Blog do Editor do Scream & Yell
Random header image... Refresh for more!

Mudança na Rolling Stone e o fim do Terminal Guadalupe

Uma notícia boa e uma ruim:

Paulo Terron assumiu o cargo de editor da Rolling Stone Brasil ao lado de Pablo Miyazawa. Acho que, juntos, os dois podem dar um rumo ainda mais bacana para a publicação.

*******

Após seis anos de história, o Terminal Guadalupe anuncia que está encerrando as atividades. O single “O Tempo Vai Me Perdoar” (com as faixas bônus “BR 376″, “Romance Juvenil Operário” e “Chico Balboa”), com previsão de lançamento para o mês de abril, será o último registro oficial do grupo curitibano. Assim como o fim do Violins, de Goiânia, o fim do TG é uma grande perda para o cenário independente nacional.

Triste chegarmos ao fim dos anos 00 sem duas das grandes bandas do cenário independente nacional que se destacaram por letras fortes e musicalidade elogiada. Muito provável que “Grandes Infiéis”, do Violins (sexto melhor disco de 2005 pelo Prêmio Scream & Yell) e “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe (terceiro melhor disco de 2007) estejam entre os grandes lançamentos da década.

O anúncio do fim fecha um ciclo para os integrantes da banda e abre perpectivas para os novos projetos de Dary Jr., Allan Yokohama, Fabiano Ferronato e Luciano Aires. Como legado ficam quatro grandes álbuns - “Burocrácia Romântica”, “Girassóis Clonados”, “Vc Vai Perder o Chão” e “A Marcha dos Invisíveis” - e algumas canções sensacionais como “De Turim a Acapulco”, que o amigo Tiago Agostini incluiu em sua lista de Melhores Baladas dos Anos 00.

Não tem como não ficar apreensivo. O que fazer quando as melhores bandas sucumbem à falta de reconhecimento, de espaço, de rádios que apostem em música de qualidade e não estejam viciadas em um esquema de jabá que está matando o novo a golpes de machado. Difícil acreditar em mudanças quando toda a engrenagem está desgastada. “Ninguém quer viver de sobras”, diz um trecho da letra de “El Pueblo No Se Va”, mas cada vez mais tenho a sensação de que é exatamente disso que o povo brasileiro está vivendo: de lixo cultural. Bom apetite?

Cinema, política e pop de garagem

A banda Terminal Guadalupe nasceu de um filme, o curta-metragem “Burocracia Romântica”, em 2003. A trilha sonora foi o primeiro álbum, considerado um dos cinco melhores lançamentos independentes daquele ano pelo crítico Arthur Dapieve, do jornal carioca O Globo. Até então, o TG era apenas um projeto pessoal do vocalista e letrista Dary Jr., que contava com a ajuda de amigos. Foi quando ele conheceu o guitarrista Allan Yokohama, com quem estabeleceu uma parceria muito produtiva e formou o núcleo criativo da banda.

Na seqüência, Dary e Allan incorporaram o baterista Fabiano Ferronato e o baixista Rubens K, substituído em 2008 por Luciano Aires, o Marano. O primeiro trabalho do então quarteto foi o álbum “Vc vai perder o chão”, eleito o melhor disco independente de 2005 pela revista Laboratório Pop e que levou o grupo a abrir um show da banda inglesa Placebo, em turnê pelo Brasil. No ano seguinte, o Terminal Guadalupe regravou a canção “Que saudade de você” para o Tributo a Odair José, premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte como o melhor projeto especial na categoria MPB.

Em 2007, o Terminal Guadalupe atingiu seu grande momento com o álbum “A Marcha dos Invisíveis”, lançado em disco, mp3, pen drive (suporte então inédito no Brasil) e toque para telefone celular. A crítica aclamou o trabalho, especialmente a revista Veja e o jornal Folha de S. Paulo. As guitarras vigorosas e as letras politizadas ficaram conhecidas em várias regiões do País e a banda tocou de Cuiabá (MT) a Porto Alegre (RS). O videoclipe de “Pernambuco Chorou” foi destaque nos canais especializados em música, como a MTV Brasil e o Multishow, e no Festival da Nova Arte Brasileira, em Barcelona, na Espanha.

A banda começou 2008 como aposta do My Space Brasil e lançou seu primeiro álbum ao vivo e integralmente virtual, “Como despontar para o anonimato”, à venda apenas em tocadores de mp3/mp4/mp5. Foi o único registro com o guitarrista Lucas Borba, que estava na banda desde o final de 2006 e saiu recentemente. Agora, Allan, Dary, Fabiano e Marano anunciam a suspensão das atividades da banda. Resta o lançamento do novo single, “O tempo vai me perdoar”, gravado pelo produtor norte-americano Roy Cicala (John Lennon, Bruce Springsteen, Aerosmith), com mais três canções inéditas. Nos próximo meses, o TG promete liberar tudo o que foi gravado (álbuns, shows, especiais de rádio) em quase seis anos, com diferentes formações.

Abril 4, 2009   9 Comments