Algumas palavras sobre alguns filmes

Dia desses eu estava lendo a versão 1.0 deste blog (não vou negar o narcisismo, embora tenha dias que tenho vergonha de algumas coisas que escrevi) e revi algo que eu fiz algumas vezes lá, e que me deu saudade: textos curtos a lá 500 Toques sobre os filmes que eu estava assistindo naquele momento. Não sei quantas vezes fiz, mas gostei do expediente.
Nesta versão mais nova do blog venho empilhando os últimos filmes vistos na lateral da capa, e sempre tento achar algum texto que o explore mais, afinal o empilhamento existe não só para mostrar o que tenho visto (bobagem), mas sim para criar curiosidade sobre o cinema fazendo com que você que está lendo (e olhando) sinta vontade de ver alguns destes filmes.
O problema é que, invariavelmente, muitos textos que leio para linkar sobre determinados filmes não são exatamente a minha opinião sobre os mesmos (“Sombras de Goya” é um caso assim). E como não vou ter tempo para escrever um texto longo sobre o que acabei de ver, decidi retornar com aqueles comentários leves e descompromissados. Vamos ver se vai funcionar…
Para começar, vou relembrar os cinco últimos da lista, ok.
“Desconstruindo Harry”, Woody Allen (1997)
Como estou lendo o “Conversas com Woody Allen” (presente do Jonas e do Trigo), naturalmente estou ficando com vontade de rever diversos filmes discutidos no livro. Lili leu um trecho e ficou querendo ver “aquele filme em que o ator fica fora de foco”. Como “Desconstruindo Harry”, o tal filme, está fora de catálogo no Brasil tive que baixar, e foi delicioso revê-lo. Vi no cinema, em 1999, e depois aluguei um ou dois anos depois, e fiz aquilo que todo mundo já fez uma vez na vida: não assisti, e para não devolver a locadora sem assistir, passei a última noite tentando ver, pescando no sofá enquanto a morte visitava um personagem e outro devorava a esposa, a amante e dois filhos. Um filme repleto de ótimas passagens e de alto teor sexual, talvez comparado somente a “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo”. É o 11º filme do cineasta na minha pessoal (o restante aqui).
“Clube da Luta”, David Fincher (1999)
Vi no cinema e mais umas duas vezes em DVD, mas já fazia uns cinco ou seis anos que não revia. E é um filme absurdo de tão sensacional. Roteiro inteligente e instigante, trilha esperta, atuações brilhantes de Edward Norton (com um q de “Duas Faces de Um Crime”), Brad Pitt e Helena Borham Carter e a música do Pixies certa no momento certo. Um dos filmes mais fodas que eu vi em toda a minha vida. O mais próximo que consigo de imaginar o que foi para o público ver “Laranja Mecânica” em 1971, no cinema, é ter visto “Clube da Luta”.

“Zelig”, Woody Allen (1983)
Não sei quantas vezes revi, ma foram muitas. E nem faz tanto tempo que o descobri. Um belo dia, já apaixonado pelo cinema de Woody Allen, comprei os três boxes que reúnem 12 filmes do diretor (vários clássicos) e lá estava eu frente a frente com este documentário sobre um personagem surreal que ficava igual às pessoas ao seu redor para ser aceito – como um camaleão. Não dá para falar muito do filme sem estragar detalhes que vão realçar sua beleza, mas basta dizer que “Zelig” está entre os meus dez filmes preferidos do diretor. São tantas sacadas geniais…
“Sombras de Goya”, Milos Forman (2007)
Parte da frustração do filme é culpa da expectativa que tínhamos com ele. Como vimos dezenas de obras de Goya na Espanha (inclusive as míticas Pinturas Negras), e Lili já havia assistindo a uma cinebiografia do pintor (provavelmente “Goya”, de Carlos Saura), acabamos esbarrando neste que eu não sei definir muito bem o que é. Milos Forman inspira-se em várias pinturas de Goya para contar uma passagem crítica do povo espanhol, mas o roteiro se perde, e nem mesmo Javier Bardem e Natalie Portman consegue salvar a falta de foco do filme.
“O Último Metrô”, François Truffaut (1980)
Esse é um dos filmes do Box de 12 longas que comprei em Madri, e vou ter que assistir com legendas em espanhol. Sem problema. O começo é de um lirismo único e Truffaut mostra sua mão na direção e no roteiro revelando cuidadosamente o conteúdo do filme aos poucos. Assim como “Noite Americana” é uma ode ao cinema, “O Último Metrô” é uma declaração de amor ao teatro que impressiona nos mínimos detalhes. A história se passa em 1942, e Paris está ocupada pelos alemães, que instauram em metade da cidade o toque de recolher, o que faz com que os parisienses valorizem o último metrô. Marion Steiner (Catherine Deneuve) é a esposa de um diretor/dono de teatro, que mantém um espaço em Montmartre e que precisou fugir por ser judeu. Seu auxiliar dirige a peça que ele deixou enquanto a revolução ecoa em cada esquina da cidade. Gérard Depardieu está perfeito no papel e o roteiro, com destaque para o lindo fechamento, é brilhante.

Agosto 16, 2009 15 Comments





















