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“Konk”, The Kooks

Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, tem uma definição bastante particular sobre o que é uma banda pop: “Pop é o que toca no rádio. Oasis já foi pop, hoje não é mais”, disse certa vez o líder dos Bunnymens, que seguindo esse pensamento, também já foi pop um dia. Admiro o líder da segunda banda mais importante de Liverpool, mas discordo de sua afirmação. Para mim, pop é pop, rock é rock e o que o Beirut faz pode ser chamado de lirismo. Simples.

Mesmo tendo pontos de vista contrários, neste exato momento, para mim e para o Sr. Ian, o quarteto de Brighton, The Kooks, é pop. È bem provável que um dia ela deixe de ser para McCulloch, mas tenho a plena certeza de que sempre que for me referir ao Kooks, vou ter a palavra “pop” prestes a ser teclada. “Konk”, segundo álbum do grupo, é pop pegajoso, “catchy” como estão apelidando os britânicos, canções que você ouve uma vez e fica assoviando a melodia o dia inteiro.

Se na ótima estréia, “Inside In/Inside Out” (2006), o som do grupo aspirava o pop perfeito expirando reminiscências de Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Blur, Clash, Smiths, Strokes, Oasis e até Police,  em “Konk” o grupo tira do baú os velhos discos do The Kinks, dá uma polida nos riffs limpos de guitarra e faz um álbum homenagem ao britpop que poderia correr o risco de soar desnecessário, datado e tolo se não fosse inspirado, espertamente pop e cuidadosamente produzido.

Um riff de guitarra abre o disco. O vocalista e guitarista Luke Pritchard mastiga a letra sobre o riff enquanto dá pistas do seu jeito de olhar o mundo: “Eu vejo o sol subindo / E você só o vê cair, cair cair”. As guitarras engrossam a introdução da love song “Always Where I Need To Be”, que tem até “do do do do” no refrão e marcação de palminhas na bateria. “Mr. Maker” é levada ao violão e tem um q de Beatles no refrão. “Do You Wanna” tem bateria marcada, guitarras sujonas por baixo e climão Franz Ferdinand.

Violão e guitarra abrem “Love It All”, que soa piegas e se tocar em rádio será uma praga. O baixo sujão introduz “Stormy Weather”, que ali pelo meio volta a ser uma canção tipicamente Kooks. “Sway” e “Gap” começam simplesinhas, e ficam grandiosas no refrão. “Shine On” destaca o órgão enquanto “Down To The Market” é mais pop com guitarras. “One Last Time”, “Tick Of Time” e a faixa escondida “All Over Town” fecham o álbum em clima calmo (a segunda é quase uma faixa demo). Uma edição especial, dupla, acrescenta mais nove faixas ao disco.

Ser ou não ser pop é algo que tortura nove entre dez músicos, boa parte deles perdido no purgatório do mercado, no meio do caminho entre a fama, o culto e a lama. Em “Konk”, o Kooks parece querer fazer música pelo simples prazer de tocar apresentando um punhado de pop songs ensolaradas que não acrescentam nada na história da música, mas que podem e devem ser assoviadas muitas manhãs por todos aqueles que acreditam que uma boa música pode salvar o dia. Eis aqui várias candidatas ao posto. Divirta-se.

“Konk”, The Kooks (EMI)
Lançamento nacional: R$ 29
Nota: 7

6 comentários

1 cris { 05.26.08 at 1:32 pm }

Tenho que confessar, apesar de gostar do Echo acho o Ian McCulloch um tanto chato…

2 Mac { 05.27.08 at 4:08 pm }

Ele é um cara legal, Cris. Tibe muito medo dele ser um babaca quando o entrevistei, mas ele foi muito gente boa.

3 Edivaldo { 05.28.08 at 9:00 am }

Belo comentário, eu concordo com que escreveu sobre o cd.
Obs: a gravadora é a EMI

4 Mac { 05.29.08 at 10:43 am }

Edivaldo, valeu pela correção!

5 Léo { 05.29.08 at 4:20 pm }

Konk me soou agradavelmente bacana nos ouvidos;músicas para ouvir gostar e esquecer(ou não)…oras afinal o Crocodiles,Definetely Maybe também assim o foram…daqui a 15 anos sentirei uma gostosa nostalgia quando ouvi-lo novamente…e isso não é ruim!hehehe

Abraço!!

6 dani { 05.21.09 at 4:26 pm }

Talvez eu até concorde com tudo que voce falou, a única coisa que nos difere é que voce menciona tudo de um ponto de vista mais negativo do que positivo. mas é exatamente o tipo de música que eu gosto de ouvir, e eu não consigo encontrar isso em nenhuma outra banda taxada como ‘indie’.
Não sei, mas The Kooks pra mim é diferente das bandas que dizem ter um som semelhante ao deles.Talvez seja pela voz do Luke, que não consegue deixar nenhuma música ruim.

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