Um festival para todos os gostos
Foi dada a largada na noite de sábado para o calendário de festivais de rock no segundo semestre na linha de baixo do Equador. Os brasileiros do Vanguart, os norte-americanos do Melvins, as francesinhas do Plasticines e os suecos do Hives (melhor excluir o DJ Ruim da lista) levaram um bom público ao Via Funchal, numa noite de som em excelente qualidade e shows para todos os públicos. Na frente do Via Funchal, um pequeno público se movimentava e ainda era possível comprar meia-entrada a R$ 50 nas bilheterias da casa.
O Vanguart ficou encarregado de abrir os trabalhos às 19h, mas quando adentrei o Via Funchal, King Buzzo já fazia flutuar no ar o barulho esganiçado de sua Gibson Les Paul. Duas baterias (uma delas com Dale Crover) massacravam no centro do palco, e Jared Warren, com roupa de marinheiro, arrastava o que sobrava com riffs envenenados de baixo. O show foi um massacre centrado em “Nude With Boots”, disco lançado em julho, com canções como “The Kicking Machine”, “Suicide In Progress” e “Dog Island”.
Músicas mais recentes e experimentais marcaram presença no show, o que não quer dizer que o nível de barulho diminuiu (nem que foi bom). Após a banda tocar “My Generation” (irreconhecível), entoar o hino norte-americano, ser vaiada por isso, e apresentar um dos raros números antigos do repertório, “Boris” (1991), para finalizar a apresentação, alguém arremessou um copo de cerveja que acertou em cheio Buzzo, que deixou o palco na seqüência. Fim de um show só para fãs.
As meninas do Plasticines vieram em seguida. As francesas estão fazendo em 2008 o que o Donnas faz desde 1993 e o Runaways fazia nos anos setenta, sem acrescentar nada. O som continua apostando num rock com um pitadinha de Ramones em que o fato que mais chama a atenção não são as canções – razoáveis – mas sim o fato das integrantes serem todas garotas… e, neste caso, francesas e bonitas.
No meio do show, um rapaz na grade pediu para a vocalista Katty Besnard falar em francês, e não em inglês: “Parler dans Français? Ce que?”. A ala masculina foi ao delírio, e isso é o máximo que pode se esperar de um show das Plasticines: quatro garotas bonitas fazendo um rock básico sem sal, gostoso de olhar, dispensável de ouvir. Tipo: o melhor momento do show foi a cover de “These Boots Are Made for Walkin’”, de Nancy Sinatra, ou Katty tascando um beijo na bela baixista Louisie? Dúvida.
Com os homens sorrindo a toa, era a vez da ala feminina se encantar com os suecos do Hives. O agitado vocalista Pelle Almqvist partiu corações rebolando, distribuindo sorrisos, beijos e dizendo “eu te amo”. O show foi um repeteco do Werchter, com a vantagem de que em São Paulo era uma casa fechada, e não um mega-festival. E Pelle falando em português é uma comédia: “Eu, vocalista”, “Senhouras e senhouras”, “Batam palmas… Parem” e um inevitável “Tira o pé do chão”.
Musicalmente o show é impecável. Ok, eles poderiam concentrar-se no filé do repertório (”Main Offender”, “Tick Tick Boom”, “Hate To Say I Told You So”) tocando tudo em apenas uma hora, economizando trinta minutos dispensáveis, mas mesmo assim o show convence com destaques para a mão pesada do batera Chris Dangerous, as mil e uma caras do guitarrista Nicholaus Arson e a entrega de Pelle. No final, com meninas no mezanino levantando a camisa e mostrando os sutiãs para a banda, era possível ouvir alguns “vocalista, eu te amo” na platéia.
O saldo final da noite foi positivo. A qualidade de som faz imaginar que se as coisas permanecerem assim, os shows do R.E.M. devem ser históricos no Via Funhal. O Orloff Five como festival? Foi ok. Alguém só devia dar umas bifas naquele DJ que adora cortar as músicas na metade, mas os grunges experimentais saíram felizes (apesar da quantidade de emos embasbacados com o Melvins no local) e os onanistas também (e vá lá, algumas meninas felizes com a visão do palco no show das Plasticines). Um festival para todos os gostos.
Fotos: Marcelo Costa (http://www.flickr.com/photos/maccosta/)



























4 comentários
Fui no Hives em Brasília…e foi muito bom …pena que o Pelle queria fazer brincadeiras Mestre /Escravo com o público . Perguntinha Marcelo: parece que, pela sua última foto, os caras tb sentiram calor em SP?? Aqui em BSB eles tavam morrendo…
Então, Fausto, o Pelle faz essas brincadeiras em todos os shows, foi o mesmo na Bélgica. É o tipo de atitude engraçada nas primeiras vezes, mas acho que não aguentaria ver cinco shows deles. E quantas bandas hoje sobrevivem a cinco shows, né mesmo. Já o calor, o baixista já entrou sem gravata, e na terceira música o Pelle já tinha tirado a gravata, o terno, e aberto uns botões da camisa, no maior calor.
mac, meu velho, vc já deve ter lido o meu email, mas deixeu repisar aqui…
nenhuma banda de rock de respeito tem mais de uma loura na composição.
e plasticines tem três louras. preocupante também quando a banda se diverte mais que a platéia, lembrou muito o aperto que o urge overkill passou num dos hollywood rock, quando vieram por causa da cover deles no filme “pulp fiction”.
bola fora do organizador do orloff, na minha opinião.
já o show do vanguart foi bem diferente do show no eletronika.
em sampablo deixaram os “hits” pro final, possivelmente pensando nas tribos das outras bandas.
em bhz, já começaram com “cachaça”.
terminaram com “semáforo”, claro, e depois ainda veio um bis “de volta a 1967″, com direito a “sgt. pepper´s” e “with a little help from my friends”.
os dois shows foram muito bons, pena que o helio não pôde tocar sozinho no orloff, só voz e violão.
momento alto do show no eletronika.
e eu paguei a cerveja mais cara da minha vida. forçando muito a amizade e colocando uma “itaipava” como cerveja. foi praticamente um assalto, que eu já considero seis pratas um absurdo pruma bohemia (que acabou e aí só sobrou itaipava).
issaí.
e excelente especulação sobre REM em belo horizonte. um amigo meu já tá ovulando por conta disso.
abração.
pô, véio, o melhor do e-mail você não colocou aqui: “Paguei cem pratas pelo ingresso, resolvi fazer a seguinte alocação do valor… oitenta foi pros hives, dezoito pro vanguart, um real pro melvins, cincoenta centavos pro plasticines e cincoenta pro flanelinha”. Sensacional! (risos)
E, putz, eu estava do mesmo lado que você, direito do palco (sempre fico por ali). Estava com alguns amigos. A birra fica pra próxima, sem problema, mesmo pq birra de 6 reais é foda. Dava para beber três Hoogarden em berlim!
Abração
Mac
Faça um comentário