O polêmico Tim Festival 2008
Já faz uns dias que estou para jogar esses links aqui a blog, mas a velocidade do mundo moderna me atropela, entende (hehe). Esse assunto foi extensamente discutido na comuna da Bizz no orkut (aqui), e é bastante interessante:
“Sete dos erros do festival (dark in the pseudoglow)”
por Antônio Carlos Miguel (leia aqui)
“Não precisamos assistir a shows”
Por Hermano Vianna, um dos curadores do evento, no JB (leia aqui)
Junte os dois e tire as suas próprias conclusões.






















11 comentários
[…] Mas vale a pena ler os dois, e na ordem que o Calmantes propõe. […]
só eu não tenho nada do que reclamar do festival?
e outra: o jornalista do segundo link estava mesmo questionando o fato do tim trazer uma banda cuja comunidade do orkut possuir apenas 600 membros?
ainda bem que existe o tim ou nunca teríamos a oportunidade de assistir ao vivo super furry animals, arcade fire, wilco, tv on the radio ou the national em terras brasileiras…
Felipe, com certeza você não está sozinho. Porém, o que a maioria das pessoas reclama - eu incluso nos textos do festival dos últimos três anos - é respeito para com o público, preços honestos e uma curadoria que saiba o que está fazendo. Nunca vou fazer apologia do “ruim com você, pior sem você”, pois se não reclamarmos, as coisas não melhoram. Brasileiro, principalmente, tem costume de aceitar tudo “pq as coisas são assim”. Não são.
Quanto ao jornalista do segundo link, ele está tentando entender os critérios que o curador teve para selecionar às bandas. É bem provável que o curador nem soubesse quantas pessoas havia na comunidade da banda, apesar de ter usado o orkut como referência. O Tim é um grande festival, já trouxe nomes importantes ao Brasil, mas não de graça. E mesmo que fosse de graça, respeito ao público é sempre benvindo.
Ainda bem que eu nao fui no Tim esse ano. Na real nenhuma atração me animou, o unico foi o Gossip, mas pelo valor do ingresso desisti.
O que eu acho pior de tudo é nos fazem de palhaços na cara dura cobrando esses valores astronimicos pelos ingressos de show. É Inexplicável.
Nao é possivel que a Madonna fez um desconto pra tocar na Argentina, né?
Eu acho um pouco falta de noção escolher as opçoes de um dos festaivais mais importantes de musica que nós temos por comunidades do orkut e blogs na internet. Isso pode até ser uma referecia, mas nao um fator de escolha. Deve ser por isso que a Mallu Magalhães foi escolhida para tocar no palco principal do Terra, alem de outras bandas que são ovacionadas e nao tem a “duração” de um disco.
Ano passado o Tim teve uma das melhores escalações, so que conseguiram estragar uma boa parte pela falta de organização.
Outra coisa que nos deixa sem opçãos, pelo menos em São Paulo, é que nao temos um lugar onde comporte uma banda de grande porte onde os valores dos ingressos possam ser menores, como por exemplo o R.E.M. e o Bob Dylan no inicio desse ano ou o Coldplay ano passado, onde nunca vi um show com tantas pessoas convidades que nem se quer olhavam para o palco.
Eu nao entendo porque tudo tem que ser uma palhaçada no Brasil.
Eu só acho muito complicado questionar a escolha do National se é uma banda que apareceu em uma série de listas de melhores discos lançados em 2007 (Pitchfork incluso). Mesmo não gostando de quase nada que veio esse ano, acho esquisita essa postura de querer deslegitimizar a curadoria do festival pelo número de pessoas em comunidade do Orkut desta ou daquela banda. Afinal, as bandas de abertura servem justamente como apostas de curadoria - foi nessa que veio o Arcade Fire, por exemplo. Parece que a exigência do jornal é de que as bandas sejam populares, o que poderia ser um critério para a curadoria, mas não pra imprensa.
Ainda sonho que um dia o Tim faça um best of de todas as edições, trazendo quase tudo que veio em 2005 (wilco, elvis costello, arcade fire), pegando highlights dos velhos free jazz’s, e incluindo a feist não por ela merecer uma segunda chance, mas sim por o show ser fera.
Fábio, ninguém está querendo deslegitimizar a curadoria do festival pelo número de pessoas em comunidade do Orkut desta ou daquela banda. Não é por esse lado. O problema é que a curadoria - e pense no real papel de um curador - não tem a mínima idéia do que está trazendo. Isso é um problema! Se eles tivesse ido a dois festivias na Europa teriam visto todas as bandas e feito todas as pontes. E não teriam gasto nem 10 mil reais, uma pechincha em se tratando de uma megaprodução como o Tim. É muito fácil apostar no escuro com o dinheiro dos outros. Gostaria de ver se o dinheiro fosse dos curadores, se eles tratariam o festival com tanto desleixo.
Muito cretinas as perguntas feitas para o curador. Se fosse por quantidade de membros em comunidades eles deveriam chamar a Ivete Sangalo? Por favor!
TRazer o The National foi a coisa mais acertada dessa edição. Uma banda elogiadíssima pela crítica pelo último cd.
Tulio, a entrevista está excelente. Quem disse que se baseia em outros meios é o curador: “Você vê comunidades no Orkut, as citações em blogs, a quantidade dos resultados das buscas feitas no Google e que apontam domínios brasileiros”. Ou seja: não importa se a banda é boa no palco, se ele tem grandes discos lançados, isso, segundo o curador, ficou irrelevante. É isso que o jornalista consegue mostrar, e que poucos veículos conseguiram, que a curadoria nem tinha idéia do que estava trazendo. Porra, eu vi dois shows do National na Europa este ano, e a curadoria (que estava trazendo o show) não tinha visto nenhum. Acertaram? Sim, é uma banda fenomenal, e não é isso que o jornalista questiona (a qualidade da banda), mas sim o modelo de escolha de uma banda. Como ele podem ter escolhido o National se a comunidade do orkut é pequena e a banda nem tem tantas reportagens publicadas no Brasil, e ele mesmo diz que as bases são essas? Ou seja: o cara não está falando coisa com coisa.
Mas aí que tá, eu não me enquadro na filosofia do “ruim com você, pior sem você”. Pra mim o Tim é o melhor festival que eu já fui e isso vem se repetindo em todos os anos, desde 2003, sem qualquer ressalva pra mim. Pelo menos no Rio.
Nem do preço eu reclamo, acho que tá na média mesmo das atrações de peso internacionais. Mesmo porque o custo/benefício é bom.
Tá certo que meu parâmetro não é muito grande (Rock in Rio, Curitiba Pop Festival, Claro que é rock), mas espero que o Tim continue assim por um bom tempo.
E pra não comentar em dois posts diferentes (hehe), eu tava achando o contrário do Terra (que até pode desbancar o Tim, já que eu quero muito assistir 5 bandas!), já que o Animal Collective e o Spoon, embora sejam duas das bandas mais aclamadas pela crítica atualmente (e merecidamente), não falem muito bem dos shows deles. Enquanto isso o show do KC sempre foi elogiado (até agora!) e o Jesus and Mary Chain deve ser uma barulheira sensacional. É esperar pra ver…
ps: uma constatação curiosa: as bandas que lançaram meus 3 discos favoritos do ano passado (strawberry jam, ga ga ga ga ga e boxer) vão tocar no Brasil em novembro. E o Jens Lekman que lançou outro sensacional já tocou também. Nem parace Brasil!
Felipe, você está certo quanto a estrutura do Rio. Minhas queixas são, em 90%, direcionadas à produção em SP. Cobri o Tim no Rj em 2003 e foi sensacional (shows e produção). Em 2004 fui no Personal, e acabei pegando só Brian Wilson e Libertines em SP, e ainda foi ok (o festival ainda era no Joquei). A partir de 2005 a coisa toda começa a degringolar. Você deve saber do vexame que foi o Arcade Fire, cujo som não se podia ouvir. E não trouxeram Wilco para São Paulo. Em 2006 foi pior. Armaram o show na Arena Skol e na última hora levaram para o Tom Brasil. Cobri no Rio e foi tudo ok. Em Sâo Paulo foi um desastre, o som do Tv on The Raido estava estourado e virou tudo uma zona de estilos. Em 2007 foi a gota d’agua. Assim como em 2005 eles venderam a área vip em frente ao palco, o que superlotou o lugar. Em certa hora da noite não havia água nem cerveja no lugar. E o Killers entrou no palco às 5h de uma segunda-feira! Neste ano a produção acertou o lugar, mas os convites estavam carissimos. Se eu tivesse pago para ver Kanye West, Marcelo Camelo, Gogol, Klaxons e National teria gasto uns R$ 800. Pela metade eu assisti o triplo de bandas na Espanha, Bélgica e Escócia. Alguma coisa está muito errada, principalmente em SP, mas já está se estendendo ao Rio visto que neste ano até os jornais cariocas questionam a produção.
Vamos esperar para ver o Planeta Terra!
Mas aí não seria um questionamento da curadoria do Tim como filosofia? Porque, no fim das contas, eles são e sempre foram mais interessados em trazer o que há de mais falado no momento, e não exatamente os melhores shows… Acertaram diversas vezes (e falo como alguém quem frequenta o evento no Rio), erram em certas questões de estruturas (voltando do Planeta Terra, fica ainda mais claro que a divisão de ingressos por palco é absurda), mas acho que nesse ano duas das escolhas mais coerentes foram, de fato, MGMT e National - bandas que, para além de suas qualidades, se enquadram nesse nicho de interesse tradicional do Tim. O Hermano fala umas batatadas sim, mas acho a entrevista equivocada porque parte de um critério diferente do do festival: o Tim tem interesse no hype, o repórter em bons shows. É pedir do festival algo que ele não está oferecendo - ao menos, não pra quem acompanha o Tim prestando atenção nessa estrutura macro. Pra quem quer trazer o que tá hypeado, ver show é, de fato, irrelevante. Mesmo quando acertam - Wilco, Arcade Fire, Cake, Strokes, National, etc - são frutos desse mesmo raciocínio. E aí me parece que os questionamentos do repórter deveriam partir daquilo que o festival tem como pressuposto, se não vira conversa de surdo (como virou). Porque, nesse sentido, o Tim tem uma coerência nas escolhas - até mesmo nas que menos me interessam.
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