Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Setembro 2008

Mojo Club na Augusta (atualizado)

 Os capos da Mojo Books estreiam nesta na próxima quinta dia 25 o Mojo Club no bar Tapas, na Augusta, ali pertinho de casa, num happy hour movido a boa música e bons amigos. A data mudou devido ao atraso do alvará, conforme explica o Danilo nos comentários. Já tenho a minha data para colocar algumas canções lamacentas para degustação de mojitos, e assim que confirmar aviso por aqui, mas já dá para conferir a estréia com Clarah Averbuck e Mário Bortolotto. Agora você tem uma semana para se preparar. Vamos ae?

Setembro 17, 2008   4 Comments

Master Chopp Brasil 2008

Aconteceu na manhã desta terça-feira o 1º Campeonato de Tirador de Chopp para Jornalistas e… bem, não vou falar da posição que eu fiquei (veja no Bebidinhas), mas adianto que nove participantes brigavam pelo lugar mais alto do podium… (risos). Nosso torneio café com leite aconteceu poucas horas do torneio profissional, que vai levar o vencedor para disputar a finalissima do concurso mundial em Leuven, na Bélgica, terra da Stella Artois.  

Assim, vou te dizer: tirar o chopp perfeito é uma arte. Mesmo. Só para você ter uma idéia, o tirador tem que se atentar para nove passos fundamentais que são avaliados no campeonato mundial, e que vão desde lavar o copo (na foto acima, o presidente da Real Academia de Chopp me explica isso), passar pelo sacrificio (que é quando o tirador abre a torneira e deixa escorrer um pouco do líquido precioso - que estava quente na ponta da torneira) até entregar a taça para o jurado (na foto final percebo que pulei uma das nove etapas).

Além de sair com o título de Tirador de Chopp concedido pela Real Academia, a manhã foi uma aula de cultura cervejeira, que vou dividindo aos poucos com vocês conforme os próximos posts sobre o assunto foram pintando por aqui. Por isso, inclusive, dei uma segurada no Top Ten Europa 2008, afinal cerveja é coisa séria. Assim que sairem os vencedores do Master Chopp Brasil 2008 publico uma nota no Bebidinhas e linko aqui, ok. Em tempo: Ligilena explica os nove passos para o chopp perfeito com direito a vídeo. Veja aqui.

As fotos são da Ligelena

Setembro 16, 2008   8 Comments

500 Toques: The Triffids, Midnight Oil e The Wedding Present

“Calenture Special Edition”, The Triffids (Domino Records)
Formado na segunda metade dos anos 70 na Austrália, o grupo liderado por David Mccomb (falecido em 1999) aportou em Londres em 1984 com três álbuns nas costas e economias no bolso. Elogiados pela NME e frequentemente comparados ao Echo & The Bunnymen, eles assinaram com uma major e lançaram este bonito “Calenture” em 1987. Nesta caprichada reedição somam-se ao repertório original cinco b-sides e um CD extra com doze versões demo, incluindo das belas “Bury Me Deep In Love” e “A Trick of the Light”.
Preço em média: R$ 55 (importado)
Nota: 9

“Diesel and Dust Special Edition”, Midnight Oil (Sony&BMG)
O álbum que apresentou o politizado combo australiano para o mundo retorna 22 anos depois com um DVD que compila clipes para os hits “The Dead Heart” e “Beds Are Burning” e o documentário “Black Fella/White Fella” que flagra o grupo do grandalhão careca Peter Garret em sua histórica turnê por povoados aborígines da Austrália. “Foi a experiência mais empolgante, esclarecedora e entristecedora para nós”, conta o baterista Rob Hirst no encarte. Você precisa assistir para descobrir o motivo. Mesmo.
Preço em média: R$ 45
Nota: 9,5

“Live 1987″, Wedding Present (Scopitones/Manifesto)
Item até então raro na discografia do grupo de David Gedge, “Live 1987″ junta as duas primeiras fitas K7 que o grupo vendia em shows no final dos anos 80, e que flagram a banda tocando 99% do clássico “George Best” e curiosidades como “It’s Not Unusual” (Tom Jones) em dois shows (o primeiro em melhor qualidade). A guitarra mastigada, o vocal de Gedge carregado de sotaque britânico e a bateria seca tornam ásperas e interessantes as versões para “My Favourite Dress” e “Anyone Can Make a Mistake”. Para fãs.
Preço em média: R$ 55 (importado)
Promo no site oficial: 5 libras
Nota: 7

- “Take Fountain”, Wedding Present, por Marcelo Costa (aqui)
- “Search For Paradise”, Wedding Present, por Marcelo Costa (aqui)
- “El Rey”, Wedding Present, por Marcelo Costa (aqui)

Setembro 16, 2008   No Comments

“Japan Pop Show”, Curumin

 É muito interessante observar o cambalear bêbado do mundo ziguezagueando conforme o futuro torna-se presente. “Japan Pop Show”, segundo disco do multi-instrumentista Curumin, seria aclamado por toda a MPB e ignorado completamente pela ala rock caso fosse lançado vinte anos atrás. Hoje em dia a MPB como a conhecíamos – conceitualmente – não existe, e quem gostava de rock começou a abrir os ouvidos e expandir os horizontes musicais valorizando o samba e nossas raízes afro-americanas.

Dentro desse contexto, ontem ou hoje, “Japan Pop Show” é Samba com S maiúsculo. Sim, há aqui apropriações de sonoridades diversas que vão fazer você se lembrar do reggae, do funk, da soul music, do rap, do hip, do hop, do baião, do dancehall, do r&b e por ai vai, mas a essência, o cerne do negócio todo é o samba malaco, esperto e provocativo que conhecemos tão bem e aprendemos a admirar, mas revestidos de uma modernidade natural que conquista na primeira audição.

“Japan Pop Show” sucede “Achados e Perdidos”, estréia de Curumin em 2003 que lhe rendeu uma turnê por mais de vinte cidades dos Estados Unidos e a indicação da música “Tudo Bem, Malandro” para uma coletânea do iTunes idealizada pela atriz Natalie Portman e um show no badalado South By Southwest, no Texas. Neste segundo disco, Curumin olha com nostalgia para seu passado ao mesmo tempo em que exerce critica social e dá um salto (no vácuo com joelhada) em termos de produção.

A nostalgia surge no título do álbum, que remete a infância do músico, neto de japoneses que assistia ao programa de TV exibido nas manhãs de domingo nos anos de 1980, e também acompanhava as instigantes lutas de Savamú, lutador cujo golpe decisivo – “Salto no Vácuo com Joelhada” – dá titulo a faixa instrumental que abre o álbum suavemente como se um jazzista fizesse pequenos solos dentro de uma caixinha de bailarina, isso até os graves das programações baterem pesadas no estéreo.

Passada a introdução, “Japan Pop Show” arremessa no colo do ouvinte um repertório de canções suingantes que não deixam ninguém parado. Começa com a suavidade de “Dançando no Escuro”, com o vocal charmoso de Marku Ribas discorrendo com suavidade a poesia caipiresca da letra: “De uma chuva que lavou / Muita poça se formou / E pra num moiá os pé / Andava oiando pro chão”. O suingue chama o ouvinte para a ginga em “Compacto”, outra faixa carregada de nostalgia que presta homenagem aos bons e velhos vinis.

A contagiante “Magrela Fever” faz uma ponte com a “Magrelinha” de Luiz Melodia não só no título, mas em um trecho de teclados antes da entrada do refrão que faz o coração se aninhar na melodia.  Já “Kyoto” conta com o pessoal do Blackalicious e espeta os EUA, que não aceitaram assinar o protocolo na época. A faixa título, cantada em inglês, lembra o samba de Jorge Ben com guitarras de surf. O violão direciona “Mistério Stereo” com seu refrão esperto enquanto a instrumental “Saída Bangu” cita Jards Macalé.

A sensacional “Mal Estar Card” foca na Daslu enquanto Christopher Lover discursa no meio da canção: “Nunca vi alguém ficar rico sem pisar na cabeça dos outros”. Um dos pontos altos do álbum é “Caixa Preta”, com participação de BNegão e Lucas Santtana, um funk poderoso que usa o acidente com o vôo 3054 da TAM que matou 199 pessoas para criticar a falta de transparência da imprensa e dos grandes meios de comunicação, muito mais dispostos a confundir do que explicar.

“Sambito” é cantada em japonês e o refrão, traduzido, é uma declaração de amizade: “Sambito, Sambito, meu único amigo, meu único amigo”. Já “Esperança”, penúltima música do álbum, é outra que lembra Jorge Ben – inclusive em sua temática paz e amor tão celebrada pelo Babulina – enquanto “Fumanchu”, instrumental que fecha o disco conta com a participação de Daniel Ganjaman, destaca a bateria marcada de Curumin e o grave das programações enquanto uma linha melódica serpenteia a canção.

“Japan Pop Show” é um disco adulto, classudo e extremamente bem produzido. Curumin inspira-se em nostalgia (melódica e temática) para criar música moderna atenta ao mundo que a cerca, algo raro em tempos de reciclagem, diluição e umbiguismo emo. É bem provável que seja descoberto – e valorizado – nos Estados Unidos antes do Brasil, atestado da situação critica que vive a música (que um dia foi popular ) brasileira. Não espere o referendo do New York Times. “Japan Pop Show” é um dos grandes discos do ano. Descubra você mesmo.

“Japan Pop Show”, Curumin (YB Music)
My Space: http://www.myspace.com/curumin
Nota: 9,5

Setembro 15, 2008   9 Comments

Opinião do Consumidor: Beck’s

Teste de Qualidade: Beck’s

- Produto: cerveja
- Nacionalidade: alemã
- Graduação alcoólica: 5,0%
- Nota: 2,6/5

A cerveja começou a ser produzida em 1873, em Bremen, como Beck’s Pilsner Premium seguindo as normas das leis alemãs de 1516, que diziam que a cerveja deveria ser feita apenas com cevada e água.  Em 1876 foi eleita a melhor cerveja do mundo em uma feira realizada na cidade de Filadélfia. Hoje em dia é a cerveja alemã mais exportada no mundo.

A Beck’s é levezinha lembrando muito a versão brasileira da Heineken (não são só as garrafinhas verdes que se assemelham), numa mistura que resulta em um sabor que não me agrada muito no começo do gole, pois tem um gosto ligeiramente amargo e metálico com um pontadinha de gosto de caramelo no final – que melhora seu sabor. Um blog brasileiro a definiu com a “Skol da Alemanha”. Prefiro a nossa.

Setembro 15, 2008   4 Comments

Abastecendo a adega

Pra você ver: até os 20 eu gostava muito de uísque. Passou. Comecei a me interessar por vodka. Passou. Tequila eu sempre amei desde sempre, mas não dá para beber tequila em toda esquina, né mesmo. Então veio a cerveja, um longo caso de amor que, aos poucos, foi perdendo terreno para a cachaça e para a caipirinha (principalmente de frutas vermelhas e abacaxi). Antes de passar quase quarenta dias na Europa, meu beber socialmente estava completamente para as cachaças, mas não é que a Europa balançou comigo.

Foram tantas cervejas deliciosas na viagem que resgatei o bom gosto pela cerveja. As britânicas não me impressionaram. As alemãs, fora a Kostritzer, também ficaram para trás numa lista que ficou recheada de cervejas espanholas, mas foi dominada realmente pelas belgas. Neste fim de semana aproveitei para encher a geladeira e desbravar o delicioso mundo das cervejas importadas. Peguei algumas (Hoegarden, Erdinger e Wacfteiner) no Carrefour, e completei a festa no Empório do Shopping Frei Caneca, que estava em promoção.

Assim, além de sair com várias Leffe (Blonde and Brune), Becks e 8.6 Red Strong, ainda trouxe uma garrafa de Germana, uma das melhores cachaças que provei neste ano, e que estava saindo pela bagatela de R$ 22 (uma edição, especial, custava R$ 191). Para completar o pacote, um vinho chileno (um carmenere da Concha Y Toro) e um argentino (um malbec 2006 da San Umberto). A adega, que já tinha uma José Cuervo Especial, e outras marcas menos cotadas, está uma beleza. 

Minha idéia pós-viagem era experimentar as dez melhores cervejas da viagem, para escrever sobre o sabor delas com muito mais detalhes, mas após uma longa pesquisa descobri que não vou conseguir fazer isso. É muito fácil achar as marcas belgas (mesmo as trapistas), holandesas, alemãs e britânicas em São Paulo, mas praticamente impossível encontrar uma cerveja espanhola, mesmo a Voll-Damm, que ganhou o prêmio de melhor cerveja strong lager do mundo em 2007 no World Beer Awards.

Devido a esta falha das importadoras de cerveja, o listão Top Ten virá com memórias saudosas da viagem. E viagem tem momentos particulares, tipo o Werchter ser patrocinado pela Stella Artois e o Festival de Benicassim pela Heineken, duas cervejas que dispenso no Brasil, mas que no velho mundo se mostraram deliciosas (o T In The Park é território da Tennents, escocesa fraquinha fraquinha, que em alguns pontos lembra a argentina Quilmes, que inclusive patrocina um festival em Buenos Aires). Vou terminar de beber o segundo da alemã Becks e, pra amanhã, preparo o listão. Aguarde.

Ps. Volto a jogar futebol nesta quarta em um confronto iG: “Editoria de Homes x Editoria de Esportes”. Melhor começar a cuidar do preparo físico se for começar a apostar assim na cevada…

Ps 2. A Budweiser na foto é uma dúvida pessoal: sempre adorei essa cerveja norte-americana, e tanta gente critica que fiquei curioso para voltar a experimentar. Vamos ver. Veredicto em alguns dias.

Ps 3. As fotos são da Lili (tem mais no flickr dela), que também me deu - no meu primeiro aniversário que passamos juntos - um conjunto de taças de cerveja (da Bohemia, que eu adoro). A taça de Guiness foi presente do queridissimo Fábio Shiraga, que a mandou por correio pra mim! Finalmente, esses copos vão “trabalhar”… 

Setembro 14, 2008   3 Comments

R$ 500 para ver o R.E.M. em SP

O chapa Thiago Ney informa, via blog da Ilustrada no Pop, os preços para os shows do R.E.M. em São Paulo, no Via Funchal, dias 10 e 11 de novembro (dois dias depois do Planeta Terra):

pista VIP: R$ 500
pista: R$ 200      
mezzanino: R$ 300  
camarote: R$ 500

Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira (15/9), nas bilheterias do Via Funchal (r. Funchal, 65, Vila Olímpia), pelo site www.viafunchal.com.br ou pelo tel. 0/xx/11/3188-4148.

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O Tim Festival também anunciou seus preços nesta semana. Vou linkar para o post do iG Música, que está bem mais completo (veja aqui), mas resumindo os preços são os seguintes:

São Paulo
R$ 250 - Kanye West (mesma coisa no Rio)
R$ 150 - The National, MGMT e Cêrebro Eletrônico  (R$ 140 no Rio)
R$ 150 - Marcelo Camelo e Paul Weller (R$ 140 no Rio)
R$ 150 - The Gossip, Klaxons, Neon Neon (R$ 140 no Rio)

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O Planeta Terra fez uma primeira confirmação de line-up nesta sexta em que aparecem The Jesus and Mary Chain, Bloc Party, Kaiser Chiefs, Spoon, Animal Collective e Calvin Harris, entre outros. O festival ainda deve confirmar outros nomes. O primeiro lote de ingressos (R$ 80) começa a ser vendido neste sábado (13/9) pela Ticktmaster (pontos de vendas e site).

Setembro 12, 2008   3 Comments

The Good, The Bad and The Gaucho

Essa é a foto oficial do time Bebidinhas que defenderá o nome do blog no Campeonato de Tirador de Chopp para Jornalistas, na semana que vem. Essa etapa para jornalistas é um aperitivo do grande torneio, o Brasil Master Chopp, campeonato profissional de tiradores de chope promovido pela Real Academia do Chopp, da AmBev. A competição é uma pré-seleção do Campeonato Mundial da Categoria, o World Draught Master, que ocorre em Leuven, na Bélgica (lembra?). O time Bebidinhas é formado por Mac, Ligelena e Marco (também conhecidos como The Good, The Bad and The Gaucho).

Setembro 12, 2008   3 Comments

500 Toques: Carla Bruni, Aimee Mann e Carole King

“Comme Si De Rien N’Était”, Carla Bruni (ST2)
Em questão de um ano, ela deixou de ser a modelo que namorou Jagger, Trump e Clapton para se transformar na 1ª dama da França. A exposição do “cargo” contagia uma audição isenta de um álbum cuja sedução melódica – chanson francesa dos 60 e pop blues contemporâneo – aliada a provocação de letras como “Tu Es Ma Came” (que compara o amor com cocaína) e “Je Suis une Enfant” (”Ainda sou uma criança, apesar dos 40 anos e meus 30 amantes”) encantam, mas se confundem com o noticiário. Fique com a música.
Preço em média: R$ 25
Nota: 8

- “No Promisses”, de Carla Bruni, por Marcelo Costa (aqui)

“@#%&*! Smilers”, Aimee Mann (Superego)
Aimee Mann é uma das melhores contadoras de histórias de amor da atualidade. Paul Thomas Anderson (que escreveu “Magnólia” ouvindo “Bachelor No. 2″) e Nick Hornby (que a incluiu em seu livro “31 canções”) também acham. Seu novo álbum, “Fucking Smilers”, é o mais pop de sua carreira recente e os deliciosos refrões pegajosos de “Phoenix” (em que a garota abandona seu amor), “Freeway” (sobre pessoas presas ao dinheiro) e “31 Today” (sobre a ansiedade de envelhecer) vão fazer você sonhar acordado (a).
Preço em média: R$ 45 (importado)
Nota: 9

- “The Forgotten Arm”, de Aimee Mann, por Marcelo Costa (aqui)
- “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson, por Marcelo Costa (aqui)

“Tapestry Deluxe Edition”, Carole King (Sony/BMG)
Segundo disco de Carole King, “Tapestry” (1971) causou na música pop feminina impacto semelhante ao de “Never Mind The Bollocks” no rock. Aqui a cantora abre mão da técnica em favor da emoção – imperfeita, mas verdadeira – e o resultado é um álbum histórico que ficou no topo da Billboard por 15 semanas, e permaneceu seis anos no Top 100. Este belo relançamento traz um livreto que relembra as gravações e um disco bônus com onze faixas em versões intimistas piano-voz registradas ao vivo entre 1973 e 1976.
Preço em média: R$ 49
Nota: 10

Setembro 10, 2008   6 Comments

BRMC na… Argentina - de novo - em outubro

O site da Rolling Stone portenha confirma (leia aqui) a presença do Black Rebel Motorcycle Club para um show dia 02 de outubro junto ao Nine Inch Nails no Festival Pepsi Music, em Buenos Aires. Será que alguém toma coragem e traz os caras pra cá desta vez? Quem topa fazer uma vaquinha? Tô achando que vai depender da gente meter a mão na massa pra trazer a banda para estes lados… alguém topa? :)

Setembro 9, 2008   8 Comments

Intimidade

“Nunca me ensinaram a arte da solidão, tive de aprendê-la sozinho. Ela se tornou tão necessária para mim quanto Beatles, tanto quanto beijos na nuca e carinho”.

Intimidade, de Hanif Kureishi

Setembro 9, 2008   No Comments

“Intimacy”, Bloc Party

Kele Okereke está procurando arduamente, mas ainda não conseguiu traduzir fielmente em música aquilo que traz na alma. “Intimacy”, terceiro trabalho de sua banda lançado virtualmente em agosto (nas lojas só em outubro), é o típico álbum de transição, cuja indefinição de rumo atira para todos os lados. A culpa, neste caso, pode ser jogada sobre os produtores do disco: Paul Epworth moldou a estréia da banda, destacando riffs metalizados; Jacknife Lee produziu o segundo álbum injetando eletrônica na mistura. Juntos, os dois parecem não querer brigar por terreno, e o repertório cede aos dois lados.

Discos de transição são estranhos por natureza. A banda está caminhando, mas ainda não ainda colocou os pés no chão, então o registro flagra o grupo no ar, flutuando sobre diversas nuvens e tempestades que os arrastam para cá e para lá. No caso do Bloc Party, a influência máxima parece ser “Kid A”, disco (forçado) de transição do Radiohead, um break necessário na escadaria que levava a banda ao céu – sem que os integrantes soubessem realmente se era isso mesmo que queriam. Kele parece ainda não saber o que quer, então mistura tudo. O resultado, apesar de esquizofrênico, surpreende.

“Intimacy” abre com “Ares”, uma porrada incendiária que ousa misturar Chemical Brothers com Prodigy (como ninguém nunca pensou nisso antes?). Guitarras no talo ameaçam deixar ouvintes desatentos surdos enquanto a bateria atropela e Kele dança ao som das sirenes e deseja declarar uma guerra. “Mercury”, o primeiro single de forte batida eletrônica, apóia-se em astrologia: quando Mercúrio está retrogrado, a natureza do planeta muda radicalmente, e aquilo que era para ser rápido pode sofrer atrasos devido a fatores diversos. “Este não é o momento para iniciar um novo amor”, avisa Kele.

“Halo”, terceira faixa, deixa a eletrônica de lado e remete às primeiras canções da banda, com bateria sincopada, guitarras cortantes no refrão e vocal gritado. “Biko” é uma desesperada canção de amor que abre com dedilhados de guitarra até receber pontadas de eletrônica que soam estranhas casadas com a letra dramática: “Meu amor era forte o suficiente para lhe trazer de volta dos mortos / Se eu pudesse comer seu câncer, mas eu não posso”. Em “Trojar Horse”, o Bloc Party de “Silent Alarm” volta a dar as caras. Clima nervoso que seduz com um riff circular de guitarra na entrada, que salta à frente no refrão.

A baladinha eletrônica sonhadora e ordinária “Signs” poderia ser um lado b de “Kid A” enquanto “One Months Off”, com guitarras metalizadas e alfinetas de eletrônica (o mais próximo que os produtores conseguem chegar de unir os dois lados da banda numa mesma canção), é mais uma das músicas do álbum que fariam bonito no disco de estréia do quarteto. Chega a ser engraçado como a banda alterna aquilo que acredita ser seu passado e futuro, um karma contra o qual não podem lutar, e se entregam quase que matematicamente. Desta forma, então, natural que a próxima faixa, “Zepherus”, com um coral vocal climático dispensável, seja arrastadamente eletrônica.

Em “Better Than Heaven”, os dois mundos novamente parecem querer se aproximar, mas a canção apenas sugere isso, não realizando o encontro, e sim repartindo a melodia em duas partes (como a banda fez com o próprio álbum). A letra cita uma passagem da Bíblia – Corinthians (15:22) – e crava: “Verdade é verdade”. “Ion Square”, faixa que encerra “Intimacy”, tem letra inspirada no poema “I Carry Your Heart with Me”, de EE Cummings, e uma batida eletrônica repetitiva que testa a paciência do ouvinte ultrapassando os seis minutos de duração (parabéns para quem conseguir chegar ao final).

Kele Okereke está procurando arduamente uma forma de se expressar no cenário pop, e entrega sua intimidade em um álbum que supera o tropeço de “A Weekend In The City”, mas não define rumos para a banda. “Intimacy” é meio guitarreiro, meio eletrônico e totalmente dolorido tematicamente. Suas letras narram paixões fracassadas em que a falsa felicidade dá as cartas (”Eu amo a minha mente quando estou fodendo você”, “Eu poderia dormir para sempre porque verei você em meus sonhos novamente”, “Em qualquer bar, em todo o mundo, você poderá escolher outro estranho e se apaixonar”, “Paralise-me com o seu beijo, limpe essas mãos sujas em mim, talvez estejamos procurando a mesma coisa”) num disco de transição que merece atenção.

Em tempo: o Bloc Party disponibilizou no dia 10/09 em seu site oficial a música “Talons”, segundo single de “Intimacy” que não havia sido liberado quando do lançamento virtual do álbum, mas fará parte da versão fisica do disco. O blog Música Social traz o single neste link aqui e diversas versões de “Mercury” (inclusive um remix do CSS) aqui.

“Intimacy”, Bloc Party (Wichita)
Preço: US$ 10 apenas em MP3; US$ 20 em CD e MP3 (blocparty.com)
Nota: 7,5

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Leia também:
“A Weekend In The City”, Bloc Party, por Marcelo Costa (aqui)
“Another Weekend In The City”, Bloc Party, por Marcelo Costa (aqui)

Setembro 8, 2008   No Comments

Um festival para todos os gostos

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Foi dada a largada na noite de sábado para o calendário de festivais de rock no segundo semestre na linha de baixo do Equador. Os brasileiros do Vanguart, os norte-americanos do Melvins, as francesinhas do Plasticines e os suecos do Hives (melhor excluir o DJ Ruim da lista) levaram um bom público ao Via Funchal, numa noite de som em excelente qualidade e shows para todos os públicos. Na frente do Via Funchal, um pequeno público se movimentava e ainda era possível comprar meia-entrada a R$ 50 nas bilheterias da casa.

O Vanguart ficou encarregado de abrir os trabalhos às 19h, mas quando adentrei o Via Funchal, King Buzzo já fazia flutuar no ar o barulho esganiçado de sua Gibson Les Paul. Duas baterias (uma delas com Dale Crover) massacravam no centro do palco, e Jared Warren, com roupa de marinheiro, arrastava o que sobrava com riffs envenenados de baixo. O show foi um massacre centrado em “Nude With Boots”, disco lançado em julho, com canções como “The Kicking Machine”, “Suicide In Progress” e “Dog Island”.

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Músicas mais recentes e experimentais marcaram presença no show, o que não quer dizer que o nível de barulho diminuiu (nem que foi bom). Após a banda tocar “My Generation” (irreconhecível), entoar o hino norte-americano, ser vaiada por isso, e apresentar um dos raros números antigos do repertório, “Boris” (1991), para finalizar a apresentação, alguém arremessou um copo de cerveja que acertou em cheio Buzzo, que deixou o palco na seqüência. Fim de um show só para fãs.

As meninas do Plasticines vieram em seguida. As francesas estão fazendo em 2008 o que o Donnas faz desde 1993 e o Runaways fazia nos anos setenta, sem acrescentar nada. O som continua apostando num rock com um pitadinha de Ramones em que o fato que mais chama a atenção não são as canções – razoáveis – mas sim o fato das integrantes serem todas garotas… e, neste caso, francesas e bonitas.

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 No meio do show, um rapaz na grade pediu para a vocalista Katty Besnard falar em francês, e não em inglês: “Parler dans Français? Ce que?”. A ala masculina foi ao delírio, e isso é o máximo que pode se esperar de um show das Plasticines: quatro garotas bonitas fazendo um rock básico sem sal, gostoso de olhar, dispensável de ouvir. Tipo: o melhor momento do show foi a cover de “These Boots Are Made for Walkin’”, de Nancy Sinatra, ou Katty tascando um beijo na bela baixista Louisie? Dúvida.

Com os homens sorrindo a toa, era a vez da ala feminina se encantar com os suecos do Hives. O agitado vocalista Pelle Almqvist partiu corações rebolando, distribuindo sorrisos, beijos e dizendo “eu te amo”. O show foi um repeteco do Werchter, com a vantagem de que em São Paulo era uma casa fechada, e não um mega-festival. E Pelle falando em português é uma comédia: “Eu, vocalista”, “Senhouras e senhouras”, “Batam palmas… Parem” e um inevitável “Tira o pé do chão”.

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 Musicalmente o show é impecável. Ok, eles poderiam concentrar-se no filé do repertório (”Main Offender”, “Tick Tick Boom”, “Hate To Say I Told You So”) tocando tudo em apenas uma hora, economizando trinta minutos dispensáveis, mas mesmo assim o show convence com destaques para a mão pesada do batera Chris Dangerous, as mil e uma caras do guitarrista Nicholaus Arson e a entrega de Pelle. No final, com meninas no mezanino levantando a camisa e mostrando os sutiãs para a banda, era possível ouvir alguns “vocalista, eu te amo” na platéia.

O saldo final da noite foi positivo. A qualidade de som faz imaginar que se as coisas permanecerem assim, os shows do R.E.M. devem ser históricos no Via Funhal. O Orloff Five como festival? Foi ok. Alguém só devia dar umas bifas naquele DJ que adora cortar as músicas na metade, mas os grunges experimentais saíram felizes (apesar da quantidade de emos embasbacados com o Melvins no local) e os onanistas também (e vá lá, algumas meninas felizes com a visão do palco no show das Plasticines). Um festival para todos os gostos.

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Fotos: Marcelo Costa (http://www.flickr.com/photos/maccosta/)

Setembro 7, 2008   4 Comments

R.E.M. quatro vezes (ou cinco) no Brasil

A Mondo Entretenimento confirmou a vinda do grupo de Michael Stipe ao Brasil. Assim, estou arrepiado. E olha que eu já vi o R.E.M. duas vezes neste ano. Num primeiro momento foram anunciados shows em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo (dois no Via Funchal), mas muitos já dão como fechada uma apresentação em Belo Horizonte. O show que vi na Bélgica, em excelente qualidade de áudio, está para download no post anterior. Prepare-se.

Porto Alegre
Local: Estádio do São José (rua Padre Hidebrando, 1100)
Data: 06 de novembro (quinta-feira)

Rio de Janeiro
Local: HSBC Arena (av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401)
Data: 08 de novembro (sábado)

São Paulo
Local: Via Funchal (rua Funchal, 65)
Datas: 10 e 11 de novembro (segunda e terça-feira)

Setembro 5, 2008   4 Comments

Cinco shows - que eu vi - para ouvir

Morrissey - Buenos Aires - Argentina 06/11/2004

“Antes de abrir a boca, Morrissey reuniu o grupo na frente do público e se curvou em sinal de agradecimento. Suas quatro primeiras palavras: “Cry for me, Argentina”. O local foi ao delírio” (leia mais).

Qualidade excelente - Baixe aqui

Set list: First Of The Gang To Die / How Soon Is Now? / November Spawned A Monster / I Like You / Bigmouth Strikes Again / Such A Little Thing Makes Such A Big Difference / Subway Train (into) Everyday Is Like Sunday / Let Me Kiss You / Shoplifters Of The World Unite / Irish Blood, English Heart / The World Is Full Of Crashing Bores / How Can Anybody Possibly Know How I Feel? / Now My Heart Is Full / Rubber Ring / The More You Ignore Me, The Closer I Get / There Is A Light That Never Goes Out

R.E.M. - Werchter - Belgica - 03/07/2008

“A primeira coisa boa a se falar deste show novo do R.E.M. é que o repertório abriga várias coisas que eles nao tocaram no Rio, em 2001, dito melhor show da minha vida” (leia mais)

Qualidade ótima - Baixe aqui

Set list: Orange Crush / Living Well Is the Best Revenge / What’s the Frequency, Kenneth? / Ignoreland / Drive / Man-Sized Wreath / Imitation Of Life / Hollow Man / Walk Unafraid / Houston / Electrolite no Youtube / The One I Love / Begin The Begin / Fall On Me / Let Me In / Horse To Water / Bad Day / I’m Gonna DJ / Losing My Religion / Supernatural Superserious / Driver 8 / Pretty Persuasion / Man On The Moon

Radiohead - Werchter - Belgica 05/07/2008

“Com uma decoracao de palco fantástica, e o telao dividido em seis, com imagens flagradas das já populares mini-camêras que o quinteto tem usado em seu estúdio particular, o Radiohead fez um show de lados b eletrônicos” (leia mais)

Qualidade boa - Baixe aqui

Set list: Arpeggi / The National Anthem no Youtube / Lucky / All I Need / There There / Nude / Climbing Up The Walls / The Gloaming / 15 Step / Faust Arp / How To Disappear Completely / Jigsaw Falling Into Place / Optimistic / Just / Reckoner / Idioteque / Bodysnatchers / Videotape / You and Whose Army? / 2+2=5 / Paranoid Android / Everything In Its Right Place

 Radiohead - Berlim - Alemanha 08/07/2008“Quer saber: o melhor lugar do mundo para se estar às 20h do dia 08 de agosto de 2008 era em Wuhlheide, periferia de Berlim, um enorme parque de mata quase fechada que, se você nao tomar cuidado, se perde (eu nao tomei, e me perdi).” (leia mais)

Qualidade boa - Baixe aqui

Set list: 15 Step / Airbag / There There / All I Need / Where I End and You Begin / Nude / Weird Fishes/Arpeggi / The Gloaming / Videotape / No Surprises no Youtube / Jigsaw Falling into Place / My Iron Lung / Wolf at the Door
/ Reckoner / Everything in Its Right Place / Bangers and Mash / Bodysnatchers / Cymbal Rush / You and Whose Army? / Paranoid Android / Dollars & Cents / Idioteque / House of Cards / National Anthem / Street Spirit (fade out)

Sigur Rós - Benicassim - Espanha 17/07/2008

“O Sigur Rós voltou a embalar sonhos roqueiros com uma apresentacao tao irretocável que até a lua - absurdamente cheia - parou para assistir ao grupo” (leia mais).

Qualidade excelente - Baixe aqui 

Set list: Svefn g Englar no Youtube / Ný Batterí / Glósóli / Sæglópur / Með Suð í Eyrum / Hoppípolla / Festival / Inní Mér Syngur Vitleysingur / Hafssól / Gobbledigook / Popplagið

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Crédito das fotos: Morrissey (Personal Fest); demais (Marcelo Costa)

Setembro 4, 2008   4 Comments

Tim Festival 2008

Dezenove atrações internacionais e dez nacionais compõem o elenco do TIM Festival 2008, que este ano acontece entre os dias 21 e 27 de outubro nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória. A venda de ingressos para o festival começa no dia 16 e informações detalhadas serão divulgadas na próxima semana. Pelo jeito, a produção pisou no freio pop enquanto manteve a qualidade do line up jazz.

Dos shows confirmados: Gossip é bacana ao vivo, mas nada espetacular; Klaxons deve ser ok (mas não espere muito); Paul Weller chega com um bom álbum nas costas (e acho que deve surpreender); e o National - que eu vi no Werchter e no Benicàssim - deve ser  um dos cinco melhores shows de 2008 em terras brasileiras. Não perca o National ao vivo. Não perca.

TIM Festival – São Paulo
São Paulo assistirá, entre os dias 21 e 25 de outubro, a todas as atrações internacionais do line-up e a quatro artistas brasileiros. Os shows se dividirão entre o tradicional palco do Auditório criado por Oscar Niemeyer e a Arena de Eventos, onde um espaço fechado para quatro mil pessoas será erguido especialmente para a ocasião. Na manhã do dia 25, Sonny Rollins fará um show gratuito no Auditório, voltado para o Parque do Ibirapuera.

TIM Festival - Rio de Janeiro
Mais uma vez, a Marina da Glória será o palco do festival no Rio de Janeiro, que este ano volta a contar com três dias de apresentações – de 23 a 25 de outubro. Com exceção do grupo Cérebro Eletrônico, a programação carioca repete a paulista e, de quebra, ainda apresenta outros quatro nomes nacionais: as bandas Instituto, Database e Música Magneta e a dupla Sany Pitbull e Leandro HBL Vídeo Artista. O Rio de Janeiro terá a mesma estrutura do ano passado. Serão três palcos com capacidade para 1.000, 2.000 e 4.000 pessoas, além do TIM Village, área de convivência do festival.

Edição especial – Vitória
Em Vitória, o Teatro da UFES abriga mais uma vez uma edição especial do TIM Festival entre os dias 25 a 27 de outubro, com uma programação que reúne seis atrações do jazz e do pop.

Noite de Gala
Sonny Rollins / Rosa Passos

Brilhando no escuro
Kanye West

Sophisticated Ladies
Carla Bley / Stacey Kent / Esperanza Spalding

The Cats
Bill Frisell / Tomasz Stanko / Enrico Pieranunzi

Novas Raves
The Gossip / Klaxons / Neon Neon

Ponte Brooklyn
MGMT/ The National

Bossa Mod
Paul Weller/ Marcelo Camelo

TIM no TIM
Instituto

TIM Festa
Dan Deacon / DJ Yoda / Sany Pitbull / Música Magneta / Junior Boys / Gogol Bordello / Switch / Leandro HBL Video Artista / Database

Setembro 4, 2008   4 Comments

“Revolução! RPM 25 Anos”, RPM

Já faz mais de quinze anos que Paulo Ricardo de Medeiros batalha ferozmente para apagar da história o momento histórico que viveu ao lado de Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e Paulo Pagni (bateria) nos anos 80, quando o quarteto conhecido como RPM viveu dias de beatlemania em terras brasileiras com direito a recordes de vendas, edição especial do Globo Repórter e até álbum de figurinhas inspirado no grupo.

Após o fim da banda, em 1988, Paulo Ricardo lançou dois bons álbuns solo, depois perdeu o rumo: em 1993, lançou “Paulo Ricardo e RPM”, sem o baterista e o tecladista, tentando pegar carona no nome da ex-banda. Na seqüência, tentou se transformar num novo Roberto Carlos entoando pífias canções românticas. Voltou a reunir o RPM para um MTV ao Vivo e, ponto mais baixo da carreira, entrou na onda dos Emmersons Nogueiras da vida com um álbum “Acoustic Live”.

Isso tudo do parágrafo anterior sem contar os momentos queima-filme recentes, como participar das gravações dos CDs de Roberto Justus e Padre Marcelo Rossi. Eu sei, é praticamente impossível defende-lo, mas o recém-lançado “Revolução! RPM 25 Anos” – box que reúne os três álbuns oficiais do grupo, mais uma coletânea de raridades e remixes, e um DVD com o show “Rádio Pirata” (e vários extras interessantes) – tenta colocar as coisas no seu devido lugar.

“Revoluções Por Minuto”, o álbum de estréia lançado em maio de 1985, é um dos grandes debutes do rock nacional em todos os tempos. Paulo e Luiz já haviam tido uma banda progressiva no início dos anos 80, que acabou depois que o vocalista vendeu tudo que tinha e se mandou para Londres, onde entrou em contato com toda cena pós-punk e new romantic britânica. Quando voltou ao Brasil, já trazia na cabeça o formato que queria explorar. Daí nasceu o RPM.

O debute reúne hits incontestes como “Rádio Pirata” (sobre a ditadura das rádios FM e a força da cena underground), “Olhar 43″ (uma canção sem refrão, com guitarra em segundo plano e teclados no comando), a baladaça “A Cruz e a Espada”, a progressiva faixa título (proibida pela ainda ativa Censura Federal pela frase “aqui na esquina cheiram cola”) e o indiscutível single “Louras Geladas”, com poderosos riffs de guitarra, um refrão pegajoso e sua letra divertida de corno bêbado.

Porém, sob a sombra da luz dos grandes hits, “Revoluções Por Minuto” esconde canções brilhantes como as densas e darks “Liberdade/Guerra Fria”, “Sob a Luz do Sol”, “Pr’esse Vìcio” e, principalmente, “Juvenilia”, triste resumo da história de um povo e de um país cuja fé no futuro foram massacrados pelas mãos da ditadura e de políticos corruptos, muitos deles na espreita após a morte de Tancredo Neves, meses antes do disco ser lançado (e que permanece atualíssima em tempos de eleição de “mercenários sem direção” que você até sabe quem são – eu sei).

O disco lançado em maio bateu 300 mil cópias vendidas, e chamou a atenção de Ney Matogrosso, que assumiu a produção dos shows da banda após vê-los ao vivo no Rio de Janeiro. Em setembro estreou o show “Rádio Pirata ao Vivo”, cuja passagem em um festival no Sul do país fez com que uma gravação pirata de “London, London”, cover de Caetano Veloso, entrasse na programação das rádios – ainda com espaços livres do jabaculê – e batesse nos primeiros lugares de execução.

O público queria ouvir “London, London”, mas a canção não existia fonograficamente. A saída foi parir a fórceps um álbum ao vivo, que foi gravado durante dois shows em maio de 1986, em São Paulo. “Rádio Pirata ao Vivo” vendeu 500 mil cópias antes de chegar às lojas e levou o RPM para o topo do cenário nacional. De suas nove faixas, duas covers (”Flores Astrais”, dos Secos & Molhados, e claro “London, London”), duas faixas inéditas (”Alvorada Voraz” e a instrumental “Naja”) e cinco regravações, entre elas a faixa título com direito a citação de Doors.

A viagem ao estrelato – regada do trinômio sexo, drogas e rock and roll – deixou marcas profundas na banda. Pouco mais de um ano depois do lançamento de “Rádio Pirata ao Vivo” o grupo anunciava sua separação (deixando engavetado o projeto de um filme e a falência de um selo próprio). O retorno se deu meses depois, com “RPM”, o terceiro álbum, que bateu 250 mil cópias, um número que seria uma marca de sucesso para muitos, mas que para o RPM foi um grande fiasco.

Em “RPM”, também conhecido como “Quatro Coiotes”, a banda busca aproximação com o rock and roll clássico em faixas como “Partners”, “Um Caso de Amor Assim” e “Dália Negra”, mas o que comanda ainda são os arranjos que privilegiam os teclados de Schiavon, que brilham em “Sete Mares”, “Quarto Poder” e na boa faixa título. O berimbau marca o arranjo de “A Estratégia do Caos”, e Bezerra da Silva, em voz e alma, dueta com Paulo Ricardo na ótima “O Teu Futuro Espelha Essa Grandeza”.

A história do RPM – e de Paulo Ricardo – que deve ser lembrada está nestes três álbuns reunidos no box “Revolução! RPM 25 Anos”. Ok, há aqui ainda um disco de curiosidades com remixes (muito em voga nos anos 80) e raridades, que destacam o compacto duplo luxuoso lançado ao lado de Milton Nascimento entre o segundo e terceiro discos com as canções “Feito Nós” e “Homo Sapiens”, além de versões para “Gita”, de Raul Seixas, e “A Página do Relâmpago Elétrico”, de Ronaldo Bastos.

O DVD que acompanha o pacote tem função apenas de registro de época. As imagens do show lançado originalmente em VHS são de péssima qualidade, e perdem inclusive para várias bootlegs de outras bandas que circulam no mercado, mas servem para ilustrar um período importante do rock nacional. Os extras são ainda mais interessantes, com registros da banda no programa Mixto Quente e Cassino do Chacrinha, além da integra do programa Globo Repórter Especial dedicado ao grupo em 1986.

“Revolução! RPM 25 Anos” é um importante lançamento não só apenas por trazer o álbum “Quatro Coiotes”, esforço de sobrevida até então inédito em CD (e com versões em MP3 de péssima qualidade circulando pela web) ou por mostrar que Paulo Ricardo foi, um dia, um bom músico, mas sim por resgatar uma parte da história do rock nacional que parece ter sido perdida no mainstream, nos transportando novamente para 1985: no underground repousa o repúdio. E deve despertar.

“Revolução! RPM 25 Anos”, RPM (Sony & BMG)
Preço em média: R$ 89
Nota: 9

Setembro 1, 2008   3 Comments