palco. E eu tenho uma quedinha pela Karen O. Tinha filmado “Maps”, mas deletei sem querer…

- “Till The End Of The Day”, Big Star em Londres (assista aqui)
Ia filmar inteirinha, mas o segurança deu uma “prensa” e parei…

- “Halleluhah”, Leonard Cohen em Paris (assista aqui)
Dá para ter uma idéia do quão longe estávamos, e da beleza que é o show.

- “Thunder Road”, Bruce Springsteen em Roma (assista aqui)
São só alguns segundos, mas arrepiam…

Ps. O Marcel e o Lucas exigiram uma foto com os CDs comprados na viagem, mas adianto que não foram tantos como no ano passado. Menos dinheiro e patroa na cola, sacumé. Foram só esses aqui, mas estou feliz.

Ps 2. Também filmei um trechinho de “Song 2″, mas precisei deletar por falta de espaço no card…

Agosto 5, 2009   6 Comments

“Atlântico Negro”, de Wado, para download

Capa do novo disco de Wado, “Atlântico Negro”

O cantor e compositor Wado está disponibilizando seu novo disco, “Atlântico Negro”, para download gratuito em seu site oficial: http://www2.uol.com.br/wado/. Em uma primeira ouvida, o quinto disco de Wado é o mais afundado na música brasileira de sua carreira com destaques para afoxés, sambas e funks. É um disco para ser ouvido com calma com muita atenção nas referências. E Wado faz show em São Paulo na próxima sexta-feira (07/08), no auditório do Sesc Vila Mariana (de R$ 3 a R$ 12) às 20h30. Wado fez um faixa a faixa do disco a pedido do GazetaWeb.comBaixe e acompanhe.  

01. Estrada (Wado/Dinho Zampier/Mia Couto)
É o afoxé mais afoxé do disco, quase um axé mesmo. Para começar com certo desconforto. Contém uma narração charmosa de um estudante estrangeiro que está em Maceió e é de Guiné-Bissau.

2. Atlântico Negro (Wado/Dinho Zampier/Beto Bryto/Fernando Coelho)
Vinheta final de Estrada, determina os rumos disco com interessante sotaque.

3. Jejum / Cavaleiro de Aruanda (Wado/Tony Osanah)
Medley de uma canção minha que pede um dia de abstinência com o clássico de Tony Osanah que foi sucesso com Gal Costa, Ronnie Von e recentemente com Margareth Menezes e Ney Matogrosso.

4. Martelo de Ogum (Wado/Dinho Zampier)
Samba que tem letra inspirada no título do álbum Made in the Dark, da banda Hotchip, e é uma homenagem a Ogum, orixá dos metais e das novas tecnologias.

5. Cordão de Isolamento (Wado/Dinho Zampier)
Afoxé inspirado nos discos de Davi Moraes e que toca no delicado assunto das cordas que separam classes sociais em carnavais e micaretas.

6. Hercílio Luz (Wado/Mia Couto)
Hercílio Luz é o nome da ponte de ferro de Florianópolis, Santa Catarina, que lembra a ponte de São Francisco, na Califórnia (EUA). Na minha infância ela era de uso apenas dos pedestres e dos ciclistas – por ser muito antiga, não tinha mais força para que carros a atravessassem com segurança. Muitos trechos da poesia de Mia Couto estão ali.

7. Pavão Macaco (Wado)
Lista coisas desconectadas de seu habitat e nos coloca frente a frente no espelho com uma espécie de bicho vaidoso e lacônico… Dizendo assim prefiro a música para contar a história…

8. Frágil (Wado/Alvinho Cabral)
É uma montanha-russa melódica e de sentimentos, uma canção de amor tradicional.

9. Feto / Sotaque (Wado – Wado/Alvinho Cabral/Eduardo Bahia)
Medley de duas canções que acho que, juntas, têm unidade de sentido e criam uma nova e ainda mais divertida. Única regravação minha no disco.

10. Boa Tarde, Povo (Baianas de Santa Luzia do Norte/Maria do Carmo)
Um clássico do cancioneiro alagoano que já foi gravado pelo grupo paulistano Barbatuques e teve remixes de Lucas Santtana. Nossa versão aproxima a música dos big beats do Fatboy Slim.

11. Rap Guerra no Iraque (Gil do Andaraí)
Conheci essa música numa coletânea de funk carioca chamada Proibidão, que faz muito sucesso no Rio de Janeiro – acho que essa era a vigésima sétima compilação feita. A letra é muito boa. Tentamos regravá-la de forma respeitosa.

Agosto 5, 2009   2 Comments

37 dias, 14 cidades, 6 países e muitas histórias

Uma garota no metrô em Notting Hill, Londres

É difícil explicar a sensação de chegar a casa após um mochilão de 37 dias. Você sente falta da sua cama, dos seus objetos pessoais, de roupas limpas, mas trocaria o seu chuveiro por qualquer um dos apartamentos da viagem (risos). As coisas todas estão em seu lugar, mas o coração precisou aumentar alguns cômodos para abrigar as novas experiências, que se acumularam entre tantas novas paisagens e histórias.

Voltando no tempo, lembro que houve uma época que eu achava que nunca sairia de Taubaté, a cidade que me abrigou durante 20 anos, mas que já no final da adolescência não me cabia mais, como uma roupa que rasga em movimentos mais bruscos. Fazer uma longa viagem para o exterior então nem pensar. Ok, pensar sim. Ou melhor, sonhar. Alguns sonhos nos invadem sem que a gente exija deles racionalidade.

Viajar é dar a alma um momento de vida. Estamos presos a um cotidiano mecânico cujo maior símbolo, a rotina, nos diz que hora acordar todos os dias, que veículo pegar para ir ao trabalho, como se relacionar com nossos semelhantes e, após uma seqüência de atos pouco diferentes do dia anterior, voltar para casa com o pouco tempo que resta tentando fazer dele algo útil para a… alma.

Muitas coisas diferentes aconteceram nesta viagem em relação à viagem do ano passado, a mais visível tendo relação com a companhia da Lili. Tem gente que gosta de viajar sozinho e tem gente que não consegue viajar sozinho. Ambas as situações trazem vantagens e desvantagens, mas foi bastante especial dividir esse percurso com a Lili, pois respiramos juntos às cidades, e conversamos dezenas de horas sobre os lugares.

A alegria das meninas brincando na água na fonte do Louvre em Paris

Assim como no ano passado, em que cheguei recebido por Odile e Carlos em Leuven, e me senti seguro para seguir nos próximos tantos dias, foi bastante importante chegarmos a Londres para ficarmos na casa do Daniel, da Beth e do Samuel (e da gata Coco). Os três fizeram de tudo para nos sentirmos em casa, e conseguiram. Londres ficou mais leve, e a tarde no Hyde Park com Blur ensaiando e pedalinho no lago foi inesquecível.

Dali uma pequena passada em Paris, para deixarmos as malas no melhor e mais barato apartamento da viagem, e seguirmos para a Bélgica, o país que faz alguns dos melhores chocolates do mundo, todas as melhores cervejas e ainda promove os melhores festivais de rock. Nick Cave no Rock Werchter foi um estupro sonoro. E os elefantes rosas da ótima Deliriuns Tremens dançaram em alguns copos de cerveja com o Carlos e a Camilinha em Bruxelas.

Já Paris é aquilo. Lili amou a cidade, mas odiou os parisienses. Como quase todos que passam pela cidade. Porém, inevitavelmente, Paris encanta. Se pudesse, eu passaria dias dentro do L’Orangerie e aproveitaria todos os bistrôs, cafés e padarias da Rua Montorgueil, uma descoberta deliciosa que nos deixou totalmente estupefatos. E o Louvre, a Torre, e Napoleão, e beber vinho na grama da Champ de Mars. Paris é foda.

Bruges por sua vez foi uma descoberta interessante. A cidade que mantém o centro histórico medieval mais bem preservado de toda Europa é repleta de turistas, mas sua noite é vazia e surpreende. As dicas da Maria, a dona do Bed and Breakfast que ficamos, foram imprescindíveis. E a pedalada de 5 quilômetros até Damme foi um momento de liberdade incrível desses que a gente não acredita estar vivendo.

Observando o Rio Sena em Paris

A cidade ainda rendeu alguns dos melhores pratos da viagem tanto na Le Gambrinus (uma cervejaria que cozinha a maioria de seus pratos na cerveja da casa) estendendo-se ao fofo e aconchegante Tante Marie, em Damme, com suas pequenas porções de prazer e seu ótimo chocolate quente. E, claro, o Cactus Festival, um festival de cidadezinha de interior com Cold War Kids, Gutter Twins, Calexico e Paul Weller. Foda.

Berlim continua sendo algo inexplicável para mim. Meu sangue alemão não se sente bem na cidade, que vive sobre a sombra da culpa, mas foi interessante demais ter ficado no lado Ocidental para contrastar as diferenças do lado Oriental, que me abrigou no ano passado. E foi ótimo descobrir uma loja sensacional de vinis e CDs em plena região do Europa Center. Nunca esperava encontrar o “On Strike” (Pepe Escobar disseca ele aqui) em vinil original. Nunca.

Foi um choque sair da Alemanha e ir para a Itália. Difícil imaginar dois países mais contrastantes. A Itália é uma bagunça, mas conversa com você na rua, no ônibus, na mesa de bar enquanto a Alemanha é extremamente organizada e carrancuda. Descemos em Pisa, nos apaixonamos pela Torre Pendente, e nos decepcionamos um pouco (ok Lili, eu mais) com uma Florença extremamente turística e descuidada em seu museu principal. Ah se não fosse Michelangelo com seus Escravos, seu Baco e seu Davi…

Já Roma é tudo aquilo que eu imaginava triplicado. Em que outro lugar do mundo uma simples e inocente salada caprese pode encher os olhos da gente? E são várias Roma. Tem a das igrejinhas que são pequenas obras de arte. A Roma do passado antigo, do Coliseu, da Casa Dourada de Nero, das ruínas. A Roma do aconchegante Trastevere, tudo que eu sempre imaginei que o Bixiga em São Paulo deveria ser. A Roma de Fellini, da iluminada Fontana de Trevi (e de muitas outras fontanas).

Quando a grama vira praia em Berlim

O Vaticano foi bastante cansativo. A Praça de São Pedro é bela, e a Catedral é o mínimo que se espera da grande casa da religião católica, mas a visita à Capela Sistina é um abuso de paciência com o roteiro passando por dezenas de outras salas. Se você quiser vê-la pesquise antes uma passagem secreta. Ou tenha bastante paciência. A visita vale, mas cansa. Para fechar a parte italiana teve Veneza, que eu tenho tanta coisa pra falar…

Dava para escrever um texto inteiro declarando meu amor por Veneza. Ainda faço. Vim tentando ler no avião uma reportagem em francês da National Geographic, que também foi reproduzida na edição nacional (descobri aqui). E o texto, assinado pela Cathy Newman, editora especial da revista, é uma aula de jornalismo. Então vamos combinar assim: eu digo que Veneza é a cidade mais encantadora e apaixonante em que já coloquei os meus pés e você lê o texto da Cathy aqui, fechado.

A parte espanhola começou com a Barcelona de Antoni Gaudi, de Joan Miró e do urbanista socialista Ildefons Cerda, que desenhou em 1859 uma grade urbana de quarteirões regulares e imensos passeios públicos que fazem a cidade viver e respirar. Amo Barcelona de uma forma que não sei explicar, e que acaba diminuindo por comparação meu apreço por Madri, uma bela cidade com três museus espetaculares, deliciosas casas de tapas e muito calor (o vento do Mediterrâneo faz falta).

Foram seis países e 14 cidades em 37 dias. Juntos, esses países devem ser do mesmo tamanho da nossa Região Sudeste, mas quanta diferença. Começa pela língua. Quando você começa a se adaptar ao inglês britânico tem que encarar o flamengo, a língua neerlandesa falada na Bélgica, que mais parece um disco sendo tocado ao contrário. E ai vem o francês, o alemão, o italiano e, ufa, o espanhol (ou portunhol). E tem as comidas, e tem o jeito de cada pessoa, de cada país, de cada cidade. Muita informação, mesmo.

É difícil explicar a sensação de voltar para o seu país após um mochilão de 37 dias. Você sente falta das pessoas falarem a sua língua, dos seus amigos que lhe chamam para um boteco, da comida totalmente particular, da música, do futebol, mas trocaria o nosso transporte público por qualquer um dos outros da viagem (hehe). É bom estar em casa. É bom poder dividir essas experiências, esses olhares muito pessoais neste espaço um tanto impessoal. Obrigado pelo carinho, pela leitura, pelas dicas e bons agouros. Espero ter correspondido com dicas e com o exemplo de que se eu consigo, você também consegue. Piegas, mas verdadeiro. Estamos de volta. \o/

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TOPS DA VIAGEM

Um gondoleiro em Veneza

Dez Cidades
01- Veneza (foto)
02- Paris (foto)
03- Roma (foto)
04- Barcelona (foto)
05- Londres (foto)
06- Madri (foto)
07- Bruges (foto)
08- Bruxelas (foto)
09- Berlim (foto)
10- Firenze (foto)

Hyde Park em Londres

Dez Lugares
01- Rua Montergueil, Paris (foto)
02- Santa Croce, Veneza (foto)
03- Hyde Park, Londres (foto)
04- Parc Güell, Barcelona (foto)
05- Grande Praca, Bruxelas (foto)
06- Fontana de Trevi, Roma (foto)
07- Plaza Mayor, Madri (foto)
08- Camden Town, Londres (foto)
09- Barri Gotic, Barcelona (foto)
10- Torre Pendente, Pisa (foto)

Uma Deliriuns Tremens em Bruxelas

Dez Cervejas
01- Bloemenbier 7,0% (Belgica)
02- Deliriuns Tremens 8,5% (Belgica)
03- Hercule 9,0% (Belgica)
04- Duvel Speciale 7,0% (Belgica)
05- Leffe 9.0 (Belgica)
06- Leffe Radieuse 8,2% (Belgica)
07- La Divine 8,5% (Belgica)
08- Mongozo Banana 4,5% (Belgica)
09- Rochefort 11,5% (Belgica)
10- Mort Subite 4,5% (Belgica)

Obra de Camille Claudeu no Museu D’Orsay em Paris

Dez Museus
01- Museu D’Orsay, Paris
02- Museu do Prado, Madri
03- L’Orangerie, Paris
04- Museu Reina Sofia, Madri
05- Galleria Borghese, Roma
06- Galleria Academia, Firenze
07- Museu Peggy Guggenheim, Veneza
08- Museu Picasso, Paris
09- Centre Pompidou, Paris
10- Tate Modern, Londres

Gambas em Bruges

Dez Pratos prediletos da Lili
01- Sopa de Cebola em Paris
02- Camarão ao Alho e cerveja em Bruges
03- Croquete de Camarão em Damme
04- Al Pesto em Firenze
05- Pizza Quatro Queijos no Trastevere em Roma
06- Salada Caprese em Roma
07- Morango com chocolate em Bruxelas
08- Gazpacho em Madri
09- Paella Valenciana em Madri
10- Batatas Bravas em Barcelona

Dez CDs comprados na viagem

Dez CDs comprados
01- Rocks Germany 2001, Radiohead (Bootleg)
02- Rockin’ Live From Italy 1993, Bruce Springsteen (Bootleg)
03- The Complete Sun Masters, Johnny Cash (box triplo)
04- Live, Nick Cave (bootleg)
05- Live 1981-82, The Birthday Party
06- Rum, Sodomy and The Lash, The Pogues
07- Live From Austin, Tom Waits (bootleg)
08- Rome Concert 1980, Talking Heads (bootleg)
09- Enter The Vaselines, Vaselines
10- On Strike, Echo and The Bunnymen (vinil)

Nick Cave deixou ela surda no Werchter

Quinze Shows
01- Bruce Springsteen no Stadio Olimpic, Roma (foto - texto)
02- Blur no Hyde Park, Londres (foto - texto na Rolling Stone de agosto)
03- Paul Weller no Cactus Festival, Bruges (foto - texto)
04- Leonard Cohen no Palais de Bercy (foto - texto)
05- Tindersticks no Hyde Park (foto - texto)
06- Nick Cave and The Bad Seeds no Rock Werchter (foto - texto)
07- Franz Ferdinand no Rock Werchter (foto - texto)
08- Mogwai em Firenze (foto - texto)
09- Big Star no Hyde Park (foto - texto)
10- Yeah Yeah Yeahs no Rock Werchter (foto - texto)
11- Gutter Twins no Cactus Festival (foto - texto)
12- Cold War Kids no Cactus Festival (foto - texto)
13- Calexico no Cactus Festival (foto - texto)
14- Magic Numbers no Cactus Festival (foto - texto)
15- Crystal Castles no Hyde Park (foto - texto)

Agora é melhor esfriar a cabeça como essa estátua em Leuven, na Bélgica

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Leia tudo o que aconteceu no dia-a-dia da viagem aqui.

Agosto 4, 2009   15 Comments

Em São Paulo…

…e acordando!

 Ps. O trema não me diz muita coisa, mas sinto falta do “til”, viu. (risos)

Ps2. Numa reedição de fotos acabei perdendo alguns comentários. Sorry :/

Agosto 3, 2009   No Comments

O dia já vem raiando meu bem…

A Calle Miguel de Cervantes em Madri

Está chegando a hora, e estamos detonados. Meu joelho direito resolveu chiar de toda a viagem na madrugada passada, e a noite foi péssima. Bem provável que nunca mais estendamos tanto uma viagem como fizemos desta vez (e como fiz no ano passado). Como diria Bruce Springsteen suado e jogado no chao: nao dá mais, Roma.

Mas ainda tivemos o sábado para camelar por Madri e fomos cumprir nossas duas últimas “obrigacoes oficiais” (hehe). A primeira foi visitar o Museu Thyssen-Bornemisza, que exibe a colecao que a dona Carmen foi adquirindo nos últimos 30 anos. Ele perde em comparacao para seus dois vizinhos, mas completa algumas lacunas que os mesmos deixam em aberto. Juntos, o Paseo del Arte (Thyssen, Sofia e Prado) é sensacional.

O Thyssen começa lá nos primitivos italianos e chega até a pop art. Após ter visto tantas versoes da crucificacao de Jesus, da Anunciacao e da vitória de Davi sobre Golias, a mente começa a se confundir. O mesmo acontece com as dezenas de quadros de paisagens das salas holandesas, mas foi bacana reconhecer Veneza e a Piazza Navona nos quadros de Canaletto (aqui) e Wittel (aqui).

As coisas começam a melhorar mesmo ali pela sala 32 com Monet, Picasso, Renoir e Van Gogh, e nas próximas que trazem Cezanne, Gauguin e Matisse além de mais um belo quadro de bailarinas de Degas. O final, ali pela 41, tem Mondrian, Kandinski, Juan Griss, Braque, mais Picasso, um Chagall que eu adoro (veja aqui), Dali, Magritte e Roy Linchestein além do meu preferido do museu: ”Quarto de Hotel”, de Hopper.

A nossa próxima parada, debaixo de solarao, foi no deslumbrante Palácio Real, que me deixou sem ar no ano passado (leia o post aqui), mas que já me encontrou detonado desta vez, e teve um pouco de dó (hehe). Mas foi bonito rever o quarteto de Stradivarius da Família Real e a entrada suntuosa que fez Napoleao dizer ao seu irmao, ao coloca-lo no trono da Espanha, “você está em melhor companhia do que eu”.

Ainda passamos na Caixa Fórum, um belo prédio maluco com toques gaudilescos (o restaurante é sensacional), mas agora é ajeitar os últimos detalhes, arrumar as grandes malas, e voar sobre o Atlântico. Segunda-feira voltamos com a programacao normal trazendo um resumao da viagem e coisas do Brasil. Até.

Detalhe do restaurante do Caixa Fórum de Madri

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Agosto 3, 2009   1 Comment